O Grito!


Veja o novo clipe do Arctic Monkeys, Fluorescente Adolescent
Junho 7, 2007, 3:55 pm
Arquivado em: Arctic Monkeys, Berros, Floro, Música
Foi lançado ontem o novo clipe do Arctic Monkeys, “Fluorescent Adolescent”. O vídeo é repleto de pancadaria entre palhaços e foi filmado no norte da Inglaterra. Dirigido por Richard Ayoade (o mesmo de “When The Sun Goes Out”, do primeiro disco da banda), tem fotos dos integrantes criança, o que não faz tanto tempo.

A música faz parte do segundo disco da carreira do grupo, Favourite Worst Nightmare, lançado esse ano.
Confira:

Paulo Floro



Arctic Monkeys | Favourite Worst Nightmare
Junho 5, 2007, 12:26 am
Arquivado em: Arctic Monkeys, Crítica-Música, Mandelli, Música

ELETRIZANDO AINDA MAIS A VIDA
Arctic Monkeys supera a maldição do hype e a famosa praga do segundo CD em “Favourite Worst Nightmare”
Por Mariana Mandelli

ARCTIC MONKEYS
Favourite Worst Nightmare

[Domino, 2007]

Abram caminho, pois o Arctic Monkeys quer passar e tem muita pressa para conquistar o mundo. O ritmo acelerado e quase agressivo do indie rock criado pelo grupo de Sheffield, Inglaterra, está de volta no álbum Favourite Worst Nightmare. O quarteto britânico, formado em 2003, apesar da pouca idade já tem muita história para contar. A banda sacudiu o mundo da música com o estrondoso sucesso de suas canções e se tornou um fenômeno de troca e compartilhamento de arquivos no mundo virtual, além de ganhar notoriedade em sites como MySpace.

Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not, primeiro lançamento do grupo depois de vários EPs e singles, veio no início de 2006 com influências de The Jam, The Clash e de toda a cena atual do indie rock – Strokes, Franz Ferdinand, Futureheads e os finados Libertines. O hype em cima do álbum foi absurdo, o que transformou a banda num dos maiores fenômenos do pop desde os Strokes em 2001. Com recordes de discos vendidos na estréia, a banda já em sua estréia carregava todas as pressões possíveis para um segundo disco, com o mesmo sucesso e a mesma audácia adolescente.

O que acontece no segundo trabalho do Arctic Monkeys supera as expectativas de todo o hype que existe em torno da banda. Favourite Worst Nightmare é criativo e frenético, como o primeiro. Musicalmente, a evolução da banda é nítida: as faixas são menos repetitivas do que as do primeiro CD – soam menos homogêneas e menos redundantes – e as letras estão cada vez melhores. A banda também não carrega a dose de inocência de garotos que ganharam guitarras de presente no natal. O álbum vem com uma certa pretensão comercial e até arrogância – haja vista o próprio título, que exprime a idéia de que a banda é um pesadelo terrível para uns, mas não deixa de ser a favorita do universo alternativo, e, assim, despertando o ódio, a inveja, o fanatismo e paixão alheia.

A banda tem seus méritos. As sacadas de guitarra, os riffs pegajosos e a bateria acentuada dão um ar de identidade para a música do Arctic Monkeys. Favourite Worst Nightmare não é uma obra-prima, não salva o rock e não é revolucionário. Pode não ser aquele álbum arrebatador e essencial que vai mudar sua vida, mas é delicioso de ouvir. É música para curtir e divertir. E também para ser levada a sério – afinal, o grupo quer mostrar a que veio.

Agora, com dois discos comercialmente sólidos, reconhecidos pelo público e por grande parte da crítica especializada, resta ao Arctic Monkeys escolher quais caminhos tomar de agora para frente. Se o sucesso vai ser efêmero, só depende dos rumos que esse conto de fadas do indie rock vai tomar. É esperar para ver. Well see you later, innovator!

Adolescentes agradecidos, confortáveis e fluorescentes

“Brianstorm” é uma aceleradíssima música que começa o CD parecendo que vai explodir a caixa de som a qualquer momento. Em meio ao ritmo frenético, Alex Turner já anuncia a que veio: “We’re grateful and so strangely comforted” (algo como “nós estamos agradecidos e tão estranhamente confortáveis”), parecendo agradecer a todos o reconhecimento e barulho que se faz em torno da sua banda. “Teddy Picker” é genial, uma das melhores do disco. Seu refrão grudento e seu riff simples e eficiente ficam na cabeça por dias. Já “D Is For Dangerous” é cantada em parceria: Turner e o baterista Matt Helders dividem os vocais. Na letra, um verso traz o título do álbum: “I think you should know you’re his favourite worst nightmare” (“eu acho que você deveria saber que você é o seu pesadelo favorito dele”). “Balaclava” tem um riff grudento que se aproveita das “paradinhas estratégicas”, uma das marcas do som do Arctic Monkeys. “Fluorescent Adolescent” é uma das músicas do ano por seu pop saudosista delicioso – a letra deixa transparecer que a maturidade dos integrantes vem chegando e a adolescência vai ficando para trás: “Remember when the boys were all electric?” (“Você se lembra de quando os garotos eram todos elétricos?”). “Only Ones Who Know” é uma baladinha romântica, que tenta mostrar que o Arctic Monkeys não serve só para fazer barulho. “Do Me A Favour” tem guitarras tristes que são mais do que a prova de que a banda tem forte influência do estilo do Strokes. Ela fica melhor ainda no final, com uma bateria destruidora que deixa qualquer um surdo. “This House Is a Circus”, “If You Were There, Beware” e “Old Yellow Bricks” são ótimas canções, marcantes e viciantes. Já “The Bad Thing” é excelente: a bateria frenética e os versos rápidos e ágeis de Turner dão um jeitão Libertines para a faixa. E, para encerrar, “505″ é romantiquinha e tem um ritmo ameno (pelo menos nos dois primeiros minutos e meio) para contar uma melancólica história de despedida de um casal, fechando de maneira triunfante um álbum alucinado, divertido e que faz o Arctic Monkeys ser aprovado no teste do segundo disco. Definitivamente.

NOTA: 8,5

Leia Mais:
Questões para entender o Arctic Monkeys
Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not (Crítica)



Arctic Monkeys | Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
Março 23, 2006, 9:04 pm
Arquivado em: Arctic Monkeys, Crítica-Música, Floro, Música

ARCTIC MONKEYS
Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
[RoughTrade, 2006]

Desespero. Talvez seja isso que acomete crítica e consumidores em geral de música pop, ao eleger, no início do ano, uma nova revolução, um novo cânone da música, a nova maravilha do rock, que foi o que fizeram com o Artic Monkeys. É muito simples, até como exercício de mau humor, discordar da hegemônica crítica mundial que transformou o Artic Monkeys no maior fenômeno de mídia até agora. No entanto, mais fácil ainda é adicionar mais adjetivos à já tão inflada banda inglesa. Não que eu vá tirar méritos de rapazes de 19, 20 anos que conseguiram causar comoção em meio mundo, com um rock simples e dançante. Longe disso. A comoção pelo Artic Monkeys é sobretudo plástica, com um detalhe que eles são um hype inglês (outro elemento muito importante para culto) e que tocam rock feito pra pista de dança. O disco começa empolgante, com um vocal emprestado de um já velho e distante Pete Doherty com “The View From Afternoon”, preparando o terreno para o absurdo hit de I Bet You Look Good On The Dance Floor, cuja letra foi vendida como uma genialidade, mas é besta que só. O disco possuí muitos momentos ótimos (memoráveis), que vai do cinismo indie ao marasmo pós-clube. Mas é um álbum essencialmente pra dançar. Hype puro. Numa noite chapada, coloque o cd inteiro pra tocar e vai parecer uma única faixa. Mas vai ser divertido, no entanto. A verdade é que Whatever… é mediano, no máximo divertido, mas nem de longe surpreendente. Seus acordes, referências pop, letras, já foram por demais reprocessadas. É como se pegássemos o Kaiser Chiefs e elevássemos à uma perfeição do pop. Talvez seja essa a tendência da música nessa primeira década do século, fundamentar um conteúdo sobre um fenômeno.
NOTA:: 7,5 [PF]



Arctic Monkeys
Fevereiro 24, 2006, 9:31 pm
Arquivado em: Arctic Monkeys, Floro, Matéria, Música

O POP E OS SÍMIOS DO ÁRTICO
Questões para entender o Arctic Monkeys. (e os fenômenos do rock).
por Calvin Curtis

Por fora?

Macacos do ártico, como assim?
– O Arctic Monkeys é uma banda de Sheffield, Inglaterra, formada por garotos com idade média de 19 anos. Fenômenos da internet, conseguiram enorme sucesso e público sem nem ao menos gravar um disco. Produzem um rock dançante, provocativo com letras encharcadas de ironia, sarcasmo e ideal pra pista de dança.

O Arctic Monkeys é a revolução?
– Não. Na verdade o Arctic Monkeys é um sub-produto de outra revolução, a do iPod. O aparecimento do tocador de MP3 da Apple gerou uma nova necessidade para o jovem, que hoje não vive sem, por exemplo, um gravador de cd. É a revolução portátil de que a música, agora, além de ser obtida facilmente por todos atraves da internet, também pode ser levada para todo lugar. Um iPod pode armazenar mais de 1500 músicas. Há um conceito subliminar nesta premissa. Você pode ter toda a música que puder ouvir, a qualquer momento, em qualquer lugar. Esta nova era, começou em 2000, quando surgiu o Napster e todo o debate em torno da troca de arquivos entre usuários na rede. Os Strokes foram para a era napster o que o Arctic Monkeys é para a era iPod.

O disco vendeu 360 mil cópias na semana do lançamento. Isso quer dizer ao menos alguma coisa?
– O Arctic Monkeys bateu recordes no Reino Unido. Foi o disco de uma banda de estréia que mais vendeu na semana de lançamento. Seus dois singles lançados até agora já alcançaram o primeiro lugar das paradas no Reino Unido e na Inglaterra. Com músicas já famosas em soulseeks da vida, além do hype de jornalistas musicais e blogs, my space, orkut e afins, seria mais ou menos previsível de que a banda estendesse o sucesso para além do âmbito virtual. No entanto, estas explosões de mídia não são inéditas na imprensa britânica. Antes de lançar seu disco homônimo, o Suede foi capa da NME, enaltecidos como um dos melhores produtos de exportação das terras da rainha.

O Arctic Monkeys são maiores que os Beatles?
– Lógico que não. Eles não inventaram a música pop. Recentemente o semanário inglês New Music Express, fez mais uma lista dos discos britânicos mais importantes. Mal foi lançado, o Whatever People Say I Am, That`s What I`m Not, já entrou em quinto lugar, superando o clássico Revolver dos Beatles. A imprensa britânica, sobretudo a musical, e principalmente os críticos da NME, beiram a esquizofrenia. Extremamente imediatistas, adoram listas polêmicas. Há um certo ceticismo por parte do resto do mundo com as afirmações desta imprensa, mas todos concordam que eles se divertem muito com isso. Por que como o Grito já afirmou como sua máxima, o Hype é delicioso. Antes do AM, inúmeras outras bandas já despertaram esse frenesi. E ao contrário do que muitos críticos andam afirmando sobre o AM, de que daqui a um tempo pouco se ouvirá falar deles, todos os hypes de bandas enaltecidas pela imprensa se tornaram grandes bandas ou fazem sucesso até hoje. Eles estavam certos? É o fato derrubando o mito. Primeiro o Radiohead. O seu Ok Computer de 1997 foi eleito como o melhor disco de todos os tempos, e por mais de uma publicação. E hoje a banda continua sólida e se tornou mega. O finado Suede, com sua legião de fãs, foi um sucesso durante os anos 90 após ter sido ovacionado pela crítica como uma das melhores coisas já criadas pela Inglaterra em termos de música. O Stone Roses são tidos como geniais até hoje, apesar de não terem suportado o peso da importancia que lhe foi imposta pela imprensa. E foi assim com inúmeras bandas; Oasis, Strokes, Libertines, Blur, Pulp, Franz Ferdinand, e mais recentemente The Rakes, Kaiser Chiefs, Racounters… Nenhum deles se tornou efetivamente efêmero. Resta saber se você vai decidir se divertir aproveitando o aqui, agora ou vai teorizar se o antes possuí maior valor ou se tudo se trata do mais do mesmo.

No cenário de bandas atuais o AM se enquadra no chamado novo-rock?
– Esse termo ainda é muito usado para se referir a bandas pós-strokes e que se utilizam da internet como principal meio de divulgação. No entanto tudo agora já retorna ao mesmo lugar de antes. O Arctic Monkeys é uma banda do britpop, e sua música não possui nada de inovador que o retire deste rótulo ou que não o enquadre em estilo algum. Na verdade, como a maioria das bandas inglesas, há um certo (e esforçado) prazer em preservar uma estética inglesa, muitas vezes quase bairrista que conquista meio mundo. Isto vai desde Mark skinner do The Streets até o próprio Alex Turner do Arctic Monkeys. Este fenômeno não é visto em nenhuma outra cena musical no mundo. Como diria Tchekóv, fale de sua aldeia e você será universal.

Por que diabos esta banda fez tanto sucesso?
– Um dos principais marketings do grupo é a pergunta que se faz sobre o sucesso da banda. Confuso? sim. Pra começar o hit “I Bet You Look Good In The Dance Floor” foi um sucesso, as letras da banda falam de coisas prosaicas com humor e cinismo. O som da banda parece feita por encomenda para bombar em clubs e festivais. Catarse? Talvez. O grupo começou tocando na garagem do líder Alex Turner tentando tocar covers dos Strokes. É incrível como foi rápido para que a primeira banda influenciada pelos Strokes aparecesse. E isso não faz nem dois anos.

É provável vermos a banda no Brasil esse ano?
– Pra aumentar o sucesso da banda aqui no Brasil, é quase certeza que o grupo estará aqui ainda este ano. Provavelmente no segundo semestre e no Tim Festival. E como o Brasil já entrou na rota das grandes turnês das principais bandas é bem provável que outra sensação pós-artic Monkeys também apareça por aqui em 2006.

Agora, não menos importante, este Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” é mesmo bom?
– Mais ou menos. O disco é muito longo. Se tivesse tipo, umas 9, 10 faixas seria um clássico mesmo sem a internet ajudando. A impressão que fica é que além de uns 5 ou 6 hits o disco precisa de muitas audições pra se tornar digestível. Além disso tudo o que se escuta aqui já foi feito. E o furor da novidade foi há uns dez anos. Whatever… é o melhor álbum do ano até agora, e com certeza ainda terá muito a ser processado, digerido, incenssado. É divertido, absurdamente. “A Certain Romance”, com seu ska meio torto, “I Bet You Look Good In a Dance Floor”, já meio clássica e “Fake tales of San Francisco”, com um apelo grudento, fora a faixa “The View From Afternoon”, minha preferida e “Riot Van”. Mas nada que mereça o título de obrigatório.

Por que as músicas têm títulos tão grandes?
– Vá perguntar ao Surjan Stevens!