O garotinho cabelo de miojo cresceu, apareceu, tá bacana, respeitado pela crítica e pode se dar ao luxo de passar de vidraça a pedra.
Nesse vídeo impagável do Saturday Night Live, Justin Timberlake faz paródia do gênero baba que o fez atingir o estrelato com um humor politicamente incorretíssimo pra um (ex) rapaz tão bonzinho.
Fotos: Larissa Alves (Blogue Roger) e Guga Matos (JC Imagem)
ESSAS PESSOAS DA SALA DE JANTAR
Depois de mais de trinta anos, Mutantes faz show histórico nos 15 anos do Abril Pro Rock
Por Rafaella Soares
MUTANTES
ABRIL PRO ROCK 2007
Recife, 13 de Abril 2007
Pé atrás não implica necessariamente pé frio. Graças a essa premissa, todos que estavam na noite da última sexta-feira 13, primeira noite do Abril pro Rock, em Olinda, presenciaram um show competente e emocionante da nova formação d’Os Mutantes, com Zélia Duncan nos vocais.
É de se esperar que o revival da maior banda de rock brasileira provoque reações inflamadas, afinal, muito do culto em torno deles deve-se à mágica vinda do trio Rita, Arnaldo e Sérgio, que dispensa maiores apresentações.
Mas até os fãs mais céticos foram rendidos na segunda apresentação brasileira da banda, abrindo o Festival Abril Pro Rock 2007. A decisão de trazê-los para Recife como uma das atrações principais começou bem antes da volta deles, segundo o produtor Paulo André Pires. Uma reunião marcada na casa de Sérgio Dias pela mulher dele (sem o conhecimento do guitarrista) teria dado início a toda a negociação sobre a volta. Se isso é lenda ou não, tanto faz, as especulações sobre o retorno tão esperado só serviram para aumentar ainda mais a expectativa da série de shows que eles estão fazendo em cidades privilegiadas.
Dando preferência aos clássicos da banda, como “Top Top”, “Virgínia”, uma versão mais longa e improvisada de “Cantor de Mambo” (que eu francamente confundi com “El Justiciero”), “Tecnicolor”, e preciosidades como uma bonita e tocante “Ave Lúcifer”, ou “La premier Bonheur du Jour” fizeram bonito ao lado de clássicos menos lembrados, como “Quem tem medo de brincar de amor”, seguida de “Desculpe Babe” (melhor momento da noite na minha modesta opinião!). As infalíveis “Panis et circenses” e “Bat Macumba” não poderiam faltar.
Com um Sérgio Dias desenvolto, simpático e assumidamente guitar hero, um Arnaldo vestido de paetês e lúdico como sempre (fechou a noite em saltos polichinelo!) e uma Zélia bastante respeitosa, porém com vigor nas horas certas, o show de Mutantes merecia bis intermináveis!
Nota:9,0

Não antes de uma dose: Amy diz que não é lésbica. Pelo menos não antes da primeira lapada.
GARRAFAS E CORAÇÕES PARTIDOS
Amy Winehouse usa voz de mulherão e bagagem amorosa para lançar um dos melhores discos de 2007
por Rafaella Soares
AMY WINEHOUSE
Back To Black
[Virgin, 2007]
[Recomendado]
A música pop ainda tem espaço para uma dama chorando suas desventuras amorosas? Bem, espaço pode ser forjado, seja no surgimento de mídias muito bem sacadas para divulgação (caso do MySpace, sempre ele!) ou na aposta acertadíssima de uma major,vez ou outra. O nome é Amy Winehouse. E o “dama” é em gratidão pelo som poderoso que ela trás com sua voz puro Motown, já que de certinha ela não tem nada. Foi a Virgin que assinou com a mais negra, no sentido original do termo, das branquelas cantoras de soul. Com apenas 23 e no seu segundo trabalho, Back to Black, Amy poderia apenas emular as divas do passado ou seguir o filão de Joss Stone e companhia, sendo bem sucedida. Porém, a autenticidade das suas letras imprime mais valor às músicas. Os temas vão desde alcoolismo aos percalços amorosos dessa inglesa, que se mete em confusão pra em seguida se redimir bravamente com alguns dos versos mais inspirados dos últimos tempos, como no hit “Rehab”, em que ela ironiza sua inaptidão para dar os 12 passos. A cantora já tinha lançado Frank em 2003, um disco bem mais pop com características fortes de jazz, que apesar de ser indicado ao Brit Awards como melhor álbum solo feminino estranhamente não estourou.
Amy tem influências musicais na família, e sua primeira experiência foi montar uma banda de rap aos 10 anos, chamado Sweet’n'Sour (da qual foi expulsa por não se dedicar e ter colocado um piercing no nariz). A rebelde garota judia ganhou sua primeira guitarra aos treze anos e aos dezesseis teve sua demo descoberta pelo cantor Tyler James, assinando em seguida com a Universal. Em “My Tears Dry on Their Own” e “Wake Up Alone” ela enumera as tristezas de quem vive um frustrado relacionamento aberto. Nessa última: “Tà tudo certo/ Me ocupo durante o dia/ Compromissada com o amor/ Não preciso/ Me preocupar onde ele está/ Cansei de chorar/ Ultimamente quando me pego assim/ Eu viro o jogo/ Fico de pé/ Limpo a casa/ Pelo menos não estou bebendo“. São estrofes que dão o tom das composições que poderiam muito bem ter saído de um álbum de Aretha Franklin nos anos 1960. Em “He Can Only Hold Her”, a mulher sexualmente livre confessa que “O homem com quem ela quer estar / Agora, como ele pode ter seu coração / Quando ele lhe foi roubado”.
Vítima constante dos tablóides ingleses ávidos por personalidades que vivem no limite, Amy viu sua vida ser devastada a partir do aparecimento de uma anorexia, que a fez perder peso consideravelmente. Aos que especulavam ser isso uma reação à cobrança pela imagem, ela respondeu que não obedece à esses apelos externos, e sim à sua criança interior.
Seu barraco com Bono Vox nos bastidores de um programa de auditório já é tão lendário quanto suas fotos e aparições públicas, trôpega ou vomitando no palco. Isso te lembra alguém? Em entrevista recente a revista Elle, um jornalista percebeu em seus braços arranhões e cortes, o que alimentou rumores sobre uma queda que ela teria levado no meio da rua, em Nova York.
Nos seus planos está a trilha sonora do próximo filme 007, além de um dueto com Sir Mick Jagger no Festival da Ilha Wight. Mesmo recebendo mais atenção pelos excessos etílicos do que por seus dotes musicais, Amy não passará rápido com uma manchete de tablóide, é o que fica depois de escutá-la demoradamente.
NOTA: 10
VOLVENDO CON ALMODÓVAR>
Volver é o novo Almodóvar, que com voltas e voltas, arruma sua galeria de signos.
por Rafaella Ordella
VOLVER Pedro Almodóvar
[Espanha, 2006]
“Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. Esse petardo de Tolstói abre o livro Anna Karenina como uma sentença triste, porém absolutamente verdadeira que nos atinge de maneira irreversível. Ninguém escapa dessa premissa,seja uma família da aristocracia russa do século 19 ou uma família espanhola das últimas décadas.
Volver, a mais recente película de Pedro Almodóvar, é uma fábula moderna e lírica, bonita como poucas incursões nesse tema. Almodóvar pode estar mais sóbrio nas cores, mas sua exuberância está estampada ora nas atuações precisas (precisa talvez seja um termo racional demais…) ora pairando como na metáfora do vento que enlouquece, leva e traz as pessoas de volta ao vilarejo de origem. Sua mão está no roteiro, que serpenteia como muitas vidas fantásticas de pessoas reais (será que os outros continentes dividem conosco a intensidade dos sentimentos?). Está nas atuações à flor da pele, pungentes, cheirando à pimenta vermelha que Penélope Cruz usa pra alimentar um batalhão de gente.

Boca de se fuder: Almodóvar ainda é o melhor no retrato da inquietude feminina.
Sua marca registrada, criar a comoção da identificação, permeia uma narrativa brilhante, nada óbvia como sugerem aqueles que confundem estilo com repetição,pelo contrário. É um talento se reiventar em histórias similares e distintas ao mesmo tempo…Volver é único, ainda que remeta a obras anteriores. Poucos falaram de família desse jeito antes, tocando em temas recorrentes mas sugerindo uma abordagem tão afetuosa. As mulheres já receberam o carinho do diretor em forma de filme ao longo de sua obra, e o maior mérito desse trabalho é reafirmar a força do sexo feminino, nas relações entre si e nas sagas familiares.
Aqui, um ar de Garcia Márquez contemporâneo, a dar outra perspetiva do quão mágicas podem ser as trajetórias das pessoas. Nada há de terra-à-terra no universo de quem guarda segredos por décadas, quem vive à sombra do amor de quem ama, quem abre mão da própria vida para cuidar dos seus.
Carmen Maura reconciliou-se com seu habitat natural, na persona de uma matriarca nada previsível, ainda que doce e forte em momentos alternados. Superou em muito a avó firme e divertida de “Valentim”. Volver marca voltas ainda mais simbólicas, o resgate do passado daquele menino excêntrico que saiu da cidade de Mancha pro mundo e no entanto hoje retrata suas impressões de povoados folclóricos, místicos e pessoas extraordinárias que estão sob a pele de mães, filhas, avós, vizinhas. Sem que ninguém desconfie.
NOTA:: 10
Com a banda 3 Na Massa, cantoras como CéU e Thalma de Freitas se reiventam como musa em projeto inovador
por Rafaella Soares
Serge Gainsborg fez suas respectivas Jane Birkin e Brigitte Bardot gemerem e sugerirem as maiores fantasias lúbricas nos clássicos da chanson francesa pro mundo todo. O Two Virgins tem uma faixa que consiste basicamente de John e Yoko dizerem o nome um do outro, entre gemidos e respirações ofegantes. Mick Jagger botou Marianne Faithfull no bom caminho, por assim dizer, e Sister Morphine, encontrou uma voz.
A música é pródiga em exemplos bem sucedidos de produção/composição masculina registradas por vocais sensuais femininos.

Thalma de Freitas
Atinge ao mesmo tempo um clima lúdico e sofisticado. Aqui cabe dizer, todos as formações no estilo “coletivo” atual – vide Moreno, Domenico, Kassin+ tantos!, esbanjam em barulhinhos, texturas, invencionices das mais prazerosas. As parcerias não podiam ter simbiose maior. Nas músicas disponíveis no Myspace, tem desde Thalma de Freitas, sub-aproveitada em novelas da Globo, mostrando sua elegância nada afetada e voz suave na faixa “O seu lugar”, até CéU, revelação de 2006, interpretando uma canção de Junio Barreto, “Doce Guia”. “Tatuí” merece um à parte. A hipnótica faixa escrita por Rodrigo Amarante ganha um ar de lolita na voz de sua namorada, Karine Carvalho. Como se não bastasse isso, pra deixar o ouvinte arfando e louco pra ouvir de uma vez o aguardado cd de estréia, Manara com sua safadeza à moda antiga ilustra a página da banda na internet.
Céu
O Céu de Suely termina com uma estrada vazia, sem tragédia nem happy end tudo com o direito a nota dez
por Fernando de Albuquerque e Rafaella Soares
Hermila é uma personagem dividida entre laços afetivos. De um lado ela tem Iguatu como raiz, e do outro o desejo de ganhar o mundo. Uma mulher entre suas fontes e um céu sem limites. Essa tensão permanente entre o local e o global está presente no próprio ambiente, em cada plano do filme, bem como em sua trilha sonora. As primeiras imagens e sons sugerem essa dialética: numa textura de filme doméstico, vemos Hermila correndo e dançando feliz num descampado, enquanto se ouve em off seu relato de amor incondicional ao marido Mateus. Como fundo a canção “Everything I Own”, do Bread, em versão brasileiríssima. Uma espécie de clipe bem brega. Iguatu então se converte nisso: numa vontade incontrolável de estar associado a um mundo globalizado, mesmo que pelas portas dos fundos. E Karim vincula o filme a uma galáxia de Gutemberg remodelada e que relembra a máxima de McLuhan: “para ser global, fale apenas da sua aldeia”.
Voltando ao institucional: a jovem Hermila, acompanhada do seu filho pequeno, retorna ao grau zero de sua saudade: espera a volta do marido. E isso nos é contado de um lugar sertanejo mostrado em nuances ricas e planos bem modelados. Os detalhes enriquecem o todo, como, por exemplo, o uso do céu, a decoração típica de um motel barato, ou mesmo a imagem de uma geladeira aberta. As perspectivas financeiras lançadas pela protagonista que existem na pirataria de música e filmes logo dão lugar a uma idéia bancada pela própria Hermila: rifar o próprio corpo, juntando o dinheiro necessário para uma fuga que lembra a de uma prisão. Ela faz por onde.
Em Madame Satã, também de Aïnouz, a pressão social e mesmo racial estava estampada no corpo e na alma do protagonista. Com Suely essa tensão é o tema do deslocamento, do sonho de um lugar feliz, que se encarna no destino de Hermila. Da Lapa carioca dos anos 40 ao sertão cearense do século 21, do negro homossexual à sonhadora interiorana, os temas foram modificados, mas o cinema de Aïnouz continua sendo um jeito delicado, porém vigoroso, de dar a ver a interação entre o indivíduo e sua circunstância.
Curiosidade – O filme está bem longe do padrão Globo Filmes de cinema que, com raras exceções, vem embalando obras que parecem mais funcionais na tevê. O Céu de Suely surge como uma raridade no cenário, o que talvez explique a demora no seu lançamento nas salas pernambucanas. Ele chegou às telas cariocas e paulistas ainda em novembro, e só agora a província recifense decidiu abrigar a obra.
INQUIETO e INDIGESTO
Seu abandono é tão sofrido que ela enxerga numa rifa de si mesma a solução para sair daquele lugar. Mesmo com o amor de João, ela parte nessa jornada de se tornar a primeira mulher da cidade que vende “uma noite no paraíso”. Suas maiores desventuras começam aí. A idéia de prostituição é encarada com certo conformismo de sua parte, ao passo que gera momentos de tensão na sua casa.
A atriz que encarna Hermila, Hermila Guedes, dosa com muita habilidade a dor e a impulsividade da personagem, que arrisca tanto por achar que não tem nada a perder. O Céu de Suely é bonito por ser tão fiel aos elementos mundanos na narrativa. As cenas dela freqüentando uma boate de beira de estrada e dançando músicas tecno-bregas remetem bastante à Cidade Baixa.
O Céu de Suely não é indigesto apenas por ter cor, cheiro, diálogos diretos. Mas também por não é um filme asséptico. Oferece uma gama de sensações que acabam por criar empatia tamanha e fazer o espectador sair da sala desolado e solidarizado com essa mulher.
O CÉU DE SUELY
Karin Aïnouz
[Brasil, 2006]
NOTA :: 9,5

Abusado: Chico Buarque já nasceu velho.
HERÓI DE BRINQUEDO
por Rafaella Soares
A idéia é boa. Uma banda que debocha sem concessões dos maiores clichês da cidade – que vão desde os personagens típicos dos barzinhos da moda até eles mesmos. Na terra do Manguebeat, onde tudo é sacralizado, assumir uma atitude dessas é pisar, sem percatas de couro, em campo minado. Mas em se tratando do The Playboys, parece que eles sabem o que estão fazendo.
Esses meninos-balzaquianos, a bem da verdade, são kamikazes na cena musical recifense e arrebanharam uma legião de fãs fazendo pouco dos pseudo-culturais, punks de butique, surfistas mediocres. Levando alegria à um sanatório (referência acidental ao Velvet Underground?). Forjando a participação em festivais ( caso do Abril pro Rock 2005).
Auto-intitulada a banda mais cheirosa de Recife, formada nos altos prédios de classe média, já estão completando 10 anos de carreira. Mesmo com o nariz torcido de muitos, o grupo segue provocando e fazendo história no udigrudi. Se bem que até esse termo é pretensioso demais pra uma banda tão non sense!
O tecladista ZGR em entrevista ao Grito! contou um pouco sobre as novidades da banda.
Em pouco mais de uma semana, os Playboys fizeram shows no UK Pub e no Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano (Tamarineira),no último mês de dezembro. O que vocês mudam na performance se apresentando em lugares tão diferentes?
É como já dizia o bom e velho apóstolo Lucas no seu evangelho, o bom filho à casa torna e estamos voltando a tocar nesses dois lugares requintados a pedidos do público que já é fiel, fervoroso e sabe todas as letras decoradas. Sempre há uma novidade nos shows, independente de onde ele seja, mas quando são nesses lugares inusitados, sempre aprontamos uma a mais, e outra, quem faz o espetáculo é a galera que está vendo o show.
O lançamento do single Paulo André não me ouve resultou uma repercussão bem maior do trabalho de vocês, que chegaram a tocar até em um grande festival (Recbeat). A banda ganhou mais espaço e atingiu mais pessoas depois disso?
Pois é, até agora todo mundo escutou a gente, menos Paulo André. Nosso site já saiu do ar por algumas horas, tamanha demanda de gente baixando o single Paulo André Não Me Ouve. E tem novidade…. a banda The Playboys lançou no mês de dezembro o videoclipe desta música e no embalo comprou até um aparelhinho pra ver se ele escutava desta vez. Vamos ver se rola nem que seja uma parceria. Nós chegamos em um ponto que estamos saindo em mais revistas, zines, programas de Tv e sites de fora de Recife do que em nossa própria cidade.
Existe algum personagem ou estereótipo da cena cultural de Recife que ainda não recebeu homenagem de The Playboys?
Não sei o que paira pela cabeça dos outros playboys, mas os jornalistas locais, sim, esta classe intelectual e banal um dia vai ter o troco que merece… mas não vamos perder tempo com isso. Vamos falar do nosso último contemplado, ok? Chico Buarque é o nome do rapaz, ele está no mesmo patamar que nós da The Playboys, somos todos da classe artística, só que tem um detalhe, ele já era velho antes mesmo de nascer.

Nosso cachê é absurdo, mas toca a gente, ok?
Os playboys ainda pedem mesada ou conseguem se manter com shows?
O nosso cachê é algo surreal para a realidade brasileira, sem falar das nossas exigências no camarim. Temos que nos contentar com alguns trocados graúdos que nos oferecem já que a economia brasileira não passa por uma boa fase. Aconselho até quem tiver oportunidade de investir nas ações da Google, não pensar duas vezes. Só neste fim de semana, comprei um iate e um jetski pro meu laguinho particular e ainda fiz a feirinha básica do mês que envolve além da comida lá de casa, bebidas, presentinhos (só eletrônicos ) de natal pros amigos e familiares.
E sobre a caixa de comemoração de 10 anos da banda?
Será uma caixa de pandora!
Pra terminar: o lendário Palco 3 do Abril pro Rock, foi uma loucura saudável ou uma estratégia furada?
Como diria nosso colega Carlos da Brainstorm9 [www.brainstorm9.com.br] foi uma “tática de guerrilha”. A gente conseguiu um destaque incalculável, pois além dos três shows que fizemos em uma única noite, dois deles com Wander (Wildner), estávamos ali cara a cara com a galera no nosso stand e trocando figurinhas com quem passava. Impagável.
Para mais informação
Site oficial do The Playboys: http://www.theplayboys.com.br/
Site do Z.G.R.: http://www.zgr.cjb.net/
VOLVENDO CON ALMODÓVAR
Volver é o novo Almodóvar, que com voltas e voltas, arruma sua galeria de signos.
por Rafaella Ordella
VOLVER Pedro Almodóvar
[Espanha, 2006]
“Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. Esse petardo de Tolstói abre o livro Anna Karenina como uma sentença triste, porém absolutamente verdadeira que nos atinge de maneira irreversível. Ninguém escapa dessa premissa,seja uma família da aristocracia russa do século 19 ou uma família espanhola das últimas décadas.
Volver, a mais recente película de Pedro Almodóvar, é uma fábula moderna e lírica, bonita como poucas incursões nesse tema. Almodóvar pode estar mais sóbrio nas cores, mas sua exuberância está estampada ora nas atuações precisas (precisa talvez seja um termo racional demais…) ora pairando como na metáfora do vento que enlouquece, leva e traz as pessoas de volta ao vilarejo de origem. Sua mão está no roteiro, que serpenteia como muitas vidas fantásticas de pessoas reais (será que os outros continentes dividem conosco a intensidade dos sentimentos?). Está nas atuações à flor da pele, pungentes, cheirando à pimenta vermelha que Penélope Cruz usa pra alimentar um batalhão de gente.

Boca de se fuder: Almodóvar ainda é o melhor no retrato da inquietude feminina.
Sua marca registrada, criar a comoção da identificação, permeia uma narrativa brilhante, nada óbvia como sugerem aqueles que confundem estilo com repetição,pelo contrário. É um talento se reiventar em histórias similares e distintas ao mesmo tempo…Volver é único, ainda que remeta a obras anteriores. Poucos falaram de família desse jeito antes, tocando em temas recorrentes mas sugerindo uma abordagem tão afetuosa. As mulheres já receberam o carinho do diretor em forma de filme ao longo de sua obra, e o maior mérito desse trabalho é reafirmar a força do sexo feminino, nas relações entre si e nas sagas familiares.
Aqui, um ar de Garcia Márquez contemporâneo, a dar outra perspetiva do quão mágicas podem ser as trajetórias das pessoas. Nada há de terra-à-terra no universo de quem guarda segredos por décadas, quem vive à sombra do amor de quem ama, quem abre mão da própria vida para cuidar dos seus.
Carmen Maura reconciliou-se com seu habitat natural, na persona de uma matriarca nada previsível, ainda que doce e forte em momentos alternados. Superou em muito a avó firme e divertida de “Valentim”. Volver marca voltas ainda mais simbólicas, o resgate do passado daquele menino excêntrico que saiu da cidade de Mancha pro mundo e no entanto hoje retrata suas impressões de povoados folclóricos, místicos e pessoas extraordinárias que estão sob a pele de mães, filhas, avós, vizinhas. Sem que ninguém desconfie.
NOTA:: 10
NOIR POLÍTICO
por Raphaela Ordella
Assistir a Boa Noite, Boa Sorte (Good Night, Good Luck, 2005) é por em perspectiva a noção generalizada de que o americano não é irremediavelmente limitado. Ou pelo menos não costumava ser. Na década de 1950, em pleno macarthismo, alguns jornalistas da rede CBS ousaram denunciar o esquema de caça aos supostos comunistas na marinha americana.
O escândalo se deu num delicado momento político, simultâneo ao começo da televisão. Seu desenrolar contribuiu para vencer uma batalha pública, coisa que não só surpreende pela época mas pelo veículo que originou toda a polêmica.
Era o início desse revolucionário meio de comunicação e por conseqüência, de uma imprensa influente a ponto de interferir nas determinações de quem estava no poder.

George Clooney em mais uma incursão como diretor, conseguiu um excelente resultado ficcional com a relevância de um documentário (mas despojado do estilo “auto-paródia” de Michael Moore). Trata-se de um relato atípico na história dos EUA, em que a mídia serviu para quebrar paradigmas antigos que sustentavam as principais neuroses norte-americanas: ameaça comunistas, ameaça diplomática, ameaça de vulnerabilidade no seu perfeito “way of life”. Em tempos de George W. Bush (e a constatação de que pelo menos metade do país parece complacente a ele) qualquer referência à uma América mais honesta e iconoclasta é bem vinda.
O filme consegue retratar com fidelidade a atmosfera da época, quando ainda havia espaço para um jornalismo dirigido às massas mas autoral também. O romantismo das antigas redações desapareceu, mas obras assim nos lembram da responsabilidade e importância daquele que escolhe a profissão de informar.
Boa Noite, Boa Sorte
George Clooney
[EUA, 2005]
MISANTRÔPEGA 2
Depois de um período de hibernação, nossa colunista retorna junto com o povo da Nouvelle Vague.
GODDARD
O precursor foi Truffaut, mas a ele seguiram uma geração de críticos e cinéfilos franceses, consolidando um gênero. Entre eles estava Jean-Luc Goddard. Quebrando o convencionalismo, ousando deliberadamente, Goddard pegou um argumento de Truffaut e realizou uma homenagem paródica aos filmes de gangsters americanos: Acossado (1960). O resultado é um trabalho singular, pois foi filmado com pouco dinheiro e equipamentos leves. Ambientou várias cenas nas ruas, abusou dos diálogos improvisados, recorreu à luz natural e emendou citações literárias. O ritmo é sincopado, com cenas curtas (jump cuts) interrompidas abruptamente (uso de edição elíptica) e posições de câmera incomuns. Os protagonistas duelam perdidos num labirinto existencial. Depois de sua obra de estréia, Goddard tornou-se o diretor mais radical de sua geração. Sua maior contribuição foi propor a renovação dos temas, pregar a subversão da forma e a desconstrução da narrativa.
TRUFFAUT
Um dos mais importantes capítulos da história do cinema moderno foi escrito n noite de 27 de abril de 1959. Aplausos efusivos para Os Incompreendidos, no Festival de Cannes, deram início a uma nova etapa da linguagem audiovisual. Era a estréia em longa metragem de François Truffaut, 27 anos, o mais temido, pretensioso, arrogante e odiado crítico da França. A platéia comemorou, sem saber o êxito de um parto, o nascimento de um estilo inconfundível. A Nouvelle Vague, como foi chamada a renovação estética e etária da produção francesa estava nascendo. O fenômeno mudou a cara do cinema mundial. Filmes baratos, com orçamentos modestos porém narrativas originais e enfoques realistas entraram em moda. Truffaut foi o cérebro e porta-voz da onda, saindo da premiação ganhando o reconhecimento de melhor diretor. Ele era o mais contundente dessa turma de resenhistas e bombardeava o cinema que estava sendo feito naquele país nos anos 50. Abominava o peso literário e teatral das obras do período, criticando o artificialismo das imagens e o fato de diretores se submeterem a produtores, roteiristas e atores. Saía de cena a poesia melosa e o nacionalismo exacerbado e surgia o cinema de autor.
