por Wagner Beethoven
De maneira informal, o Monodecks foi formado em 2004 e com o pé direito em 2005 tocaram no Festival No Ar: Coquetel Molotov. No entanto, só agora o grupo faz seu segundo show, no bar Novo Pina, Recife Antigo, neste sábado. A banda têm diversas referências, de Lou Reed a Slint, de Mogwai a Sun Ra, passando por Brian Eno e o Pink Floyd. Com predileções por temas psicodélicos e instrumentais, o som do vai do minimalismo às experimentações, o que já fez o Monodecks ser chamado de “música sensorial”.
Ainda sem disco lançado, a banda disponibiliza músicas no site do Trama Virtual e na sua página no MySpace. Para conferir ao vivo o som deste grupo recifense, chegado num noise não muito fácil, o Monodecks se apresenta ao lado das bandas Hrönir e Agnst, neste sábado (confira o Serviço no final da entrevista).
Antes de sua segunda apresentação, o líder D Mingus falou com o GRITO!, por email.
O GRITO: A banda, logo no primeiro show, teve boas críticas. Embora não esteja fazendo muitos shows, o Monodecks ainda tem, mesmo que em pequena quantidade, um grupo fiel de fãs. Como você explica isso?
Esse pequeno grupo corresponde justamente a nossos amigos… Só que, mesmo dentre eles, o critério dos que se identificam com a banda acaba sendo puramente estético/musical mesmo. Porque, nem há a possibilidade, por exemplo, daquele primo fã de Zeca Baleiro vir falar “poxa, gostei muito daquela música que fala sobre tal coisa – o que aquela frase quer dizer hein?”. Pô, a gente curte tirar um som e entrar nele, deixar o lance fluir. Não achamos que temos obrigação de explicar alguma coisa com nossa música. Além dessa questão de sermos uma banda quase cem por cento instrumental, há a questão da baixa-fidelidade (lo-fi) das nossas gravações, dos improvisos e noises que muitas vezes tornam-se “viagens longas e sem previsão de volta” – tudo isso e tantas outras abordagens pouco usuais acabam tendo um efeito “repelente” para o grande público (o que pra nós não é nenhuma novidade). Mas podemos dizer, sem medo do clichê, que se fazemos música pra agradar a pessoas, essas pessoas somos nós mesmos.
O GRITO: “Reverbera da Caverna”, “Pirâmides” e “Trêmulo” já estão disponíveis no Myspace da banda. Quando poderá ser visto um EP ou mesmo um disco de vocês?
Dessas três, apenas “Reverbera na Caverna” foi gravada em estúdio e com a banda completa. Mesmo assim foi num esquema ao vivo de gravação-demo, de mixar depois em casa com os canais “vazando”, com prazo pra entregar a mix em CD pra algumas pessoas. De toda forma ela é a única gravação que temos disponível no momento pra mostrarmos como funciona o som do monodecks com todos seus tentáculos em ação (ao mesmo tempo). Como não dispomos de muita grana, o EP ou “disco cheio” que pretendemos lançar fica um pouco refém dessa questão, mas pretendemos agilizar o danado esse ano de todo jeito, nem que seja no esquema tosqueira de sempre. Mas de repente, podemos resolver investir tudo numa só faixa melhor produzida – só o tempo vai dizer (e a grana).
O GRITO: Quais são as dificuldades em ter um banda tão numerosa?
A banda nem tem tanta gente assim. Na verdade, o que atrapalha é a escassez do tempo de cada um, já que ninguém se sustenta através da música. A dificuldade maior é a de conseguir conciliar as agendas particulares, enfim, mais ou menos como toda banda. Danado é que não somos mais guris e estamos justamente naquela fase do “se vira pros 30 (anos)”, daí muitas vezes bate a angústia porque o que era pra ser a válvula de escape acaba emperrando.
O GRITO: O monodecks vem com uma proposta diferente das bandas daqui. Como é ter uma sonoridade tão incomum em Recife?
Acho que o tipo de som que a gente faz não é só incomum aqui – acaba sendo em todo país. E isso porque hoje estão praticamente chovendo bandas que fazem um rock com inclinação mais experimental. Se hoje o espaço pra esse tipo de som é pequeno, imagina num passado até próximo… Pelo menos agora a internet facilita as coisas um pouco.
O GRITO: Quais são os planos da banda para o futuro?
Pretendemos fazer mais shows, gravações decentes, investirmos num equipamento melhor… nem temos tantas ambições. Como a gente sabe que muito possivelmente jamais conseguiremos pagar as contas com nossa música, nos damos por satisfeitos em podermos nos divertir tirando um som juntos. Músico é um tipo escroto de masoquista.
Serviço:
Pré-Existências: Ambientações Sonoras do 3º Grau
Monodecks, Angst e Hrönir
Sexta (23/03/2007) 22h
Local: Novo Pina (Recife Antigo)
Preço: R$ 5,00 – Info: 81 8715.3981 (Domingos)
Veja Mais: Entrevista com o Monodecks – 19 de Setembro de 2005
CONHEÇA AS OUTRAS BANDAS QUE IRÃO TOCAR COM O MONODECKS
Os integrantes da extinta banda Airbag (que logo depois se tornaria o Ahlev de Bossa) tocando guitarra, baixo e flauta transversa em “harmonia”. Isso é o que o Angst consegue fazer, a união de Alan Diego, Pedro Figueiredo, Sara Wanderley, Breno Barbosa, que em 2002, com influências do Sonic Youth, Mogwai e Radiohead formaram o grupo. Fazem música bastante incomum, indierock de primeira qualidade.
Hrönir
Eles descontroem o ritmo, reconstroem o som e fazem experimentações de video-art, gravando o seu som de forma completamente inimaginavel. A banda, que já tem diversos trabalhos, trilhas sonoras e afins é formado pelo workaholic da música, Thelmo Cristovam, Túlio Falcão e Lucas Alencar. O trio faz um free jazz, música ambiente, experimentalismos, improvisos e dissonâncias. Dificil de acreditar? Só vendo pra crer.
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