O Grito!


Entrevista Voz Del Fuego
Abril 9, 2007, 8:41 pm
Arquivado em: Entrevista, Música, Voz Del Fuego, Wagner

O EVANGELHO FULMINANTE DO VOZ DEL FUEGO
por Wagner Beethoven

Leandra Lambert é o nome que está atrás de diversos projetos na música eletrônica desde 1990, mas atualmente o Voz Del Fuego é o seu foco. Além de ser a voz do fogo, ela é acompanhada por uma banda, o Lingerie Underground (Leandra Lambert – vocais, letras e eletrônica; Marcelle Morgan – vocais e letras; Flávia Goo – guitarra; Flávia Couri – baixo e André Mobi – bateria acústica ). Além de ter uma banda, Lambert está preparando um curta 16 mm, sobre Hilda Hilst e seus contos eróticos.

Este atual projeto, Voz del Fuego, nasceu em 2003, no Rio de Janeiro. O nome vem de dois ícones da cultura popular, a primeira era a excêntrica dançarina Luz Del Fuego, ou originalmente registrada como Dora Vivacqua e o livro Voice of Fire (A Voz do Fogo, lançado por aqui pela Conrad) do mesmo criador de Monstro do Pântano, Alan Moore. Lambert ainda mistura em suas referências Bjork, Kraftwerk, Zé do Caixão, Rimbaud e Cosme & Damião. No Trama Virtual e no FiberOnline, o grupo disponibiliza várias mp3, as músicas que deveriam fazer sucesso nas pistas com títulos interessantes: “Assim Funkou Zaratustra”, ou “Descendo a Mão na Princesinha”.

O Grito! falou com Leandra Lambert, por email.

Por que às vezes com o Lingerie Underground, e outras com o Voz Del Fuego?
Pela diferente sonoridade e forma de apresentação ao vivo. Se fosse uma banda de rock tradicional ou um projeto totalmente dentro da estética eletrônica, não haveria isso. A mistura de rock e eletrônico possibilita essa versatilidade. É claro que um show solo ou em duo leva mais pro eletrônico e com banda completa pesa mais pro rock. A gente escolhe como vai ser de acordo com o público, o local do show, com as possibilidades práticas e principalmente com o nosso humor e a nossa vontade, claro. Mesmo quando é solo ou duo, pode variar de um eletrônico mais “pista” até o mais experimental. Agora inventamos outra formação: Só a Lingerie, totalmente rock, sem programações. É engraçado, há versões meio “hard rock” ou “punk 77″ de 2 ou 3 minutos para músicas eletrônicas de 5 ou 6 minutos, pura diversão. Primeiro show assim,foi em 15 de abril de 2007 no Salloon 79, em Botafogo, com As Doidivinas.

Voz del Fuego & Lingerie Underground

Vocês Andam Gravando?
As gravações que estão online são solo e demo, só a “Pra Ficar Bonita” tem a guitarrista, não temos nada com baixo e bateria acústica por aí, só um ensaio de 2004, com outra formação, ainda compondo a música “Descendo a mão na Princesinha”. Nada disso dá idéia de como é o show com a banda, é outra coisa. Começamos a gravar com a banda, mas está indo devagar, parou, voltou… esquema “de graça nas horas vagas do estúdio de um amigo”.

Qual foi a repercussão de ter aparecido na Rolling Stone?
Cria uma curiosidade, gente que nunca tinha ouvido falar passa a conhecer algo sobre a banda. Como a gente não tem um apelo dos mais populares, apesar de ser uma banda basicamente feminina, também não chega a mudar a vida, não aparece um monte de gente te oferecendo shows e contratos, né?! Mas é uma forma de reconhecimento aparecer ali. E felizmente não fui atacada por nenhum emo por conta dos meus comentários críticos e sarcásticos a respeito, hahaha.

Vocês explicam no site da banda porque o Inhumanoids acabou, mas qual a razão do Voz Del Fuego? Não poderia continuar sem o seu parceiro, o Self?
O Inhumanoids chegou a ter uma formação mais “electro & breakbeats” sem o Self, em 2000; e tinha sido o fim depois disso. Fiquei quase dois anos sem produzir nada em música, estressei por um tempo, perdi o tesão e fui me dedicar a outras coisas. Em 2002/2003 ressuscitei o Inhumanoids mais para deixar um registro online do que tinha sido feito tantos anos antes, no início dos 90, e que tinha a ver com o que estava acontecendo em música eletrônica naquele momento.
Isso acabou me estimulando a voltar a produzir, caiu a ficha de que era possível fazer uma demo sozinha, toda em casa, com um computador e um microfone. Independência total. Tinha que ser algo novo, eu não queria voltar a algo que tinha se desgastado e me desgastado. Daí também o nome ter “fogo” no meio, que tem esse simbolismo de renovação, de renascer das cinzas. Mas ao mesmo tempo o Self me chamou para fazer um show com ele, voltamos a brincar um pouco… acabou rolando mais uma volta do Inhumanoids em 2004, meio de bobeira. Só que deu confusão mais uma vez e acabamos com a brincadeira, melhor cada um seguir seu caminho. Porra, parece que tinha encosto no nome!

O que faz o Voz Del Fuego diferente?
Acho que é o fato de não estar nem aí para enquadrar nem o som, nem o visual em qualquer estilo ou modismo. Não fazemos questão nem de definir uma formação fixa… Quando comecei a me interessar mais por música, não tinha tanto essa de se pensar na banda como um “produto”, isso era coisa dos pops mais pré-fabricados. Não tinha nada a ver com o underground. Quem em geral cagava pro mainstream era coerente e não ficava se preocupando em se adequar perfeitamente a uma determinada cena e só botar gente bonita, bem figurinada e bem relacionada na banda, essas coisas. Era um bando de vagabundos, desajustados e atormentados com orgulho disso, gente que não fazia a menor questão de corresponder a nada, e que resolvia sair tocando, muitas vezes sem saber. Mais interessava um show demente de bom ou uma demo podre com boas idéias que poderiam ser mais bem desenvolvidas depois do que ter tudo certinho e esquematizado rumo ao sucesso. E agora é assim, mesmo no mundo “alternativo” tem muito essa noção de produto, mercado, metas, “compre seu kit hype do momento”. Pode ser esperto agir assim, mas eu acho um porre. Ou melhor: uma ressaca!

A gente pode se definir como electro-rock, electro-punk ou dance-punk só pra situar as pessoas de que se trata de algo que une eletrônico e rock, que tem influência e atitude punk/pós-punk, que é DIY, que às vezes mergulha no pancadão, por aí vai. Mas se você for ouvir, não se enquadra exatamente no que tem rolado nesses gêneros, algo soa meio estranho, é sem imitar nada, sem fazer questão daquele truque certo que sempre funciona. Freqüentemente uso outras batidas, velocidades mais aceleradas ou desaceleradas, vocais e timbres que parecem vir de outros gêneros e épocas ou de nenhum gênero, nenhuma época. Gosto que o som seja dançante, mas não me prendo às fórmulas disponíveis no mercado, não tenho medo de experimentar, faço o que estou a fim de fazer e pronto. E a banda tem a liberdade de criar o que quiser em cima, é raro que eu interfira na parte deles, só se eu achar que está muito fora, que está “batendo mal” com o resto da música – o que é raro acontecer, porque eles são ótimos. Eu poderia sair da banda com os meus cacarecos que eles continuariam a ser uma banda muito legal, hahaha.

O uso de tecnologias é freqüente na banda…
A tecnologia, bem, uma roda é tecnologia, uma bateria é tecnologia (acústica, como o nome diz), uma guitarra é tecnologia (acústica e elétrica), a eletrônica é tecnologia. A diferença maior é que nós não vivemos a época em que essas tecnologias mais antigas transformaram o modo de vida das pessoas; nós vivemos a época em que a tecnologia eletrônica vem afetando de forma ampla o modo como vemos o mundo, nos comunicamos, nos relacionamos. E a música, as artes e a literatura acompanham e expressam de sua época, de alguma forma. Mesmo uma gravação só de voz é eletrônica: foi feita através de um microfone conectado a uma interface, armazenada num HD, transformada em arquivo mp3, foi parar na internet, baixada e ouvida num mp3 player… Só em roda de violão em acampamento e congêneres é que a eletrônica não está presente, né?! A eletrônica e a informação são características vitais da cultura atual – e também o nosso maior fantasma.

As apresentações ao vivo da banda são um falatório a parte. Como faz pra ter tanta disposição?
Ih, não saquei a parte do falatório… explica pra eu poder responder?! Hahaha A disposição: bom, eu me sinto num ritual pessoal, do qual outras pessoas podem participar. É uma onda meio dionisíaca mesmo. Posso estar empolgadíssima e “levar” outras pessoas junto… ou não. Fazer o que, às vezes não “sintoniza”. Para mim tem que ser de verdade, não consigo forçar a barra. Papo de doidão, hein?! Hahahah… mas isso é tão antigo… a música e as encenações sempre tiveram esse papel e esse poder. E é claro que uma bebida ajuda, etc… hahaha.

É incomum a referência da dançarina Dora Vivacqua para uma banda de eletrônico. Como você explica isso?
A referência a princípio foi mais pelo lado independente, libertário e provocador da Luz del Fuego, que tinha uma postura bem incomum para as mulheres da época, algo a se admirar e desejar mesmo hoje em dia, quando tantas mulheres voltaram a se contentar com o papel de mulherzinhas e enfeites. Mas música eletrônica e rock têm tudo a ver com dança, no fim das contas… são feitos para se dançar, pular e pirar a noite toda. Tudo a ver com dançar semi-nua com uma serpente.

Alan Moore é outro nome para a explicação do nome da banda. Qual a responsabilidade de ter ele como ícone?
Olha, eu não me preocupo muito com essa possível responsabilidade não… se eu me preocupasse, fudeu: nunca acharia que nada que eu faço está suficientemente bom. Prefiro encarar o livro “A Voz do Fogo” apenas como algo que me afetou muito na época e ao qual eu quis prestar uma humilde homenagem, sem maiores pretensões ou responsabilidades. Mas espero um dia fazer um álbum-homenagem, mais conceitual mesmo, inspirado em obras dele, levando isso mais a sério. Mas não demais, hahaha… sempre tem que rir no final!

Qual é a verdadeira intenção de Leandra Lambert?
Não sei, isso é um mistério. Qualquer dia consigo arrancar dela essa resposta, hahahah.



Entrevista Monodecks
Março 21, 2007, 1:53 am
Arquivado em: Agnst, Entrevista, Hrörnir, Monodecks, Música, Wagner
“VIAGENS LONGAS E SEM PREVISÃO DE VOLTA”
por Wagner Beethoven

De maneira informal, o Monodecks foi formado em 2004 e com o pé direito em 2005 tocaram no Festival No Ar: Coquetel Molotov. No entanto, só agora o grupo faz seu segundo show, no bar Novo Pina, Recife Antigo, neste sábado. A banda têm diversas referências, de Lou Reed a Slint, de Mogwai a Sun Ra, passando por Brian Eno e o Pink Floyd. Com predileções por temas psicodélicos e instrumentais, o som do vai do minimalismo às experimentações, o que já fez o Monodecks ser chamado de “música sensorial”.

Ainda sem disco lançado, a banda disponibiliza músicas no site do Trama Virtual e na sua página no MySpace. Para conferir ao vivo o som deste grupo recifense, chegado num noise não muito fácil, o Monodecks se apresenta ao lado das bandas Hrönir e Agnst, neste sábado (confira o Serviço no final da entrevista).

Antes de sua segunda apresentação, o líder D Mingus falou com o GRITO!, por email.

O GRITO: A banda, logo no primeiro show, teve boas críticas. Embora não esteja fazendo muitos shows, o Monodecks ainda tem, mesmo que em pequena quantidade, um grupo fiel de fãs. Como você explica isso?
Esse pequeno grupo corresponde justamente a nossos amigos… Só que, mesmo dentre eles, o critério dos que se identificam com a banda acaba sendo puramente estético/musical mesmo. Porque, nem há a possibilidade, por exemplo, daquele primo fã de Zeca Baleiro vir falar “poxa, gostei muito daquela música que fala sobre tal coisa – o que aquela frase quer dizer hein?”. Pô, a gente curte tirar um som e entrar nele, deixar o lance fluir. Não achamos que temos obrigação de explicar alguma coisa com nossa música. Além dessa questão de sermos uma banda quase cem por cento instrumental, há a questão da baixa-fidelidade (lo-fi) das nossas gravações, dos improvisos e noises que muitas vezes tornam-se “viagens longas e sem previsão de volta” – tudo isso e tantas outras abordagens pouco usuais acabam tendo um efeito “repelente” para o grande público (o que pra nós não é nenhuma novidade). Mas podemos dizer, sem medo do clichê, que se fazemos música pra agradar a pessoas, essas pessoas somos nós mesmos.

O GRITO: “Reverbera da Caverna”, “Pirâmides” e “Trêmulo” já estão disponíveis no Myspace da banda. Quando poderá ser visto um EP ou mesmo um disco de vocês?
Dessas três, apenas “Reverbera na Caverna” foi gravada em estúdio e com a banda completa. Mesmo assim foi num esquema ao vivo de gravação-demo, de mixar depois em casa com os canais “vazando”, com prazo pra entregar a mix em CD pra algumas pessoas. De toda forma ela é a única gravação que temos disponível no momento pra mostrarmos como funciona o som do monodecks com todos seus tentáculos em ação (ao mesmo tempo). Como não dispomos de muita grana, o EP ou “disco cheio” que pretendemos lançar fica um pouco refém dessa questão, mas pretendemos agilizar o danado esse ano de todo jeito, nem que seja no esquema tosqueira de sempre. Mas de repente, podemos resolver investir tudo numa só faixa melhor produzida – só o tempo vai dizer (e a grana).

O GRITO: Quais são as dificuldades em ter um banda tão numerosa?
A banda nem tem tanta gente assim. Na verdade, o que atrapalha é a escassez do tempo de cada um, já que ninguém se sustenta através da música. A dificuldade maior é a de conseguir conciliar as agendas particulares, enfim, mais ou menos como toda banda. Danado é que não somos mais guris e estamos justamente naquela fase do “se vira pros 30 (anos)”, daí muitas vezes bate a angústia porque o que era pra ser a válvula de escape acaba emperrando.

O GRITO: O monodecks vem com uma proposta diferente das bandas daqui. Como é ter uma sonoridade tão incomum em Recife?
Acho que o tipo de som que a gente faz não é só incomum aqui – acaba sendo em todo país. E isso porque hoje estão praticamente chovendo bandas que fazem um rock com inclinação mais experimental. Se hoje o espaço pra esse tipo de som é pequeno, imagina num passado até próximo… Pelo menos agora a internet facilita as coisas um pouco.

O GRITO: Quais são os planos da banda para o futuro?
Pretendemos fazer mais shows, gravações decentes, investirmos num equipamento melhor… nem temos tantas ambições. Como a gente sabe que muito possivelmente jamais conseguiremos pagar as contas com nossa música, nos damos por satisfeitos em podermos nos divertir tirando um som juntos. Músico é um tipo escroto de masoquista.

Serviço:
Pré-Existências: Ambientações Sonoras do 3º Grau
Monodecks, Angst e Hrönir
Sexta (23/03/2007) 22h
Local: Novo Pina (Recife Antigo)
Preço: R$ 5,00 – Info: 81 8715.3981 (Domingos)

Veja Mais: Entrevista com o Monodecks – 19 de Setembro de 2005

CONHEÇA AS OUTRAS BANDAS QUE IRÃO TOCAR COM O MONODECKS

Agnst
Os integrantes da extinta banda Airbag (que logo depois se tornaria o Ahlev de Bossa) tocando guitarra, baixo e flauta transversa em “harmonia”. Isso é o que o Angst consegue fazer, a união de Alan Diego, Pedro Figueiredo, Sara Wanderley, Breno Barbosa, que em 2002, com influências do Sonic Youth, Mogwai e Radiohead formaram o grupo. Fazem música bastante incomum, indierock de primeira qualidade.

Hrönir
Eles descontroem o ritmo, reconstroem o som e fazem experimentações de video-art, gravando o seu som de forma completamente inimaginavel. A banda, que já tem diversos trabalhos, trilhas sonoras e afins é formado pelo workaholic da música, Thelmo Cristovam, Túlio Falcão e Lucas Alencar. O trio faz um free jazz, música ambiente, experimentalismos, improvisos e dissonâncias. Dificil de acreditar? Só vendo pra crer.



Entrevista Digitaria
Fevereiro 15, 2007, 7:24 am
Arquivado em: Digitaria, Entrevista, Floro, Música
ELECTRO COMO LE GUSTA
por Paulo Floro

De Belo Horizonte à Berlin, o Digitaria mostrou que é o mais promissor grupo de música eletrônica do país. Formado por Daniela Caldellas, Fabiano Fonseca, Nest and Danihell Albinati, a banda chamou a atenção do DJ e produtor Hell, que os levou para o seu famoso selo de electro, o Gigolo. Com um elogiado disco homônimo, a banda, depois de shows na Europa, vêm ao Recife para o festival REC BEAT, no dia 18 de Fevereiro.
Antes, o tecladista Daniel Albinati falou ao Grito por email sobre sua relação com o selo Gigolo, a emoção de tocar no Recife, a estadia em Berlin, John do Pato Fu como produtor e as bandas que mais gostam.

GIGOLO RECORDS
Temos um orgulho enorme de estar na Gigolo. Amamos o selo, fomos muito influenciados por artistas incriveis como Plastique de Reve e Vitalic. Na minha opiniao a Gigolo foi um dos selos mais importantes dos anos 2000, praticamente reinventou o electro e trouxe de volta as guitarras, os vocais e a atitude rocker para musica eletrônica, que andava tão blasé no final dos anos 90. Quando o Hell (DJ e produtor do electro) nos chamou para participar do cast do selo, ficamos felizes por estarmos lá entre artistas tão talentosos e por podermos levar um pedaço do Brasil para essa história. o Hell é um grande amigo, uma pessoa divertidíssima, muito talentoso e cuidadoso. Um grande amigo, antes de qualquer coisa.

REC BEAT CARNAVAL 2007
Sempre quisemos tocar em Recife, o que nem sempre é tao fácil, pois somos três pessoas, mais a equipe técnica, então sempre fica caro demais. Recife conseguiu a proeza de furar o eixo Rio-São paulo nos anos 90, se tornando uma das capitais mais importantes para a música brasileira, com artistas de inegável talento e muita organização. Sempre soubemos que aí tinha uma cena incrível, sempre foi um grande desejo pra gente estar em Recife. Quando recebemos o convite para o Rec Beat foi realmente demais – nem precisava de ser num festival deste tamanho pra ficarmos satisfeitos. Acho que vai ser o nosso maior público, e podem ter certeza de que vamos dar o maximo possível para que seja uma noite inesquecível.

TURNÊ PELA EUROPA
Acho que foi um dos momentos mais importantes da nossa vida, sem dúvida. Pegamos nosso dinheiro, alugamos um apartamento em Berlin por dois meses e nos mandamos. A Gigolo arrumou alguns shows memoráveis para a gente, fizemos muitos amigos, compramos equipamento e compusemos muita musica nova. Foi uma imersão total de cada um de nós dentro do Digitaria, vivíamos a banda e seus desdobramentos a cada minuto. E foi legal estar em Berlin, o centro da musica eletrônica na Europa – talvez mundial. Milhares de coisa para se fazer por dia. O mais legal é que fomos na época da copa do mundo, então havia um clima de comunhão muito grande em toda a cidade, muitos turistas, gente de todo o mundo. Pena que o Brasil fez tão feio.

BELO HORIZONTE
Belo Horizonte é uma cidade muito estranha, cheia de gente estranha, mas legal. Todo mundo aqui é meio louco e meio artista. A cidade é cercada de montanhas muito próximas, e nao é nem muito longe nem muito perto dos grandes centros do Brasil… Temos grandes artistas no nosso passado aqui, desde o Clube da Esquina ao Pato Fu, passando, claro, pelo Sepultura, que saiu de BH para se tornar uma das maiores bandas de metal do mundo. A música eletrônica ferve em BH, temos artistas ótimos como Menorah, Roger Moore… O que eu acho mais legal na música eletrônica feita em BH é que raramente você vê um artista de “techno” ou “house” ou “drum’n'bass”… Todo mundo mistura muita coisa, e no final tudo acaba se tornando mais aberto e mais indefinivel.

ÍDOLOS (PAIXÕES)
São muitos, sem dúvida. Todos nós amamos música, e temos muitas pessoas e bandas que nos influenciaram muito em nossa forma de pensar, sentir e compor. É claro que muitas vezes essas influências sao muito difíceis de ser percebidas… Acho que nosso som não se parece muito com nada específico, mas posso dizer, por exemplo, que o Leonard Cohen é uma pessoa que nos influência muito. E o Depeche Mode, Vitalic, Shamen, Altern8, Manic Street Preachers, Radiohead… Artistas que compõem com o coração, que quebram as regras, que vão um pouco mais longe do que o permitido. Para nós, qualquer música pode ser boa, independente do estilo. Basta ser feita com a alma, de forma honesta, que certamente uma hora ela tocará outros corações.

DIGITARIA (O DISCO)
Fazer um disco é como ter um filho. Nunca imaginamos que seria tão trabalhoso, tao complexo, e tao prazeroso. Foi um processo longo, que começou na composição das músicas, depois nos arranjos, gravações, finalizações, mixagem e bla bla bla… Temos nosso próprio estúdio, onde desenvolvemos nossas canções por noites a fio, depois gravamos tudo e levamos para finalizar no estúdio do Pato Fu. Temos um orgulho muito grande desse álbum. É um disco com começo, meio e fim, com músicas que achamos muito bonitas e que dizem muito sobre o que sentimos e o mundo da forma que enxergamos. Quando o disco estava pronto, mandamos para o hell e ele respondeu “it’s perfect”. O disco saiu então pela Gigolo e o resto é história.

JOHN (PATO FU)
O John é, antes de tudo, um grande amigo e uma pessoa que admiramos muito. O tipo de música que ele faz é obviamente radicalmente diferente do que fazemos, mas temos mais em comum do que a maioria das pessoas pensaria – ele é uma pessoa muito íntegra, que faz sua música com muito amor e carinho, tem uma consciência artística invejável e é um excelente músico e técnico. Sempre que precisamos de um conselho ou uma ajuda vamos atrás dele… Quando pensamos em ter alguém para dar uma finalizada no álbum, rapidinho nos lembramos dele. É um cara de bom senso, que entende dos processos artísticos e que respeita nossas idéias. Não poderia ter sido uma escolha melhor.

MÚSICA ELETRÔNICA NO BRASIL
Acho que tem tantos artistas bons no Brasil quanto fora do Brasil, e na música eletrônica quanto na música em geral. Não nos ligamos especificamente na música eletrônica ou na música brasileira… Mas, já que você perguntou, tem coisa muito boa rolando atualmente. Gostamos do CSS (que nem é tao eletrônico), Johann Heyss, Menorah, Gui Borato… Gostamos de artistas que colocam a música em primeiro plano, sem muita afetação, sem muitas caras e bocas, sem muitos truques de marketing, na Alemanha pudemos conferir de verdade o que faz sucesso lá fora: Bonde do Role, CSS, Edu K, Ana e David, Mau Mau… Sempre nos surpreendíamos com a quantidade de brasileiros que são conhecidos por lá. E que venham mais!

AO VIVO
É para isso que trabalhamos dia e noite no Digitaria: para os momentos ao vivo, onde podemos realmente nos divertir de uma forma sem precedentes. São os melhores momentos da nossa vida, sem duvida!


Entrevista Fábio Zimbres
Janeiro 22, 2007, 10:11 am
Arquivado em: Entrevista, Fábio Zimbres, Quadrinhos, Wagner


Ilustração para a Revista Complot (México)

TONTO NADA.
por Wagner Beethoven

O Grito fez uma entrevista rápida com o quadrinhista Fábio Zimbres. Dono de um estilo peculiar e surreal, Zimbres passou dos fanzines underground para tiras na Folha de São Paulo. Foi também colaborador da revista Animal, uma das melhores publicações de quadrinhos que o Brasil já experimentou.

Em 1997, Zimbres, junto com outros artistas criaram a Tonto, em Porto Alegre, uma editora independente que começou editando uma pequena coleção de livrinhos chamada de miniTonto. A idéia, que pretende auxiliar outras produções independentes pelo país afora é louvável, sobretudo no ótimo momento que vive o mercado. Além de Zimbres, artistas como Allan Sieber fazem parte da Tonto, que vende seu catálogo pelo site.

Neste bate-papo, Zimbres da editora Tonto e sua visão do mercado de hq´s.

Onde e por que nasceu a necessidade de fazer quadrinhos?
Difícil dizer. Gosto de quadrinhos desde criança e foi natural que eu acabasse trabalhando com isso mais tarde. Escrevo, desenho e edito revistas desde os 10 anos de idade.

Por que você decidiu criar uma editora e não tentar ingressar no mercado já existente?
O caso é que eu já editei e fiz colaborações para muitos tipos diferentes de veículos: desde revistas de distribuição nacional, como Animal ou Chiclete com Banana, até fanzines e revistas independentes, como Dundum e outras. A editora surgiu numa época em que pouca coisa estava sendo publicada e a coleção era uma maneira de mostrar o trabalho que estávamos fazendo e não se via porque não havia revistas.

De onde vem a inspiração para as histórias, o roteiro tem algum reflexo da sua vida?
Sempre tem algum reflexo e é difícil saber onde acaba um e termina o outro. Sempre surgem de meus interesses.

Falando de dinheiro. Dá para viver de quadrinhos independentes?
Eu não vivo, acho que ninguém vive disso no Brasil. É preciso publicar em vários lugares e fazer uma série de coisas diferentes, como ilustração, design etc.

Qual a dificuldade em publicar quadrinhos no Brasil?
Acho que não é muito difícil, há várias editoras e é cada vez mais fácil fazer auto-edição. O que aínda não foi muito bem resolvido é a distribuição e as maneiras de se vender nossos trabalhos.

Você acha que o mercado de história em quadrinhos no Brasil está passado bom um bom momento, como vêm sendo dito?
Suponho que sim, há uma grande atividade que é visível. Está melhor do que quando começamos a Tonto. Não vejo uma grande qualidade nem ninguém vivendo disso mas está melhor. Só espero que não suma de repente como no começo dos anos 90.

Qual personagem você mataria se pudesse?
Não me ligo muito em personagens e acho que a violência não leva a nada. Até o Garfield tem direito a vida.

Que mensagem você daria para um novo leitor da Tonto?
Seja fiel a si mesmo e não tenha medo. Não damos garantia nenhuma e nem devolvemos o dinheiro. Arte é assim.

Acesse
Editora Tonto: www.tonto.com.br
Site de Fábio Zimbres: www.fzimbres.com.br



Entrevista The Playboys
Janeiro 22, 2007, 10:11 am
Arquivado em: Entrevista, Música, Rafaella, The Playboys


Abusado: Chico Buarque já nasceu velho.

HERÓI DE BRINQUEDO
por Rafaella Soares

A idéia é boa. Uma banda que debocha sem concessões dos maiores clichês da cidade – que vão desde os personagens típicos dos barzinhos da moda até eles mesmos. Na terra do Manguebeat, onde tudo é sacralizado, assumir uma atitude dessas é pisar, sem percatas de couro, em campo minado. Mas em se tratando do The Playboys, parece que eles sabem o que estão fazendo.
Esses meninos-balzaquianos, a bem da verdade, são kamikazes na cena musical recifense e arrebanharam uma legião de fãs fazendo pouco dos pseudo-culturais, punks de butique, surfistas mediocres. Levando alegria à um sanatório (referência acidental ao Velvet Underground?). Forjando a participação em festivais ( caso do Abril pro Rock 2005).
Auto-intitulada a banda mais cheirosa de Recife, formada nos altos prédios de classe média, já estão completando 10 anos de carreira. Mesmo com o nariz torcido de muitos, o grupo segue provocando e fazendo história no udigrudi. Se bem que até esse termo é pretensioso demais pra uma banda tão non sense!
O tecladista ZGR em entrevista ao Grito! contou um pouco sobre as novidades da banda.

Em pouco mais de uma semana, os Playboys fizeram shows no UK Pub e no Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano (Tamarineira),no último mês de dezembro. O que vocês mudam na performance se apresentando em lugares tão diferentes?
É como já dizia o bom e velho apóstolo Lucas no seu evangelho, o bom filho à casa torna e estamos voltando a tocar nesses dois lugares requintados a pedidos do público que já é fiel, fervoroso e sabe todas as letras decoradas. Sempre há uma novidade nos shows, independente de onde ele seja, mas quando são nesses lugares inusitados, sempre aprontamos uma a mais, e outra, quem faz o espetáculo é a galera que está vendo o show.

O lançamento do single Paulo André não me ouve resultou uma repercussão bem maior do trabalho de vocês, que chegaram a tocar até em um grande festival (Recbeat). A banda ganhou mais espaço e atingiu mais pessoas depois disso?
Pois é, até agora todo mundo escutou a gente, menos Paulo André. Nosso site já saiu do ar por algumas horas, tamanha demanda de gente baixando o single Paulo André Não Me Ouve. E tem novidade…. a banda The Playboys lançou no mês de dezembro o videoclipe desta música e no embalo comprou até um aparelhinho pra ver se ele escutava desta vez. Vamos ver se rola nem que seja uma parceria. Nós chegamos em um ponto que estamos saindo em mais revistas, zines, programas de Tv e sites de fora de Recife do que em nossa própria cidade.

Existe algum personagem ou estereótipo da cena cultural de Recife que ainda não recebeu homenagem de The Playboys?
Não sei o que paira pela cabeça dos outros playboys, mas os jornalistas locais, sim, esta classe intelectual e banal um dia vai ter o troco que merece… mas não vamos perder tempo com isso. Vamos falar do nosso último contemplado, ok? Chico Buarque é o nome do rapaz, ele está no mesmo patamar que nós da The Playboys, somos todos da classe artística, só que tem um detalhe, ele já era velho antes mesmo de nascer.


Nosso cachê é absurdo, mas toca a gente, ok?

Os playboys ainda pedem mesada ou conseguem se manter com shows?
O nosso cachê é algo surreal para a realidade brasileira, sem falar das nossas exigências no camarim. Temos que nos contentar com alguns trocados graúdos que nos oferecem já que a economia brasileira não passa por uma boa fase. Aconselho até quem tiver oportunidade de investir nas ações da Google, não pensar duas vezes. Só neste fim de semana, comprei um iate e um jetski pro meu laguinho particular e ainda fiz a feirinha básica do mês que envolve além da comida lá de casa, bebidas, presentinhos (só eletrônicos ) de natal pros amigos e familiares.

E sobre a caixa de comemoração de 10 anos da banda?
Será uma caixa de pandora!

Pra terminar: o lendário Palco 3 do Abril pro Rock, foi uma loucura saudável ou uma estratégia furada?
Como diria nosso colega Carlos da Brainstorm9 [www.brainstorm9.com.br] foi uma “tática de guerrilha”. A gente conseguiu um destaque incalculável, pois além dos três shows que fizemos em uma única noite, dois deles com Wander (Wildner), estávamos ali cara a cara com a galera no nosso stand e trocando figurinhas com quem passava. Impagável.

Para mais informação
Site oficial do The Playboys: http://www.theplayboys.com.br/
Site do Z.G.R.: http://www.zgr.cjb.net/



Entrevista Biônica
Dezembro 5, 2006, 8:09 am
Arquivado em: Biônica, Entrevista, Música, Wagner

DRINK NO INFERNO
Apostando na mistura vodka, rock e diversão, o Biônica espera exportar a loucura de seus shows para todo o Brasil.
por Wagner Beethoven

O Biônica é uma banda de São Paulo que tem um humor venenoso, com um disco nas costas e fazendo shows nos inferninhos mais improváveis. Formado em 1999, gritando no estilo garage rock, as músicas são cantadas em português e francês, suas influências são Kiss, Stooges e MC5, além de referências dos anos 80 brasileiros. Tem como tema de suas músicas as coisas mais gostosas do planeta: a vodka, o sexo e o rock.

Formada por Joana C4, Fernando Sarti, Helena Fagundes e Marina Pontieri, o grupo transpira abuso, que até desistiu do Claro que É Rock e não tem papas nas línguas, Fernando e Marina aceitaram entrar no divã do GRITO e soltar o verbo.

Um das coisas mais difíceis para formar uma banda é achar gente legal e interessante, como foi o caça-talentos para formar o Biônica e como foi a escolha do nome?

Fernando: Olha, aí você está muito certo. Banda com gente que você não se dá, não funciona. A gente se conhece há bastante tempo já, e antes mesmo de ter banda, tínhamos uma amizade. Nos encontrávamos por aí, no final a banda acabou por aprofundar nossa amizade.

Marina: Hehe, caça talentos é engraçado. Parece que a gente lançou um concurso do tipo “america’s next top model” pra montar a banda…Teria sido engraçado, as provas iam ser: “Qual o tamanho da roubada que você pode agüentar e ainda fazer piada disso?” Ou : “ Você é capaz de passar duas horas semanais mais show e encontros semanais no bar com as mesmas três pessoas?”… Ah, e o pré requisito básico: Gostar de cerveja e de buteco! Na verdade, todos nós tínhamos outros projetos musicais e, além de gostar da companhia , gostávamos do modo como cada um tocava, das influências etc Então foi um processo mesmo de pessoas que pensam parecido se agruparem, não tem muito segredo. Já o nome quem deu foi o João, que tocava a segunda guitarra nos primórdios do Biônica, então pra saber mesmo, tem que perguntar pra ele…

Assim como toda banda independente, é bem complicado o inicio. Poderia falar como era o Biônica antigo e quais as diferenças da banda antiga para o Biônica hoje?

Fernando: Era complicado sim, mas também era divertido. Eu tinha 16 anos quando comecei o Biônica, era um moleque. Então não sei, são lembranças doces da minha adolescência (Ah, que poético). Por mais que hoje as coisas estejam “mais sérias” para gente, ainda é diversão e criação. Se não fosse ainda, não teria razão da banda existir até hoje.

Marina: Bom, eu não era tão moleca, mas achava e continuo achando divertido. Claro que começam a aparecer problemas do tipo conciliar emprego, faculdade e banda, cansar de tocar só em roubadas – apesar de que agora que a banda está razoavelmente estabelecida, as pessoas que nos chamam se preocupam em conseguir uma boa qualidade de som, transporte, hospedagem, pagam cachê, essas coisas – o que no começo da banda era muito raro. Mas também cada caso é um caso, não temos problemas em tocar de graça num festival beneficente, ou gratuito, num lugar que não costumamos tocar, e isso é parte do que é legal na banda, não é uma coisa estritamente profissional, pra ganhar grana, sabe? Claro que gostaríamos que a banda nos sustentasse, mas também queremos ter esse tipo de controle e poder de decisão sobre os caminhos a seguir… Musicalmente, acho que a banda evoluiu muito, estamos mais concisos e desde que temos esta formação , já estamos indo para a terceira gravação, hoje a gente é muito mais entrosado, coisa que faz uma grande diferença, principalmente nas apresentações ao vivo e com tanto tempo de convivência, tendo que driblar os problemas profissionais e pessoais, aprendemos também a conviver em grupo e a nos respeitarmos mutuamente, o que é uma experiência de vida das mais ricas…

De quem foi a idéia de ter inserções de francês nas músicas?

Fernando: As inserções ficaram por conta da Joana, quando ela entrou na banda. É sempre assim, cada um traz sua trouxinha e a gente vai remendando.

Marina: Joana, a Jane BIrkin de São Paulo(O Planondas, de Porto Alegre, até fez uma música pra Ju, chamada “Jane Birkin SP”)!

Como é processo de gravação? Quem fica com o quê? Quem escreve as letras e idealiza a performance do grupo? Enfim, quem idealiza a banda no palco?

Fernando: Gravar é sempre bom, e sempre gostamos de estar todos juntos durante todo o processo: da criação a gravação. É sempre muito aberto que no final o toque individual some. É isso, na minha visão não dá para nada se destacar na banda. Ou é isso, ou não é. Sempre é preciso também citar a presença de Clayton Martin quando a gente fala do Biônica. Ele é nosso produtor musical, guru, guia, musa, técnico de som enrustido, amigo e conselheiro financeiro do Biônica.

Marina: Concordo com o Ramone. E também acho que todos esses processos não são tão programados. Ninguém “idealiza” nada, a expressão da banda é essa colcha de retalhos que o Ramone estava falando, a performance, a música, tudo. Não tem uma coisa do tipo: Então vamos rebolar um pouco nesse show, depois as pessoas sobem no palco e a gente rola no chão. Os shows são muito diferentes, nuns a gente está com vontade de se vestir de mecânico, diabo ou o que quer que seja, em outros só queremos tocar com as nossas roupas mesmo, sem muita firula, meio Ramones mesmo. Varia. Claro que as pessoas esperam, por conta de alguns shows mais performáticos que haja alguma coisa, mas o show é o mesmo, com a mesma energia, se estamos de calaça jeans e camiseta ou vestidos de Village People. No final, o que mais importa é a música, não é? E eu acho saudável e sincero que o show seja um reflexo de como estamos nos sentindo naquele dia, sem muitas obrigações com um estilo fixo…


Sim, eles são servos de Satanás

“A garota MTV” da banda ajudou alguma coisa na divulgação da banda?

Fernanda: A Ju ajuda na divulgação da banda porque, além de ser uma das melhores vocalistas de rock do Brasil, é uma das mulheres mais bonitas do Brasil também. E das mais legais também. Enfim, a MTV é um detalhe perto da pessoa da Joana.

Marina: A Joana é foda!!!!! Mas essa história de relacionar as duas coisas é meio chata… Eu acho o seguinte: A Joana é da MTV, esse é o trabalho dela e a banda mesmo não tem nada a ver com a MTV. Aliás, nem clipe a gente nunca gravou! Eu acho super chato quando alguém que não nos conhece e não gosta do som fala: “Ah, mas eles só dão certo porque a mina é da MTV…” E não é! Fazemos questão de não vincular as duas coisas. Respeito à opinião musical de quem não gosta do som, mas todo mundo na banda é muito sério e comprometido com o trabalho, e pra mim pessoalmente é muito desrespeitoso fazer afirmações sobre um processo que você não acompanhou e não sabe. Tanto que quem de fato acompanha a banda sabe que isso não tem fundamento…

Por que vocês decidiram sair do Claro Que É Rock? Já que se tivessem vencido a banda teria tido uma exposição no Brasil todo, não se arrependem disso?

Fernando: O contrato não era atraente para gente. Acho que antes de tudo, o artista tem que ter respeito por si e por sua obra e isso é prioridade no que a gente já criou. Nos vincularmos a uma marca da forma que eles exigiam no contrato, ao meu ver seria o suicídio da banda. E essa exposição no Brasil todo não é verdade: onde tá a banda que ganhou? Eu, sinceramente, não lembro nem o nome. Por isso acho que não nos arrependemos porque sempre procuramos ter o controle sobre o Biônica, que é algo que todos nós estimamos muito e temos muito carinho.

Marina: Bom, eu não me arrependo nem um pouco. O contrato era visivelmente de má fé, confuso, e a postura da produtora que a claro contratou foi muito antipática, como se eles estivessem oferecendo a melhor coisa do mundo pra uns “zes ninguéms”, hehe… Só que eu acho que quem toca tem que ter um certo espírito de coletividade, começar a não aceitar qualquer coisa, para melhorar o nível do tratamento dado às bandas mesmo, sabe? Fora que foi uma coisa mal organizada em vários níveis, tanto que depois do que saiu na imprensa a claro melhorou muito o nível do festival…Enfim, tudo isso pra dizer que nem tudo vale a pena e que os fins não justificam os meios…

Como é o show da banda? Qual é o resultado visto a cada apresentação?

Fernando: Alguém do Recife podia chamar a gente, né? Ia ser mais fácil responder essa questão. O que nós procuramos nas nossas apresentações é nos divertir, divertir os outros, criar espaços de reflexão, ajudar namorados que estão brigados a se resolverem, pais que não vêem os filhos se reencontrarem… Não sei. Todo show é sempre coisa muito nova. Nunca espero nada, porque senão ele perde a graça.

Marina: Assino embaixo.


Eles arrasam. Porraloquice aqui você encontra em excesso.

O primeiro disco para uma banda underground é uma grande vitória. Já tem projetos para divulgação e gravação dos compactos pelo Brasil afora?

Fernando: Estamos gravando nosso segundo disco nesse final de ano. Esperamos conseguir lançar ele no primeiro semestre de 2007.

Marina: Ta ficando lindo. Estamos empolgados!

O cenário musical esta bem diversificado. O que cada integrante gosta de escutar out Biônica?

Fernando: Olha, eu gosto muito de Tim Maia, Pussy Galore, Racionais MC´s e hip hop antigão. Mas isso é sempre uma questão de momento, né? Diria que eu não vivo sem Dead Kennedys e The Clash

Marina: Nossa! Muita coisa. De Doors a Birthday Party, de Cat Stevens a Devo, de Blues a Country… E isso sou só eu, se juntar o resto, tem música francesa, brega nacional, jovem guarda, rock e punk, claro, jazz e Blues, pancadão… É uma salada!

Você pode definir de forma completa o Biônica?

Fernando: Eu acho que, ainda bem, não temos forma completa.

Marina: Quatro grandes amigos que tocam juntos.

Contato:
Site oficial: http://www.itsmysite.com/bionica/
MySpace: http://www.myspace.com/bandabionica



Entrevista Charme Chulo
Outubro 25, 2006, 9:55 pm
Arquivado em: Charme Chulo, Entrevista, Floro, Música

SAUDADE DA TERRA
banda de Curitiba acerta em cheio ao explorar raízes caipiras com o melhor que o pop tem a oferecer

por Paulo Floro

A definição Arctic Monkeys + Bruno & Marrone que consta na página do Charme Chulo no Trama Virtual mostra o quanto esta banda de Curitiba é inusitada. Grata surpresa a surgir da excelente cena roqueira curitibana atual, a banda é uma das mais inventivas na sonoridade, ao juntar violas caipiras com o brit-pop dos Smiths.Com isso, algo particular e original surgiu, o que acabou surpreendendo a crítica em 2004, quando lançaram o EP Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou. Após isso, shows em festivais importantes como o Curitiba Rock Festival e destaques em várias publicações fizeram do Charme Chulo uma promessa para o ano que vem.

Formado em 2003, pelos primos Igor Marcel (vocais) e Leandro Delmonico (guitarra e viola), a banda ainda consta com Peterson Rosário no baixo e Rony Jimenez na bateria. Este ano, os rapazes do Charme Chulo terminaram as gravações de seu primeiro disco, que deve ser lançado em breve. O disco foi produzido por Xuxu (vocal e guitarra da banda Pipodélica) e gravado em Florianópolis. No disco consta inéditas como Não Deixa a Vida Te Levar e Barretos. Mas músicas que ajudaram o público a assimilar o estilo “Charme Chulo de ser”, como Piada Cruel e Polaca Azeda também dão as caras. A produção do disco, delimitou as influências da banda – que ainda passam por Legião Urbana, The Killers, Almir Sater, Dalton Trevisan e o indie-folk – e ajudam o Charme Chulo a ser o expoente solitário de um estilo ao mesmo tempo que os insere no cenário do melhor que o rock brasileiro está revelando esse ano.

O GRITO falou com o vocalista Igor Marcel por email sobre passado e futuro da banda.

Pra começar, o que a banda anda fazendo atualmente?
Estamos prestes a lançar o primeiro disco da banda. No máximo até janeiro será lançado. Estamos fazendo muitos shows por Curitiba, São Paulo e várias cidades do Centro-sul do país. Arrumando a casa (entende-se): elaborando novo site, clipe de uma música do disco, resolvendo questões burocráticas para o lançamento do cd e finalizando a arte (capa / encarte) do mesmo. Ah, e o melhor: voltando a compor novas músicas!

Vocês citam entre as suas influências nomes que vão da música sertaneja até Smiths. Nenhuma banda olhou para esse lado da música brasileira ainda, não?
Pelo que parece, em relação a essa geração de bandas independentes, não ouvi nada ainda na linha a qual exploramos, isso é verdade. Já ouvi, por exemplo, a banda Mercado do Peixe, que usa viola caipira, porém focando um outro resultado, totalmente diferente. O nosso é meio inédito mesmo. Mesmo na MPB clássica, a onda sempre foi um lance meio hippie, “federal” com a música caipira. Agora Charme Chulo é punk, pós-punk, new wave com música caipira, sacou? Bom, e o folk brasileiro, tenha você vergonha ou não, é o que? A música caipira, pô!!!

Desde o lançamento do EP Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou, onde vocês inovaram colocando viola caipira no peso do rock-n-roll, o som da banda passou por alguma mudança?
Sim. As mudanças foram mais em relação às influencias estrangeiras, digamos assim. Se outrora o Britpop clássico dos anos 90, eram as referencias mais fortes, desta vez o novo rock, anos 00 (que sempre nos agradou desde o começo, até por seu lado de revival aos anos 80) está marcando presença no novo cd. Bom, isso é lógico, né? Ninguém é bobo. Hehe… ficar preso aos anos 90, molenga, antigo e sem muito sal. Mas quem ouvir o cd inteiro verá, que essa transição não foi feita de maneira barata. Além de ser sempre tudo muito sutil.

Depois do Bonde do Role, daí de Curitiba, muita gente já vê curte funk como algo cult. Será que depois do Charme Chulo, as pessoas pensarão da mesma forma da música caipira?
Quem sabe consigamos fazer com que as pessoas, pelo menos, vejam o valor e a beleza que havia na música caipira, aquela tradicional e instiguem-nas a redescobri-la. Bom, por ser cult, a música caipira já é algo cult!

E o Dalton Trevisan? Ele é ainda uma grande influência pra vocês, não?
Sim. A obra dele é uma eterna influência pra gente. É só você pensar um pouco, nosso nome, Charme Chulo, é baseado na estética explorada por ele, a que ele conseguiu propor e condensar em todo o seu trabalho. É Curitiba, crua e nua! É nossa cidade tão sofisticada, européia, fria e ao mesmo tempo tão chula, pobre culturalmente, com complexo de inferioridade e sem identidade perante nosso próprio país. Uma cidade grande e jacu! Um estado grande e jacu! Charminho provinciano,,… blé!!! Mas eu amo essa cidade, porra!! As pessoas ainda vão ver como somos alguma coisa! Nem que seja um Charme Chulo!!!!

Onde esperam estar logo em breve?
Nos ouvidos e corações das todas as pessoas que se identificam, e que possam vir a se identificar com o que pensamos sobre a vida. Nossas irmãs gêmeas de coração. As que ainda estão por aí e que estarão sempre por aí.


Devorando a terra. Rock improvável a surpreender os ouvidos

Site oficial: http://www.charmechulo.com.br/
Trama Virtual: www.tramavirtual.com.br/charme_chulo



Entrevista Love is All
Outubro 17, 2006, 10:26 pm
Arquivado em: Entrevista, Floro, Love is All, Música

PRIMAIS COM CORAÇÃO
por Paulo Floro

O Love is All vêm da Suécia, mesmo lugar de bandas como (International) Noise Conspiracy e Hell on Wheels, nomes conhecidos pela barulheira que fazem. Este quinteto, formado em 2003, no entanto, criou um som bastante primal, meio maluco, apostando num vocal demente, guitarras desordenadas e um original espírito infantil, onírico. No início desse ano, lançaram pelo pequeno selo What´s Your Rapture, o disco de estréia Nine Times That Same Song, onde foram bem recebidos pela crítica. Agora, Após assinarem com a Parlophone, a banda sueca Love is All se prepara para ser grande. O GRITO conversou com o vocalista e guitarrista Nicholaus Sparding nesta entrevista exclusiva

Vocês gravaram uma cover de Yoko Ono para o próximo disco. Quais outras bandas e artistas que inspiram vocês?
Eu sempre fui um grande fã de bandas como The Jesus and Mary Chain, The Cure,
Spacemen 3, Spiritualized etc. Acho que sou uma grande fã da simplicidade. Quando escrevemos as músicas, todas começam bem simples, e então vamos enchendo-as com todas as diferentes perspectivas de cada um. Pra mim, o Love is All é a mais divertida e criativa banda da qual já fiz parte.

A Suécia tem uma antiga tradição roqueira. Como vocês começaram? Houve alguma influência da cena roqueira sueca?
Realmente sempre fomos desajustados musicalmente. Especialmente em nossa própria cidade, Gothenburg. Há muita testosterona saindo daqui, mas talvez isso tenha nos tenha ajudado a encontrar o nosso som, que é um estilo totalmente contrário. Gothenburg sempre foi um bom ambiente musical, mesmo antes da mídia se interessar pelo que acontece por aqui. Isto fez com que todos se sentissem mais livres para criar o que bem entendessem.

A música de vocês soa bastante espontânea. Como vocês fazem as músicas?
Como eu disse, são canções muito básicas – na maior parte das harmonias e melodias que nos tentamos desconstruir até algo estranho, dinâmico e extremo na maioria das vezes. O importante é deixar as canções pop serem ouvidas por debaixo da parede de som maluca que nós tentamos criar.

Como estão as gravações para o próximo disco? Quais as novidades?
Tudo que eu sei é que será um album brilhante!

Vocês assinaram contrato com a Parlophone para lançar o disco no Reino Unido. Depois de começar num selo pequeno como o What´s Your Rapture, estão preparados para o sucesso?
Pra mim, sucesso já foi ter lançado pelo What´s Your Rapture e vendido bem em poucas semanas. Acredito que podemos vender umas mil cópias nos Estados Unidos, e isso já nos deixará felizes. Está sendo uma grande surpresa pra nós e estamos realmente felizes por trabalhar com a Parlophone, que é uma das majors, mas tem um carinho e entusiasmo acolhedor que nos ajudou a continuar o nosso trabalho sem exercer uma grande pressão sobre nós. Era esse o modo como nos sentíamos na What´s Your Rapture, e é assim que está sendo agora.

Planos para uma turnê maior? Quem sabe, tocar no Brasil?
Seria divertido pra caramba. Tudo que sei é que estamos com agenda cheia até a próxima estação…

Leia mais sobre o Love Is All no Grito aqui



Entrevista Bonde das Impostora
Setembro 19, 2006, 1:01 pm
Arquivado em: Bonde das Impostora, Entrevista, Música, Wagner

Bonde das Impostora

ATÉ O CHÃO!! … OU MALDITOS DO UNDERGROUND
por Paulo Floro e Wagner Beethoven

“é som de indie, de fotologger diva
botando as onda do funk de curitiba
designer bicha rebola até o chão
e quando toca tu requebra o popozão”

- Impostora de Cu é rola

Mais um bonde de Curitiba, só que esse é pra infernizar.

Formado pelas MC´s Barbara e Vicky e o DJ Cello, o grupo se joga nas batidas do funk para falar mal dos indies, dos fanáticos por fotolog e do Bonde do Rolê, que também são de Curitiba e ficaram famosos no exterior após excursionar com o DJ Diplo (do selo MAD Decent) e serem elogiados na revista Rolling Stone (“role de cú é rola e quem gosta é baitola”).

O hype do Bonde das Impostora é que eles não perdoam ninguém. Sampleando hits do rock como Take Me Out do Franz Ferdinand e Toxic de Britney Spears e misturando tudo isso com as batidas do funk carioca ninguém escapa nas letras das Impostora. Já famosos na internet, podem ser ouvidos no My Space deles, que registrou mais de 50.000 acessos. Mas o melhor pra conhecer a banda é a página deles no Trama Virtual, com uma hilária sessão de cartas.

A banda não tem meias-palavras pra mandar um foda-se a qualquer coisa, por que a intenção deles é falar mal de todo mundo. Abusados, impostores e podres, colocam pra dançar “até o chão” indies, modernos, jornalistas e quem mais aparecer. King dos Blasé foi o hit mais conhecido da banda, que coloca na berlinda todo aquele modernete que não desgruda de um soulseek para aparecer com o melhor banda dos últimos tempos, mas há outras músicas absurdas como o Funk da Biscate Caminhão e Bicha Designer, com toda a modernidade saindo pelos poros daqueles que não se misturam. As músicas estão disponíveis na internet no site da Trama ou no My Space.

O Grito conversou com MC Cello do Bonde das Impostora por e-mail.

Como foi a formação do Bonde?
Primeiramente Barbara e Vicky gravaram “Rolê de Cu é Rola” para tirar um sarro do Bonde do Rolê, em seguida Cello entrou e começamos a gravar músicas com críticas a cenas e bandas. Vicky foi estudar em NY e Lella agora faz parte do bonde.

Vocês são impostores do indie, do funk ou do Bonde do Rolê?
De nenhum dos três, porque a gente não gosta de indie, nem de funk, muito menos do bonde do rolê hahahahahahaa

Falem sobre os shows
Primeiro rolaram pockets aqui em Curitiba e depois três em São Paulo, dois em Floripa e estão surgindo convites bem interessantes para outros estados. No geral o show é uma bagunça, baixaria pura, tapa na cara, risadas, fãs mostrando os seios, integrantes caindo no chão… Ah e as musicas de forma acelerada!

Vocês serão tipicamente uma banda de internet? Há projetos para um disco?
Sim e não, pois somos de carne e osso, mas a gente começou só jogando música na net, e o negócio tomou uma proporção que a gente nem sonhava… Mas queremos gravar CD sim, o problema vai ser se alguém vai querer comprar hahahahahaha.

Na música King dos Blasé, há uma crítica ao universo indie, mas o que vocês ouvem ultimamente?
MC Cello: Sonic Youth, My Bloody Valentine, Gorillaz, Discomatic, Colibri.
Barbara: Electro, 80’s, 90’s e alguma coisa de MPB.
Lella: Só tem ouvido Bonde das Impostora porque ela tem que decorar as letras até nosso próximo show dia 5 aqui em Curitiba hahahahaha

Mas será que rola uma jam Rolê com Impostora? Seria uma boa idéia não?
Hahaha o duro é conciliar datas… Quase rolou uma na Retrô esses tempo, aliás, na festinha que era chá de panela do casamento Meu (Cello) com a Marina (do Rolê), despedida da Vicky, e niver do Gorky (do Rolê), mas o som explodiu hahahahahahaha

Mas como assim? Você é casado com uma da banda inimiga? Explica isso direito!
Num é banda inimiga hahahahaha. Eu namoro a Marina desde antes do Bonde do Rolê… A terceira musica que eles gravaram (Melô do Vitiligo) é minha… Caldinho Knorr também… E no disco deles pela Mad Decent tem 2 músicas co-autoria minha… Na real a gente é tudo uma máfia hahahahahahaha eu moro com o Pedro e o Gorky hahahahaha.



Entrevista Montage
Abril 21, 2006, 7:24 pm
Arquivado em: Entrevista, Montage, Música, Wagner

MUSIC IS MY HOT HOT SEX
por Mozart Werther

O Montage foi uma das bandas novas brasileiras que souberam aproveitar a internet como uma ferramenta poderosa de divulgação de sua música. O grupo está imerso em fotologs, MySpace e suas mp3 estão disponiblizadas no site do TramaVirtual. O grupo formado no Ceará, explora o universo pós-electro com uma produção elaborada, acentuada pelo visual andrógino-pintoso de seu vocalista Daniel Peixoto. A banda se apresentou no Campari Festival no início do mês e promete acontecer na noite mais dançante do Abril Pro Rock, hoje. Por email, Daniel, o vocalista concedeu a seguinte entrevista ao Grito!.

ABC do Abuso

O Grito: Você tem apenas 19 anos, como você encara estar vivendo todo este hype?
Daniel Peixoto: Normal, passei a vida esperando esse momento, que ainda nem começou, isso é só o ensaio.

É bem estranho que você viva no meio alternativo e não beba nem fume, como você conseguiu manter a decisão?
Agora eu bebo e fumo… Entrei na ordem.

Além dos fotologs, você faz parte de um programa na Internet (Programa Asterisco: www.geradormusic.com.br/ ), poderia falar um pouco desse seu lado?
Apresentei um programa de TV em fortaleza por um ano, depois saí e fiz o programa asterisco, especial pra internet. Mas a banda comeu todo nosso tempo, por que a equipe era a mesma, eu, o Leco editava, o Ricardo nosso produtor era o diretor.

A literatura tem algumas influências nas musicas do Montage ou no seu estilo de vida?
Tem sim, o Patrick é escritor dos bons e fez uma parte das letras, as primeiras.

Depois de uma longa pesquisa, eu observei que você gosta muito da cultura pop da televisão. O que te faz gostar desses programas, como Pânico Na TV e Banda Antes?
Infelizmente depois que eu vim morar em São Paulo não vejo mais TV, não tenho tempo. Mas eu gosto de ver TV porque gosto de fazer TV.

O movimento gay influenciou notadamente O Montage, isso te incomoda de algum modo? Você acha que isso afasta um público heterossexual que possivelmente iria gostar de sua banda?
De jeito algum, e quem lhe disse sobre a maioria heterossexual? Uma pessoa que não curte nossa banda por que ela traz referencias gay não merece ouvi-la. E ainda merece a morte.

O Que Terá Acontecido A Baby Jane?
Ela deu fazer de ter uma irmã aleijada.

Você gosta muito de Lynch não é? Os filmes deles são um tanto controversos. O Montage choca e quebra a barreira da “moral e dos bons costumes”, assim como o diretor o faz?
Assim esperamos… Queremos ver a esbornia, o mundo “pegar fogo”.

Como foi o início no Ceará?
Rápido, éramos amigos e o nosso produtor chegou e disse vocês são uma banda agora… Pronto. Uma semana depois marcamos um show.

Por ser um estado um tanto difícil de fazer sucesso, a Internet ajudou de alguma forma?
De todas, ela foi a responsável por tudo o que esta começando a acontecer.

Quem escolheu o nome Montage?
O nome foi o Patrick (guitarra) que escolheu.

O electro realmente morreu?
Morreu sim, tanto que essa edição do Abril Pro Rock vai ter uma noite só pra ele, morreu mesmo, e deve ser por isso também que 90% das casas e clubes no eixo RJ x SP só tocam electro. Deve ser também por esse mesmo motivo que DJs renomados no mundo todo que tocavam house estão tocando electro agora. Baby, o que morreu foi a lambada…

O debate do novo milênio é o que é ser EMO! O que você acha do movimento?
Emo? Nada a declarar…

Como o Montage se intitula?
Somos electropunks.

Você já levou alguém que estava vendo o seu show para cama? Por que Como disse o Patrick, a um site: “Todo mundo que comer o Daniel.” Como você ver esta afirmação?
Já sim, e ate namoramos depois (risos). A afirmação do patrick melhor que ele mesmo responda (mais risos).

O funk de alguma forma não marginalizado o Montage? Já que você tem um Funk da Ginasta carioca.
Nada, depois de nomes como Marlboro, M.I.A., Tati e Deyse Tigrona o funk é luxo.

Como você consegue ter a energia que tem em cada show? È isso que te ajudar a ter essas pernas malhadas? È necessário algum preparo inicial?
Sempre fui hiperativo, tenho muita energia. Para manter a forma eu faço yoga e capoeira.

Como foi o lance da trama virtual? Ela ajudou a banda de que maneira?
Foi importantíssimo, abril o canal para que as pessoas tivessem nossas canções.

Como o Montage se vê a 10 anos?
Riquissimo.

O Cansei de Ser Sexy é uma ameaça à música alternativa no Brasil, assim como foi o Chico Science e sua Nação, que depois deles, todas as bandas eram parecidas ou erroneamente comparadas ao conjunto! Você acha que isso vai acontecer com o Cansei de Ser Sexy, ou o mercado fonográfico vai baixar a crista para o Montage?
Não entendi sua pergunta, não entendi a comparação do Chico com o CCS. Chico era um musico foda, o Cansei de Ser Sexy é uma brincadeira.

O Hype te incomoda?
Não.