O Grito!


Sandman – Fábulas e Reflexões
Janeiro 29, 2007, 8:24 am
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SANDMAN – FÁBULAS E REFLEXÕES
Neil Gaiman e Vários Desenhistas
[Conrad, 268 págs, R$66]

O principal mérito de Gaiman em seu aclamado Sandman não é apenas criar uma boa história e sim tornar convincente todo um universo criado por ele. Agora que já estamos no sexto livro da série do Senhor dos Sonhos, as histórias, tramas, personagens, conceitos, tudo, assume um espírito bastante familiar. Se aventurar pelas fábulas às vezes captura o leitor para o Sonhar e às vezes é difícil sair. Este novo volume é a uma compilação de contos e especiais lançados pelo selo Vertigo com o Sandman. Se destaca por explorar os eventos históricos mais que os outros livros. Gaiman mostrou neste volume que entende bem de Mitologia Pagã, Cristã, Idade Média e sobretudo de quadrinhos. As histórias não teriam o mesmo encanto se não fossem feitas neste formato. Com isso, o autor inglês, ao mesmo tempo em que explora com maestria e poética as diversas fábulas mitólogicas, cria a sua própria mitologia moderna. Neste livro, vemos também um pouco mais da história pessoal de Morpheus, em episódios ao lado do filho Orpheus e da mulher Calíope. Mas os destaques são mesmo os personagens históricos como Marco Polo, Robespierre, entre outros. E se o clássico inconteste de Neil Gaiman é indiscutível, a edição da Conrad é um luxo, qualidade impecável, do papel ao acabamento, passando pela apresentação e tradução. [Paulo Floro]

NOTA :: 10


Sandman Estação Das Brumas | Neil Gaiman e Vários Artistas
Março 23, 2006, 9:10 pm
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SANDMAN – ESTAÇÃO DAS BRUMAS
[Neil Gaiman e vários artistas - Conrad 256 pgs, R$ 60]

Neil Gaiman criou a maior série de quadrinhos de todos os tempos. Como obra prima da arte sequencial, Sandman se enquadra ao lado de Batman o Cavaleiro das Trevas (Frank Miller), Watchmen (Alan Moore) e Maus (Art Spielgman), com o diferencial de que Sandman se tratava de uma série mensal, cuja peridiocidade poderia retirar o brilho ou a qualidade da série. Afinal estamos acostumados a ver isso nos quadrinhos. Podemos dizer que Gaiman e seus colaboradores criaram 10 fantásticas obras-primas das hq´s. Começando com Prelúdios e Noturnos, até agora, com A Estação das Brumas, a Conrad num projeto editorial nunca antes visto lança toda a saga do Lorde Morpheus e seus irmãos perpétuos. Neste livro, Sonho vai até o Inferno para resgatar Nada, seu antigo amor, o problema é que Lúcifer Estrela-da-Manhã jurou destrui-lo. Neste livro conhecemos (quase) todos os irmãos perpétuos, com suas maquinações, intrigas. Com sua visão do Inferno e com diálogos magníficos, é a melhor saga na minha opinião. É inquestionável o valor literário de Sandman, que condensa em sua mitologia referências do rock´n´roll, cinema, clássicos literários e dos próprios quadrinhos. Como uma obra de arte, com um roteiro que vai do surpreendente ao genial, Sandman nunca se afastou dos quadrinhos enquanto formato, com elementos simples utilizados até hoje. O modo como Gaiman se apropria disso é que tornou a série uma aclamação de crítica e público. Outro ponto alto da obra é a arte, que muitos reclamam, mas que se encontra no contexto e clima do roteiro. Mark Dringenberg e Kelly Jones, vão do naturalismo ao dark, mas sempre enquadrado numa estética sombria, isso sem falar de Dave Mckean, o capista, cuja obra trabalho em Sandman aproximou os quadrinhos às artes plásticas. É muito difícil fazer uma crítica de Sandman, sem essa locomotiva de elogios. Talvez excepcional não seja o bastante… Então, já que muito já foi dito da obra de Gaiman, a nota vai, sobretudo à Conrad que fez um trabalho magnífico como nunca se viu no Sonhar.

NOTA:: 9,5[Paulo Floro]



Sandman Casa de Bonecas | Neil Gaiman e Vários Artistas
Outubro 5, 2005, 7:08 pm
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SOBRE SONHOS E LENDAS
Relançamento de Sandman melhor do que a encomenda!
por Paulo Floro

No fim dos anos 80, Neil Gaiman realizou uma das maiores obras dos quadrinhos, Sandman. Ao lado de Frank Miller com o seu Batman – O Cavaleiro das Trevas e Alan Moore com Watchmen. A saga de Morpheus, o perpétuo Senhor dos Sonhos, e sua aventuras no Sonhar fez um grande sucesso, foi um fenômeno editorial e alçou os quadrinhos a um nível artístico nunca antes alcançado. Tudo bem que Will Eismer já se utilizava da linguagem das HQ´s (ou Arte Seqüencial) para criar obras de arte espetaculares (como Avenida Dropsie, O Nome do Jogo), mas nunca um gibi de linha de uma mega editora havia alcançado esse feito. Agora depois de um primeiro volume bem sucedido, a Conrad lança a segunda saga de Sandman, novamente num acabamento luxuoso e papel de primeira.

O segundo livro, A Casa de Bonecas, inicia o passeio de Gaiman pelas profundezas do Sonhar e suas personagens. Conta a historia de Rose Walker, uma deslocada garota que atrai a atenção do Lorde Morpheus por carregar um mal que ameaça o Reino dos Sonhos. A moça de repente recebe um convite para uma viagem onde precisará procurar para um lado obscuro de sua história. Na aventura Rose encontra tipos exóticos, típicos do universo de Gaiman; assassinos, perdidos, loucos, psicóticos.. Além disso, Sandman ainda precisa arrumar a bagunça deixada no primeiro livro, cuidar da fuga de alguns pesadelos e pôr ordem no caos. É neste volume que somos apresentados aos outros irmãos perpétuos, como Desejo e Desespero. Interessante que muitos dos elementos desta parte ainda serão abordados no futuro, mas não é difícil ler livro como uma obra em separado. Genial a parte em que Rose encontra uma convenção de Serial Killers e o pequeno conto sobre um imortal que debate a metafísica de estar vivo ao longo dos séculos com Sandman, sempre no mesmo lugar.

Ao conceder Morpheus, o Senhor dos Sonhos e todas as personagens de sua história, Neil Gaiman criou todo um universo de conceitos e referências. Portanto, ao começar a ler a obra de Sandman, que será publicada em 10 volumes pela Conrad e cujo segundo volume A Casa de Bonecas chega agora às livrarias, deixe-se imergir no sonho que fabulosamente foi construído. Tudo parece familiar e estranho no livro. Gaiman se utiliza muito bem da linguagem dos quadrinhos. Ele não a repele e sim a desconstrói. Os planos, os desenhos, os enquadramentos se assemelham um pouco a tudo antes feito. Mas os artistas Mark Dringenberg e Michael Jones.III utilizam referencias do cinema, fotografia para criar um ambiente de sonho. Colagens. Perspectivas absurdas e um acentuado tom expressionista, forte, apenas com cores primárias. Alguns entusiastas da obra tentam retirar esta característica, mas Sandman é uma HQ de super-heróis, Gaiman se farta de todas as referencias do universo DC e os mistura a pitadas pop de cinema, literatura clássica inglesa, mitologia, misticismo, bruxaria e lendas modernas. E é isso a prova da genialidade de N.G. Para criar a maior obra dos quadrinhos, não precisou subverter a lógica nem a estética do gênero, apenas alçou e um patamar artístico-literário, que se não fosse a obra, nunca teria alcançado.

NOTA:: 9,0

SANDMAN – A CASA DAS BONECAS
Neil Gaiman

[Conrad, 256 págs, R$ 60]


MAIS BERROS SOBRE GAIMAN

ANANSY BOYS – Não bastou a coleção de Sandman se esgotar nas comic shops americanas, agora o absoluto Neil Gaiman encabeçou a lista dos livros mais vendidos com o sua nova obra Anansy Boys, que conta a historia de um workaholic inglês que se descobre descendente de um deus africano. Pelo sucesso da obra é certo que o livro chegue logo às livrarias, assim como o anterior Deuses Americanos. É a primeira vez que o autor inglês se aventura de cabeça no gênero cômico sem um final traumático de seus últimos livros.

MIRRORMASK – Encomendados pela produtora dos Muppets, a Jim Henson Pictures, o filme escrito por Gaiman e dirigido por seu parceiro Dave Mckean, conta a história de Helena uma garota membro de uma família circense que acaba imersa em um sonho de trevas. Rodado com um orçamento ínfimo, o filme, segundo os autores tenta resgatar a antiga magia de produções como Labirinto com David Bowie. Gaiman e Mckean trabalharam de graça na produção, a ser lançada pela Sony, com participação nos lucros e total domínio da obra. Provavelmente deverá se tornar cult. E provavelmente também não chegara aos cinemas brasileiros.