O estilista Giorgio Armani reafirma seu talento para revelar top models (Adriana Lima, em 2001, e Letícia Birkheuer, em 2002, são alguns exemplos) com sua campanha Primavera/Verão 2007. A cheia de estilo Agyness Deyn, modelo inglesa top ten no ranking do models.com faz dobradinha nas Campanhas de Armani Jeans e Giorgio Armani, coleções que chegam às lojas do Brasil essa semana.
Influenciada pela cena rock underground de Manchester, sua cidade natal, Agyness é também integrante da banda Lucky Knitwear e namora Josh Hubbard, guitarrista do Paddington. Talvez por isso ela seja considerada a “nova Kate Moss”. Toda essa versatilidade pode ser conferida nas campanhas para Armani.
Enquanto ela aparece em versão zen chic para Giorgio Armani, esbanja sensualidade para Armani Jeans. Além de loira, sua cor atual de cabelos, já esteve ruiva e morena para campanha de grifes como Mulberry, Burberry, Cacharel, Paul Smith e Vivienne Westwood. De quebra, a top é uma das 10 faces na capa da celebrada Vogue América de Maio.
Desta vez a musa Jennifer Lopez se superou. Ela escolheu a bolsa Beauty da Swarovski Cristais para compor o visual no 20º Annual Children’s Fund Gala Dinner, na última semana em Nova York. A delicada peça no tom de seu vestido destacava um fecho todo em pavê de cristal que fez a graça do look.
Muita gente considera a Lacoste, aquela marca com a imagem do jacaré de boca aberta, como uma coisa bem passadista. Usada apenas por vovôs e seres mais maduros. Ledo engano. A marca tem tudo para encantar o mundo inteiro com uma limitada coleção de duas mil pólos, assinadas pelo designer tunisiano, Tom Dixon. Trata-se de uma homenagem aos nossos tempos modernos e mesmo pós-modernos (em algumas esferas).
Divida em dois modelos, batizados de Eco Polo e Techno Polo, a série está em perfeita sintonia com a onda fashion green que, felizmente, invadiu o planeta, ditando que o verde é o novo preto e que pode salvar os animais. A Eco Polo tem única cor índigo, feita de algodão orgânico e tingida à mão com corantes naturais. Isso sim é luxo! Detalhe: a embalagem de papelão reciclado, lógico, também foi desenhada por Dixon.
BOAS E VÃS FILOSOFIAS
Satira do nascimento do pensamento ocidental com Epicuro, Sócrates e Platão se converte em tema de quadrinhos
por Fernando de Albuquerque
Já está nas prateleiras das livrarias brasileiras o álbum, em edição de luxo, Epícuro, o Sábio. Mais um lançamento da Conrad, com 168 páginas, que traz uma tradução bem cuidada e elaboração de qualidade. Inteligente, bem-humorado, inusitado, o trabalho prima pela crítica ferina à base de quase todo o pensamento ocidental: a sociedade ateniense clássica. Se por um lado a democracia de Atenas primava pela pluralidade de pensamento, pela ousadia de idéias, por outro ela ostentava um lado pouco conhecido: um machismo que beira a ferocidade e um preconceito estremado contra as mulheres.
O personagem principal da trama é Epicuro, filósofo que pregava a exacerbação dos sentidos, dos prazeres, e cujo pensamento originou a palavra epicurismo. Como outros jovens gregos (na história e provavelmente na vida real), ele almeja um dia chegar ao patamar de Sócrates, que é retratado como um intelectual pernóstico, cercado de discípulos tietes, dono de um ego abismal e de um humor mordaz, principalmente na hora de avaliar as idéias dos novos pretendentes ao posto. Prazer que se torna ainda mais acurado quando o “pensador” em questão se trata do atrapalhado e tímido Platão.
O livro é uma grande tiração de onda com a profusão de pensadores que trafegavam nas ruas de Atenas. Sobre o machismo, a abordagem é mais do que pertinente: quem já leu um pouco de história dos gêneros sabe que foi lá, na pátria da democracia, que o estado patriarcal fincou raízes e criou o mundo sexista e altamente misógeno. Para quem não sabe os atenienses viam as fêmeas como seres menores, intelectualmente desprezíveis e, até mesmo sexualmente, menos desejáveis que os jovens discípulos que seguiam os mestres e educadores.
No álbum, tudo começa com a chegada de Epicuro em Atenas, que tinha como meta abrir uma escola de filosofia, ganhar discípulos e fama. Mas ao trocar a ilha de Samos pela badalada capital grega, o pensador se envolve em muitas confusões, deflagradas por um encontro com a deusa da agricultura Deméter. Ela muda seu destino forçando Epícuro, ao lado de Platão e do ainda jovem Alexandre resgatar Perséfone das mãos de Hades, também conhecido como plutão.
A partir daí, o trio se mete em todo tipo de trapalhada e aperto. Cruzam com Cerbero, o cão de várias cabeças, guardião dos portais do inferno e com Caronte, o barqueiro que conduz os mortos até Hades. O trio se depara ainda com uma galeria de personagens emblemáticos da mitologia, como Hércules, Paris, Ulisses, só para citar alguns ícones. Na mistura entre mito e verdade, o trio, que de fato existiu, também se encontra com outro grande mestre: Homero, autor da Ilíada e da Odisséia.
A história é divertida, chega a ser inteligente, mas é recomendada principalmente para os que têm alguma base de mitologia grega e de filosofia. Sem esse conhecimento, fica difícil captar as piadas e tiradas, as gozações e sarros com os “papas” do pensamento ocidental. Não por acaso, a história foi produzida pelo norte-americano Sam Kieth, que junto ao inglês Neil Gaiman deu vida a um dos personagens mais fascinantes das HQs, o Sandman.
É ele quem assina a parte gráfica, digna de ser apreciada pela profusão de detalhes, e efeitos. Já o roteiro traz a assinatura do também norte-americano William Messner-Loebs, que escreveu séries como Mulher Maravilha e The Flash, mas que se consagrou com este álbum.
EPICURO O SÁBIO
Sam Keith e William Messner-Loebs
[Conrad, 168págs, Trad. Carlos Patati, R$ 54]
NOTA: 9,0

A NARRATIVA DE UM BÍCEPS
Mantendo o estilo Graphic Novel, “300″ não empolga e enche de angústia o espectador
por Fernando de Albuquerqe
Muitas cabeças rolam em 300, filme de Zack Snyder que chegou no último mês ao Brasil. Há sangue e flechas para todo lado, muita guerra e um rei completamente afeminado e místico. A transposição do quadrinho do festejado Frank Miller para o cinema, e que tem o brasileiríssimo Rodrigo Santoro no papel do vilão, o rei-deus Xerxes, estreou depois de ter atingido o topo da bilheteria americana. As filmagens foram realizadas em estúdio, em fundo azul, sobre o qual foram posteriormente colocados os cenários.
300, lançado em mais de 550 salas, em 160 cidades, nos conta a batalha de Termópilas, em que 300 soldados da elite de Esparta enfrentam o exército persa, muito mais numeroso. Reproduzindo truques de Gladiador, com direito a música melosa e triunfante, as duas horas de projeção não satisfaz o desejo do espectador que tem um discurso mais elaborado. Só o leigo pode sentir-se um pouco mais “informado” quando sai da sessão. Com exceção das seqüências de batalha, com ênfase no aspecto gráfico, coreografia estilizada e um uso admirável dos contrastes entre os vermelhos das vestes espartanas e o cinza dos uniformes persas, “300″ se arrasta, perdido em lições ideológicas de intenções completamente duvidosas.
O filme à todo tempo procura mostrar o triunfo da força contra a tirania e o misticismo persa. Mais parece um discurso inflamado de Auguste Comte, o mestre positivista dos últimos tempos. Os diálogos, se dissecados, estão mais para um manual fascista de métodos do que para uma narrativa fílmica, pois tenta, à todo tempo, reproduzir a filosofia colonialista do “choque de civilizações” entre o ocidente da razão e o oriente da bárbarie.
Entre uma cabeça decepada e mais alguns litros de jorro de sangue digital há discursos sobre o significado da liberdade, o real valor da morte e outras filosofices muito mais enganadoras do que funcionais. O único talento que é exibido no filme à torto e a direito são os músculos e barrigas tanquinho que dão um alívio geral no público feminino e no masculino também. Com toda certeza as academias e lojas de alimentos fitness, depois de 300, irão faturar mais um pouco.
A idéia que norteou o filme era a de repetir a bem sucedida adaptação de outra obra de Miller, Sin City, que Robert Rodriguez levou às telas nos idos 2005. Aquele filme misturou uma impressionante mistura gráfica dos quadrinhos com planos bem cinematográficos e elaborados. Mas Snyder fracassou na empreitada. A diferença mais marcante entre o filme e a HQ é a criação de uma subtrama protagonizada pela mulher do rei Leônidas (nos quadrinhos, a personagem está relegada a duas páginas e olhe lá). Outra mudança e bem notória é que a HQ não detalha cada músculo dos espartanos. O próprio rei Leônidas praticamente só aparece coberto por seu manto vermelho, já que o senhor de 50 anos dos quadrinhos não deve ter exatamente o corpo definido que o ator Gerard Butler, com 37, exibe ao encarnar o papel.
NOTA: 4,0
TRADIÇÃO E MESMIÇE
Vargas Llosa lança novo romance onde recorre a temas batidos e finais felizes pouco salgados. Sempre fugindo ao estilo caliente e latino.
por Fernando de Albuquerque
MÁRIO VARGAS LLHOSA
Travessuras da Menina Má
[Alfaguara, 302 páginas, R$ 49 reais]
Com o título Travessuras de Menina Má, o premiado peruano Mário Vargas Llosa, traz ao público um romance que toca na principal ferida das relações amorosas: a opressão de uma das partes sobre a outra. Coisa bem comum e que pode ser encontrada em qualquer esquina – isso facilita a identificação do leitor. Ele revela o velho jogo de sedução em que uma mulher exercendo o papel da dominatrix, controla totalmente um homem, faz dele gato e sapato, oferece e negocia favores, conquista e a derrota, como se o outro fosse inimigo a ser destroçado.
O romance, que conta com tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht, é protagonizado por Ricardito, um jovem de 15 anos que tem por objeto de desejo Lily, uma “chilenita” que baila com sensualidade e age com desenvoltura nas festinhas da turma do bairro limenho de Miraflores, nos efervescentes anos 1950. Nada melhor poderia nutrir a imaginativa cabeça de um menino em plena puberdade. Num lance de humilhação pública, descobrimos que a moça não é chilena e que a história dela esconde grandes mentiras. Ela some.
Anos depois, Ricardito realiza o sonho de morar em Paris, vivendo com modéstia como tradutor e intérprete. Reencontra a menina, travestida de revolucionária a caminho de Cuba, onde pretende receber treinamento de guerrilha. Ele lhe declara que continua apaixonado e quase consegue alguma coisa, novamente ela se vai. Clichê maior não poderia existir. Afinal, é um sonho da classe média latina pousar as mãos no capital de seus antigos colonos em busca de conforto e reconhecimento.
Com o passar dos anos, o rapaz torna a encontrá-la nas situações mais diversas: protegida por um líder cubano, casada com um francês, esposa de um rico inglês, escravizada por um japonês pervertido. À medida que o tempo passa, eles se tornam amantes fugazes, Lily sempre dando e tomando, nunca lhe retribuindo a paixão cega que ele nutre por ela. Afinal quem não já passou por isso nos dias de hoje. O sexo relâmpago é uma via de mão dupla desses sentimentos.
Enquanto narra suas desventuras, Ricardito atravessa sua história pela vida política do Peru. Embora o discurso do narrador seja renegar o atraso e os descaminhos de um país marcado por ditaduras e guerrilhas, ele não se furta a acompanhar a ascensão e queda de uma geração de idealistas que tenta construir uma alternativa revolucionária em meio a desacertos de toda sorte. O romance seria estupendamente bom se não fosse a velha tentativa latina de tomar partido.
O tempo passa, Ricardito não consegue alcançar o coração da menina má, vai envelhecendo e perdendo os amigos que preenchem um pouco do grande vazio que se torna sua vida. Ela muda. Ensaia uma aproximação e torna a humilhá-lo. Ele viaja, estuda, assiste a filmes e peças, conhece pessoas e retorna ao ponto do desejo parado na mulher misteriosa, cujo nome desconhece. A passividade é o sobrenome que o cerca.
Vargas Llosa nunca temeu cometer maldades. Suas obras sempre tiveram personagens capazes de cometer as piores atrocidades em nome do instinto ou do poder. “Travessuras da menina má” segue essa linha. Não que a personagem não se justifique, pela pobreza e desditas sofridas na infância. Da segunda metade do livro em diante, à medida que conhecemos suas motivações, as coisas se atenuam. Ela sofre revezes e, carente de ajuda, até se casa com Ricardito, topando uma vida pequeno-burguesa insossa e acomodada. Mas não será fiel a si própria se não aprontar de novo.
E o que propõe, então, o escritor? Com toda a onipotência de que só os autores desfrutam, Vargas Llosa pune exemplarmente nossa anti-heroína, fechando o romance com uma singela, quase cínica, fé no amor. Sim, talvez o amor seja lindo. Desde que renuncie à opressão. Enfim: muito clichê recheado de premiações ostensórias.
NOTA:: 6,5
MORTE AOS SANS CULOTTE
Maria Antonieta não empolga, mas reinventa imagem decadente da rainha decapitada e lança moda
por Fernando de Albuquerque
Grosso modo, filmes históricos trazem em si uma grande problemática: ou são épicos acadêmicos que precisam de faustosismo para render uma boa bilheteria ou então são representações cheias de efeitos especiais que impressionam pela falta de coerência. E dentro dessas duas opções Maria Antonieta, filme da festejada Sofia Coppola, deixa marcas na historiografia cinematográfica por conseguir representar, com o requinte necessário à personagem, e ao mesmo instante modificar a imagem derrotada da rainha francesa, ainda hoje caracterizada como símbolo de um regime decadente.
Maria Antonieta é um filme de pouca ação e muita contemplação. São seqüências plácidas onde os elementos cênicos e mesmo o vestuário se sobressai à própria composição cinematográfica. A jovem rainha francesa, que abandona a austera corte austríaca, tem nos vestidos, perfumes, sapatos e penteados seu próprio ponto de fuga. Mas divergindo das linhas bem marxistas traçadas pela história, Sofia Coppola trata a personagem como uma pessoa, não uma personagem que pertença à clicheria submissa do mainstream ou ao pseudo-indie-movie.
A Rainha traçada por Coppola é, no início, uma mulher dominada, controlada por outros, parecida com as irmãs de As Virgens Suicidas, filme que alçou a diretora ao estrelato. Na condição de princesa austríaca, Maria é prometida, ainda adolescente, ao delfim da França, Luís Augusto, futuro Luís 16, a fim de aproximar os dois países e formatar uma aliança. A imperatriz Maria Tereza, mãe de Maria Atonieta, tinha uma missão estritamente política para a filha. Ela funcionaria como espiã do governo austríaco dentro da corte de Versalhes. Fechada em si mesma, a personagem não cumpre com a função designada e vê nos gastos com futilidades a perfeita válvula de escape para ser notada, respeitada e fazer história. É nesse momento que ela se converte na mulher no estrangeiro, como Scarlett Johanson em Encontros e Desencontros, às voltas com signos indecifráveis. Nada ali é seu.
Maria Antonieta é um filme que recusa emoções baratas e o didatismo inútil. A rainha é cínica demais para ceder aos costumes da corte e superficial demais para ater-se a um revolucionarismo barato como era o francês. Sofia retoma sua tragetória em relação à alienação feminina sem precisar fazer demagogia com o pescoço da trágica rainha.
E o filme não é apenas um sucesso no que diz respeito ao trato com o enredo. O figurino já causa um impacto considerável sobre a moda dos próximos anos. Para conferir isso basta abrir as edições da Vogue em novembro e dezembro passados. Em uma das cenas mais comentadas, um par de all stars azul é flagrado entre os sapatos da rainha. Engana-se quem pensa que a idéia é somente reproduzir o contemporâneo. Pelo contrário, é traduzir, compreender e aproximar a partir do nosso olhar. Nada mais perfeito do que o tênis-ícone dos indies; nisso o Versalhes do século 18 se converte no aqui e agora.
Site Oficial: http://www.marieantoinette-movie.com/
Nota: 8,0
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Fernando, Jonatan Dayton, Pequena Miss Sunshine, Valerie Faris
DOCE FELICIDADE DOS FEIOS
Filme com números abaixo dos padrões hollywoodianos encanta e faz piada com American Way of Life
Por Fernando de Albuquerque

Os acostumados ao product placement bem hollywoodianos, capitaneados por Sandra Bullocks e Lindsay Lohans da vida, ficam abismados ao saber que “Pequena Miss Sunshine” é uma produção genuinamente americana. Com orçamento bem abaixo dos padrões convencionais e dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris o filme (para usar uma conceituação bem moderna) se insere na categoria de indie movie que desde os anos 80 vem se caracterizando como um catálogo de patologias. Evidenciando personagens deslocados, invariavelmente patéticos, traumatizados por seu entorno, com traços gritantes de suas “anormalidades”, Pequena Miss Sunshine é gargalhada garantida e também promete uma boa dose de lágrimas às almas mais sensíveis.
O longa narra a viagem de uma típica família de classe média envolta numa crise financeira sem tamanho, mas que tenta a todo custo manter-se de pé enquanto instituição. Seus membros são malucos inofensivos. Olive (a mini-atriz Abigail Breslin), caçula da família Hoover, é a personagem que desencadeia todos os fatos apresentados. Ela foi classificada e deseja concorrer ao concurso de beleza na Califórnia. A partir daí os personagens tem suas vidas apresentadas: o pai (Greg Kinnear), um fracassado escritor de auto-ajuda; a mãe (Toni Collette), uma dona-de-casa com subemprego; o avô (Alan Arkin), viciado em heroína e criador da apresentação da neta, que o adora; o tio (Steve Carell), que acaba de tentar suicídio porque seu namorado o deixou pelo expert número 1 em Proust no país, já que Carell é o número dois; e o irmão (Paul Dano), fã de Nietzsche, que decidiu parar de falar por um ano em homenagem ao filósofo alemão. Nada perto do american way of life.

Pois é para um concurso de miss mirim na Califórnia que todos vão, numa acolhedora Kombi amarelo gema que não passa marcha e faz os personagens literalmente correr atrás do que desejam. O automóvel se converte no personagem principal do filme que, quase à la Ettore Scola, procura enquadrar mais de um personagem na câmera. Como é tradição nos road movies, o grupo passará por transformações ao longo do percurso, superando barreiras psicológicas, atualizando elos afetivos gastos e aceitando a imperfeição da vida.
“Pequena Miss Sunshine” é completamente correto na sua gramática cinematográfica. A subversão da película se dá na história e não precisa de uma linguagem “inovadora”, ou mesmo tresloucada, para se fazer entender. Ele fere por completo qualquer complexo de superioridade e excelência do espectador mais arrogante.
E está repleto do que poderíamos chamar “pessoas completamente normais”.
Nem de perto o filme é redentor. Do começo ao fim o sentimento de perda (loser) perpassa a narrativa que acaba por cativar ao abordar temas pesados (adolescência problemática, fracasso profissional, homofobia, suicídio, desilusão amorosa e drogas) sem perder o senso de humor. Tudo graças a um elenco talentoso e bem dirigido, além de diálogos precisos.
Mas o filme acaba mal, deixando o espectador aliviado. Mesmo dando tudo errado para a família Hoover eles saem ganhando. A convivência forçada dá unidade à uma relação completamente desgastada e caída na frustração. Mas se Pequena Miss Sunshine não se agarrase a um fio de otimismo no final da história seria um filme especializado em mostrar a perversidade dos adultos em castrar a infância de seus filhos para realizar seus ideais de sucesso, fabricando uma geração de crianças plastificadas e pasteurizadas, tanto na beleza como nas atitudes para enfrentar seus conflitos.
PEQUENA MISS SUNSHINE
Jonatan Dayton e Valerie Faris
[EUA, 2007]
NOTA: 10
Imaginário espacial e tecnológico foi uma das principais tendências da semana de moda carioca
por Fernando de Albuquerque
Mas uma coisa é certa: as roupas encurtaram e nada de discrição. O corpo está mais amostra e com mais vibrações. Não houve imposição de tons. Pelo contrário, um mix completo sem deixar as cores da paleta de lado. Os ditames caíram por terra e em tempos de Hugo Chaves nada melhor que democratizar ao cúmulo. Alguns desfiles foram transmitidos na íntegra e outros tem arquivamento marcado no YouTube. A passagem de La Bündchen foi notada por uivos da platéia e o olhar atento de Sérgio Cabral, Governador do Estado. Koolture, Adpac, Renata Veras e Felipe Eiras desfilaram uma inspiração quase coletiva em Darth Vader e os soldados do império galático.
O Fashion Rio, porém seguiu as tendências européias que buscam uma Nova Aristocracia com ideais calcados no futuro de formas e tecnologias. E para confirmar essa tese, bastou ver os desfiles de Balenciaga e Chalayan na última temporada. O círculo editorial da Vogue intitulou esse conceito de novo futurismo em retro-futurismo. Tudo com referências no imaginário espacial e tecnológico do passado. Até o modelito do homem na lua virou hype da estação.
E tudo foi cópia dos modelos europeus. A Sommer foi o exemplo mais claro já que a grife, sempre marcada por um tom acinzentado e sóbrio, buscou referências em um museu de ícones espaciais do passado e da ficção científica. Huxley ficaria passado. O filme de George Lucas também serviu de inspiração à Virzi e a Walter Rodrigues. Este, aliás, associou o retro-futurismo a roupas étnicas, criando uma desinteressante miscigenação de formas. Nossos compatriotas sempre com uma visão “semana de 22” nas composições.
Se é para abordar o futuro, é certo que o elemento esportivo tende a ser uma das chaves da moda nos próximos anos. As tecnologias e formas das roupas feitas para esportes entram cada vez mais para o vocabulário, numa adaptação de “sport luxury”, nas coleções da Redley, Reserva e Mara Mac. Entre a linha esportiva, influências militares ressurgem fortes em mantôs e pelerines, que completam os uniformes das desbravadoras contemporâneas – estejam elas interessadas nas novas tecnologias terrenas ou nos segredos ocultos no espaço. Pode tirar sua calça militar do fundo do guarda-roupa!