O Grito!


O Céu de Suely | Karim Aïnouz
Janeiro 29, 2007, 8:24 am
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Fernando, Karim Aïnouz, Rafaella
LIVRE, MAS NÃO FELIZ
O Céu de Suely termina com uma estrada vazia, sem tragédia nem happy end tudo com o direito a nota dez
por Fernando de Albuquerque e Rafaella Soares

Depois de dois anos se virando na cidade de São Paulo, ao lado do marido, ambos fugidos de um tórrido interior cearense, Hermila (sim, o nome da personagem é o mesmo da atriz), volta à sua cidade natal, Iguatu, com a felicidade e deslumbramento estampados no rosto e um filho pequeno debaixo do braço. A principio já se instala na frente das telas um clichê que faz o espectador retorcer-se na poltrona. Ledo engano. O Céu de Suely, filme de Karim Aïnouz, dá um salto qualitativo e surpreende sem pudor e nem desprendimento quem o assiste. O filme retrata de modo preciso e muito sutil, e sem discursos explicativos, a torta pós-modernidade brasileira.

Hermila é uma personagem dividida entre laços afetivos. De um lado ela tem Iguatu como raiz, e do outro o desejo de ganhar o mundo. Uma mulher entre suas fontes e um céu sem limites. Essa tensão permanente entre o local e o global está presente no próprio ambiente, em cada plano do filme, bem como em sua trilha sonora. As primeiras imagens e sons sugerem essa dialética: numa textura de filme doméstico, vemos Hermila correndo e dançando feliz num descampado, enquanto se ouve em off seu relato de amor incondicional ao marido Mateus. Como fundo a canção “Everything I Own”, do Bread, em versão brasileiríssima. Uma espécie de clipe bem brega. Iguatu então se converte nisso: numa vontade incontrolável de estar associado a um mundo globalizado, mesmo que pelas portas dos fundos. E Karim vincula o filme a uma galáxia de Gutemberg remodelada e que relembra a máxima de McLuhan: “para ser global, fale apenas da sua aldeia”.

Voltando ao institucional: a jovem Hermila, acompanhada do seu filho pequeno, retorna ao grau zero de sua saudade: espera a volta do marido. E isso nos é contado de um lugar sertanejo mostrado em nuances ricas e planos bem modelados. Os detalhes enriquecem o todo, como, por exemplo, o uso do céu, a decoração típica de um motel barato, ou mesmo a imagem de uma geladeira aberta. As perspectivas financeiras lançadas pela protagonista que existem na pirataria de música e filmes logo dão lugar a uma idéia bancada pela própria Hermila: rifar o próprio corpo, juntando o dinheiro necessário para uma fuga que lembra a de uma prisão. Ela faz por onde.

As atitudes da personagem Hermila são fortes e tem reflexo em todos os personagens, da tia sapatão às amigas da avó. Mas o caso mais interessante é o de João (interpretado pelo ator João Miguel, de Cinema, Aspirinas e Urubus) um amor antigo que tenta cuidar dela, entendê-la e conduzir a vida de Hermila a um cotidiano estafante e bem previsível.O Céu de Suely por várias vezes é impessoal, frio e distante. O espectador vê com poucas elucubrações, mas muita emoção, os acontecimentos na vida de Hermila. A história dela é curta e ganha tônus com a exposição de pequenos detalhes, com a preocupação com o colorido. Uma sábia escolha que prima por uma narrativa calcada nas miudezas da vida de uma mulher que tenta, desesperadamente, suprir os anseios de sua alma e ser feliz. Piegas, mas funcional.

Em Madame Satã, também de Aïnouz, a pressão social e mesmo racial estava estampada no corpo e na alma do protagonista. Com Suely essa tensão é o tema do deslocamento, do sonho de um lugar feliz, que se encarna no destino de Hermila. Da Lapa carioca dos anos 40 ao sertão cearense do século 21, do negro homossexual à sonhadora interiorana, os temas foram modificados, mas o cinema de Aïnouz continua sendo um jeito delicado, porém vigoroso, de dar a ver a interação entre o indivíduo e sua circunstância.
Curiosidade – O filme está bem longe do padrão Globo Filmes de cinema que, com raras exceções, vem embalando obras que parecem mais funcionais na tevê. O Céu de Suely surge como uma raridade no cenário, o que talvez explique a demora no seu lançamento nas salas pernambucanas. Ele chegou às telas cariocas e paulistas ainda em novembro, e só agora a província recifense decidiu abrigar a obra.

INQUIETO e INDIGESTO

O cenário árido do nordeste freqüentemente duela com histórias oníricas, lúdicas, a sugerir que o que temos de quente sobre as cabeças temos de poetas. Ao contrário de Cinema, Aspirinas e Urubus, que segue essa estética, ou do road movie-caba-da-peste-urbanóide Árido Movie, O Céu de Suely dá um certo nó na garganta, daqueles que só os personagens mais sofridos do cinema provocam. Hermila não passa fome, mas quase. Hermila não tem uma penca de filhos, mas tem um bebê. O pai da criança promete voltar de São Paulo e não dá mais notícias. Isso, somado à frustração de voltar pra cidade natal sem ter melhorado de vida e esperar ansiosamente a volta do marido, torna-a uma Macabéa moderna. Nem mais ingênua nem menos. Entre idas insistentes à rodoviária e momentos de tédio em que cheira acetona, Hermila percebe sua situação limítrofe, dentro de uma cidade onde as pessoas estão sempre de passagem e ela está permanecendo.

Seu abandono é tão sofrido que ela enxerga numa rifa de si mesma a solução para sair daquele lugar. Mesmo com o amor de João, ela parte nessa jornada de se tornar a primeira mulher da cidade que vende “uma noite no paraíso”. Suas maiores desventuras começam aí. A idéia de prostituição é encarada com certo conformismo de sua parte, ao passo que gera momentos de tensão na sua casa. A atriz que encarna Hermila, Hermila Guedes, dosa com muita habilidade a dor e a impulsividade da personagem, que arrisca tanto por achar que não tem nada a perder. O Céu de Suely é bonito por ser tão fiel aos elementos mundanos na narrativa. As cenas dela freqüentando uma boate de beira de estrada e dançando músicas tecno-bregas remetem bastante à Cidade Baixa.

O Céu de Suely não é indigesto apenas por ter cor, cheiro, diálogos diretos. Mas também por não é um filme asséptico. Oferece uma gama de sensações que acabam por criar empatia tamanha e fazer o espectador sair da sala desolado e solidarizado com essa mulher.

O CÉU DE SUELY
Karin Aïnouz
[Brasil, 2006]

NOTA :: 9,5



Fashion Rio Outono / Inverno 2007
Janeiro 29, 2007, 8:24 am
Arquivado em: Fashion Rio, Fernando, Matéria, Moda
MIX DE RETRÔ + FUTURISMO
Imaginário espacial e tecnológico foi uma das principais tendências da semana de moda carioca
por Fernando de Albuquerque

De Alcino Leite e Vivian Whiteman à Lílian Pacce quem acompanhou o que foi apresentado na última Fashion Rio ouviu um único comentário: o estilinho brasileiro está buscando referência nos anos 60 e 80. Puro clichê mantido como cultura hype nas principais rodinhas indies e descoladas do eixo Rio – São Paulo, e porque não de Recife também. Isso porque quem freqüenta shows de Moptop e Rdo sabe que é muito fácil achar alguém trajando bolinhas, cintão vermelho, cigarretes e meião enrolado no tornozelo. Tudo muito trivial.

Mas uma coisa é certa: as roupas encurtaram e nada de discrição. O corpo está mais amostra e com mais vibrações. Não houve imposição de tons. Pelo contrário, um mix completo sem deixar as cores da paleta de lado. Os ditames caíram por terra e em tempos de Hugo Chaves nada melhor que democratizar ao cúmulo. Alguns desfiles foram transmitidos na íntegra e outros tem arquivamento marcado no YouTube. A passagem de La Bündchen foi notada por uivos da platéia e o olhar atento de Sérgio Cabral, Governador do Estado. Koolture, Adpac, Renata Veras e Felipe Eiras desfilaram uma inspiração quase coletiva em Darth Vader e os soldados do império galático.

O Fashion Rio, porém seguiu as tendências européias que buscam uma Nova Aristocracia com ideais calcados no futuro de formas e tecnologias. E para confirmar essa tese, bastou ver os desfiles de Balenciaga e Chalayan na última temporada. O círculo editorial da Vogue intitulou esse conceito de novo futurismo em retro-futurismo. Tudo com referências no imaginário espacial e tecnológico do passado. Até o modelito do homem na lua virou hype da estação.

E tudo foi cópia dos modelos europeus. A Sommer foi o exemplo mais claro já que a grife, sempre marcada por um tom acinzentado e sóbrio, buscou referências em um museu de ícones espaciais do passado e da ficção científica. Huxley ficaria passado. O filme de George Lucas também serviu de inspiração à Virzi e a Walter Rodrigues. Este, aliás, associou o retro-futurismo a roupas étnicas, criando uma desinteressante miscigenação de formas. Nossos compatriotas sempre com uma visão “semana de 22” nas composições.

Se é para abordar o futuro, é certo que o elemento esportivo tende a ser uma das chaves da moda nos próximos anos. As tecnologias e formas das roupas feitas para esportes entram cada vez mais para o vocabulário, numa adaptação de “sport luxury”, nas coleções da Redley, Reserva e Mara Mac. Entre a linha esportiva, influências militares ressurgem fortes em mantôs e pelerines, que completam os uniformes das desbravadoras contemporâneas – estejam elas interessadas nas novas tecnologias terrenas ou nos segredos ocultos no espaço. Pode tirar sua calça militar do fundo do guarda-roupa!



Sandman – Fábulas e Reflexões
Janeiro 29, 2007, 8:24 am
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Neil Gaiman, Quadrinhos, Sandman
SANDMAN – FÁBULAS E REFLEXÕES
Neil Gaiman e Vários Desenhistas
[Conrad, 268 págs, R$66]

O principal mérito de Gaiman em seu aclamado Sandman não é apenas criar uma boa história e sim tornar convincente todo um universo criado por ele. Agora que já estamos no sexto livro da série do Senhor dos Sonhos, as histórias, tramas, personagens, conceitos, tudo, assume um espírito bastante familiar. Se aventurar pelas fábulas às vezes captura o leitor para o Sonhar e às vezes é difícil sair. Este novo volume é a uma compilação de contos e especiais lançados pelo selo Vertigo com o Sandman. Se destaca por explorar os eventos históricos mais que os outros livros. Gaiman mostrou neste volume que entende bem de Mitologia Pagã, Cristã, Idade Média e sobretudo de quadrinhos. As histórias não teriam o mesmo encanto se não fossem feitas neste formato. Com isso, o autor inglês, ao mesmo tempo em que explora com maestria e poética as diversas fábulas mitólogicas, cria a sua própria mitologia moderna. Neste livro, vemos também um pouco mais da história pessoal de Morpheus, em episódios ao lado do filho Orpheus e da mulher Calíope. Mas os destaques são mesmo os personagens históricos como Marco Polo, Robespierre, entre outros. E se o clássico inconteste de Neil Gaiman é indiscutível, a edição da Conrad é um luxo, qualidade impecável, do papel ao acabamento, passando pela apresentação e tradução. [Paulo Floro]

NOTA :: 10


Entrevista The Playboys
Janeiro 22, 2007, 10:11 am
Arquivado em: Entrevista, Música, Rafaella, The Playboys


Abusado: Chico Buarque já nasceu velho.

HERÓI DE BRINQUEDO
por Rafaella Soares

A idéia é boa. Uma banda que debocha sem concessões dos maiores clichês da cidade – que vão desde os personagens típicos dos barzinhos da moda até eles mesmos. Na terra do Manguebeat, onde tudo é sacralizado, assumir uma atitude dessas é pisar, sem percatas de couro, em campo minado. Mas em se tratando do The Playboys, parece que eles sabem o que estão fazendo.
Esses meninos-balzaquianos, a bem da verdade, são kamikazes na cena musical recifense e arrebanharam uma legião de fãs fazendo pouco dos pseudo-culturais, punks de butique, surfistas mediocres. Levando alegria à um sanatório (referência acidental ao Velvet Underground?). Forjando a participação em festivais ( caso do Abril pro Rock 2005).
Auto-intitulada a banda mais cheirosa de Recife, formada nos altos prédios de classe média, já estão completando 10 anos de carreira. Mesmo com o nariz torcido de muitos, o grupo segue provocando e fazendo história no udigrudi. Se bem que até esse termo é pretensioso demais pra uma banda tão non sense!
O tecladista ZGR em entrevista ao Grito! contou um pouco sobre as novidades da banda.

Em pouco mais de uma semana, os Playboys fizeram shows no UK Pub e no Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano (Tamarineira),no último mês de dezembro. O que vocês mudam na performance se apresentando em lugares tão diferentes?
É como já dizia o bom e velho apóstolo Lucas no seu evangelho, o bom filho à casa torna e estamos voltando a tocar nesses dois lugares requintados a pedidos do público que já é fiel, fervoroso e sabe todas as letras decoradas. Sempre há uma novidade nos shows, independente de onde ele seja, mas quando são nesses lugares inusitados, sempre aprontamos uma a mais, e outra, quem faz o espetáculo é a galera que está vendo o show.

O lançamento do single Paulo André não me ouve resultou uma repercussão bem maior do trabalho de vocês, que chegaram a tocar até em um grande festival (Recbeat). A banda ganhou mais espaço e atingiu mais pessoas depois disso?
Pois é, até agora todo mundo escutou a gente, menos Paulo André. Nosso site já saiu do ar por algumas horas, tamanha demanda de gente baixando o single Paulo André Não Me Ouve. E tem novidade…. a banda The Playboys lançou no mês de dezembro o videoclipe desta música e no embalo comprou até um aparelhinho pra ver se ele escutava desta vez. Vamos ver se rola nem que seja uma parceria. Nós chegamos em um ponto que estamos saindo em mais revistas, zines, programas de Tv e sites de fora de Recife do que em nossa própria cidade.

Existe algum personagem ou estereótipo da cena cultural de Recife que ainda não recebeu homenagem de The Playboys?
Não sei o que paira pela cabeça dos outros playboys, mas os jornalistas locais, sim, esta classe intelectual e banal um dia vai ter o troco que merece… mas não vamos perder tempo com isso. Vamos falar do nosso último contemplado, ok? Chico Buarque é o nome do rapaz, ele está no mesmo patamar que nós da The Playboys, somos todos da classe artística, só que tem um detalhe, ele já era velho antes mesmo de nascer.


Nosso cachê é absurdo, mas toca a gente, ok?

Os playboys ainda pedem mesada ou conseguem se manter com shows?
O nosso cachê é algo surreal para a realidade brasileira, sem falar das nossas exigências no camarim. Temos que nos contentar com alguns trocados graúdos que nos oferecem já que a economia brasileira não passa por uma boa fase. Aconselho até quem tiver oportunidade de investir nas ações da Google, não pensar duas vezes. Só neste fim de semana, comprei um iate e um jetski pro meu laguinho particular e ainda fiz a feirinha básica do mês que envolve além da comida lá de casa, bebidas, presentinhos (só eletrônicos ) de natal pros amigos e familiares.

E sobre a caixa de comemoração de 10 anos da banda?
Será uma caixa de pandora!

Pra terminar: o lendário Palco 3 do Abril pro Rock, foi uma loucura saudável ou uma estratégia furada?
Como diria nosso colega Carlos da Brainstorm9 [www.brainstorm9.com.br] foi uma “tática de guerrilha”. A gente conseguiu um destaque incalculável, pois além dos três shows que fizemos em uma única noite, dois deles com Wander (Wildner), estávamos ali cara a cara com a galera no nosso stand e trocando figurinhas com quem passava. Impagável.

Para mais informação
Site oficial do The Playboys: http://www.theplayboys.com.br/
Site do Z.G.R.: http://www.zgr.cjb.net/



Entrevista Fábio Zimbres
Janeiro 22, 2007, 10:11 am
Arquivado em: Entrevista, Fábio Zimbres, Quadrinhos, Wagner


Ilustração para a Revista Complot (México)

TONTO NADA.
por Wagner Beethoven

O Grito fez uma entrevista rápida com o quadrinhista Fábio Zimbres. Dono de um estilo peculiar e surreal, Zimbres passou dos fanzines underground para tiras na Folha de São Paulo. Foi também colaborador da revista Animal, uma das melhores publicações de quadrinhos que o Brasil já experimentou.

Em 1997, Zimbres, junto com outros artistas criaram a Tonto, em Porto Alegre, uma editora independente que começou editando uma pequena coleção de livrinhos chamada de miniTonto. A idéia, que pretende auxiliar outras produções independentes pelo país afora é louvável, sobretudo no ótimo momento que vive o mercado. Além de Zimbres, artistas como Allan Sieber fazem parte da Tonto, que vende seu catálogo pelo site.

Neste bate-papo, Zimbres da editora Tonto e sua visão do mercado de hq´s.

Onde e por que nasceu a necessidade de fazer quadrinhos?
Difícil dizer. Gosto de quadrinhos desde criança e foi natural que eu acabasse trabalhando com isso mais tarde. Escrevo, desenho e edito revistas desde os 10 anos de idade.

Por que você decidiu criar uma editora e não tentar ingressar no mercado já existente?
O caso é que eu já editei e fiz colaborações para muitos tipos diferentes de veículos: desde revistas de distribuição nacional, como Animal ou Chiclete com Banana, até fanzines e revistas independentes, como Dundum e outras. A editora surgiu numa época em que pouca coisa estava sendo publicada e a coleção era uma maneira de mostrar o trabalho que estávamos fazendo e não se via porque não havia revistas.

De onde vem a inspiração para as histórias, o roteiro tem algum reflexo da sua vida?
Sempre tem algum reflexo e é difícil saber onde acaba um e termina o outro. Sempre surgem de meus interesses.

Falando de dinheiro. Dá para viver de quadrinhos independentes?
Eu não vivo, acho que ninguém vive disso no Brasil. É preciso publicar em vários lugares e fazer uma série de coisas diferentes, como ilustração, design etc.

Qual a dificuldade em publicar quadrinhos no Brasil?
Acho que não é muito difícil, há várias editoras e é cada vez mais fácil fazer auto-edição. O que aínda não foi muito bem resolvido é a distribuição e as maneiras de se vender nossos trabalhos.

Você acha que o mercado de história em quadrinhos no Brasil está passado bom um bom momento, como vêm sendo dito?
Suponho que sim, há uma grande atividade que é visível. Está melhor do que quando começamos a Tonto. Não vejo uma grande qualidade nem ninguém vivendo disso mas está melhor. Só espero que não suma de repente como no começo dos anos 90.

Qual personagem você mataria se pudesse?
Não me ligo muito em personagens e acho que a violência não leva a nada. Até o Garfield tem direito a vida.

Que mensagem você daria para um novo leitor da Tonto?
Seja fiel a si mesmo e não tenha medo. Não damos garantia nenhuma e nem devolvemos o dinheiro. Arte é assim.

Acesse
Editora Tonto: www.tonto.com.br
Site de Fábio Zimbres: www.fzimbres.com.br



Crise Infinita 1
Janeiro 22, 2007, 10:11 am
Arquivado em: Crise Infinita, Critica-Quadrinhos, Floro, Quadrinhos
CRISE INFINITA 1 Geoff Johns e Phil Jimenez
Panini
[40 págs, R$ 5,50]

A DC Comics está sempre criando crises que objetivam organizar o seu confuso universo. Mas um dos feitos mais importantes nunca é cumprido, que é agregar novos leitores. Um exemplo claro está nesta primeira edição de Crise Infinita, da Panini. Quem não acompanhou as sete edições da mini-série Contagem Regressiva Para Crise Infinita não vai entender nadinha nesta edição. Crise Infinita terá 7 edições, mas parece que a DC precisou de outras 6 mini-séries de 6 edições cada para explicar a trama toda. Um gibi feito para iniciados, fanboys, experts em cronologia de DC e aficcionados. A história liga vários pontos soltos, que vinham sendo explorados em outros títulos DC e na já citada Contagem.

Um dos principais pontos é a crise que se abateu sobre a trindade Superman, Batman e Mulher-Maravilha, escrita de maneira primorosa neste primeiro número. Diferente de outras sagas que reestruturaram seu universo, a Crise Infinita é um somatório de eventos que vinham se desenrolando há tempos. Os principais foram a mini Crise de Identidade a saga Crise de Consciência, publicada na revista Liga da Justiça. Portanto, não espere cataclismas a cada virada de página, como ocorreu na saudosa Crise nas Infinitas Terras, que os autores prestam homenagem nesta Crise Infinita.

Esta fragmentação tira um pouco o brilho da série, que se torna confusa e por vezes, monótona para quem não acompanha os títulos DC por pelo menos um ano. O ponto positivo é que Geoff Johns sabe contar uma boa história, com ótimos diálogos, sobretudo na discussão de Batman, Superman e Mulher-Maravilha, e ao lado da arte de Phil Jimenez consegue criar uma boa narrativa, apesar de que, algo realmente notório só ocorra nas duas últimas páginas. A edição da Panini ficou excelente, incluindo as alterações que ocorreram no encadernado americano e duas capas, uma de Jim Lee e outra de George Perez. [Paulo Floro]

NOTA:: 4,5



Gwen Stefani | The Sweet Scape
Janeiro 16, 2007, 11:01 am
Arquivado em: Crítica-Música, Fernando, Gwen Stefani, Música

LOIRISIMO DE CARTERINHA
Gwen Stefani é nota 10 com novo CD solo e ensaia volta ao NoT Doubt.
Por Fernando de Albuquerque

A primeira coisa que vem à mente quando se pensa em Gwen Stefani é sua loirice e performance de palco. Seu visual é marca registrada, alçada à categoria de ícone. Os cabelos loiros claríssimos e a boca carnuda, sempre com berrante batom vermelho, remetem aos ícones do cinema noir das décadas de 1940 e 1950. E além das peculiaridades físicas, ela é conhecida pelo ecletismo musical e pelas constantes inovações que imprime no panorama do rock norte-americano. Seja sozinha, seja acompanhada do grupo, o No Doubt, que nesta última produção do The Sweet Escape se torna uma mera sombra quase negativa.

Esse álbum é seu segundo disco solo, lançado no início deste ano. E ele não poderia mostrar uma Gwen diferente: a loira mostra uma sonoridade pop com aspecto estranho à primeira audição, mas que confirma o grande talento da artista. Ela se joga nas preferências do mercado e se une à black music e ao hip hop, gêneros que são a sensação das paradas de sucesso ianques há um bom tempo. Para tanto ela se uniu ao The Neptunes, responsáveis por sucessos de produção como a faixa “I’m a slave for you”, de Britney Spears, e “Like I love you”, de Justin Timberlake. Pharell Williams, integrante do duo, contou com a participação de Gwen no primeiro álbum solo. Agora, os dois repetem a parceria na faixa “Yummy”. Entre os que deram contribuição à obra, ainda estão Tim Rice-Oxley, da tão tristinha e ainda pertencente a Coll britania, banda inglesa Keane, e Akon (da Lonely), na faixa que dá nome ao disco.

Os ritmos mudaram em relação os da sua primeira composição solo. O álbum anterior foi dedicado ao dance, um dance despretensioso e até leve. Já Escape tem uma verve mais moderna e que prima pela mistura como base da composição sonora. Isso pode ser um claro reflexo de que ter um filho também foi decisivo para Stefani. Ela se considera mais divertida e profunda após o nascimento de Kingston, o filho com o vocalista do Bush, Gavin Rossdale; pelo menos é o que os tablóides estrangeiros decentes contam. Mas uma coisa fica no ar por, após esse disco, todos os caminhos a levam de volta à banda de origem.

FUTURISTA

GWEN STEFANI
The Sweet Scape
[EMI, 2006]

Experimentar diferentes estilos não é novidade nenhuma para essa californiana de 37 anos. Como vocalista do No Doubt, brincou em Tragic kingdom, misturou reggae e dub em Rock steady e finalmente assumiu o pop como estilo quando alçou um vôo solo e paralelo ao grupo. Em Love, Angel, Music, Baby, Stefani pegou o Japão como inspiração e juntou-se a quatro dançarinas nipônicas em suas incursões no palco. As letras eram recheadas de referências à terra do sol nascente e também às chamadas “harajuku girls”, garotas japonesas que chamam atenção por seu figurino exótico, em estilo sensual e cibernético.

Mas, agora, ela mudou de diva e encarna uma Julie Andrews atualizada em versão futurista de A noviça rebelde. No clipe de “Wind it up”, o primeiro single do novo disco, que pode ser encontrado dando uma boa busca do You Tube, ela aparece tocando violão e dançando com uma moderna e estranha família Von Trapp, loira como ela e vestida com roupas feitas a partir de cortinas. Na faixa, ela ainda aproveita The lonely goatherd, uma das canções do filme, como sample.

Além de The Sweet Escape, Gwen lançou neste mês, nos EUA, o DVD da turnê Harajuku lovers live, com os sucessos de seu primeiro álbum solo. O DVD estará nas lojas do Brasil na próxima semana. Gravado em Anaheim, na Califórnia, o show tem em seu repertório canções como “What you waiting for”, “Rich girl” e também “Wind it up” e “Orange County girl”, de seu novo álbum, quando ainda eram inéditas. Stefani inicia a turnê em abril de 2007, nos EUA, e por enquanto não tem previsão de visitar outros países. Desistam fãs!

NOTA:: 10



Batman Ano Cem 1
Janeiro 16, 2007, 11:01 am
Arquivado em: Batman Ano Cem, Critica-Quadrinhos, Floro, Paul Pope, Quadrinhos

O CAÓTICO E OUSADO BATMAN DE PAUL POPE
O Jim Morrison dos quadrinhos inventa o Batman cem anos no futuro para falar de opressão, tecnologia e violência.
por Paulo Floro

Prometido para dezembro de 2006, mas só agora lançado, Batman Ano 100, do norte-americano Paul Pope é a mais ousada obra dos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas. Em 2039, Gotham City é dominada por uma polícia sanguinária e a vigilância é tamanha. Não há heróis. Neste universo, Batman tenta desvendar uma trama terrorista que pretende destruir a cidade, vindo da própria polícia. Vendida como uma das mais importantes histórias do Homem-Morcego, Batman Ano 100 está longe de ser um Cavaleiro das Trevas de Miller, mas se destaca em quase tudo que foi lançado com o Batman recentemente.

Escrita e desenhada por Paul Pope, a série sofreu um enorme hype quando foi lançada nos Estados Unidos no meio do ano passado. Pope ja tinha feito outros trabalhos, mas nenhum tão grandioso quanto essas 200 páginas de Ano 100. Com isto, este autor de 35 anos, atinge o mainstrain dos quadrinhos ianques, após romper a barreira que separa os artistas cult dos desconhecidos. Com sua série THB (também com uma roupagem cyberpunk), adquiriu fãs no underground, mas acabou ganhando prêmios Eisner e o carinho (talvez até demasiado) da crítica. Após Batman Ano Cem, pode ter entrado no hall dos grandes autores de quadrinhos. Nascido na Filadélfia em 1972, era um nerd inveterado, jogador de Dungeons e Dragons e um insone desenhista. Quem olha pra ele pensa se tratar de um vocalista de alguma banda de rock inglesa, mas talvez não tenha sido isso que o fez receber a alcunha de “Jim Morrison dos quadrinhos”. Jovem, Pope já produziu obras que o aproximam de seus maiores ídolos. Com um estilo que mistura mangás e quadrinhos europeus, sabe bem utilizar de suas referências para criar obras caóticas que tratam de perda das individualidades, terror psicológico e violência. Seu 100%, feito para o selo Vertigo da DC Comics, já foi até lançado por aqui pela Opera Graphica e mostra um futuro de danças esquisitas e gangues, tudo numa narrativa brilhante. Seus outros trabalhos permanecem inéditos, com exceção, além dos já citados, uma história incluída no encadernado Batman Preto e Branco. Os anos que passou trabalhando para a Kodansha, uma das maiores editoras de mangás do mundo, ajudaram a formar seu estilo, que ainda mescla influências de outros autores como Alex Toth, Hergé, Daniel Torres, Bruno Premiani, Jack Kirby e Silvio Cadelo. No momento, Pope planeja passar o resto de sua carreira trabalhando em um projeto para sua série THB, com mais de 2 mil páginas, mostrando Marte, no futuro, onde humanos e máquinas mutantes convivem. No seu loft em Nova York (pra onde se mudou em 1998), Pope, recebe amigos e jornalistas, sempre de madrugada, onde volta e meia dá uma parada para ir à um café. Na frança ele é conhecido como Jim Morrison das hq’s, ou ainda o Pequeno Príncipe, nos Estados Unidos, de Comics Destroyer. Para Pope, tudo isso faz parte de ser um astro dos comics, apesar de um pouco inesperado.

Morcegão Transtornado
Mas entrar no mundo milionário do Batman o jogou com força no primeiro time de criadores. Seu trabalho, no entanto mostra uma visão do Batman ousada e criativa, que mescla referências do cinema dos anos 1940, artes plásticas e política. Sempre com máscara, o Batman de Pope sangra, se cansa, come, sua, dorme. Seu uniforme lembra muito o uniforme do início dos anos 1930, quando o herói foi criado. Um herói retrô num mundo futurista. A sociedade opressora imaginada por Pope é mais perversa e perigosa do que a de Frank Miller em Batman – O Cavaleiro das Trevas (1984), além do Homem-Morcego ser bem mais ameaçador aqui neste Ano 100. Pope tenta mostrar uma outra face do mito, um Batman que dispensando tantos aparatos tecnológicos, se tornou um monstro, quase um animal. Quando está de uniforme, quase não temos diálogos do personagem, é praticamente um animal. Sua fisionomia também muda, às vezes colocando dentaduras afiadas para ficar ainda mais assustador. Na sua visão, este é o Batman que representa o fim das esperanças, o esgotamento da justiça, representado com força pelos super-heróis DC. A américa de 2039 é opressora e violenta, bem distante da terra da esperança da América atual. Como toda obra de Pope, o futuro é uma versão distópica do cenário mundial atual. Sobretudo para criticar a perda das individualidades, da tecnologia como início e fim, e da opressão do Estado. “Este meu Batman é uma resposta aflita aos medos que muitas pessoas têm em relação a eventos mundiais. Ele é um super-herói em estado de sítio.”, afirmou Pope. Como alguém que vê um futuro muito sombrio para a sociedade, Pope descarregou suas ansiedades nesta sua obra, que se não é sua obra-prima é um grande alento de criatividade na indústria das comics americanas.

A edição da Panini é econômica e prática, em papel pisa brite que fez diminuir o preço. Cada edição compila duas edições da série original. A editora também fez um ótimo acabamento com os extras, que remete à outro ponto importante do trabalho de Pope neste Batman: Ano 100, que são as referências ao Batman de Bob Kane e o de Frank Miller. Neste primeiro número temos notícias no que parece ser um jornal, mostrando fatos importantes da trama, exatamente como Miller fez com os noticiários televisivos em Cavaleiro das Trevas. De Bob Kane, Pope se inspirou no uniforme, que mescla mais tecido do que borracha, o que torna o personagem mais assustador. Na verdade o Batman dos anos 1930-40 era bem mais assustador dos que os anos seguintes consolidaram. Este espírito foi resgatado por Pope nesta série das trevas.

BATMAN ANO 100 Paul Pope
[Mini-Série em 2 edições, Panini, R$6,90]

NOTA:: 9,0

Mais informações sobre Paul Pope: site oficial e blog



Amps For Chists | Every Eleven Seconds
Janeiro 16, 2007, 11:01 am
Arquivado em: Amps For Chists, Crítica-Música, Música, Wagner

TODOS OS PASSOS DE UMA VEZ
Bem, pode ser difícil, mas chegou a hora de conhecer o Amps For Christ
por Wagner Beethoven

AMPS FOR CHRIST Every Eleven Seconds
[5 Rue Christine, 2006]

Um mistura de vários gêneros musicas, do mais popular ao mais obscuro, eles misturam o hardcore e o barulho ao tradicional folk, suas letras tratam desde grandes guerras, até a corrida desenfreada do mundo capitalista, passando por paz, amor e a misericórdia de deus.

Amps for Christ nasceu em 1996 da necessidade de Henry Barnes junto com Enid Snarb de juntar o noise experimental, o death metal, com o seu amor ao folk, às composições clássicas e o jazz. Além destes dois integrantes a banda conta com a participação de Tara Tikki Tavi em instrumentos chineses e vocais e Charlie White com poesia.

A discografia do Amps for Christ não é pequena. Este trabalho não é diferente dos anterioes, o experimentalismo inesperado e a noção de coesão estão presentes, não é nada impossível de gostar. Every Eleven Seconds é uma trilha para o mundo pós-apocalíptico, uma obra do mundo moderno que não teve seu devido valor reconhecido.

O disco é quase todo instrumental, “Augmented-Domented” é um conjunto barulhinho sem nexo aparentemente, mas logo em seguida o country penetra na doentia percepção musical com “Cock O’the North”. As guitarras se notam mais marcantes na terceira faixa, intitulada “Out On The Moon (Slight Return)”, e ainda mais forte em “Violated”, uma mistura de grunhidos, perseguição e atropelo de situações, junto com “I Hate This Dumpster” são as faixas mais pesadas do trabalho.

O destaque vai para umas das mais divertidas faixa do disco, “El Corazn De San Vicente” que é uma linda melodia que consegue amolecer qualquer durão, onde o campo e o bucolismo são regras. “Shiploaf” é cantada, estranhamente falada, não parece ser tão estranho quando logo mais se escuta a eletônica “Scotland The Brave”.

O disco termina com “Proof Man” e sua cítara. Bonita, delicada e muita detalhada em todas as suas nuancias sonoras. Amps for Christ é um mistério, consegue ir mais além do que o jovem Beirut e tem mais experiência. Trazendo um trabalho bem feito e digno de ser clássico

NOTA :: 9,0



Madonna | Confessions on a Dance Floor
Janeiro 16, 2007, 11:01 am
Arquivado em: Crítica-Música, Madonna, Wagner

SUPER FANTÁSTICO
Sempre afiada, Madonna mostrou em 2006 que é invencível.
por Wagner Beethoven

MADONNA | Confessions on a Dance Floor
[WEA, 2006]

Ela que por várias vezes antecedeu tendências e conquistou o mundo por diversas vezes, ela que não sabe fazer nada feio, sempre com o produtor certo e a posição da Yoga correta, ela que choca qualquer mortal com o menor gesto ou atitude. Madonna nunca caiu de seu pódio e 2006 prova isso. Sua carreira conseguiu se consolidar em Erotica (1992) que fez dela uma imortal na música, mas com Ray Og Light (1998) ela fixou a sua sonoridade, do pop pop para o pop eletronico usando de qualquer elemento que ela queira desejar. Ela é Madonna, ela pode tudo. William Orbit fez milagre e novamente Madonna Louise Veronica Ciccone estava bombando nas pistas de dança. Sua música é sexo, provocação e um refrão correto. Mas American Life foi a desilusão na carreira da cantora, afinal Bush de tanto ser falado enjoou fácil fácil.

Seu 10º álbum de carreira, Confessions On A Dance Floor agrega os anos 70 no trabalho da artista, é uma coisa tão fantastisca que as músicas de tão dançantes se parecem remixes vindos de um disco do Normam Cook quando ele esta tocando o seu set ao vivo na praia de Ibiza com o Fatboy Slim. Mas pode dizer o disco se resume a house-funk dos vanguardas do Daft Punk. Tudo muito classe.

Confessions On A Dance Floor é um disco para ser tocando na pista de dança, super bem produzido, todos os detalhes minuncioçamente pensados. Com o sample de “Gimme Gimme Gimme” do Abba, “Hung Up” é um caso à parte, uma coisa única, posso dizer que será o single de Madonna que marcará sua carreira de agora em diante, sua melodia, seu apelo pop é uma coisa nunca vista em qualquer outra música já produzidas no mundo pop de hoje. Ele toca em qualquer lugar do mundo, seja no açogue ou na night, “Hung Up” é mais uma torre do grande castelo do Império da Rainha do Pop.

“Sorry” não tão genial, mas nada fraca é uma electro bom de dança e fácil de cantar, ou seja, mais uma hino para a carreira dela. Depois de ser mãe de dois filhos do marido Guy Ritchie, ela soube reconhecer a ajuda que a Big Apple deu no inicio, quando NY acolheu a cantora de Detroit e com isso fez o tema de “I Love New York”. Ela tem uma mansão na Inglaterra com o maridão, mas sempre é bom rememorar, huh?

O disco tem uma ar de saudosista, pode-se ver claramente antigas canções neste trabalho, “Like A Prayer”, “Frozen”, “Nobody’s Perfect/ I Guess I Deserve It” mas isso não diminui a obra da artista, que conseguiu se reinventar, não chaga a ser um David Bowie, mas é única Rainha do Pop e esta longe de perder o posto.

NOTA :: 8,0