O Grito!


Capote no Kansas | Ande Sparks e Chris Samnee
Junho 5, 2007, 2:02 am
Arquivado em: Ande Sparks, Chris Samnee, Critica-Quadrinhos, Floro, Quadrinhos
CAPOTE NO KANSAS
Ande Sparks (texto) e Chris Samnee (arte)

[Devir, 2007, R$ 24,90]

Truman Capote escreveu um dos mais importantes livros do jornalismo literário, A Sangue Frio. Na verdade, este termo nem fazia muito sentido antes do escritor buscar na pequena cidade do Kansas a inspiração para sua obra. A história é conhecida : a chacina de uma família por dois assassinos. Mas a história de Truman na cidade, e as implicações que isso causou entre a população e os acusados, só seriam relatados por seus biógrafos, como Gerald Clarke em 1988.

Capote no Kansas é mais um relato romanceado deste período da vida do escritor. Assim como no filme de Bennet Miller (Capote), indicado ao Oscar em 2006, o principal foco narrativo são as contradições do refinado gentleman de Manhattan, e a vida pacata do interior dos EUA. A partir disso, várias tramas se desenvolvem, como a relação de Truman com um dos assassinos, o relacionamento distante com seu parceiro, sua amiga e companheira Nelle Hooper e, claro, sua transformação pessoal ao longo dos cinco anos que passou escrevendo sobre o caso.

O roteirista Ande Parks, no entanto, decidiu se apoiar em apenas um elemento desta parte da biografia de Truman. Na história, Parks decidiu colocar o fantasma de uma das vítimas como interlocutora do escritor. Assim que ela aparece, não está claro se ela está viva ou morta. Só depois é que notamos que Capote está falando com um fantasma. Ele não só tinha se tornado um médium, como estava indo de encontro à sua personalidade, já que desde o início da graphic novel o vemos auto-indulgente.

Este elemento fácil torna a HQ limitada ao anular quase todas as outras possibilidades de narrativa. Ao apelar para a história da menina morta servindo como ponte moral, apela para o piegas. Uma personagem excelente como a amiga Nelle ou até mesmo o prisioneiro Jack foram muito mal utilizados. Nativo do Kansas, Parks se dedicou bastante a esta graphic novel. Antes, ele era mais conhecido pelo seu trabalho em Arqueiro Verde, junto com seu colaborador frequente Phil Hester. No entanto, Capote no Kansas traz momentos interessantes, como a cena em que Capote flerta e transa com outro cara no Kansas, enquanto nos recordatórios, escreve uma carta para seu parceiro em NY.

Esta graphic novel foi lançado originalmente pela Oni Press, editora independente norte-americana. A Devir após perder os direitos da Vertigo/Wildstorm para a Pixel apostou na concorrência para trazer novos títulos para o mercado brasileiro. A editora já publicou outro título da Oni Press, Courtney Crumrim e as Criaturas da Noite, de Ted Naifeh. [Paulo Floro]

NOTA: 5,5



A Serpente Vermelha | Hideshi Hino
Junho 5, 2007, 1:45 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Hideshi Hino, Mercado de Quadrinhos, Recomendado
OS HORRORES DE DENTRO DE CASA
Hideshi Hino, um dos autores malditos do mangá japonês provoca o leitor a desvendar as referências por trás de seus quadrinhos malditos
por Paulo Floro

A SERPENTE VERMELHA
Hideshi Hino

[Zarabatana Books, 192 págs, R$ 24,90]
[Recomendado]

Filho de imigrantes japoneses que trabalhavam na Manchúria, Hideshi Hino nasceu na China, em 1946, no finzinho da Segunda Guerra Mundial. Sua família, hostilizada pelos chineses que desejavam vingança pelos anos de dominação nipônica, precisou fugir para o Japão, na época arrasado por anos de conflito.

Este conturbado período pós-guerra marcou definitivamente Hino, que utilizou esses elementos em sua obra, um das mais importantes do manga moderno. Lançado pela editora Zarabatana, A Serpente Vermelha é um dos melhores livros para quem deseja se iniciar no horror manga deste autor. Enclausurado em uma casa cercada por uma floresta intransponível, um garoto, de horripilantes olhos esbugalhados, tenta fugir de casa a todo custo, sem sucesso, aterrorizado constantemente pelo comportamento de sua bizarra família. Sua avó acredita ser uma galinha, e choca ovos que seu pai traz todos os dias para ela. Em seu galinheiro, o pai extravaza toda sua personalidade sádica, degolando galinhas “quebradas”, que não põem ovos em quantidade suficiente. A irmã é obcecada pelos insetos que alimentam as galinhas, e se delicia escondida a brincar com lagartas e centopéias em seu quarto. A relação entre a mãe do garoto e seu avô, é ainda mais doentia. Com um enorme tumor no rosto, ela é obrigada a todos os dias, esfregar ovos naquela carne crescida e pisar até espremer um fétido pus. Não é de se estranhar que o assustado menino tentasse fugir pela floresta até seus pés sangrarem.

Narrado pelo garoto (não é dito o nome em nenhum momento), a história assume um ritmo claustrofóbico, e não são poucas as tentações em fechar o livro. Após ser vítima de uma maldição, ocorrerá um série de fatos horríveis com sua família, o que fará o pobre menino desejar de volta todos os horrores rotineiros a que estava acostumado. Uma serpente vermelha irá servir de ponto chave da narrativa, causando terror nos personagens, e abrindo um portal para um mundo infernal, sangrento e horripilante.

O horror japonês é um gênero rico de referências. Uma das principais é a decadência do Japão pós-Segunda Guerra Mundial. Suehiro Maruo, outro mangaka deste gênero, utiliza bem deste elemento, com a diferença que aposta numa linguagem erótico-grotesca para retratar a degradação de seus personagens. Hino é mais direto e cru, e por isso, mais repulsivo. A Serpente Vermelha pode ser lido como uma delirante narrativa de terror, com o leitor tenso durante toda a leitura ou pode ser entendida como um reflexo da bomba atômica. Hino passou a infância neste cenário, que gerou seres deformados, paisagens desoladas, decadência moral, corrupção e outros males sociais.

É por isso que a história deste mangá é tão rico. Com uma narrativa ágil, mesmo com um história repulsiva, é quase impossível desviar a atenção da leitura. O traço é realista nos cenários, mas seguindo a tradição do manga de horror, sofre muita influência do surrealismo, deformando a aparência dos personagens de modo a refletir uma idéia sem precisar de muito texto. É o caso do garoto de olhos esbugalhados, que nos transmite terror e angústia o tempo inteiro e as feições clássicas da irmã, cínica, tão à vontade em meio ao cenário de horror que se instaura na casa, entre outros exemplos.

Em seu terceiro lançamento, a Zarabatana Books, nova editora de quadrinhos paulista fez uma ótima edição, com uma boa impressão e um bom preço também. Não faria mal uma pequena introdução sobre Hideshi Hino – que já teve o livro Panorama do Inferno publicado aqui pela Conrad – ou sobre o Horror Mangá. A editora promete mais títulos do autor ainda para este ano.

NOTA: 9,0

Leia Mais: O Horror de Suehiro Maruo



Courtney Crumrin e As Criaturas da Noite
Junho 5, 2007, 1:23 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Quadrinhos, Ted Naifeh
COURTNEY CRUMRIN E AS CRIATURAS DA NOITE
Ted Naifeh
[Devir, 128 págs,R$ 20,90]

Histórias onde losers dão a volta por cima, não são incomuns nos quadrinhos. Courtney Crumrin tem as características caras aos outsiders ianques: não é atraente, não tem amigos e vive presa no seu mundinho, socializando apenas com outros esquisitos como ela.

Este álbum da Devir não traz nada de novo, mas proporciona uma deliciosa e despretensiosa leitura. Poderia estar ao lado dos mangás shoujo e não das literaturas tenebrosas de Sandman, como é encontrado nas livrarias.
Na trama, Courtney é uma menina não muito feliz que se muda com seus pais para uma mansão de um tio rico, o Professor Aloysius Crumrim. Yuppies decadentes, a família tenta se adaptar à nova realidade financeira. Com o tempo, a pobre garota descobre a reputação macabra de seu tio e passa a ser hostilizada na escola. Na mansão vitoriana do Professor Aloysius, Courtney irá ter contato com as tais criaturas da noite e com as artes místicas de seu tio bruxo. Não é nenhuma surpresa que, com seu magnetismo sobrenatural irá encontrar todo tipo de ser, a começar pelos irritantes duendes, terminando em uma cidade inteira dominada por seres macabros.

O autor Ted Naifeh encontrou uma brecha no já consolidado mercado de quadrinhos de horror (do qual faz parte Constantine e Crimes Macabros, por exemplo) e criou um universo de histórias leves e narrativas bem construídas. Se fosse um filme, Courtney Crumrim seria uma típica sessão de sábado num multiplex.

Seu traço é uma mistura do quadrinho oriental com comics infantis, estilo disney. Uma clara alusão de que o autor busca mesmo uma semelhança com o público infanto-juvenil, que cada vez mais se afasta dos quadrinhos de Super-Heróis americanos em busca dos eletrizantes mangás japoneses. Nas primeiras páginas, é um tanto estranho ver Courtney desenhada sem um nariz, mas essa peculiaridade da personagem é uma besteira comparada ao desenho competente de Naifeh.

Indicada para o Eisner Awards, a série possuí ainda dois outros volumes, Courtney Crumrin and the Coven of Mystics, e Courtney Crumrin in the Twilight Kingdom, ainda inéditos por aqui e provavelmente futuros lançamentos da Devir, caso este álbum alcance algum sucesso. Pra quem gostou de Morte, A Festa, Deadboy Detectives, irá gostar deste. A diferença é que crianças também poderão curtir. [Paulo Floro]

NOTA: 7,0



Desbravadores – Uma Saga Americana
Junho 4, 2007, 11:51 pm
Arquivado em: Christopher Shynum, Critica-Quadrinhos, Devir, Laeta Kalagridis, Quadrinhos

DESBRAVADORES – UMA SAGA AMERICANA
De Laeta Kalogridis (roteiro) e Christopher Shynum (arte)
[Devir, 152 págs, R$ 42,00]

Baseado no filme homônimo de Marcus Nispel (O Massacre da Serra Elétrica), Desbravadores – Uma Saga Americana é o típico caso de quem aposta na embalagem em detrimento do conteúdo ruim.

Na graphic novel, um garoto viking, sobrevivente de uma expedição naufragada, é criado por uma tribo de índios americanos. O curioso na história é que muito antes de Colombo pisar no continente, bárbaros escandinavos adentraram a América do Norte. Espírito, como o garoto fica conhecido, referência ao contraste de sua pele muito branca com a tez vermelha dos indígenas, trava uma violenta batalha pessoal para destruir seu antigo povo e os impedir de seu plano de destruição.

A adaptação da obra ficou por conta de Laeta Kalogridis (roteiro) e Christopher Shynum (arte). O artista Shynum e Nispel, diretor do longa conversaram bastante e desenvolveram juntos a idéia de Desbravadores. No prefácio do livro, Nispel afirma que o livro e o filme nasceram pensados como um só projeto. De fato, a arte é estonteante, talvez até mais do que os efeitos especiais do filme. O único problema, talvez, seja a fotografia e a colorização, que exageram nos tons escuros, como se na América pré-colombiana não existisse luz do dia.

Mas o que torna Desbravadores uma HQ bem descartável é mesmo o roteiro. Com uma idéia interessante nas mãos, produtores e roteiristas se renderam à narrativa fácil, aos clichês do gênero de aventura. É irresistível não enumerá-los: o amor proibido entre o estranho e a bela dama filha do chefão; a catarse final, quando o mocinho dá a vida pela amada; a história contada em flashback por algum antepassado no tempo atual; a ingenuidade do vilão em cair na armadilha armada; a fatídica cena de superação, após sucessivas derrotas; o clímax da luta que indica, enfim que o fim da história se aproxima, entre outros.

Mostrar os vikings como bárbaros sanguinários é outra deficiência do roteiro, que se mostra pobre, sem repertório e estreito em seu ponto-de-vista. Por um momento, os bárbaros nórdicos mais parecem demônios de algum círculo do inferno.

Aproveitando o lançamento do filme aqui no Brasil, a Devir lançou a graphic novel em um formato diferente do original (o conhecido formato americano), por um preço que destoa bastante da qualidade do material. E, considerando que o filme foi um fracasso de público e crítica, sabemos bem o lugar de uma HQ como essa: o limbo.
[Paulo Floro]

NOTA: 1,5



Epicuro O Sábio | Sam Keith e William Messner-Loebs
Abril 18, 2007, 8:42 pm
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Fernando, Quadrinhos

BOAS E VÃS FILOSOFIAS
Satira do nascimento do pensamento ocidental com Epicuro, Sócrates e Platão se converte em tema de quadrinhos
por Fernando de Albuquerque

Já está nas prateleiras das livrarias brasileiras o álbum, em edição de luxo, Epícuro, o Sábio. Mais um lançamento da Conrad, com 168 páginas, que traz uma tradução bem cuidada e elaboração de qualidade. Inteligente, bem-humorado, inusitado, o trabalho prima pela crítica ferina à base de quase todo o pensamento ocidental: a sociedade ateniense clássica. Se por um lado a democracia de Atenas primava pela pluralidade de pensamento, pela ousadia de idéias, por outro ela ostentava um lado pouco conhecido: um machismo que beira a ferocidade e um preconceito estremado contra as mulheres.
O personagem principal da trama é Epicuro, filósofo que pregava a exacerbação dos sentidos, dos prazeres, e cujo pensamento originou a palavra epicurismo. Como outros jovens gregos (na história e provavelmente na vida real), ele almeja um dia chegar ao patamar de Sócrates, que é retratado como um intelectual pernóstico, cercado de discípulos tietes, dono de um ego abismal e de um humor mordaz, principalmente na hora de avaliar as idéias dos novos pretendentes ao posto. Prazer que se torna ainda mais acurado quando o “pensador” em questão se trata do atrapalhado e tímido Platão.
O livro é uma grande tiração de onda com a profusão de pensadores que trafegavam nas ruas de Atenas. Sobre o machismo, a abordagem é mais do que pertinente: quem já leu um pouco de história dos gêneros sabe que foi lá, na pátria da democracia, que o estado patriarcal fincou raízes e criou o mundo sexista e altamente misógeno. Para quem não sabe os atenienses viam as fêmeas como seres menores, intelectualmente desprezíveis e, até mesmo sexualmente, menos desejáveis que os jovens discípulos que seguiam os mestres e educadores.
No álbum, tudo começa com a chegada de Epicuro em Atenas, que tinha como meta abrir uma escola de filosofia, ganhar discípulos e fama. Mas ao trocar a ilha de Samos pela badalada capital grega, o pensador se envolve em muitas confusões, deflagradas por um encontro com a deusa da agricultura Deméter. Ela muda seu destino forçando Epícuro, ao lado de Platão e do ainda jovem Alexandre resgatar Perséfone das mãos de Hades, também conhecido como plutão.
A partir daí, o trio se mete em todo tipo de trapalhada e aperto. Cruzam com Cerbero, o cão de várias cabeças, guardião dos portais do inferno e com Caronte, o barqueiro que conduz os mortos até Hades. O trio se depara ainda com uma galeria de personagens emblemáticos da mitologia, como Hércules, Paris, Ulisses, só para citar alguns ícones. Na mistura entre mito e verdade, o trio, que de fato existiu, também se encontra com outro grande mestre: Homero, autor da Ilíada e da Odisséia.
A história é divertida, chega a ser inteligente, mas é recomendada principalmente para os que têm alguma base de mitologia grega e de filosofia. Sem esse conhecimento, fica difícil captar as piadas e tiradas, as gozações e sarros com os “papas” do pensamento ocidental. Não por acaso, a história foi produzida pelo norte-americano Sam Kieth, que junto ao inglês Neil Gaiman deu vida a um dos personagens mais fascinantes das HQs, o Sandman.
É ele quem assina a parte gráfica, digna de ser apreciada pela profusão de detalhes, e efeitos. Já o roteiro traz a assinatura do também norte-americano William Messner-Loebs, que escreveu séries como Mulher Maravilha e The Flash, mas que se consagrou com este álbum.

EPICURO O SÁBIO
Sam Keith e William Messner-Loebs
[Conrad, 168págs, Trad. Carlos Patati, R$ 54]
NOTA: 9,0



Os 300 de Esparta
Março 6, 2007, 5:44 pm
Arquivado em: 300, Critica-Quadrinhos, Floro, Frank Miller, Música
OS 300 DE ESPARTA
Devir
[80 págs, R$ 46,50]

Quando tive em mãos a mini-série Os 300 de Esparta lançado pela Abril em 1999, em 5 edições, fiquei vislumbrado. Aquilo era uma percepção totalmente divergente do que se concebia entender como revista de quadrinhos. Esta superioridade estava no ágil roteiro, no realismo, nas cores e na narrativa fantástica de Frank Miller. A história contava a terrível investida persa sobre as cidades gregas, onde Leônidas e seus 300 soldados da guarda especial terão que defender todo o povo contra os terríveis persas, liderados por Xerxes. Acredito que todos já devam estar carecas de sabe que em breve, dia 30 de março, a adaptação de 300 chega aos cinemas, e aproveitando a deixa, a Devir coloca nas livrarias e comic shops, a versão definitiva de 300. Quando concebeu o projeto, Frank Miller planejava que 300 fosse horizontal para dar mais destaques aos planos abertos e às cores, feitas por sua mulher Lynn Varley. E é desse jeito que a edição chega ao mercado brasileiro. Eu já tinha tido a oportunidade de ler a versão americana, mas a edição da Panini está perfeita. Um luxo. [Paulo Floro]

NOTA: 9,0



O Mundo Mágico – As Aventuras de Calvin & Haroldo
Março 6, 2007, 5:44 pm
Arquivado em: Calvin e Haroldo, Critica-Quadrinhos, Floro, Quadrinhos

O MUNDO É MÁGICO – AS AVENTURAS DE CALVIN E HAROLDO
Conrad
[144 págs, R$ 44,90]

A melhor notícia do ano foi saber que a Conrad editora irá lançar a coleção completa de Calvin e Haroldo, em 14 edições. Esta edição que chega às livrarias corresponde ao último volume de tiras publicadas pelo criador da série, Bill Waterson. É uma edição caprichada, no formato original americano, seguindo o modelo do preto e branco para tiras diárias e colorido para os domingos. Calvin é genial, uma das obras mais espetaculares, com diálogos que mesclam o filosófico e o trivial. Calvin consegue demonstrar em suas aventuras ao lado de seu gato de pelúcia Haroldo (Hobbes, no original), toda a hipocrisia do mundo adulto. Ler Calvin dá uma sensação de nostalgia incrível. O mundo adulto, com suas regras e conceitos vazios são um prato cheio para o deboche do enfezado garoto e seu tigre. O melhor lançamento deste mês. [Paulo Floro]

NOTA: 10



Liga da Justiça 50
Março 6, 2007, 5:44 pm
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Liga da Justiça, Quadrinhos

LIGA DA JUSTIÇA 50
Panini
[100 págs, R$ 6,90]

Desculpe-me, os fãs adictos, mas a falta de consistência da DC às vezes cansa. Poucas épocas não nos aporrinham com sagas em que o universo precisa ser destruído. No entanto, eu não consigo me desapegar do título da Liga. E digo, que para os que acompanham, coisas legais parecem vir por aí, como o novo título da LJA e 52, a maxi-série que será lançada por aqui em edições mensais. Por enquanto acompanhamos a monotonia dos títulos. LJA sem Geoff Johns, que passa a comandar Crise Infinita, perde um pouco de vigor. Lanterna Verde, coincidência ou não, ainda escrita por Johns, é a melhor história da revista, Flash, tem um roteiro bobo, quase ingênuo. Já SJA é uma história chata, truncada e distante da fase anterior. Crise Infinita atrapalhou uma melhor comemoração dos 50 números de LJA. E é realmente algo a comemorar, nunca um gibi da Liga da Justiça teve uma edição tão consistente em nossas bancas. Nisso a Panini merece aplausos. No entanto, fora o poster de Alex Ross, nada além de mais uma número na coleção. [Paulo Floro]

NOTA: 4,5



Grandes Astros Superman
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Grandes Astros Superman, Quadrinhos

GRANDES ASTROS SUPERMAN
Panini
[32 págs, R$3,90]

Com distribuição nacional, a série Grandes Astros (All Star) já está nas bancas, com Grandes Astros Superman e Grandes Astros Batman e Robin. A série tem como mote convidar grandes escritores para contar uma história dos personagens clássicos da DC sem estar ligado à cronologia oficial da editora. Muitos afirmam que a DC tenta fazer em Grandes Astros o que a Marvel fez com o universo Ultimate, recontando a origem dos personagens para um novo público. A dupla Grant Morrison e Frank Quitely (WE3) fez uma dos melhores títulos da série, misturando humor, ficção científica com ação e tudo o mais que você esperaria de um gibi do homem de aço. A cena que conta a origem do Superman é surpreendente, contada em apenas uma página. Há tempos que não lia algo tão bom do Morrison, beirando à perfeição. Pena o gibi ser caro (24 páginas por R$3,90) e a série nos EUA estar tão atrasada. Mas nada tira a perfeição que é essa história. [Paulo Floro]

NOTA: 10



Marvel Max 41
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Marvel Max, Quadrinhos

MARVEL MAX 41
Panini
[100 págs, R$ 6,90]

Genial é a palavra para descrever esta obra-prima do bizarro. Marvel Zombies, de Robert Kirkman mostra os heróis marvel como zumbis famintos devorando todos que encontram pela frente. As cenas são espetaculares e absurdas, como Magneto sendo comido por dezenas de heróis, inclusive o Hulk, que ao se transformar em Banner tem a barriga rasgada por ossos de Magneto. O roteiro não é nada surpreendente mas é inusitado e politicamente incorreto como a Marvel nunca foi. Com isso, a Marvel Max volta a ser o melhor investimento da Marvel em bancas. Esquadrão Supremo aumenta a tensão entre o grupo de seres mais poderosos da Terra em sua missão no Oriente Médio. Straczynski retoma sua bem feita crítica à política mundial, depois de várias mini-séries chatas derivadas de Poder Supremo. E Garth Ennis continua mestre em seus personagens casca-grossa, beirando o genérico (Fury, Justiçeiro, etc), mas abusa da violência com inteligência. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0