O Grito!


Pequena Miss Sunshine |
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Fernando, Jonatan Dayton, Pequena Miss Sunshine, Valerie Faris

DOCE FELICIDADE DOS FEIOS
Filme com números abaixo dos padrões hollywoodianos encanta e faz piada com American Way of Life
Por Fernando de Albuquerque

Os acostumados ao product placement bem hollywoodianos, capitaneados por Sandra Bullocks e Lindsay Lohans da vida, ficam abismados ao saber que “Pequena Miss Sunshine” é uma produção genuinamente americana. Com orçamento bem abaixo dos padrões convencionais e dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris o filme (para usar uma conceituação bem moderna) se insere na categoria de indie movie que desde os anos 80 vem se caracterizando como um catálogo de patologias. Evidenciando personagens deslocados, invariavelmente patéticos, traumatizados por seu entorno, com traços gritantes de suas “anormalidades”, Pequena Miss Sunshine é gargalhada garantida e também promete uma boa dose de lágrimas às almas mais sensíveis.

O longa narra a viagem de uma típica família de classe média envolta numa crise financeira sem tamanho, mas que tenta a todo custo manter-se de pé enquanto instituição. Seus membros são malucos inofensivos. Olive (a mini-atriz Abigail Breslin), caçula da família Hoover, é a personagem que desencadeia todos os fatos apresentados. Ela foi classificada e deseja concorrer ao concurso de beleza na Califórnia. A partir daí os personagens tem suas vidas apresentadas: o pai (Greg Kinnear), um fracassado escritor de auto-ajuda; a mãe (Toni Collette), uma dona-de-casa com subemprego; o avô (Alan Arkin), viciado em heroína e criador da apresentação da neta, que o adora; o tio (Steve Carell), que acaba de tentar suicídio porque seu namorado o deixou pelo expert número 1 em Proust no país, já que Carell é o número dois; e o irmão (Paul Dano), fã de Nietzsche, que decidiu parar de falar por um ano em homenagem ao filósofo alemão. Nada perto do american way of life.

Pois é para um concurso de miss mirim na Califórnia que todos vão, numa acolhedora Kombi amarelo gema que não passa marcha e faz os personagens literalmente correr atrás do que desejam. O automóvel se converte no personagem principal do filme que, quase à la Ettore Scola, procura enquadrar mais de um personagem na câmera. Como é tradição nos road movies, o grupo passará por transformações ao longo do percurso, superando barreiras psicológicas, atualizando elos afetivos gastos e aceitando a imperfeição da vida.

“Pequena Miss Sunshine” é completamente correto na sua gramática cinematográfica. A subversão da película se dá na história e não precisa de uma linguagem “inovadora”, ou mesmo tresloucada, para se fazer entender. Ele fere por completo qualquer complexo de superioridade e excelência do espectador mais arrogante. E está repleto do que poderíamos chamar “pessoas completamente normais”.

Nem de perto o filme é redentor. Do começo ao fim o sentimento de perda (loser) perpassa a narrativa que acaba por cativar ao abordar temas pesados (adolescência problemática, fracasso profissional, homofobia, suicídio, desilusão amorosa e drogas) sem perder o senso de humor. Tudo graças a um elenco talentoso e bem dirigido, além de diálogos precisos.

Mas o filme acaba mal, deixando o espectador aliviado. Mesmo dando tudo errado para a família Hoover eles saem ganhando. A convivência forçada dá unidade à uma relação completamente desgastada e caída na frustração. Mas se Pequena Miss Sunshine não se agarrase a um fio de otimismo no final da história seria um filme especializado em mostrar a perversidade dos adultos em castrar a infância de seus filhos para realizar seus ideais de sucesso, fabricando uma geração de crianças plastificadas e pasteurizadas, tanto na beleza como nas atitudes para enfrentar seus conflitos.

PEQUENA MISS SUNSHINE
Jonatan Dayton e Valerie Faris
[EUA, 2007]
NOTA: 10



1º Torféu Alfaitaria de Fanzines
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: 1º Torféu Alfaitaria de Fanzines, Floro, Matéria, Quadrinhos

ELEGIA AO INDIE

O grupo Alfaiataria, responsável pelo site Pop Balões, promove prêmio para mostrar o talento dos independentes
por Paulo Floro

Houve um tempo em que fanzines eram sinônimos de publicações de baixa qualidade, relegadas à um amadorismo que por vezes beirava o risível. No atual mercado, novos quadrinhistas buscam revelar seus trabalhos em produções independentes. Para incentivar cada vez mais a produção desse tipo de material, a Alfaiataria está lançando a primeira edição do seu Troféu de Fanzines. A proposta é, além de ser um incentivo para os vencedores em si, ajudar a divulgar os fanzines que estão sendo produzidos e, acima de tudo, tratá-los com o respeito que merecem.

Ao contrário dos outros prêmios que recebem votações, o Troféu Alfaiataria formará uma banca de especialistas que irão analisar os fanzines e avaliá-los como um material profissional. O prêmio está sendo divulgado no site Pop Balões.

As categorias serão: Desenhista; Roteirista; Editor (análise das atribuições pertinentes ao editor); História (análise de história indivualmente); Fanzine de Quadrinhos (análise da revista como um todo); Fanzine sobre Quadrinhos; Revista Independente.

Fanzine é a melhor forma do quadrinhista se mostrar. Com este prêmio todos os fanzines terão seus trabalhos resenhados e as críticas serão publicadas no Universo HQ. Zé Oliboni, um dos responsáveis pelo prêmio acredita da importância da crítica no desenvolvimento desses artistas. “Conversando com o Jozz (desenhista e pesquisador) e com o pessoal da Quadrinhópole eu percebi a importância da crítica para o crescimento deles, a importâcia de alguém pegar e falar: Olha isso é legal, mas você tem que melhorar essa página, esse desenho está um merda, essa
história não acabou direito. E é isso que a gente quer fazer, divulgar, conhecer e enviar críticas de uma banca muito especializada para os participantes, para que eles cresçam.”

Além do troféu e do certificado, o principal prêmio será mesmo ter o trabalho mostrado e divulgado, além da visibilidade que cada artista recebe. O trabalho será divulgado no Pop Balões, além dos participantes receberem emails breves com críticas sobre o trabalho.

A categoria Revista Independente existe por ser considerada pela organização como uma evolução do Fanzine. Ainda teremos uma premiação paralela, feita por votação de leitores para quadrinhos publicados na internet.

MERCADO
Com tantos bons profissionais de quadrinhos escondidos por vários fanzines, como o Brasil pode ter uma produção tão pequena de títulos nacionais publicados por aqui?

É uma deficiência do mercado enxergar esses profissionais? “O mercado não é cego, mas usa tapadeira e óculos escuro. Não basta ser bom, não basta fazer fanzines, você tem que lutar, tem que divulgar o seu zine, espalhar
para todo o lado a notícia de que você trabalha.”, afirma Zé Oliboni na conversa por email com O Grito!. Recentemente, várias publicações independentes e fanzines chamaram a atenção da crítica, como Homem-Grilo, de Cadu Simões, Chuva Contra o Vento, de Felipe Cunha e o rodrigo Alonso e Napalm Comics!, de Pablo Casado. “Eu levava isso para o Diego (Figueira, do coletivo Alfaitaria) e a gente ficava espantado com a qualidade do material.”, afirma Oliboni.

Fanzine não dá lucro, mas dá resultado. Com o prêmio Alfaiataria, os organizadores querem deixar claro que fanzine é antes de tudo a melhor maneira de aprender, de conseguir espaço. “O fanzine é uma escola, um estágio. O cara faz zines, divulga e vai ter um retorno, demora, mas se ele trabalhou direitinho vem.” E Oliboni ainda dá um recado para os fanzineiros. “Você tem que pegar seu material e levar de editora em editora, contato em contato. Se ninguém publicou, mas você viu que pessoas gostaram, se esforça, rala, consegue um patrocínio e faz uma Revista independente e começa tudo de novo divulgando e conversando com pessoas.”

A importância de um troféu para fanzines é mostrar ao mercado que muita coisa boa anda acontecendo. Com a expansão do número de títulos e a diversidade que temos hoje em bancas e livrarias, é provável que um prêmio como esse, aumente a longo prazo, as chances de algum trabalho nacional, saído de um fanzine, seja publicado. “O mercado é difícil e o mercado raramente vai enxergar a não ser que você esfregue na cara dele. É triste, mas é verdade. Os ganhadores de um Troféu como o nosso vão ter uma grande exposição entre o meio dos quadrinhos, vamos fazer de tudo para que os nomes deles sejam ouvidos nos quatro cantos, contudo o Troféu é mais para o cara ter um retorno, saber que ele é realmente bom e que ele vai ter que lutar pra caralho, mas que vale a pena fazer isso porque ele é bom.”

FIQUE LIGADO
Poderão se inscrever Fanzines e Revistas independentes publicadas de 01 de Janeiro de 2005 a 31 de Dezembro de 2006, a inscrição é gratuita, bastando que se envie a Ficha de inscrição e 3 vias do Fanzine para Caixa Postal 12986 CEP 04010-970.

As inscrições se encerram no dia 30 de Março de 2007 e a entrega do Troféu será no dia 22 de Junho na Quanta Academia de Artes.

A 1° Troféu Alfaiataria de Fanzines é dedicado à memória de Joacy Jamys, o eterno fanzineiro e amigo que faleceu no final de 2006. Maiores informações, ficha de inscrição e regulamento completo no site Pop Balões e na página do troféu, dúvidas pelo e-mail: alfaiataria@gmail.com e popabaloes@popbaloes.com



Marvel Action 01
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Marvel Action, Quadrinhos

MARVEL ACTION 1
Panini
[100 PÁGS, R$6,90]

A revista Demolidor mudou de nome, ganhou pouco mais de 20 páginas e agora se chama Marvel Action. Por trás desse nome ridículo, a revista conta com os heróis urbanos e soturnos da editora. É uma tentativa da Panini de aumentar as vendas da revista Demolidor, que apesar de aclamada pela crítica, não vendia bem. O argumento é bem forçado, já que um aumento de páginas e novas séries possivelmente turbinariam as vendas. Cavaleiro da Lua começa bem, mas não chega a lugar nenhum, se bem que vale a pena acompanhar a série, com arte de David Finch. O que chama atenção mesmo é a estréia de Ed Brubaker em Demolidor. O arco mostra a vida de Matt Murdock na prisão após os acontecimentos na saga Dossiê Murdock, a última de Brian Bendis no título. Uma continuação perfeita, com a mesma ambientação. Demolidor ainda é uma das melhores séries da Marvel. Só é uma vergonha não ter mais um título próprio. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0



Marvel Max 41
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Marvel Max, Quadrinhos

MARVEL MAX 41
Panini
[100 págs, R$ 6,90]

Genial é a palavra para descrever esta obra-prima do bizarro. Marvel Zombies, de Robert Kirkman mostra os heróis marvel como zumbis famintos devorando todos que encontram pela frente. As cenas são espetaculares e absurdas, como Magneto sendo comido por dezenas de heróis, inclusive o Hulk, que ao se transformar em Banner tem a barriga rasgada por ossos de Magneto. O roteiro não é nada surpreendente mas é inusitado e politicamente incorreto como a Marvel nunca foi. Com isso, a Marvel Max volta a ser o melhor investimento da Marvel em bancas. Esquadrão Supremo aumenta a tensão entre o grupo de seres mais poderosos da Terra em sua missão no Oriente Médio. Straczynski retoma sua bem feita crítica à política mundial, depois de várias mini-séries chatas derivadas de Poder Supremo. E Garth Ennis continua mestre em seus personagens casca-grossa, beirando o genérico (Fury, Justiçeiro, etc), mas abusa da violência com inteligência. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0



Grandes Astros Superman
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Grandes Astros Superman, Quadrinhos

GRANDES ASTROS SUPERMAN
Panini
[32 págs, R$3,90]

Com distribuição nacional, a série Grandes Astros (All Star) já está nas bancas, com Grandes Astros Superman e Grandes Astros Batman e Robin. A série tem como mote convidar grandes escritores para contar uma história dos personagens clássicos da DC sem estar ligado à cronologia oficial da editora. Muitos afirmam que a DC tenta fazer em Grandes Astros o que a Marvel fez com o universo Ultimate, recontando a origem dos personagens para um novo público. A dupla Grant Morrison e Frank Quitely (WE3) fez uma dos melhores títulos da série, misturando humor, ficção científica com ação e tudo o mais que você esperaria de um gibi do homem de aço. A cena que conta a origem do Superman é surpreendente, contada em apenas uma página. Há tempos que não lia algo tão bom do Morrison, beirando à perfeição. Pena o gibi ser caro (24 páginas por R$3,90) e a série nos EUA estar tão atrasada. Mas nada tira a perfeição que é essa história. [Paulo Floro]

NOTA: 10



Myspace do Grito!
Fevereiro 27, 2007, 7:46 am
Arquivado em: Matéria, Myspace
ESTÁ NO AR O MYSPACE DO GRITO!

A partir desta semana, O Grito! inaugura o seu endereço no MySpace. O endereço serve para divulgar o blog, além de aumentar o contato com os leitores e artistas. No nosso MySpace, temos links para várias matérias, resenhas e entrevistas que fizemos em três anos de postagens. Ainda temos vídeos e várias coisas legais que o MySpace proporciona. No blog do My Space, nós editores colocaremos as novidades que rolam no Grito!, além de bastidores das reportagens, como entrevistas e coberturas. Cogitamos algumas promoções legais pra nossos leitores num futuro próximo. Podem chegar no nosso espaço, é de todos.

Para acessar o Myspace do Grito! entre pelo endereço: myspace.com/ogritomedia



Entrevista Digitaria
Fevereiro 15, 2007, 7:24 am
Arquivado em: Digitaria, Entrevista, Floro, Música
ELECTRO COMO LE GUSTA
por Paulo Floro

De Belo Horizonte à Berlin, o Digitaria mostrou que é o mais promissor grupo de música eletrônica do país. Formado por Daniela Caldellas, Fabiano Fonseca, Nest and Danihell Albinati, a banda chamou a atenção do DJ e produtor Hell, que os levou para o seu famoso selo de electro, o Gigolo. Com um elogiado disco homônimo, a banda, depois de shows na Europa, vêm ao Recife para o festival REC BEAT, no dia 18 de Fevereiro.
Antes, o tecladista Daniel Albinati falou ao Grito por email sobre sua relação com o selo Gigolo, a emoção de tocar no Recife, a estadia em Berlin, John do Pato Fu como produtor e as bandas que mais gostam.

GIGOLO RECORDS
Temos um orgulho enorme de estar na Gigolo. Amamos o selo, fomos muito influenciados por artistas incriveis como Plastique de Reve e Vitalic. Na minha opiniao a Gigolo foi um dos selos mais importantes dos anos 2000, praticamente reinventou o electro e trouxe de volta as guitarras, os vocais e a atitude rocker para musica eletrônica, que andava tão blasé no final dos anos 90. Quando o Hell (DJ e produtor do electro) nos chamou para participar do cast do selo, ficamos felizes por estarmos lá entre artistas tão talentosos e por podermos levar um pedaço do Brasil para essa história. o Hell é um grande amigo, uma pessoa divertidíssima, muito talentoso e cuidadoso. Um grande amigo, antes de qualquer coisa.

REC BEAT CARNAVAL 2007
Sempre quisemos tocar em Recife, o que nem sempre é tao fácil, pois somos três pessoas, mais a equipe técnica, então sempre fica caro demais. Recife conseguiu a proeza de furar o eixo Rio-São paulo nos anos 90, se tornando uma das capitais mais importantes para a música brasileira, com artistas de inegável talento e muita organização. Sempre soubemos que aí tinha uma cena incrível, sempre foi um grande desejo pra gente estar em Recife. Quando recebemos o convite para o Rec Beat foi realmente demais – nem precisava de ser num festival deste tamanho pra ficarmos satisfeitos. Acho que vai ser o nosso maior público, e podem ter certeza de que vamos dar o maximo possível para que seja uma noite inesquecível.

TURNÊ PELA EUROPA
Acho que foi um dos momentos mais importantes da nossa vida, sem dúvida. Pegamos nosso dinheiro, alugamos um apartamento em Berlin por dois meses e nos mandamos. A Gigolo arrumou alguns shows memoráveis para a gente, fizemos muitos amigos, compramos equipamento e compusemos muita musica nova. Foi uma imersão total de cada um de nós dentro do Digitaria, vivíamos a banda e seus desdobramentos a cada minuto. E foi legal estar em Berlin, o centro da musica eletrônica na Europa – talvez mundial. Milhares de coisa para se fazer por dia. O mais legal é que fomos na época da copa do mundo, então havia um clima de comunhão muito grande em toda a cidade, muitos turistas, gente de todo o mundo. Pena que o Brasil fez tão feio.

BELO HORIZONTE
Belo Horizonte é uma cidade muito estranha, cheia de gente estranha, mas legal. Todo mundo aqui é meio louco e meio artista. A cidade é cercada de montanhas muito próximas, e nao é nem muito longe nem muito perto dos grandes centros do Brasil… Temos grandes artistas no nosso passado aqui, desde o Clube da Esquina ao Pato Fu, passando, claro, pelo Sepultura, que saiu de BH para se tornar uma das maiores bandas de metal do mundo. A música eletrônica ferve em BH, temos artistas ótimos como Menorah, Roger Moore… O que eu acho mais legal na música eletrônica feita em BH é que raramente você vê um artista de “techno” ou “house” ou “drum’n'bass”… Todo mundo mistura muita coisa, e no final tudo acaba se tornando mais aberto e mais indefinivel.

ÍDOLOS (PAIXÕES)
São muitos, sem dúvida. Todos nós amamos música, e temos muitas pessoas e bandas que nos influenciaram muito em nossa forma de pensar, sentir e compor. É claro que muitas vezes essas influências sao muito difíceis de ser percebidas… Acho que nosso som não se parece muito com nada específico, mas posso dizer, por exemplo, que o Leonard Cohen é uma pessoa que nos influência muito. E o Depeche Mode, Vitalic, Shamen, Altern8, Manic Street Preachers, Radiohead… Artistas que compõem com o coração, que quebram as regras, que vão um pouco mais longe do que o permitido. Para nós, qualquer música pode ser boa, independente do estilo. Basta ser feita com a alma, de forma honesta, que certamente uma hora ela tocará outros corações.

DIGITARIA (O DISCO)
Fazer um disco é como ter um filho. Nunca imaginamos que seria tão trabalhoso, tao complexo, e tao prazeroso. Foi um processo longo, que começou na composição das músicas, depois nos arranjos, gravações, finalizações, mixagem e bla bla bla… Temos nosso próprio estúdio, onde desenvolvemos nossas canções por noites a fio, depois gravamos tudo e levamos para finalizar no estúdio do Pato Fu. Temos um orgulho muito grande desse álbum. É um disco com começo, meio e fim, com músicas que achamos muito bonitas e que dizem muito sobre o que sentimos e o mundo da forma que enxergamos. Quando o disco estava pronto, mandamos para o hell e ele respondeu “it’s perfect”. O disco saiu então pela Gigolo e o resto é história.

JOHN (PATO FU)
O John é, antes de tudo, um grande amigo e uma pessoa que admiramos muito. O tipo de música que ele faz é obviamente radicalmente diferente do que fazemos, mas temos mais em comum do que a maioria das pessoas pensaria – ele é uma pessoa muito íntegra, que faz sua música com muito amor e carinho, tem uma consciência artística invejável e é um excelente músico e técnico. Sempre que precisamos de um conselho ou uma ajuda vamos atrás dele… Quando pensamos em ter alguém para dar uma finalizada no álbum, rapidinho nos lembramos dele. É um cara de bom senso, que entende dos processos artísticos e que respeita nossas idéias. Não poderia ter sido uma escolha melhor.

MÚSICA ELETRÔNICA NO BRASIL
Acho que tem tantos artistas bons no Brasil quanto fora do Brasil, e na música eletrônica quanto na música em geral. Não nos ligamos especificamente na música eletrônica ou na música brasileira… Mas, já que você perguntou, tem coisa muito boa rolando atualmente. Gostamos do CSS (que nem é tao eletrônico), Johann Heyss, Menorah, Gui Borato… Gostamos de artistas que colocam a música em primeiro plano, sem muita afetação, sem muitas caras e bocas, sem muitos truques de marketing, na Alemanha pudemos conferir de verdade o que faz sucesso lá fora: Bonde do Role, CSS, Edu K, Ana e David, Mau Mau… Sempre nos surpreendíamos com a quantidade de brasileiros que são conhecidos por lá. E que venham mais!

AO VIVO
É para isso que trabalhamos dia e noite no Digitaria: para os momentos ao vivo, onde podemos realmente nos divertir de uma forma sem precedentes. São os melhores momentos da nossa vida, sem duvida!


Mika | Life In A Cartoon Motion
Fevereiro 15, 2007, 7:24 am
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Mika, Música

MIKA
Life In A Cartoon Motion
[Universal, 2007]

Nunca sinta saudades de ninguém. Na Inglaterra sempre irão achar alguém para cobrir a lacuna. Se faltava alguém tocando piano e cantando em falsete, eis que temos Mika, este jovem londrino de 24 anos. Mika nasceu em Beirute, mas logo se fixou em Londres, depois de um período em Paris. Seu disco é um sucesso nas paradas britânicas, e lembra outro verão tão pintoso quanto este seu, quando o The Darkness fez um enorme sucesso. As plumas voltaram, a afetação também. Com muito balanço, seu disco é baseado no piano, assim como outro ícone da afetação, o Elton John. “Love Today”, Grace Kelly” e “Lollypop” são bons exemplos. Com uma grande máquina de marketing de sua gravadora, todos ouvem Mika, de cafeterias à loja de roupas. Apesar de ser engraçada, divertida, sua música não tem vigor, é algo factual. Mika parece com tantos (Jake Shears, Prince e Fred Mercury são outras comparações) que talvez é melhor sentir o gostinho do sucesso o quanto antes. No proximo, outros ventos trarão um novo Mika. [Paulo Floro]

Pra quem gosta de: Dançar arrumando o quarto, protetor solar e piscina, bichisses do Queen, Scissors Sisters e Prince, rádios FM.

NOTA:: 6,0



Deerhunter | Cryptograms
Fevereiro 15, 2007, 7:24 am
Arquivado em: Crítica-Música, Deerhunter, Floro, Música

DEERHUNTER
Cryptograms
[Kranky, 2007]

Um álbum cheio de obstáculos, este segundo disco do Deerhunter provoca o ouvinte a perceber a beleza nas inúmeras camadas (ou barreiras) de sons contida em cada música. Calmo ou perturbador, na escala dos extremos, este Cryptograms foi feito para ouvintes que gostam de desafio. A banda de Atlanta, nos Estados Unidos, lançou as licenças para se apreciar o som instrumental, cheio de guitarras, com forte tendência para o noise, bem como para o lounge. Resta saber se você está preparado. Pra ficar confuso, escute “Octet-Stream” ou “Hazel St”. [Paulo Floro]

Pra quem gosta de: Sonic Youth, Ambient, dormir no tapete e Brian Eno.

NOTA: 8,0



Cold War Kids | Robbers and Crowns
Fevereiro 15, 2007, 7:24 am
Arquivado em: Cold War Kids, Crítica-Música, Floro, Música

COLD WAR KIDS
Robbers and Crowns
[Downtown, 2006]

Cansado de ouvir falar de pequenos fenômenos que aparecem à toda hora na blogosfera e no MySpace? E quando esta banda parece uma mistura de White Stripes com Clap Your Hands Say Yeah? Ou seja, misturando soul com as raízes do rock americano. A banda californiana formada por Matt Aviero, Matt Maust, Jonnie Russel e Nathan Willett, ficou famosa pelo hit “Hang Me Up To Dry” e lançou este primeiro disco pela gravadora Downtown, a mesma de Art Brut e Gnarls Barkley. O disco é uma série de boas canções, pegajosas e cativantes, mas nada corajosas ou inovadoras. Um bom rock pro verão. Digam todos juntos: “yeahhhh” [Paulo Floro]

Pra quem gosta de: Jack White, barril de chope, rock vintage.

NOTA: 7,0