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Segundo informações da AP, o grupo B-52’s está em Athens, sua cidade natal para gravar seu mais novo disco, o primeiro em mais de 15 anos.O grupo se apresenta ao vivo desde 1998, e pretende iniciar uma turnê pelos EUA antes do lançamento do disco. O novo trabalho terá 11 faixas e, ao mesmo tempo que trará novas sonoridades ao grupo, continuará dançante.
Será que teremos as perucas novamente? O que vai ser da new-rave depois disso?

A música faz parte do segundo disco da carreira do grupo, Favourite Worst Nightmare, lançado esse ano.
Confira:
Paulo Floro
Preparem os bolsos. Com a enxurrada de títulos da Pixel e já comum avalanche de lançamentos da Panini, o mercado cada vez mais se abarrota de coisas boas. Confira os destaques de cada editora este mês.
PANINI
A editora estréia um novo título, Universo DC, com séries ligadas ao evento Crise Infinita, como Batalha por Bludhaven e Xeque-Mate. Na Universo Marvel, o tão esperado evento Planet Hulk tem início. A nova revista Batman Extra, que propõe contar histórias do Homem-Morcego fora da cronologia, traz em 120 páginas a saga Mais Sombrio que A Morte. Detalhe que nenhuma edição (esta já é a terceira) chegou nas bancas fora do eixo Rio-SP. Falando em Batman, a Panini também promete o encadernado Batman Crônicas, com as primeiras histórias do personagem. Resta saber quantos meses este material irá atrasar.
A Biblioteca Histórica Marvel – Quarteto Fantástico 1, o luxuoso encadernado com as primeiras histórias do grupo foi reprogramado para este mês, bem como o a edição definitiva de Os Supremos.
PIXEL
Até o momento a Pixel está batendo forte na concorrência com sua distribuição eficaz. Este mês, o seu carro chefe Pixel Magazine (número 03) traz um especial da série Fábulas, da Vertigo. Mas é o livro de luxo do Monstro do Pântano que merece toda a atenção de qualquer fã de quadrinhos que se preze. Escrito por Alan Moore, a obra foi um marco nos quadrinhos nos anos 1980
Paulo Floro
A banda curitibana Bonde do Rolê movimenta o mundo indie desde o final do ano passado, quando fez shows em festivais e casas noturnas da Europa e EUA. Agora chegou a hora da prova de fogo. O primeiro LP da banda, With Lasers, foi lançado na Europa ontem pela Domino Records, a mesma de Franz Ferdinand.
O disco dividiu a opinião da crítica no exterior. O Pitchfork Media, que vem fazendo uma grande cobertura do Bonde em suas notícias, deu nota 6,5 para o disco. Conhecido pelas suas críticas mal-humoradas, o site americano destacou a comparação errada que a mídia faz ao colocar o CSS e o Bonde do Rolê no mesmo movimento.
O jornal inglês The Guardian, em uma resenha pequena, classificou com quatro estrelas (num máximo de cinco), o disco do trio curitibano. O site americano Playlouder também concedeu nota 4 (de 5) para o disco. With Lasers não tem previsão de lançamento no Brasil.
O grupo cancelou todas os shows que faria este mês nos EUA. O motivo alegado foi que o DJ Gorky precisaria fazer uma cirurgia de urgência no dente. No entanto, as datas confirmadas para os festivais europeus, como o Glastonbury foram mantidas.
Paulo Floro

O último show de Marilyn no Brasil foi em 1997, na turnê do disco Antichrist Superstar. Se confirmadas, as apresentações comemorarão 10 anos da passagem do cantor pelo país.
Marilyn Manson estampa este mês a capa da revista Spin, com a seguinte chamada “O Último Rock Star?”. Confira aqui.
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Truman Capote escreveu um dos mais importantes livros do jornalismo literário, A Sangue Frio. Na verdade, este termo nem fazia muito sentido antes do escritor buscar na pequena cidade do Kansas a inspiração para sua obra. A história é conhecida : a chacina de uma família por dois assassinos. Mas a história de Truman na cidade, e as implicações que isso causou entre a população e os acusados, só seriam relatados por seus biógrafos, como Gerald Clarke em 1988.
Capote no Kansas é mais um relato romanceado deste período da vida do escritor. Assim como no filme de Bennet Miller (Capote), indicado ao Oscar em 2006, o principal foco narrativo são as contradições do refinado gentleman de Manhattan, e a vida pacata do interior dos EUA. A partir disso, várias tramas se desenvolvem, como a relação de Truman com um dos assassinos, o relacionamento distante com seu parceiro, sua amiga e companheira Nelle Hooper e, claro, sua transformação pessoal ao longo dos cinco anos que passou escrevendo sobre o caso.
O roteirista Ande Parks, no entanto, decidiu se apoiar em apenas um elemento desta parte da biografia de Truman. Na história, Parks decidiu colocar o fantasma de uma das vítimas como interlocutora do escritor. Assim que ela aparece, não está claro se ela está viva ou morta. Só depois é que notamos que Capote está falando com um fantasma. Ele não só tinha se tornado um médium, como estava indo de encontro à sua personalidade, já que desde o início da graphic novel o vemos auto-indulgente.
Este elemento fácil torna a HQ limitada ao anular quase todas as outras possibilidades de narrativa. Ao apelar para a história da menina morta servindo como ponte moral, apela para o piegas. Uma personagem excelente como a amiga Nelle ou até mesmo o prisioneiro Jack foram muito mal utilizados. Nativo do Kansas, Parks se dedicou bastante a esta graphic novel.
Antes, ele era mais conhecido pelo seu trabalho em Arqueiro Verde, junto com seu colaborador frequente Phil Hester. No entanto, Capote no Kansas traz momentos interessantes, como a cena em que Capote flerta e transa com outro cara no Kansas, enquanto nos recordatórios, escreve uma carta para seu parceiro em NY.
Esta graphic novel foi lançado originalmente pela Oni Press, editora independente norte-americana. A Devir após perder os direitos da Vertigo/Wildstorm para a Pixel apostou na concorrência para trazer novos títulos para o mercado brasileiro. A editora já publicou outro título da Oni Press, Courtney Crumrim e as Criaturas da Noite, de Ted Naifeh. [Paulo Floro]
NOTA: 5,5
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Hideshi Hino, um dos autores malditos do mangá japonês provoca o leitor a desvendar as referências por trás de seus quadrinhos malditos
por Paulo Floro
A SERPENTE VERMELHA
Hideshi Hino
[Zarabatana Books, 192 págs, R$ 24,90]
[Recomendado]
Filho de imigrantes japoneses que trabalhavam na Manchúria, Hideshi Hino nasceu na China, em 1946, no finzinho da Segunda Guerra Mundial. Sua família, hostilizada pelos chineses que desejavam vingança pelos anos de dominação nipônica, precisou fugir para o Japão, na época arrasado por anos de conflito.
Este conturbado período pós-guerra marcou definitivamente Hino, que utilizou esses elementos em sua obra, um das mais importantes do manga moderno. Lançado pela editora Zarabatana, A Serpente Vermelha é um dos melhores livros para quem deseja se iniciar no horror manga deste autor. Enclausurado em uma casa cercada por uma floresta intransponível, um garoto, de horripilantes olhos esbugalhados, tenta fugir de casa a todo custo, sem sucesso, aterrorizado constantemente pelo comportamento de sua bizarra família. Sua avó acredita ser uma galinha, e choca ovos que seu pai traz todos os dias para ela. Em seu galinheiro, o pai extravaza toda sua personalidade sádica, degolando galinhas “quebradas”, que não põem ovos em quantidade suficiente. A irmã é obcecada pelos insetos que alimentam as galinhas, e se delicia escondida a brincar com lagartas e centopéias em seu quarto. A relação entre a mãe do garoto e seu avô, é ainda mais doentia. Com um enorme tumor no rosto, ela é obrigada a todos os dias, esfregar ovos naquela carne crescida e pisar até espremer um fétido pus. Não é de se estranhar que o assustado menino tentasse fugir pela floresta até seus pés sangrarem.
Narrado pelo garoto (não é dito o nome em nenhum momento), a história assume um ritmo claustrofóbico, e não são poucas as tentações em fechar o livro. Após ser vítima de uma maldição, ocorrerá um série de fatos horríveis com sua família, o que fará o pobre menino desejar de volta todos os horrores rotineiros a que estava acostumado. Uma serpente vermelha irá servir de ponto chave da narrativa, causando terror nos personagens, e abrindo um portal para um mundo infernal, sangrento e horripilante.
O horror japonês é um gênero rico de referências. Uma das principais é a decadência do Japão pós-Segunda Guerra Mundial. Suehiro Maruo, outro mangaka deste gênero, utiliza bem deste elemento, com a diferença que aposta numa linguagem erótico-grotesca para retratar a degradação de seus personagens. Hino é mais direto e cru, e por isso, mais repulsivo. A Serpente Vermelha pode ser lido como uma delirante narrativa de terror, com o leitor tenso durante toda a leitura ou pode ser entendida como um reflexo da bomba atômica. Hino passou a infância neste cenário, que gerou seres deformados, paisagens desoladas, decadência moral, corrupção e outros males sociais.

É por isso que a história deste mangá é tão rico. Com uma narrativa ágil, mesmo com um história repulsiva, é quase impossível desviar a atenção da leitura. O traço é realista nos cenários, mas seguindo a tradição do manga de horror, sofre muita influência do surrealismo, deformando a aparência dos personagens de modo a refletir uma idéia sem precisar de muito texto. É o caso do garoto de olhos esbugalhados, que nos transmite terror e angústia o tempo inteiro e as feições clássicas da irmã, cínica, tão à vontade em meio ao cenário de horror que se instaura na casa, entre outros exemplos.
Em seu terceiro lançamento, a Zarabatana Books, nova editora de quadrinhos paulista fez uma ótima edição, com uma boa impressão e um bom preço também. Não faria mal uma pequena introdução sobre Hideshi Hino – que já teve o livro Panorama do Inferno publicado aqui pela Conrad – ou sobre o Horror Mangá. A editora promete mais títulos do autor ainda para este ano.
NOTA: 9,0
Leia Mais: O Horror de Suehiro Maruo
Ted Naifeh
[Devir, 128 págs,R$ 20,90]
Histórias onde losers dão a volta por cima, não são incomuns nos quadrinhos. Courtney Crumrin tem as características caras aos outsiders ianques: não é atraente, não tem amigos e vive presa no seu mundinho, socializando apenas com outros esquisitos como ela.
Este álbum da Devir não traz nada de novo, mas proporciona uma deliciosa e despretensiosa leitura. Poderia estar ao lado dos mangás shoujo e não das literaturas tenebrosas de Sandman, como é encontrado nas livrarias.
Na trama, Courtney é uma menina não muito feliz que se muda com seus pais para uma mansão de um tio rico, o Professor Aloysius Crumrim. Yuppies decadentes, a família tenta se adaptar à nova realidade financeira. Com o tempo, a pobre garota descobre a reputação macabra de seu tio e passa a ser hostilizada na escola. Na mansão vitoriana do Professor Aloysius, Courtney irá ter contato com as tais criaturas da noite e com as artes místicas de seu tio bruxo. Não é nenhuma surpresa que, com seu magnetismo sobrenatural irá encontrar todo tipo de ser, a começar pelos irritantes duendes, terminando em uma cidade inteira dominada por seres macabros.
O autor Ted Naifeh encontrou uma brecha no já consolidado mercado de quadrinhos de horror (do qual faz parte Constantine e Crimes Macabros, por exemplo) e criou um universo de histórias leves e narrativas bem construídas. Se fosse um filme, Courtney Crumrim seria uma típica sessão de sábado num multiplex. 
Seu traço é uma mistura do quadrinho oriental com comics infantis, estilo disney. Uma clara alusão de que o autor busca mesmo uma semelhança com o público infanto-juvenil, que cada vez mais se afasta dos quadrinhos de Super-Heróis americanos em busca dos eletrizantes mangás japoneses. Nas primeiras páginas, é um tanto estranho ver Courtney desenhada sem um nariz, mas essa peculiaridade da personagem é uma besteira comparada ao desenho competente de Naifeh.
Indicada para o Eisner Awards, a série possuí ainda dois outros volumes, Courtney Crumrin and the Coven of Mystics, e Courtney Crumrin in the Twilight Kingdom, ainda inéditos por aqui e provavelmente futuros lançamentos da Devir, caso este álbum alcance algum sucesso. Pra quem gostou de Morte, A Festa, Deadboy Detectives, irá gostar deste. A diferença é que crianças também poderão curtir. [Paulo Floro]
NOTA: 7,0

PATRICK WOLF
The Magic Position
[Loog, 2007]
O que primeiro chama a atenção quando se fala de Patrick Wolf é, evidente, seus ensaios performáticos, seu rosto andrógino, seu apelo gay-fashionista. Com 23 anos, este garoto de Londres já tem três discos lançados e referências musicais fortes. Este seu novo disco, lançado no final de fevereiro é uma ode ao pop classudo, mais ou menos parecido com o que Antony and The Johnsons fez em 2005.
A diferença é que Wolf troca a melancolia pelo que há de mais ordinário no pop. É dessa ponte entre o sublime e o lixo, do verdadeiro e do plástico, que The Magic Position se posiciona. Contudo, este garoto, de feições meigas talvez tenha precisado de um pouco mais de atitude para mostrar tal conceito. Seu myspace e afins remete à essa atmosfera de brilho e artificialidade, mas o ouvinte pode apenas se deliciar com as ótimas faixas “The Magic Position”, “Bluebells” ou “Augustine”. [Paulo Floro]
NOTA: 7,0