O Grito!


Cobertura Abril Pro Rock 2007 | Mutantes
Abril 18, 2007, 8:46 pm
Arquivado em: Abril Pro Rock, Cobertura, Mutantes, Música, Rafaella

Fotos: Larissa Alves (Blogue Roger) e Guga Matos (JC Imagem)

ESSAS PESSOAS DA SALA DE JANTAR
Depois de mais de trinta anos, Mutantes faz show histórico nos 15 anos do Abril Pro Rock
Por Rafaella Soares

MUTANTES
ABRIL PRO ROCK 2007
Recife, 13 de Abril 2007

Pé atrás não implica necessariamente pé frio. Graças a essa premissa, todos que estavam na noite da última sexta-feira 13, primeira noite do Abril pro Rock, em Olinda, presenciaram um show competente e emocionante da nova formação d’Os Mutantes, com Zélia Duncan nos vocais.

É de se esperar que o revival da maior banda de rock brasileira provoque reações inflamadas, afinal, muito do culto em torno deles deve-se à mágica vinda do trio Rita, Arnaldo e Sérgio, que dispensa maiores apresentações.

Mas até os fãs mais céticos foram rendidos na segunda apresentação brasileira da banda, abrindo o Festival Abril Pro Rock 2007. A decisão de trazê-los para Recife como uma das atrações principais começou bem antes da volta deles, segundo o produtor Paulo André Pires. Uma reunião marcada na casa de Sérgio Dias pela mulher dele (sem o conhecimento do guitarrista) teria dado início a toda a negociação sobre a volta. Se isso é lenda ou não, tanto faz, as especulações sobre o retorno tão esperado só serviram para aumentar ainda mais a expectativa da série de shows que eles estão fazendo em cidades privilegiadas.

Dando preferência aos clássicos da banda, como “Top Top”, “Virgínia”, uma versão mais longa e improvisada de “Cantor de Mambo” (que eu francamente confundi com “El Justiciero”), “Tecnicolor”, e preciosidades como uma bonita e tocante “Ave Lúcifer”, ou “La premier Bonheur du Jour” fizeram bonito ao lado de clássicos menos lembrados, como “Quem tem medo de brincar de amor”, seguida de “Desculpe Babe” (melhor momento da noite na minha modesta opinião!). As infalíveis “Panis et circenses” e “Bat Macumba” não poderiam faltar.

Com um Sérgio Dias desenvolto, simpático e assumidamente guitar hero, um Arnaldo vestido de paetês e lúdico como sempre (fechou a noite em saltos polichinelo!) e uma Zélia bastante respeitosa, porém com vigor nas horas certas, o show de Mutantes merecia bis intermináveis!

Nota:9,0



Modest Mouse | We Were Dead Before The Ship Even Sank
Abril 18, 2007, 8:45 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Mandelli, Modest Mouse, Música

O emo-indie do Modest Mouse
Novo álbum dos “tiozões” do underground leva a banda para os tortuosos caminhos do pop
por Mariana Mandelli

We Were Dead Before The Ship Even Sank, nome do novo disco do Modest Mouse, apesar do título mórbido (seria algo como “estamos mortos antes mesmo do barco afundar”), não soa tão melancólico como seu antecessor Good News for People Who Love Bad News (2004). A levada menos alternativa das 14 canções parece convidar a banda para um passeio ao mundo do pop, mergulhando de cabeça no perigoso e ambíguo universo mainstream. Com We Were Dead…, o Modest Mouse migra de vez para o conhecimento público e deixa de ser favorito apenas dos amantes incondicionais do indie rock.

O processo de “popularização” da banda já se cristalizava desde o lançamento de Good News for People Who Love Bad News, um dos álbuns mais festejados de 2004, que catapultou o Modest Mouse para as rádios e para os sites de música alternativa do mundo todo. Embora fossem “tiozões” (a banda surgiu em 1993) perto dos novos conjuntos de rock independente de garotos mal saídos da adolescência (o Arctic Monkeys é o maior exemplo dessa cena), Isaac Brock (vocal e guittarra), Eric Judy (baixo) e Jeremiah Green (bateria) conquistaram os garotos e garotas de calça apertada e All Star nos pés, transformarando-se em sensação do mundinho independente.

Uma prova de que o Modest Mouse alcançou o topo da escada para a fama foi o primeiro lugar alcançado pelo novo disco quando foi lançado, no fim de março. Outro indicativo de que os tempos de rock independente ficaram para trás é a presença de canções da banda na trilha sonora da segunda temporada do seriado “The L Word”, focado em personagens lésbicas e – por isso mesmo – popular nos índices de audiência de diversos países.

O Modest Mouse foi formado há quase 15 anos no estado de Washington, nos Estados Unidos. Com seis discos de canções inéditas no currículo, a banda é reconhecida por misturar indie rock com emo (não o “emocore” de Good Charlotte, My Chemical Romance e olhos pintados; pense em Fugazi, por favor), fazendo um som barulhento que contradiz as composições melancólicas e solitárias de Isaac Brock. As letras denunciam a preocupação de Brock com as emoções reprimidas, os medos cotidianos e a obsessão pela morte. A sonoridade da banda é baseada em influências diversas, como Built to Spill, 31Knots, Mercury Rev e Pixies.

A cada álbum, o Modest Mouse foi se transformando musicalmente, abandonando o som mais sujo e pesado do início da carreira, que marca discos como Lonesome Crowded West (1997), por exemplo.

Veterana de uma época em que o mundo via nascer o grunge e acusada de ser embalada por uma onda pop, o Modest Mouse soa sim como um modelo convencional de rock alternativo. Afinal, tem coisa mais indie do que propor que os fãs ajudem a fazer seus próprios clipes (caso do novo hit “We’ve Got Everything”), como é oferecido no site oficial da banda?

MODEST MOUSE
We Were Dead Before The Ship Even Sank
[Epic/ Sony, 2007]

Cada faixa de We Were Dead… tem estilo próprio, mas sem perder a identidade da banda. O álbum não tem experimentações nem inovações musicais: é um álbum intenso e energético, mas básico. Nem a ajuda de Johnny Marr, o lendário e criativo guitarrista dos Smiths, na produção, transformou o disco em um álbum incrível.

As letras sombrias que marcam o estilo do Modest Mouse, fazendo reflexões sobre o comportamento humano, estão presentes. As canções são, apesar da tristeza temática, divertidas. “Dashboard” começa como uma música dos escoceses do Franz Ferdinand. “Florida” é contagiante de tal maneira que dá vontade de fazer coro junto a James Mercer, do The Shins, que faz o backing vocal – ele aparece também em “Missed the Boat” e “We’ve Got Everything (essa, com o ritmo marcado e o jeitão dançante do Arctic Monkeys, já dá sinais da candidatura a hit). “Education” tem uma levada country por cima dos versos consternados de Isaac Brock. “Little Motel” é uma baladinha introspectiva que fala sobre a espera eterna pela satisfação e segurança própria. Apesar de ser das canções mais amenas do álbum, não dispensa as guitarras marcantes. Já o vocal profético de “Spitting Venom” remete, inicialmente, a Johnny Cash, para depois desembocar no indie rock na sua melhor e mais pura forma. “People As Places As People”, nome genial para uma letra nostálgica, traz uma batida que revela uma tristeza solitária. E “Invisible” fecha com um som elétrico e pulsante por meio do vocal desesperado de Isaac Brock. Entretanto, nem tudo é só flores: há os momentos de chatice do álbum, em que as músicas parecem não acrescentar absolutamente nada. “Fire It Up” e “Parting of the Sensory”, por exemplo, são canções cansadas que beiram à mesmice e ao tédio.

Nota: 8,0



The Field | From Here We Go To Sublime
Abril 18, 2007, 8:44 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Mandelli, Música, The Field

THE FIELD
From Here We Go To Sublime
[Kompakt, 2007]

From Here We Go To Sublime é o primeiro álbum do The Field, projeto de música eletrônica de Axel Willner, focado no minimal techno. O produtor inova também o ambient techno, promovendo, por meio de batidas simples, um álbum conceitual em que o conjunto de faixas constrói um universo cósmico e tecnológico, sem precisar apelar para recursos complexos ou para qualquer tipo de instrumento – ouça “A Paw In My Face” e “Good Things End” e comprove. Cada uma delas tem um ambiente próprio, recriando sentimentos mesmo sem uma palavra cantada ou um arranjo no meio.
Os críticos do mundo todo estão reverenciando o álbum de Willner por conseguir fazer uma revolução pela simplicidade (afinal, menos é mais). Como um todo, o disco triunfa por ser um retrato audiovisual perfeito dessa era pós-moderna em que “barulhos” – mas só os barulhos bons, claro – compõem uma (boa) música com jeito de ringtone. From Here We Go To Sublime é daqueles álbuns que te faz viajar pelas batidas em uma espécie de groove eletrônico, sintetizado a partir de ritmos tensos puramente eletrônicos, sem necessidade de uma guitarra ou um baixo, incitando uma infindável discussão: afinal, o que é música? [Mariana Mandelli]

Nota: 9,0



Low | Drums and Guns
Abril 18, 2007, 8:43 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Low, Mandelli, Música

LOW
Drums and Guns
[Sub Pop, 2007]

O Low retorna com seu indie rock depois de dois anos do lançamento de The Great Destroyer. Drums and Guns foi inspirado na guerra do Iraque e, por essa razão, é melancolicamente etéreo e dramático. O clima do álbum é cinzento e noturno, em contraponto com a leveza alegre e fresca do álbum anterior. Algumas faixas demonstram simbolicamente a atmosfera sombria do álbum: “Dragonfly” é intensamente frágil e poética, enquanto “Sandinista” soa como uma marcha fúnebre.
As distorções nas guitarras e os vocais taciturnos do casal Alan Sparhawk e Mimi Parker dão um tom tristemente épico para as canções do novo trabalho. Eles cantam como se lamentassem a existência de tragédias sociais, políticas e mesmo pessoais. Aliás, a dicotomia vocal ainda é o maior trunfo do Low: as vozes masculina e feminina, ao se misturarem aos instrumentos, criam um mundo intimista e onírico, característico do som sadcore da banda. Drums and Guns reúne lirismo e desgraça no mesmo ritmo, e consegue soar industrial e artesanal ao mesmo tempo – tão paradoxal quando as catástrofes dessa humanidade espiritualmente frágil de que fazemos parte. [Mariana Mandelli]

Nota: 9,0



Epicuro O Sábio | Sam Keith e William Messner-Loebs
Abril 18, 2007, 8:42 pm
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Fernando, Quadrinhos

BOAS E VÃS FILOSOFIAS
Satira do nascimento do pensamento ocidental com Epicuro, Sócrates e Platão se converte em tema de quadrinhos
por Fernando de Albuquerque

Já está nas prateleiras das livrarias brasileiras o álbum, em edição de luxo, Epícuro, o Sábio. Mais um lançamento da Conrad, com 168 páginas, que traz uma tradução bem cuidada e elaboração de qualidade. Inteligente, bem-humorado, inusitado, o trabalho prima pela crítica ferina à base de quase todo o pensamento ocidental: a sociedade ateniense clássica. Se por um lado a democracia de Atenas primava pela pluralidade de pensamento, pela ousadia de idéias, por outro ela ostentava um lado pouco conhecido: um machismo que beira a ferocidade e um preconceito estremado contra as mulheres.
O personagem principal da trama é Epicuro, filósofo que pregava a exacerbação dos sentidos, dos prazeres, e cujo pensamento originou a palavra epicurismo. Como outros jovens gregos (na história e provavelmente na vida real), ele almeja um dia chegar ao patamar de Sócrates, que é retratado como um intelectual pernóstico, cercado de discípulos tietes, dono de um ego abismal e de um humor mordaz, principalmente na hora de avaliar as idéias dos novos pretendentes ao posto. Prazer que se torna ainda mais acurado quando o “pensador” em questão se trata do atrapalhado e tímido Platão.
O livro é uma grande tiração de onda com a profusão de pensadores que trafegavam nas ruas de Atenas. Sobre o machismo, a abordagem é mais do que pertinente: quem já leu um pouco de história dos gêneros sabe que foi lá, na pátria da democracia, que o estado patriarcal fincou raízes e criou o mundo sexista e altamente misógeno. Para quem não sabe os atenienses viam as fêmeas como seres menores, intelectualmente desprezíveis e, até mesmo sexualmente, menos desejáveis que os jovens discípulos que seguiam os mestres e educadores.
No álbum, tudo começa com a chegada de Epicuro em Atenas, que tinha como meta abrir uma escola de filosofia, ganhar discípulos e fama. Mas ao trocar a ilha de Samos pela badalada capital grega, o pensador se envolve em muitas confusões, deflagradas por um encontro com a deusa da agricultura Deméter. Ela muda seu destino forçando Epícuro, ao lado de Platão e do ainda jovem Alexandre resgatar Perséfone das mãos de Hades, também conhecido como plutão.
A partir daí, o trio se mete em todo tipo de trapalhada e aperto. Cruzam com Cerbero, o cão de várias cabeças, guardião dos portais do inferno e com Caronte, o barqueiro que conduz os mortos até Hades. O trio se depara ainda com uma galeria de personagens emblemáticos da mitologia, como Hércules, Paris, Ulisses, só para citar alguns ícones. Na mistura entre mito e verdade, o trio, que de fato existiu, também se encontra com outro grande mestre: Homero, autor da Ilíada e da Odisséia.
A história é divertida, chega a ser inteligente, mas é recomendada principalmente para os que têm alguma base de mitologia grega e de filosofia. Sem esse conhecimento, fica difícil captar as piadas e tiradas, as gozações e sarros com os “papas” do pensamento ocidental. Não por acaso, a história foi produzida pelo norte-americano Sam Kieth, que junto ao inglês Neil Gaiman deu vida a um dos personagens mais fascinantes das HQs, o Sandman.
É ele quem assina a parte gráfica, digna de ser apreciada pela profusão de detalhes, e efeitos. Já o roteiro traz a assinatura do também norte-americano William Messner-Loebs, que escreveu séries como Mulher Maravilha e The Flash, mas que se consagrou com este álbum.

EPICURO O SÁBIO
Sam Keith e William Messner-Loebs
[Conrad, 168págs, Trad. Carlos Patati, R$ 54]
NOTA: 9,0



Amy Winhouse | Back To Black
Abril 9, 2007, 8:42 pm
Arquivado em: Amy Winhouse, Crítica-Música, Música, Rafaella


Não antes de uma dose: Amy diz que não é lésbica. Pelo menos não antes da primeira lapada.

GARRAFAS E CORAÇÕES PARTIDOS
Amy Winehouse usa voz de mulherão e bagagem amorosa para lançar um dos melhores discos de 2007
por Rafaella Soares

AMY WINEHOUSE
Back To Black
[Virgin, 2007]
[Recomendado]

A música pop ainda tem espaço para uma dama chorando suas desventuras amorosas? Bem, espaço pode ser forjado, seja no surgimento de mídias muito bem sacadas para divulgação (caso do MySpace, sempre ele!) ou na aposta acertadíssima de uma major,vez ou outra. O nome é Amy Winehouse. E o “dama” é em gratidão pelo som poderoso que ela trás com sua voz puro Motown, já que de certinha ela não tem nada. Foi a Virgin que assinou com a mais negra, no sentido original do termo, das branquelas cantoras de soul. Com apenas 23 e no seu segundo trabalho, Back to Black, Amy poderia apenas emular as divas do passado ou seguir o filão de Joss Stone e companhia, sendo bem sucedida. Porém, a autenticidade das suas letras imprime mais valor às músicas. Os temas vão desde alcoolismo aos percalços amorosos dessa inglesa, que se mete em confusão pra em seguida se redimir bravamente com alguns dos versos mais inspirados dos últimos tempos, como no hit “Rehab”, em que ela ironiza sua inaptidão para dar os 12 passos. A cantora já tinha lançado Frank em 2003, um disco bem mais pop com características fortes de jazz, que apesar de ser indicado ao Brit Awards como melhor álbum solo feminino estranhamente não estourou.

Amy tem influências musicais na família, e sua primeira experiência foi montar uma banda de rap aos 10 anos, chamado Sweet’n'Sour (da qual foi expulsa por não se dedicar e ter colocado um piercing no nariz). A rebelde garota judia ganhou sua primeira guitarra aos treze anos e aos dezesseis teve sua demo descoberta pelo cantor Tyler James, assinando em seguida com a Universal. Em “My Tears Dry on Their Own” e “Wake Up Alone” ela enumera as tristezas de quem vive um frustrado relacionamento aberto. Nessa última: “Tà tudo certo/ Me ocupo durante o dia/ Compromissada com o amor/ Não preciso/ Me preocupar onde ele está/ Cansei de chorar/ Ultimamente quando me pego assim/ Eu viro o jogo/ Fico de pé/ Limpo a casa/ Pelo menos não estou bebendo“. São estrofes que dão o tom das composições que poderiam muito bem ter saído de um álbum de Aretha Franklin nos anos 1960. Em “He Can Only Hold Her”, a mulher sexualmente livre confessa que “O homem com quem ela quer estar / Agora, como ele pode ter seu coração / Quando ele lhe foi roubado”.

Vítima constante dos tablóides ingleses ávidos por personalidades que vivem no limite, Amy viu sua vida ser devastada a partir do aparecimento de uma anorexia, que a fez perder peso consideravelmente. Aos que especulavam ser isso uma reação à cobrança pela imagem, ela respondeu que não obedece à esses apelos externos, e sim à sua criança interior. Seu barraco com Bono Vox nos bastidores de um programa de auditório já é tão lendário quanto suas fotos e aparições públicas, trôpega ou vomitando no palco. Isso te lembra alguém? Em entrevista recente a revista Elle, um jornalista percebeu em seus braços arranhões e cortes, o que alimentou rumores sobre uma queda que ela teria levado no meio da rua, em Nova York.

Nos seus planos está a trilha sonora do próximo filme 007, além de um dueto com Sir Mick Jagger no Festival da Ilha Wight. Mesmo recebendo mais atenção pelos excessos etílicos do que por seus dotes musicais, Amy não passará rápido com uma manchete de tablóide, é o que fica depois de escutá-la demoradamente.

NOTA: 10



Entrevista Voz Del Fuego
Abril 9, 2007, 8:41 pm
Arquivado em: Entrevista, Música, Voz Del Fuego, Wagner

O EVANGELHO FULMINANTE DO VOZ DEL FUEGO
por Wagner Beethoven

Leandra Lambert é o nome que está atrás de diversos projetos na música eletrônica desde 1990, mas atualmente o Voz Del Fuego é o seu foco. Além de ser a voz do fogo, ela é acompanhada por uma banda, o Lingerie Underground (Leandra Lambert – vocais, letras e eletrônica; Marcelle Morgan – vocais e letras; Flávia Goo – guitarra; Flávia Couri – baixo e André Mobi – bateria acústica ). Além de ter uma banda, Lambert está preparando um curta 16 mm, sobre Hilda Hilst e seus contos eróticos.

Este atual projeto, Voz del Fuego, nasceu em 2003, no Rio de Janeiro. O nome vem de dois ícones da cultura popular, a primeira era a excêntrica dançarina Luz Del Fuego, ou originalmente registrada como Dora Vivacqua e o livro Voice of Fire (A Voz do Fogo, lançado por aqui pela Conrad) do mesmo criador de Monstro do Pântano, Alan Moore. Lambert ainda mistura em suas referências Bjork, Kraftwerk, Zé do Caixão, Rimbaud e Cosme & Damião. No Trama Virtual e no FiberOnline, o grupo disponibiliza várias mp3, as músicas que deveriam fazer sucesso nas pistas com títulos interessantes: “Assim Funkou Zaratustra”, ou “Descendo a Mão na Princesinha”.

O Grito! falou com Leandra Lambert, por email.

Por que às vezes com o Lingerie Underground, e outras com o Voz Del Fuego?
Pela diferente sonoridade e forma de apresentação ao vivo. Se fosse uma banda de rock tradicional ou um projeto totalmente dentro da estética eletrônica, não haveria isso. A mistura de rock e eletrônico possibilita essa versatilidade. É claro que um show solo ou em duo leva mais pro eletrônico e com banda completa pesa mais pro rock. A gente escolhe como vai ser de acordo com o público, o local do show, com as possibilidades práticas e principalmente com o nosso humor e a nossa vontade, claro. Mesmo quando é solo ou duo, pode variar de um eletrônico mais “pista” até o mais experimental. Agora inventamos outra formação: Só a Lingerie, totalmente rock, sem programações. É engraçado, há versões meio “hard rock” ou “punk 77″ de 2 ou 3 minutos para músicas eletrônicas de 5 ou 6 minutos, pura diversão. Primeiro show assim,foi em 15 de abril de 2007 no Salloon 79, em Botafogo, com As Doidivinas.

Voz del Fuego & Lingerie Underground

Vocês Andam Gravando?
As gravações que estão online são solo e demo, só a “Pra Ficar Bonita” tem a guitarrista, não temos nada com baixo e bateria acústica por aí, só um ensaio de 2004, com outra formação, ainda compondo a música “Descendo a mão na Princesinha”. Nada disso dá idéia de como é o show com a banda, é outra coisa. Começamos a gravar com a banda, mas está indo devagar, parou, voltou… esquema “de graça nas horas vagas do estúdio de um amigo”.

Qual foi a repercussão de ter aparecido na Rolling Stone?
Cria uma curiosidade, gente que nunca tinha ouvido falar passa a conhecer algo sobre a banda. Como a gente não tem um apelo dos mais populares, apesar de ser uma banda basicamente feminina, também não chega a mudar a vida, não aparece um monte de gente te oferecendo shows e contratos, né?! Mas é uma forma de reconhecimento aparecer ali. E felizmente não fui atacada por nenhum emo por conta dos meus comentários críticos e sarcásticos a respeito, hahaha.

Vocês explicam no site da banda porque o Inhumanoids acabou, mas qual a razão do Voz Del Fuego? Não poderia continuar sem o seu parceiro, o Self?
O Inhumanoids chegou a ter uma formação mais “electro & breakbeats” sem o Self, em 2000; e tinha sido o fim depois disso. Fiquei quase dois anos sem produzir nada em música, estressei por um tempo, perdi o tesão e fui me dedicar a outras coisas. Em 2002/2003 ressuscitei o Inhumanoids mais para deixar um registro online do que tinha sido feito tantos anos antes, no início dos 90, e que tinha a ver com o que estava acontecendo em música eletrônica naquele momento.
Isso acabou me estimulando a voltar a produzir, caiu a ficha de que era possível fazer uma demo sozinha, toda em casa, com um computador e um microfone. Independência total. Tinha que ser algo novo, eu não queria voltar a algo que tinha se desgastado e me desgastado. Daí também o nome ter “fogo” no meio, que tem esse simbolismo de renovação, de renascer das cinzas. Mas ao mesmo tempo o Self me chamou para fazer um show com ele, voltamos a brincar um pouco… acabou rolando mais uma volta do Inhumanoids em 2004, meio de bobeira. Só que deu confusão mais uma vez e acabamos com a brincadeira, melhor cada um seguir seu caminho. Porra, parece que tinha encosto no nome!

O que faz o Voz Del Fuego diferente?
Acho que é o fato de não estar nem aí para enquadrar nem o som, nem o visual em qualquer estilo ou modismo. Não fazemos questão nem de definir uma formação fixa… Quando comecei a me interessar mais por música, não tinha tanto essa de se pensar na banda como um “produto”, isso era coisa dos pops mais pré-fabricados. Não tinha nada a ver com o underground. Quem em geral cagava pro mainstream era coerente e não ficava se preocupando em se adequar perfeitamente a uma determinada cena e só botar gente bonita, bem figurinada e bem relacionada na banda, essas coisas. Era um bando de vagabundos, desajustados e atormentados com orgulho disso, gente que não fazia a menor questão de corresponder a nada, e que resolvia sair tocando, muitas vezes sem saber. Mais interessava um show demente de bom ou uma demo podre com boas idéias que poderiam ser mais bem desenvolvidas depois do que ter tudo certinho e esquematizado rumo ao sucesso. E agora é assim, mesmo no mundo “alternativo” tem muito essa noção de produto, mercado, metas, “compre seu kit hype do momento”. Pode ser esperto agir assim, mas eu acho um porre. Ou melhor: uma ressaca!

A gente pode se definir como electro-rock, electro-punk ou dance-punk só pra situar as pessoas de que se trata de algo que une eletrônico e rock, que tem influência e atitude punk/pós-punk, que é DIY, que às vezes mergulha no pancadão, por aí vai. Mas se você for ouvir, não se enquadra exatamente no que tem rolado nesses gêneros, algo soa meio estranho, é sem imitar nada, sem fazer questão daquele truque certo que sempre funciona. Freqüentemente uso outras batidas, velocidades mais aceleradas ou desaceleradas, vocais e timbres que parecem vir de outros gêneros e épocas ou de nenhum gênero, nenhuma época. Gosto que o som seja dançante, mas não me prendo às fórmulas disponíveis no mercado, não tenho medo de experimentar, faço o que estou a fim de fazer e pronto. E a banda tem a liberdade de criar o que quiser em cima, é raro que eu interfira na parte deles, só se eu achar que está muito fora, que está “batendo mal” com o resto da música – o que é raro acontecer, porque eles são ótimos. Eu poderia sair da banda com os meus cacarecos que eles continuariam a ser uma banda muito legal, hahaha.

O uso de tecnologias é freqüente na banda…
A tecnologia, bem, uma roda é tecnologia, uma bateria é tecnologia (acústica, como o nome diz), uma guitarra é tecnologia (acústica e elétrica), a eletrônica é tecnologia. A diferença maior é que nós não vivemos a época em que essas tecnologias mais antigas transformaram o modo de vida das pessoas; nós vivemos a época em que a tecnologia eletrônica vem afetando de forma ampla o modo como vemos o mundo, nos comunicamos, nos relacionamos. E a música, as artes e a literatura acompanham e expressam de sua época, de alguma forma. Mesmo uma gravação só de voz é eletrônica: foi feita através de um microfone conectado a uma interface, armazenada num HD, transformada em arquivo mp3, foi parar na internet, baixada e ouvida num mp3 player… Só em roda de violão em acampamento e congêneres é que a eletrônica não está presente, né?! A eletrônica e a informação são características vitais da cultura atual – e também o nosso maior fantasma.

As apresentações ao vivo da banda são um falatório a parte. Como faz pra ter tanta disposição?
Ih, não saquei a parte do falatório… explica pra eu poder responder?! Hahaha A disposição: bom, eu me sinto num ritual pessoal, do qual outras pessoas podem participar. É uma onda meio dionisíaca mesmo. Posso estar empolgadíssima e “levar” outras pessoas junto… ou não. Fazer o que, às vezes não “sintoniza”. Para mim tem que ser de verdade, não consigo forçar a barra. Papo de doidão, hein?! Hahahah… mas isso é tão antigo… a música e as encenações sempre tiveram esse papel e esse poder. E é claro que uma bebida ajuda, etc… hahaha.

É incomum a referência da dançarina Dora Vivacqua para uma banda de eletrônico. Como você explica isso?
A referência a princípio foi mais pelo lado independente, libertário e provocador da Luz del Fuego, que tinha uma postura bem incomum para as mulheres da época, algo a se admirar e desejar mesmo hoje em dia, quando tantas mulheres voltaram a se contentar com o papel de mulherzinhas e enfeites. Mas música eletrônica e rock têm tudo a ver com dança, no fim das contas… são feitos para se dançar, pular e pirar a noite toda. Tudo a ver com dançar semi-nua com uma serpente.

Alan Moore é outro nome para a explicação do nome da banda. Qual a responsabilidade de ter ele como ícone?
Olha, eu não me preocupo muito com essa possível responsabilidade não… se eu me preocupasse, fudeu: nunca acharia que nada que eu faço está suficientemente bom. Prefiro encarar o livro “A Voz do Fogo” apenas como algo que me afetou muito na época e ao qual eu quis prestar uma humilde homenagem, sem maiores pretensões ou responsabilidades. Mas espero um dia fazer um álbum-homenagem, mais conceitual mesmo, inspirado em obras dele, levando isso mais a sério. Mas não demais, hahaha… sempre tem que rir no final!

Qual é a verdadeira intenção de Leandra Lambert?
Não sei, isso é um mistério. Qualquer dia consigo arrancar dela essa resposta, hahahah.



300 | Zack Snyder
Abril 9, 2007, 8:40 pm
Arquivado em: 300, Cinema, Crítica-Cinema, Fernando, Zack Snyder


A NARRATIVA DE UM BÍCEPS
Mantendo o estilo Graphic Novel, “300″ não empolga e enche de angústia o espectador
por Fernando de Albuquerqe

Muitas cabeças rolam em 300, filme de Zack Snyder que chegou no último mês ao Brasil. Há sangue e flechas para todo lado, muita guerra e um rei completamente afeminado e místico. A transposição do quadrinho do festejado Frank Miller para o cinema, e que tem o brasileiríssimo Rodrigo Santoro no papel do vilão, o rei-deus Xerxes, estreou depois de ter atingido o topo da bilheteria americana. As filmagens foram realizadas em estúdio, em fundo azul, sobre o qual foram posteriormente colocados os cenários.

300, lançado em mais de 550 salas, em 160 cidades, nos conta a batalha de Termópilas, em que 300 soldados da elite de Esparta enfrentam o exército persa, muito mais numeroso. Reproduzindo truques de Gladiador, com direito a música melosa e triunfante, as duas horas de projeção não satisfaz o desejo do espectador que tem um discurso mais elaborado. Só o leigo pode sentir-se um pouco mais “informado” quando sai da sessão. Com exceção das seqüências de batalha, com ênfase no aspecto gráfico, coreografia estilizada e um uso admirável dos contrastes entre os vermelhos das vestes espartanas e o cinza dos uniformes persas, “300″ se arrasta, perdido em lições ideológicas de intenções completamente duvidosas.

O filme à todo tempo procura mostrar o triunfo da força contra a tirania e o misticismo persa. Mais parece um discurso inflamado de Auguste Comte, o mestre positivista dos últimos tempos. Os diálogos, se dissecados, estão mais para um manual fascista de métodos do que para uma narrativa fílmica, pois tenta, à todo tempo, reproduzir a filosofia colonialista do “choque de civilizações” entre o ocidente da razão e o oriente da bárbarie.

Entre uma cabeça decepada e mais alguns litros de jorro de sangue digital há discursos sobre o significado da liberdade, o real valor da morte e outras filosofices muito mais enganadoras do que funcionais. O único talento que é exibido no filme à torto e a direito são os músculos e barrigas tanquinho que dão um alívio geral no público feminino e no masculino também. Com toda certeza as academias e lojas de alimentos fitness, depois de 300, irão faturar mais um pouco.

A idéia que norteou o filme era a de repetir a bem sucedida adaptação de outra obra de Miller, Sin City, que Robert Rodriguez levou às telas nos idos 2005. Aquele filme misturou uma impressionante mistura gráfica dos quadrinhos com planos bem cinematográficos e elaborados. Mas Snyder fracassou na empreitada. A diferença mais marcante entre o filme e a HQ é a criação de uma subtrama protagonizada pela mulher do rei Leônidas (nos quadrinhos, a personagem está relegada a duas páginas e olhe lá). Outra mudança e bem notória é que a HQ não detalha cada músculo dos espartanos. O próprio rei Leônidas praticamente só aparece coberto por seu manto vermelho, já que o senhor de 50 anos dos quadrinhos não deve ter exatamente o corpo definido que o ator Gerard Butler, com 37, exibe ao encarnar o papel.

NOTA: 4,0



Arcade Fire | Neon Bible
Abril 9, 2007, 8:38 pm
Arquivado em: Arcade Fire, Crítica-Música, Mandelli, Música

A BENÇÃO ALTERNATIVA
Nova bíblia musical do Arcade Fire leva a banda para caminhos sombrios e obscuros
por Mariana Mandelli

Quando a expectativa é demais o fã desconfia. O que justifica o assustador hype em cima do novo trabalho dos canadenses do Arcade Fire é justamente a solidez encantadora do primeiro álbum, Funeral (2004). É sempre difícil superar um grande feito, ainda mais nesse concorrido mercado musical pós-moderno em que vivemos, com dezenas de bandas boas pipocando a cada semana.

O sucesso de Funeral levou a banda, liderada por Win Butler, aos primeiros lugares das listas de melhores álbuns de 2004. O disco, peculiarmente impecável, tornou-se uma obra-prima indie consagrada no mundo inteiro, tornando o Arcade Fire um dos grupos mais queridinhos e amados do universo do rock alternativo – quem compareceu a uma das apresentações brasileiras da banda, no TIM Festival de 2005, sabe do frisson que a força musical e a presença de palco dos integrantes causam no público.

Todo esse clima de adoração messiânica em torno do Arcade Fire acabou gerando as mais diversas expectativas para o segundo trabalho – ainda mais depois que foi anunciado que a banda havia transformado uma igreja em seu estúdio de gravação, em Montreal, na busca por uma melhor acústica.

Eis que, após um período de quase três anos e tanto falatório especulativo, Neon Bible chega para acalmar os ânimos dos fãs devotos, que ansiavam sedentos pelo álbum. E é justamente neste ponto que a coisa se enrola: Neon Bible não vem para tranqüilizar ninguém. Muito – mas muito mesmo – pelo contrário: o clima espiritualmente denso do disco cria um espectro de essência lúgubre e melancólica no ouvinte. E isso não é uma crítica negativa. O novo álbum não é mais nem menos do mesmo – quem estava esperando algo muito parecido com a atmosfera de “Funeral” pode se assustar à primeira “ouvida”. A diferença é que Neon Bible é mais complexo e mais difícil de digerir de uma vez do que seu antecessor (afinal, convenhamos, foi bem difícil não se apaixonar logo de cara por Funeral).

Para os ouvintes desavisados, as canções da nova obra do Arcade Fire não parecem conter a mesma coesão que Funeral, álbum quase conceitual que soa como uma única música. Mas basta ouvir Neon Bible duas ou três vezes para absorver suas canções, deixando-se levar pela musicalidade carregada e desconsoladora que a banda propõe. Faixa após faixa, o que se percebe é uma evolução de sonoridade complexa que alterna tons de pessimismo e otimismo, consternação e empolgação. É interessante perceber esse grande paradoxo que acompanha a obra da banda: canções extremamente vivas que falam de morte, dor, perda, tristeza. Trabalhar essa antítese espiritual talvez seja o segredo do trabalho do Arcade Fire, que já conquistou David Bowie, David Byrne, Bono Vox e todos nós, pobres mortais, devotos da incrível fantasia musical.

ARCADE FIRE
Neon Bible

[Merge Records, 2007]

Neon Bible afirma a identidade sonora do Arcade Fire: além do universo explorado nas letras ser quase comum a Funeral, a instrumentalidade complexa e original que conquistou o mundo está presente nas onze canções do álbum. Coro de vozes tristes, órgão, violino, acordeon, guitarra, baixo, bateria, percussão, xilofone, piano, teclado, viola, violoncelo, harpa, sanfona, sintetizadores e mais outros elementos musicais, que tornam a obra dos canadenses tão especial, reforçam o jeito de culto ecumênico do disco.

As canções de “Neon Bible” destilam o infortúnio da existência humana, demonstrando as desventuras da alma condenada a viver presa dentro de si mesma. Essas reflexões parecem explicar também os caminhos que a humanidade percorre; trajetórias que levam a um destino soturno e fantasmagórico. Algumas faixas demonstram bem isso: “Black Mirror” abre o álbum soando taciturna, com um ar de trilha de filme de terror ou de alguma animação macabra de Tim Burton. Já “Keep the Car Running” é, precisamente, a que mais evoca a estética musical deliciosa e empolgante de Funeral. “Intervention”, com seu clima cristão, traz um órgão marcante. Já “No Cars Go”, “macaca velha” para quem é fã da banda, volta repaginada e ainda mais emocionante.

Enfim, “Neon Bible” funciona como uma espécie de missa póstuma para este mundo genocida em que vivemos. É um álbum imerso numa atmosfera taciturna e apocalíptica, carregando um sentimento perene de luto – assim como caminha a humanidade. Amém.

Nota: 9,0



Kings Of Leon | Because of The Times
Abril 9, 2007, 8:37 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Kings of Leon, Mandelli, Música

KINGS OF LEON
Because of the Times

[RCA,2007]

A família caipira mais querida do universo indie está de volta: “Because of The Times”, terceiro disco do Kings Of Leon, traz uma banda mais madura e segura de si, distanciando-se do pop presente em canções como “California Waiting”, do álbum “Youth & Young Manhood” (2003), e “King of the Rodeo”, do “Aha Shake Heartbreak” (2005), hits dos trabalhos anteriores da banda. Mesmo ainda preso às raízes – country rock alternativo –, o grupo demonstra mais confiança ao mixar seu garage rock com letras mais melancólicas, o que confere ao novo álbum uma musicalidade mais pesada – e até mesmo um aspecto grunge. Caleb Followill continua se lamentando e intercalando gritinhos nos versos cantados com sua voz naturalmente chorosa, o que deixa mais interessante o conjunto de texturas musicais do novo disco. O tom vibrante e excitado de “Because of The Times” fica evidente em faixas como primeira e longa (mais de sete minutos) “Knocked Up”, a agitada e escandalosa “Charmer” e a intensa e introspectiva “McFearless”. O aspecto caipira, característico do Kings Of Leon, marca presença em faixas como “Black Thumbnail”. [Mariana Mandeli]

NOTA: 8,0