O Grito!


Entrevista Monodecks
Março 21, 2007, 1:53 am
Arquivado em: Agnst, Entrevista, Hrörnir, Monodecks, Música, Wagner
“VIAGENS LONGAS E SEM PREVISÃO DE VOLTA”
por Wagner Beethoven

De maneira informal, o Monodecks foi formado em 2004 e com o pé direito em 2005 tocaram no Festival No Ar: Coquetel Molotov. No entanto, só agora o grupo faz seu segundo show, no bar Novo Pina, Recife Antigo, neste sábado. A banda têm diversas referências, de Lou Reed a Slint, de Mogwai a Sun Ra, passando por Brian Eno e o Pink Floyd. Com predileções por temas psicodélicos e instrumentais, o som do vai do minimalismo às experimentações, o que já fez o Monodecks ser chamado de “música sensorial”.

Ainda sem disco lançado, a banda disponibiliza músicas no site do Trama Virtual e na sua página no MySpace. Para conferir ao vivo o som deste grupo recifense, chegado num noise não muito fácil, o Monodecks se apresenta ao lado das bandas Hrönir e Agnst, neste sábado (confira o Serviço no final da entrevista).

Antes de sua segunda apresentação, o líder D Mingus falou com o GRITO!, por email.

O GRITO: A banda, logo no primeiro show, teve boas críticas. Embora não esteja fazendo muitos shows, o Monodecks ainda tem, mesmo que em pequena quantidade, um grupo fiel de fãs. Como você explica isso?
Esse pequeno grupo corresponde justamente a nossos amigos… Só que, mesmo dentre eles, o critério dos que se identificam com a banda acaba sendo puramente estético/musical mesmo. Porque, nem há a possibilidade, por exemplo, daquele primo fã de Zeca Baleiro vir falar “poxa, gostei muito daquela música que fala sobre tal coisa – o que aquela frase quer dizer hein?”. Pô, a gente curte tirar um som e entrar nele, deixar o lance fluir. Não achamos que temos obrigação de explicar alguma coisa com nossa música. Além dessa questão de sermos uma banda quase cem por cento instrumental, há a questão da baixa-fidelidade (lo-fi) das nossas gravações, dos improvisos e noises que muitas vezes tornam-se “viagens longas e sem previsão de volta” – tudo isso e tantas outras abordagens pouco usuais acabam tendo um efeito “repelente” para o grande público (o que pra nós não é nenhuma novidade). Mas podemos dizer, sem medo do clichê, que se fazemos música pra agradar a pessoas, essas pessoas somos nós mesmos.

O GRITO: “Reverbera da Caverna”, “Pirâmides” e “Trêmulo” já estão disponíveis no Myspace da banda. Quando poderá ser visto um EP ou mesmo um disco de vocês?
Dessas três, apenas “Reverbera na Caverna” foi gravada em estúdio e com a banda completa. Mesmo assim foi num esquema ao vivo de gravação-demo, de mixar depois em casa com os canais “vazando”, com prazo pra entregar a mix em CD pra algumas pessoas. De toda forma ela é a única gravação que temos disponível no momento pra mostrarmos como funciona o som do monodecks com todos seus tentáculos em ação (ao mesmo tempo). Como não dispomos de muita grana, o EP ou “disco cheio” que pretendemos lançar fica um pouco refém dessa questão, mas pretendemos agilizar o danado esse ano de todo jeito, nem que seja no esquema tosqueira de sempre. Mas de repente, podemos resolver investir tudo numa só faixa melhor produzida – só o tempo vai dizer (e a grana).

O GRITO: Quais são as dificuldades em ter um banda tão numerosa?
A banda nem tem tanta gente assim. Na verdade, o que atrapalha é a escassez do tempo de cada um, já que ninguém se sustenta através da música. A dificuldade maior é a de conseguir conciliar as agendas particulares, enfim, mais ou menos como toda banda. Danado é que não somos mais guris e estamos justamente naquela fase do “se vira pros 30 (anos)”, daí muitas vezes bate a angústia porque o que era pra ser a válvula de escape acaba emperrando.

O GRITO: O monodecks vem com uma proposta diferente das bandas daqui. Como é ter uma sonoridade tão incomum em Recife?
Acho que o tipo de som que a gente faz não é só incomum aqui – acaba sendo em todo país. E isso porque hoje estão praticamente chovendo bandas que fazem um rock com inclinação mais experimental. Se hoje o espaço pra esse tipo de som é pequeno, imagina num passado até próximo… Pelo menos agora a internet facilita as coisas um pouco.

O GRITO: Quais são os planos da banda para o futuro?
Pretendemos fazer mais shows, gravações decentes, investirmos num equipamento melhor… nem temos tantas ambições. Como a gente sabe que muito possivelmente jamais conseguiremos pagar as contas com nossa música, nos damos por satisfeitos em podermos nos divertir tirando um som juntos. Músico é um tipo escroto de masoquista.

Serviço:
Pré-Existências: Ambientações Sonoras do 3º Grau
Monodecks, Angst e Hrönir
Sexta (23/03/2007) 22h
Local: Novo Pina (Recife Antigo)
Preço: R$ 5,00 – Info: 81 8715.3981 (Domingos)

Veja Mais: Entrevista com o Monodecks – 19 de Setembro de 2005

CONHEÇA AS OUTRAS BANDAS QUE IRÃO TOCAR COM O MONODECKS

Agnst
Os integrantes da extinta banda Airbag (que logo depois se tornaria o Ahlev de Bossa) tocando guitarra, baixo e flauta transversa em “harmonia”. Isso é o que o Angst consegue fazer, a união de Alan Diego, Pedro Figueiredo, Sara Wanderley, Breno Barbosa, que em 2002, com influências do Sonic Youth, Mogwai e Radiohead formaram o grupo. Fazem música bastante incomum, indierock de primeira qualidade.

Hrönir
Eles descontroem o ritmo, reconstroem o som e fazem experimentações de video-art, gravando o seu som de forma completamente inimaginavel. A banda, que já tem diversos trabalhos, trilhas sonoras e afins é formado pelo workaholic da música, Thelmo Cristovam, Túlio Falcão e Lucas Alencar. O trio faz um free jazz, música ambiente, experimentalismos, improvisos e dissonâncias. Dificil de acreditar? Só vendo pra crer.



Entrevista Monodecks
Setembro 19, 2005, 7:21 pm
Arquivado em: Entrevista, Monodecks, Música, Wagner

THEN YOU WANNA BE… A NOISE BAND?
Por Wagner Beethoven

Eles se intitulam post-brega do inferno, mas suas musicas são um paraíso aos ouvidos, com uma técnica de um grande clássico e uma excelência de um Velvet Underground. O Monodecks (O GRITO explicando: “Monodecks é a sobreposição de sons através do “revezamento” de duas fitas K7 num microsystem de dois decks com um microfone externo. Este seria o primeiro processo de gravação da banda“) é uma nova banda que de Recife. Os fãs da banda vem crescendo a cada dia, cultuados pelo seleto grupo que viu o primeiro show no showcase do Festival No Ar: Coquetel Molotov. E após uma conversa via MSN tivemos a idéia de uma entrevista, com o batera, Tiago:

O GRITO!: Como foi o começo da banda? De quem foi à idéia inicial?
Tiago: Essa pergunta já vale por umas quatro. Vamos lá: Eu, Domingos e Breno tínhamos blogs sobre música e ambos líamos os blogs uns dos outros. Um tempo mais tarde a gente começou a conversar via MSN e numas dessas conversas eu e Domingos tivemos a idéia de formar uma banda. Nessa mesma conversa o primeiro nome que cogitamos para ser o possível segundo guitarrista foi o de Breno. Começamos então a fazer uns ensaios esporádicos nessa época (meados de 2004), mas tudo se resumia a umas jams sem muita objetividade. Inclusive Lanna, que entrou oficialmente na banda há duas semanas, participou de alguns desses ensaios. Ramiro tocava e ainda toca comigo em outra banda, a Telura, e entrou no grupo uma semana antes do Coquetel convidar a gente pra tocar na segunda edição do No Ar, e aí sim a coisa começou a tomar um rumo mais concreto. No final das contas, foi até fácil juntar a cambada, difícil foi fazer o bonde pegar no tranco.

Quais são as referências da banda?
Se é pra citar algumas, vou dizer cinco que tenho quase certeza que são unanimidades entre a banda toda: Syd Barret, Slint, Brian Eno, Velvet Underground e Explosions In The Sky. Mas individualmente as referências chegam a ser até díspares em algumas ocasiões.

Quem é o cabeça e idealizador da banda?
Bem, posso dizer tranquilamente que Domingos é o gênio atormentado da banda… Eu sei que ele vai ficar meio puto quando ler isso, mas é a verdade. As composições que atualmente temos tocado são todas dele, mas elas mudam bastante quando começamos a trabalhá-las em conjunto. Resumindo a ópera, Domingos traz as músicas e o resto da banda se esforça para não estragá-las.

Vocês têm algum objetivo? Gostaria de alcançar a fama de uma determinada banda?
O objetivo atual é trabalhar cada vez mais em composições, fazer o maior número de shows que pudermos nesse meio tempo e depois gravar um Epzinho. Em relação a fama, ainda esta muito cedo para pensarmos nisso. Daqui a alguns anos quem sabe a gente possa vir a se preocupar mais com algo do tipo, mas por enquanto a gente nem leva isso em conta.

Por que a escolha de fazer uma banda sem vocais na maioria das músicas? Foi difícil a aceitação do público por não terem vocal?
Não foi nem uma escolha o fato da maioria das composições não possuir vocal. A gente percebeu que as tais canções sem vocal não precisavam de vocal por possuírem uma carga melódica muito forte, o vocal seria um extra, desnecessário em tais músicas. Mas não temos nenhum possível “preconceito” contra vocais, apenas não surgiram muitas músicas nas quais a gente precisasse usar esse tipo de recurso. Já essa estória da aceitação do público, a gente ainda não tem a menor idéia como isso esta rolando. Só fizemos um show até o momento e como o mesmo foi num evento que tinha muitas bandas instrumentais, eu creio que quem sacou a nossa apresentação não teve muito problema para assimilar a parada toda. Recebemos muitos comentários positivos, outros nem tanto, mas só vai dar pra solidificar qualquer idéia em relação a isso tudo num futuro próximo, de preferência.

Como foi a escolha do vocalista?
Quanto ao lance do vocal, realmente não temos ninguém na banda com essa função. Domingos canta em duas músicas da banda, “The Place Where I’am” e “Love Is A Shelter”, mas só “Love…” possui um vocal mais destacado e “The Place…” possui umas vocalizações mais esporádicas no meio. Mas ele não se considera o vocal da banda, tanto que ele já quis passar o vocal “The Place…” pra mim, mas eu não ainda consigo cantar tocando batera ao mesmo tempo. Na verdade, ninguém da banda canta porra nenhuma, então a gente opta por deixar os vocais com uma função menor nas músicas, até porque a gente percebeu que boa parte das composições que tocamos no momento não precisam realmente de um vocal

Como rolou o lance do Coquetel Molotov? Vocês acham que de alguma forma eles contribuíram para carreira da banda?
Pessoal do Coquetel ouviu as mp3s de algumas das gravações caseiras de Domingos no Trama Virtual, provavelmente gostaram e resolveram chamá-lo para tocar no festival. Consequentemente chamaram o Monodecks também, já que essas músicas foram compostas para a banda. O show foi até legal, apesar de alguns percalços que não vem ao caso contar aqui. Nunca tínhamos tocado ao vivo antes e nosso primeiro show foi justamente em um festival que vem crescendo a cada ano, então não deixou de ser uma puta oportunidade tocar lá, apesar do nervosismo natural que esse tipo de situação acarreta. Fora que o fato de podermos ter assistido o primeiro dia do festival de graça foi por si só uma coisa deveras bacana.

A FORMAÇÃO:
Breno Mendonça – Guitarra
Domingos Sávio – Guitarra, Flauta, Voz e Programação
Ianna Gico – Teclado
Ramiro – Baixo e Guitarra
Tiago Barros – Bateria e Percussão

PRA BAIXAR:
Reverbera na Caverna
Loungitude
Topete de Morrissey
Preto Velho
The Place Where I Am

Mais fotos do Monodecks no Festival No Ar: Coquetel Molotov, clique aqui:
1 | 2.