Como no ano passado, enviamos emails para vários jornalistas e pessoas que admiramos e foi com eles que o staff do Grito elaborou a lista de Melhores do Ano. Agradeçemos e publicamos as listas dessas pessoas. Após isso, o Grito! entra em férias pra recarregar as baterias e volta na metade de janeiro.
DISCOS DO ANO
20- WOLF EYES – Human Animal
A trilha sonora perfeita do diretor David Lynch, cheia de efeitos e incrivelmente inaudível; a obra máxima do experimentalismo. Pode ser dita como trilha da viagem sem volta ao inferno, trilha essa que vai continuar soando na sua mente como nenhuma outra conseguiu ficar. Human Animal conseguiu ser mais pesado do que Sex Pistols e bem mais complexa do que uma obra de Wayne Coyne.
O que foi dito no GRITO [05 de Dezembro] :
(…) Uma trilha sonora da agonia e muita genialidade. (…) As sonoridades se misturam em “Human Animal” e fica impossível escutá-la em volume máximo, é de doer os tímpanos, nunca vi nada igual. Leia mais

É bem complicado uma banda que conquistou todo um publico super critico feito o Sonic Youth, lançar um álbum como esse. Incialmente uma banda experimental, Rather Ripped traz um SY mais harmônico, mais limpo, sóbrio e a voz de Kim Gordon e Thurston Moore encontram-se incrivelmente belas, uma das melhores obras dos 20 anos da banda.
O que foi dito no GRITO [8 de Setembro] :
Este é o disco mais direto do Sonic Youth. (…) Um dos maiores problemas destes nova-iorquinos é justamente se ver atacado pelo seu próprio brilhantismo. Quando decidiu não salvar o rock, o Sonic Youth fez um disco legal. Leia mais

Uma das grandes descobertas da Suécia, Sarah Assbring é uma delicada artista não muito afeita ao showbiz. Com emoção e alma, Sarah neste seu projeto El Perro Del Mar, destila suas tristezas ao mesmo tempo que tenta entender a si mesma. O seu disco é uma biografia e uma revisão de sua vida. Com sinceridade, com um vocal gélido e assoprado, com delicadeza, Sarah nos leva para uma viagem amarga ao redor dela mesma. E se sente melhor.
O que foi dito no GRITO [17 de Setembro]:
(…) uma bem feita orquestra indie, com coral, guitarras, piano e orgão, além da triste e profunda voz de Assbring, El Perro del Mar é difícil em toda sua poeticidade, delicadeza. Leia mais

O gênio teen da música, Zach Condon faz do Beirut um circo de referências, no bom sentido. O multi-instrumentista abusa de tudo que possa parecer chato e cafona fazendo uma música extremente tocante e pop ao mesmo tempo. O projeto deste susessor de Beck é uma lamúria tamanha que chega a ser inédita pelas texturas. Se fosse aqui no Brasil, Los Hermanos ia ser fichinha para este rapaz, mas é como é no exterior, escutar os irmãos Loser parece ser genial.
O que foi dito no GRITO [5 de Dezembro]:
É como se estivéssemos nos Balcãs, gerando em cima de uma mesa cheia de narguee-las. Multi-instrumentista, tem apenas 19 anos e já é considerado um gênio dos independentes, como Beck o fora no início dos anos 1990. A diferença esta na ousadia de referências. (…) Leis mais

Pare o que estiver fazendo para escutar o Capture/ Release destes ingleses que é a melhor criação do novo rock atual. O Rakes são rápidos e bastante objetivos, Capture/Release é curto e uma mina de hinos indies. As guitarras pegajosas e os falsetes estão presentes em toda a obra, cada faixa é um potencial sucesso das pistas de festas ao redor do mundo. Palavra certa: imperdivel.
O que foi dito no GRITO [19 de Setembro]:
Em 35 minutos quem terá tempo para refletir sobre os rumos do atual rock? Sobre a relevância do hype da música pop inglesa? Estes são os The Rakes, e você foi pego de assalto. 11 músicas para embalar noites hedonistas de pós-adolescentes mal resolvidos. Leia mais

Jack White mostra que é um midas do rock. Mas claro que este Raconteurs não diz respeito só a ele. Brendan Benson serviu de apoio e também como o oposto perfeito para se criar esta obra punjente que revolve as raízes do rock. Apressadamente comparados ao Nirvana, o disco é uma grande obra que mostra a diversidade deste 2006. Sem muita excentricidades (antes, a principal especialidade de White), é apenas um ótimo disco.
O que foi dito no GRITO [9 de Agosto]:
(…) Raconteurs e seu disco, o Broken Boy Soldiers é enxuto em suas pretensões; dispensa a bunda-molice de (muitos) discos do Brendan Benson e algumas músicas cansativas do White Stripes. Além disso, agrega um blues-rock vigoroso que não é trazido de nenhum dos grupos.(…) Leia mais

Um mundo retrô, vintage, esse do Fratellis. Um grupo para abocanhar as pistas de dança. Nem new-rave, nem old-rock, mas uma banda hedonista, reta, a tratar de temas como foras da namorada com o básico das guitarras e baterias já conhecidas. Com tão pouco o Fratellis têm o incrível dom de apaixonar quem ouve. Espetacular.

Kate Jackson é o início e fim do Long Blondes. Assim como Debby Harry e Siouxsie Six, encarna o máximo do carisma e assim leva sua banda à um nível de culto sem precedentes. O Long Blondes traz uma natureza pós-punk delicioso, mas já aponta para um novo caminho para o rock (ou o novo-rock, como preferir). Isto se deve ao fato da banda mostrar um vigor criativo impressionante e a voz marcante de Kate Jackson. Sempre ela.
O que foi dito no GRITO [21 de novembro]:
(…) tem as cabeças voltadas para a era glam do rock, como New York Dolls, Blondie, Slade, além de Buzzcocks e Ramones. O Long Blondes pegou o mundo desprevenido. Seu disco é pensado para divertir do início ao fim, leva esta retomada da new-wave ao seu patamar mais criativo e original até agora. (…). Leia mais

Ninguém ligava para o Camera Obscura, tida como um decalque do Belle & Sebastian e fadada ao esquecimento ou ao culto de poucos fanáticos. Mas Let´s Get Out Of This Country fez a banda encontrar o devido reconhecimento. O disco é irrepreensível, com belas baladas, hits grudentos, dançantes e aquele clima intimista pra servir de trilha sonora para bons e péssimos momentos.
O que foi dito no GRITO [24 de Julho]:
(…)Let´s Out… É um disco que recupera um glamour perdido, tenta criar uma atmosfera de ilusões perdidas, como um filme dos anos 30, a começar pela capa do disco.(…). Leia mais.

Assim como o Arctic Monkeys, o Gnarls Barkley também quebrou barreiras esse ano. O seu hit “Crazy” foi o primeiro lugar das paradas apenas com downloads vendidos. O mundo do qual faz parte bandas como o GB, o Hot Chip, o CSS, não vê distinção de públicos. Pena que uma parte das pessoas desinteressantes estejam até agora tentando descobrir o estilo do grupo, quando poderia estar se divertindo como nunca. Bem vindos ao futuro.
O que foi dito no GRITO [9 de Agosto]:
(…) St Elsewhere é o encontro de todos os afluentes de referências pop, que vai do rap ao electro. (…) é o registro mais moderno da música hoje e aponta novos rumos para o pop ao mesmo tempo em que coloca tudo numa encruzilhada, “e agora, para onde?” Leia mais

Com este disco, a antes pequena e adorada banda indie Decemberists, conseguiu seu lugar como uma grande banda de rock a influenciar jovens no futuro. Com uma verve teatral, criaram um disco conceitual, mas nunca abriram mão do pop singelo e triste. The Crane Wife é um dos melhores momentos do indie rock este ano.
O que disse o GRITO [10 de Junho]:
(…) Se o mundo pop fosse justo, Decemberists seria um dos maiores nomes do rock, mas no lugar disso, ele se torna um ícone do indie. É melhor chamar de alto pop (não confunda com alt-pop), com melodias que fazem da banda um dos maiores exemplos de qualidade musical. (…) Leia mais.

O grupo nova-iorquino já era considerado genial quando surgiu em 2001. Agora com este disco, mostrou que sabe fazer bem o papel de desbravador dos gêneros. Com uma mistura de soul, rock e eletrônico, passando pelo virtuosismo do jazz, a banda fez um disco a mexer com os sentidos. É impossível sair incólume da aventura sonora proposta pelo TV On The Radio.

Como crianças, o Love Is All trouxe um disco inacabado, alegre, desajeitado. O Lo-Fi feito com coração e no ponto pra divertir e emocionar. Da Suécia, o grupo embalou canções singelas ao mesmo tempo que colocou todos pra dançar. Tudo muito caótico, maluco e bonito.
O que foi dito no GRITO [25 de Maio]:
(…) sua banda se esforça em tocar bem, o som parece o de crianças fazendo algo que não devem. Há escárnio e uma loucura deliciosa. (…) Um misto de alegria sem resignação com ingenuidade. O pop imperfeito do Love is All é a maior descoberta do rock and roll em anos. Leia mais

Uma banda que estava prestes a acabar, soterrada pelo peso do hype que sofreu com o disco Fever To Tell, o Yeah Yeah Yeahs se reformulou. Mudou quase que totalmente trazendo à tona um disco que é uma antítese do imaginário popular da vocalista Karen O.. Karen ainda é extrovertida e seu carisma transborda, mas não é mais a porra-loca de antes. Show Your Bones é pop, é lindo.
O que foi dito no GRITO [12 de Maio]:
Quando se fala do Yeah Yeah Yeahs com um CD novo, logo se pensava em ouvir a genialidade de Fever To Tell (2003), mas se depara com um álbum muito mais maduro e legível, onde se pode ver o lugar onde o conjunto tira todo o seu alimento musical, onde é que Karen O. faz as unhas e onde todo a loucura hypadas tem-se início (…) Leia mais

Gay is ok! O grupo que começou lançando suas batidas na bagunça que foi o surgimento do electro no início da década, agora lança o disco mais dançante do ano. Elton John, que participou do disco, deve ter pulado de alegria. Na verdade, com Tah-Dah se pula de qualquer jeito. Contagiante é pouco.
O que foi dito no GRITO [25 de outubro]:
(…) Tah Dah é um disco que exige preparo. Pernas bem malhadas, resistência física, um look ultra-fashion e boa dose de gingado mesmo dentro do quarto. (…) “I Don’t Feel Like Dancin”, o primeiro single, (…) é capaz de fazer o mais pudico dos senhores dar uma de John Travolta em plena fila do INSS. Leia mais.

Esta dupla sueca, ícones do underground, lançaram um disco tido como obscuro e tenso. Formado por Karin Dreijer e Olof Dreijer, o The Knife é tudo mais além de apenas uma banda indie e cultuada de música eletrônica. Eles podem ser qualquer coisa. São distantes, usam máscaras, são frios. A performance, que explicita o caráter conceitual do The Knife, está em tudo, nas fotos, nos shows, nos clipes. Uma banda para aumentar as percepções.

A new rave e o new rock são algumas residências do Rapture, que com o Pieces of The People We Love quebra barreiras da música eletrônica e do mundinho indie fazendo um dos discos mais legais do ano. Semelhante ao anterior, Echoes, onde bombaram em todas as boates da GLS/ Indie/ Playboys do pedaço. Mas o que define mesmo o Rapture é o disco+punk+rock, sem firulas e sem mal gosto!
O que foi dito no GRITO [14 de Novembro]:
(…)Não precisamos discutir a new rave, basta escutar o Rapture, o ideário-mor de toda essa nova onda. Leia mais

Pra que ficar depurando rótulos para as bandas que surgem a todo momento? House, rock, dance, electro, new rave, ou qualquer outra coisa que consiguemos imaginar não faz mais sentido. Assim é The Warning, do quinteto inglês Hot Chip. Com mil maluquices no sintetizador, colocaram o rock pra dançar. Ouça “Over and Over” e tente descobrir a ponte entre a eletrônica e as guitarras.

O que foi dito no GRITO [17 de Outubro]:
(…) We Are The Pipettes destrói toda a homogeneidade da música inglesa, nada de gritos à base de testosterona. As Pipettes fazem passinhos sincronizados, gritinhos de lá lá lá e bastante pop. (…) We Are The Pipettes é um divisor de águas na música britânica, não no tocante de vendagem ou sucesso, mas sim de coragem e inovação do cenário pop inglês. Leia mais

Quando todo mundo decretava que a troca de arquivos na rede iria decretar o fim do CD, o Arctic Monkeys bate o recorde de maior número de discos vendidos numa estréia. Quando chega um momento em que vislumbramos um fenômeno é porque ele aconteceu faz tempo e nem nos demos conta. Todos com menos de 20 anos, estes garotos de Sheffield, Inglaterra, ganharam guitarras no Natal e lançaram o disco histórico que bagunçou noções do que tentamos entender desta era da internet. À época ninguém conseguia entender como uma banda desconhecida fez tanto sucesso. Hype da imprensa? Não. Como disse, vimos o fenômeno mas ele já acontecia, no MySpace, em blogs de MP3, em shows toscos em botecos. O mundo estava mesmo mudando. Vários fatos curiosos cercam a história do Arctic Monkeys e da música pop em geral, um deles diz respeito aos Strokes. Hypados pela crítica quando lançaram o primeiro disco em 2001, os nova-iorquinos foram ofuscados pelo fenômeno Arctic Monkeys, quando lançaram seu disco mais fraco, o First Impressions Of Earth.
Um novo momento se abriu, ou ao menos foi alargado após os Monkeys: A imprensa observa as coisas, mas a velocidade é tanta que muitos não acompanham. Uma banda brasileira faz sucesso, com shows até na Grécia. Milhares de bandas pululam diariamente para o sucesso imediato apenas usando a internet. Ninguém mais compra discos. Discos quebram recordes de vendas. Vídeos se espalham de maneira viral. Ninguém mais assiste (ou precisa) da MTV. É difícil analisar as coisas de perto, mas o Arctic Monkeys é a trilha sonora dum momento novo que ninguém entende direito. E também, quem tem tempo pra isso?
O que foi dito no GRITO [23 de Março]:
(…)O disco possuí muitos momentos ótimos (memoráveis), que vai do cinismo indie ao marasmo pós-clube. Mas é um álbum essencialmente pra dançar.

BANDA DO ANO: Cansei de Ser Sexy
Eles têm shows marcados até na Grécia!! Soltei essa frase seguida de um muxoxo quando uma amiga perguntou se eu achava que eles ainda viriam ao Recife. A última banda que surgiu do circuito noite-garagem-ceninha-de-moda de São Paulo ainda desfruta das benesses do hype com uma aura de novidade bacana. Mais do que 4° lugar no New York Times (Top Songs: Let’s make love and listen to death from above) e 5 °como melhor disco na NME, o Cansei sintetiza o perfil das bandas de uma geração descompromissada com tribo, engajamento ou coisa que o valha – apenas o prazer de se divertir. Uma geração epicurista que vai surgir de maneira inusitada e proliferar-se como gripe por mídias diversas. Essa banda que divide opiniões de maneira tão heterogênea surgiu pra mim numa tediosa noite como atração do previsível Banda Antes da MTV. Uau! Devo dizer que tive que tomar uma chuveirada antes de dormir, tamanho suor com aquelas batidas, tamanho impacto com letras absolutamente non sense. José Flavio Júnior não sabe o que tá perdendo. Divulguei o petardo e meus amigos logo estavam adictos. Ficamos num alvoroço só quando surgiu o boato que o Coquetel Molotov traria Lovefoxx e sua trupe pra Recife em abril. Não rolou…snif,snif! Desde então, nenhuma festinha, nenhuma lista de melhores, nenhuma preparação pra sair é a mesma sem escutar Cansei de ser sexy. E é bom eu parar de fazer a íntima, porque i have no portifolio, and i only show where there’s free alcoohol! [Rafaella Ordella]
MÚSICAS DO ANO
A embalar ouvidos apressados, o tracklist de 2006 é quase todo formado por novidades. Uma surpresa a cada minuto, do funk ao electro!
20- The Decision YOUNG KNIVES: Dizem que o Young Knives é incapaz de fazer uma música ruim. Então, depois de lançarem um disco que sempre acaba em alguma festinha, ficou difícil escolher uma música de sucesso. The Decision era trilha de um dia ensolarado em Londres, de um dia com trânsito livre em NY. Que lindo!
19- The Yeah Yeah Yeah Song FLAMING LIPS: Depois do perfeito Yoshimi Battles The Pink Robots, o Flaming Lips lançou um disco tão bom quanto, mas foi difícil não ser engolido pelo próprio sucesso. Quem não ligou pra isso encontrou ótimas músicas neste At War With Mystics, como esta.
18- Juicebox STROKES: Chupando uma música da abertura do seriado do Batman, os Strokes chegaram determinados a reconquistarem o brilho, mas parece que este 2006 foi um ano apagado pra eles. Mas bem que empolgou essa música.
17- Raio de Fogo MONTAGE: Esta banda do Ceará está mexendo com a cena electro-rock brasileira mesmo sem ela existir. Ainda. Com muito excesso de glamour, o gay-punk Daniel Peixoto têm o carisma perfeito pra fazer do Montage uma grande, grande mesmo, novidade pro ano que vem. Raio de fogo eu preciso de você!
16- Whoo! Alright – Yeah…Uh Huh RAPTURE: O Rapture até pode não ter superado os seus clássicos hits de seu primeiro disco, como House Of The Jealous Lovers, mas coloca o mundo pra dançar com este novo cd. E sem se preocupar com a new rave que o Rapture, sem querer ajudou a criar!
15- Ódio CAETANO VELOSO: Se Caetano bem humorado já é um abuso, agora que ele deu pra sair com os amigos de Moreno, fazer arranjos minimalistas e letra sobre tédio, showbizz e fim de casamento, tá melhor ainda!
14- Pull Shapes PIPETTES: Ouvir Pull Shapes ou qualquer música das pipettes é acreditar que sim! é possivel um mundo onde todos os refrãos chicletudos tem qualidade e pop não é um palavrão.É impossivel não articular coreografias e ter vontade de comprar um pirulito E elas ainda coordenam palminhas na paradinha da música!
13- Lloyd I´m Ready To Be Heartbroken Camera Obscura: Uma musica que tem a honestidade de dizer que está pronta pra ter seu coração partido porque não consegue ver além do seu proprio nariz no momento, provoca um daqueles sentimentos de catarse imediata que o velho Moz conseguia. E os tecladinhos à la Belle and sebastian dão o tom certo do triste umbiguismo desses ingleses.
12- When You Were Young KILLERS: O Killers lançou um disco enfadonho e chato, mas este seu primeiro single é muito legal, com Brandom Flowers querendo ser um Freddie Mercury indie. Os vocais altos, por cima das guitarras dão o tom da música, que pretende ser grandiosa. O que não entendemos ainda é o bigodinho.
11- Steady As She Goes RACONTEURS: Carro chefe do disco de estréia da banda, esta música reúne a essência do Raconteurs, já que mostra a dupla faceta do grupo que tem Jack White e Brendan Benson como ícones. Country, balada, rock e blues. Tudo em ótimas medidas.
10- Melô do Vitiligo BONDE DO ROLÊ: Nunca o funk foi tão divertido e inteligente. Duma baixessa ímpar, o Bonde do Rolê colocou platéias gringas para remexer a bunda, misturando AC/DC e Darkness com batidão! Pareçe vitiligo mas é mancha de limão! Parece funk mas é cinismo puro.
9- I Don´t Feel Like Dancin’ SCISSOR SISTERS : Poucos conseguem ficar parado nesta hit gay que fala sobre não gostar de dançar. Depois de se encontrar numa disco muito mais divertido do que o electro no qual estava inserido, o SS jogou todos num pista de dança e não teve pena.
8- I Bet You Look Good On The Dancefloor ARCTIC MONKEYS : Desde o início do ano esta música mexe com os corações dos que gostam de música. Com excesso de punch inglês, com guitarras rápidas, conta a história de uma cantada muito mal feita. Ninguém fica neutro com esse hit.
7- SexyBack JUSTIN TIMBARLAKE: Estamos diante do maior upgrade já sofrido na música pop. Justin, o astro encontrou a batida certa, tudo embalado pela seu carisma, sua beleza e seus produtores. Pra sentir o feeling e fazer dançar sem distinções. Moral.
6- Hung Up MADONNA: Se você acha que madonna+saturday night fever+xanadu = novidade quentíssima, ok, se joga. Mas o primeiro single do Confessions Of A Dance Floor não teve fôlego pra emplacar no segundo semestre. Apesar de ser um dos pontos altos da turnê, com a diva gerando num collant.
5- Atlantis to Interzone KLAXONS: Mesmo antes de ter um disco lançado, o Klaxons desponta como uma das grandes promessas para 2007. Como um vírus, o som dos rapazes que adoram um neón, colocou a new-rave na roda e fez todo mundo se jogar nas sirenes e no brilho verde limão! Yeah!
4- Smile LILY ALLEN: O deboche engraçadinho dessa música é perfeito pras meninas que não gostam de fazer o gênero You Oughta Know mas também passaram por dissabores nas relações. Fora o clipe, um sorrisinho e uma dedada maliciosa pros caras escrotos.
3- Turn Into YEAH YEAH YEAHS: Seria impossível dois anos atras atribuir essa musica ao YYY, devido às performances de Karen O, sempre emanando porra louquice. A música começa como termina, quase acustica, mas no meio tem uma letra enigmatica e urgente sobre se ligar em algo(?) ou alguem.
2- Crazy GNARLS BARKLEY: O hit do ano, a música mais comercializada da rede que se têm notícia. O pop a ficar gravado na cabeça por décadas. Com Cee-lo, o vozeirão gospel que encontrou as batidas do produtor Danger Mouse, fez o som que embalou os iPods durante todo 2006. Soul power!
1- Let´s Make Love And Listen Death From Above CANSER DE SER SEXY: Se os enquadraram como New Rave, então o combo paulistano faz jus. Uma das melhores canções do cd de estréia da banda, traz o pop absurdo ao mesmo tempo sensual do CSS. Electro-porno-soft a embalar os ouvidos.
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ANDO MEIO DESLIGADO
O tecladista dos The Playboys, ZGR se perdeu no espaço e conta como está perdido às vezes pode ser interessante.
Não faço menor idéia se vão chegar a publicar estas minhas sinceras palavras, primeiro pelo tempo que levei pensando e relembrando o que se teve de bom neste ano que voou. Dia desses foi carnaval, outro dia foi Copa do Mundo, Eleições e já estamos no Natal (Ho! Ho! Ho!) e se eu não mandar até meia noite já entraremos na contagem regressiva pra 2007. Fudeu!
Eu tenho quase certeza que se não publicarem isso pelo tempo que eu levei a responder, com certeza não vão publicar pelo segundo motivo, pois depois deste tempo todo pensando e relembrando das boas coisas de 2006 descobri que de cada álbum que vinha em minha cabeça era de 2000 pra antes (claro que teve uns que foram dos anos passados, retrasados e uns deste ano, depois de certa ajuda), mas além destes álbuns que eu imaginava que fosse de 2006, sempre vinha nomes tipo Danny & The Juniors, Chubby Checkers, Jerry Lee Lewis, Frankie Lymon & The Teenagers, Mutantes e tantos outros na minha mente.
Apesar de toda essa turbulência teve um álbum que veio na minha cabeça logo de cara, até porque é uma das poucas bandas “novas” que eu consigo acompanhar… Muse e seu belíssimo Black Holes and Revelations com aquele primeiro single que lembrou Britney Spears chamada de Supermassive Black Hole, que para mim foi um susto nas dez primeiras vezes que ouvi, mas quando escutei o álbum completo vi que tudo aquilo não se passava de uma piada de um ótimo gosto que eu até hoje escuto tentando esquecer daquela ex-cinturinha sexy da senhorita spears.
Por mais que fosse para ser uma listinha, tipo top top com numerozinhos e seqüências, simples e prático pra qualquer ser humano normal, vem eu com um texto chato e metódico com bandas dos anos 50 e 60 e 70, pois foi o que mais meus neurônios atrofiados conseguiram absolver em 2006 e absorveram graças a dois sites principalmente: a Pandora (já conhecia de outros carnavais) e o Musicovery (que conheci durante uma semana de provas estressante!), essenciais pra qualquer apaixonado que sabe o que quer numa relação de amor e ódio.
Sim, sou incapaz de enviar uma listinha sequer até a meia noite, mas fica a dica desses dois sites que deve ser conhecido para alguns (talvez maioria) de vocês que graças a eles e a minha falta de tempo, não tenho como ficar catando e baixando coisa como antigamente.
(Ah! Quero agradecer a Calvin e sua trupe pelo convite caridoso para participar deste grupo seleto de amantes do Rock’n'Roll e derivados, caso não venha ao ar, eu posto no meu blog abandonado!:P)
Eu tentei.
Z.G.R.
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OUTROS GRITOS DE 2006 ESCOLHA DA CRÍTICA
Thiago Ney
[Colunista da Folha de São Paulo]
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Long Blondes Someone To Drive Your Home
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Lily Allen Allright, Still
-
Hot Chip The Warning
-
Rapture Pieces of People We Love
-
Yeah Yeah Yeahs Show Your Bones
-
Knife Silent Shout
-
James Holden The Idiots are Winning
-
Gossip Standing in the Way Of Control
-
Arctic Monkeys Whatever People Say I am, That´s What I´m Not
-
“St. Elsewhere”, Gnarls Barkley
Camilo Rocha
[DJ e jornalista da BIZZ]
-
Lindstrom It´s a Feedelity Affair
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Hot Chip The Warning
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Gnarls Barkley St. Elsewher
Bruno Nogueira
[Jornalista e colunista da Folha de Pernambuco]
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Dirty Pretty Things Waterloo to Anywhere
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She Wants Revente She Wants Revenge
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Moptop Moptop
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Lily Allen Alright, Still
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Ladytron Witching Hour
Haymone Neto
[Guitarrista e vocalista do Mellotrons]
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TV On The Radio Return To Cookie Mountain
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Ellen Allien & Apparat Orchestra of Bubbles
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Knife Silent Shout
-
Hot Chip The Warning
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LCD Soundsystem 45:33
Kid Vinil
[DJ e Jornalista]
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Neil Young Living with War
-
Neil Young Live at Fillmore East
-
Bob Dylan Modern Times
-
Arctic Monkeys Whatever People Say I am, That´s What I´m Not
-
Band of Horses Everything All The Time
-
Mystery Jets Making Dens
-
The Young Knives Voices of Animals and Men
-
Duels The Bright Lights And What I Should Have Learned
-
Circulus Clocks Are Like People
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Fratellis Costello Music
-
747’s Zampano
-
Larrikin Love The Freedom Speak
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Boyfriends The Boyfriends
-
Tapes´n´Tapes The Loon
-
Forward Russia Give me a Wall
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Towers of London Blood, Sweat and Towers
-
Long Blondes Someone To Drive You Home
-
The Pipettes We Are The Pipettes
-
Bromheads Jacket Dits From The Commuter Belt
-
Ladyfuzz Kerfuffle
Ricardo Malta
[Jornalista e editor do blog Videodrome]
-
Tool – 10,000 Days
-
Radio 4 – Enemies Like This
-
Rapture – Pieces of the People We Love
-
Cordel do Fogo Encantado – Transfiguração
-
James Dean Bradfield – The Great Western
-
Dirty Pretty Things – Waterloo to Anywhere
-
Editors – The Back Room
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Decemberists – The Crane Wife
-
Muse – Black Holes and Revelations
-
Black Rebel Motorcycle Club – Howl Sessions [EP]
STAFF
Wagner Beethoven
-
Yeah Yeah Yeahs Show Your Bones
-
Love is All Nine Times That Same Song
-
The Pipettes We Are The Pipettes
-
Wolf Eyes Human Animal
-
Arctic Monkeys Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
-
Strokes First Impressions of Earth
-
Rapture Pieces of the People We Love
-
Long Blondes Someone To Drive You Home
-
Beirut Gulag Orkestar
-
Dirty Pretty Things Waterloo To Anywhere
-
Camera Obscura Let´s Get Out Of This Country
Paulo Floro
-
The Pipettes We Are The Pipettes
-
Decemberists The Crane Wife
-
Love is All Nine Times That Same Song
-
Knife Silent Shout
-
TV On The Radio Return To The Cook Mountain
-
Malajube Trompe L´Oeil
-
Fratellis Costelo Music
-
Arctic Monkeys Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
-
Yeah Yeah Yeahs Show Your Bones
-
Long Blondes Someone To Drive Your Home
Fernando de Albuquerque
-
Morrissey Ringlaeder of Tormentors
-
Scissor Sisters Tah-Dah
-
Muse Black Holes and Revelations
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Flaming Lips At War With the Mystics
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I’m From Barcelona Let Me Introduce My Friendss
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The Killers Sam’s Town
-
Gwen Stefani The Sweet Escape
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The Rapture Pieces Of The People We Love
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Justin Timberlake Future Sex/Love Sounds
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Mellotrons Mellotrons
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Maria Bethânia A Falta que você me fazia
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Jarvis Cocker Jarvis
Rafaella Ordella
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The Pipettes We Are The Pipettes
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Devendra Banhart Cripple Crow
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Camera Obscura Let´s Get Out Of This Country
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Chico Buarque Carioca
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Cat Power The Greatest
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Yeah Yeah Yeahs Show Your Bones
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Thom Yorke The Eraser
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Mombojó Homem Espuma
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El perro Del Mar Look It´s El Perro Del Mar
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Sonic Youth Rather Ripped
João Paulo Vasconcelos
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Flaming Lips At war with the mystics
-
Scissor Sisters Tah-Dah
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Rapture Pieces Of The People We Love
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White Rose Movement Kick
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Belle & Sebastian The life Pursuit
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Jarvis Cocker Jarvis
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Radio 4 Enemies Like This
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Gnarls Barkley St. Elsewhere
-
Neil Young Living With War
-
Dirty Pretty Things Waterloo To Anywhere
Num ano cheio de bons lançamentos foi muito difícil ecolher os Melhores. Um apurado do que melhor aconteceu na Nona Arte, no ano em que tivemos HQ´s para todo mundo, de europeu à coreano. Na nossa lista de 20 melhores, não colocamos os livros de Sandman, que foi eleito pelo Grito ano passado como o melhor, pelo conjunto da obra. A explicação é necessária já que a obra máxima de Gaiman foi muito citada pelos convidados e colaboradores do Grito.
O Grito agradece a todos que gentilmente nos enviaram as listas pessoais de melhores quadrinhos (abaixo as listas de todos). Sem enrolar, o Top 20 do Grito!.

20- Invencível – Negócios de Família Robert Kirkman e Cory Walker
Várias surpresas em um só lançamento. Primeiro, a estréia de uma nova editora, a HQ Maniacs, e outra que os leitores brasileiros puderam conhecer mais do trabalho do cult Robert Kirkman. Todas as histórias de super-heróis deveriam ser como Invencível.

19- Adolf Osamu Tezuka
O mestre Tezuka teve um belo tratamento da Conrad neste que é seu trabalho mais realista. Depois de Buda, outra série monumental, Adolf aborda a história de três Hitlers, sendo um deles o famoso líder nazista. Um show de narrativa numa das mais belas histórias do Deus do Mangá.

18- Morte Neil Gaiman e Vários Artistas
A mais cativante personagem do universo Sandman, Morte ganhou uma compilação de luxo da Conrad de suas duas mini-séries Morte – O Preço da Vida e Morte – O Grande Momento da Vida, lançadas pela Globo e Abril respectivamente. Com o já conhecido texto de Gaiman que vai do mórbido ao clássico em poucos quadros, este livro é item obrigatório em qualquer coleção Vertigo.

17- Fábulas – A Revolução dos Bichos Bill Willingham e Mark Buckingham
Apesar da Devir não fazer jus aos títulos que publica, com redução de formato e preços abusivos, este série Fábulas merece seu lugar nos melhores, pois é uma das poucas a fazer sucesso depois de Sandman. O texto de Willingham também colabora, nesta história que bagunça a idéia que temos dos contos de fada.

16- Crise de Identidade Brad Meltzer e Rags Morales
Mais do que Crise Infinita, esta série alterou a percepção do universo DC nestes tempos modernos. Esta verdadeira revolução proposta por Meltzer adicionou um realismo mórbido e depressivo nas histórias de super-heróis. Apesar do repúdio de alguns saudosistas, esta mini-série marcará para sempre os maiores super-heróis do mundo.

15- Chosen – Eleito do Senhor Mark Millar e Peter Gross
Mark Millar sabe como provocar. Depois do sucesso de Wanted: Procurado, a Mythos lança esta boa edição de Chosen, que mostra o jovem Jodie Christianson com poderes de Jesus Cristo realizando milagres. A série polêmica só mostra o talento de Millar em atrair atenção e boas vendas (vide Supremos, logo abaixo), além do traço de Gross já ser cult nos EUA.

14- Os Supremos Mark Millar e Brian Hitch
Uma das melhores séries de super-heróis já feitas. Da série Ultimate, esta versão realista dos Vingadores é um dos melhores trabalhos de Millar. Incrível como ele consegue adicionar novidades em personagens tão clássicos e ao mesmo tempo não deixar a narrativa lenta em nenhum momento. A revista Marvel Milenium: Homem-Aranha valeria apenas por esta série.

13- Mesa Para Dois Fábio Moon e Gabriel Bá
Os irmãos Moon e Bá representam a linha de frente dos criativos (e infelizmente desconhecidos) artistas brasileiros. Conhecidos pela sua poesia urbana, este novo título conta a história de um escritor em crise. Famosos no underground, 2006 foi um grande ano para os dois, pois este ano publicaram no exterior, além de retornarem à Devir.

12- 100% Paul Pope
Paul Pope é reconhecido gênio dos quadrinhos americanos atuais, uma nova casta de autores a levar os comics para além dos padrões. Seu Batman: Ano Cem é uma das melhores histórias do Homem-Morcego desde Cavaleiro das Trevas, mas é em 100% onde Pope expressa seu talento com mais fúria. Lançado pela Vertigo, ganhou edição cara e luxuosa pela Opera Graphica, num trabalho que logo se tornará clássico.

11- Valentina 65-66 Guido Crepax
Musa intelectual do escritor Guido Crepax, falecido em 2003, Valentina se apresenta para uma nova geração de leitores. A sexualidade de Valentina, mesmo fora de contexto atualmente, é uma das maiores expressões criativas que os quadrinhos já experimentaram. Como se não bastasse o primor dos desenhos e dos textos de Crepax, a Conrad ainda lançou uma das edições mais bem produzidas do ano.

10- Os Jovens Vingadores Allen Heinberg e Jim Cheung
Única série adolescente de super-heróis a explorar com sinceridade e criatividade o universo do jovem moderno, Jovens Vingadores surpreendeu o mercado ao apresentar novos personagens e mexer com temas pouco comuns nos quadrinhos como homossexualidade. Carismático, os heróis enfrentam perigos comuns a todo adolescente, além dos já batidos vilões. A série mais legal do ano, pra dizer o minimo.

09- O Incal Alejandro Jodorowski e Moebius
A série Bórgia, junto com o desenhista Milo Manara, mostrou que o chileno Jodorowski é um primor em trabalhos magistrais, mas foi o Incal que fez do autor um dos maiores do mundo das graphic novels. A parceria foi certeira, já que Moebius é um conhecido amante das histórias de ficção científica. Lançado pela Devir, os dois albuns do Incal, influenciaram muitos dos escritores modernos das comics norte-americanas, de Grant Morrison a Warren Ellis, desde que foi lançado há 25 anos. Um clássico absoluto.

08- O Clic – 1 Milo Manara
De tantos trabalhos publicados do italiano Milo Manara, neste O Clic 1 está toda a essência deste mestre do erotismo moderno. Claudia Christiani, a personagem que resume e idealiza o pensamento libidinoso de Manara, é a protagonista dessa série, que já teve os dois volumes lançados pela Devir. Foi esta série que tornou famoso este escritor italiano e é por isso que ilustra este Melhores, num ano que pode ser reconhecido como o ano Manara dos grandes lançamentos.

07- Lobo Solitário Kazuo Koike e Goseki Kojima
Os clássicos voltam ao lugar de destaque e respeito. Pela primeira vez publicada na íntegra e no formato original e com um tratamento à altura, o Lobo Solitário, publicado mensalmente pela Panini, conta a história de Itto Ogami, um samurai que traído e acusado de um crime que não cometeu, vaga pelo Japão Feudal. Violento e denso, têm em sua trama, política e dramas pessoais como nenhum outro mangá foi capaz de realizar.

06- Corto Maltese: A Balada do Mar Salgado Hugo Pratt
Uma grande novidade, que movimentou o mercado editorial, foi a estréia da editora Pixel, que trouxe ótimos títulos com excelente acabamento. Pra entrar com o pé direito, a série do Corto Maltese, um clássico inconteste, finalmente será totalmente publicado no Brasil. Corto Maltese representa o ideal romântico como poucos escritores puderam criar, suas histórias, revivem as clássicas histórias de aventura, em busca do desconhecido, numa narrativa estonteante. Sempre foi caro acompanhar Corto, já que muitos dos títulos inéditos estavam em catálogo em editoras de Portugal, caríssimas. Agora, se podemos ter Sandman completo e luxuoso, outro clássico terá lugar em nossas prateleiras. O vida é feliz ou não é?

05- DC: A Nova Fronteira Darwyn Cooke
Elegante e imperdível. Darwyn Cooke fez uma das maiores obras do Universo Dc neste novo século. Com um traço que mistura o design clássico dos grandes mestres da editora, sobretudo dos anos 1950, com o moderno traço estilizado dos desenhos animados da DC, Cooke fez um trabalho monumental, que é também uma homenagem aos grandes heróis da Terra. A Nova Fronteira mostra a Era de Prata da DC em todo seu glamour. Nos anos 1950, o senador Joseph McCarthy, em sua caça às bruxas, obriga os super-heróis a revelarem sua identidade ou cairem na clandestinidade. Após o fim da Segunda Guerra Mundial um novo momento surgia para o universo DC, e Cooke soube expressar isso muito bem, criando a atmosfera necessária para se compreender o momento. Mas não só o texto, como também a narrativa de Cooke, bem como a construção dos personegens. A Panini fez um dos seus melhores trabalhos, pois conseguiu lançar esta ótima edição por um preço bom, apesar de que talvez demore algum tempo para se estabelecer como imperdível.

04- Nausicaä do Vale do Vento Hayao Miyasaki
Miyasaki escreveu um libelo sobre os danos causados pela industrialização em sua fábula sobre um mundo que reflete o horror de uma natureza violenta e trágica. A apresentação do mundo é perfeita, cheia de detalhes. Neste cenário vive Nausicaä, uma princesa que viverá aventuras nos sete volumes da saga, que sai do pequeno reino do Vale do Vento para enfrentar os perigos. Nausicaä além de destemida é irasciva, impaciente e teimosa, a construção dela e dos outros personegens também é ponto de destaque do livro. Miyasaki ficou famoso no Brasil pelos ótimos filmes A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, que já mostra sua habilidade em criar universos e cenários deslumbrantes. Outra característica é a capacidade do autor em criar fábulas, que também é destaque neste Nausicaä. Lançado pela Conrad, tem um tamanho grande, maior que os demais mangas da editora, que evidencia melhor os detalhes dos desenhos, além do papel amarelado e da capa com detalhes metalizados.

03- Aldebaran Leo
Nunca vivemos um momento tão próspero e diversificado nos quadrinhos. Numa surpreendente reviravolta editorial, a Panini coloca nas bancas e livrarias vários títulos europeus. Um deles, o melhor, é Aldebaran, feito por um brasileiro, o carioca Luis Eduardo de Oliveira. Admirado na França, onde é conhecido como Leo, criou um mundo quase igual ao nosso, com a diferença que é quase todo aquático. Comparado com Moebius, Leo não poderia viver um momento melhor em sua carreira. Quase totalmente desconhecido no Brasil, o autor já frequentou listas de melhores na Europa. Com seu estilo sem muitas sombras, com muitos detalhes e ótimos planos, decerto Leo não fizesse muito sucesso por aqui, com um público bastante catequizado pelo estilo americano e japonês. Apesar da ótima iniciativa da Panini em disponibilizar esta ótima série européia, o alto custo da revista afasta possiveis leitores que se surpreenderiam com a história. A série bimestral, com papel de boa qualidade e 96 páginas custa R$ 22, um preço quase proibitivo em se tratando de uma série longa. Por mais 50 centavos, acompanhamos Nausicaä com um acabamento melhor. Questões financeiras e estratérgicas à parte, a qualidade artística de Aldebaran é inegável e o autor Leo é um dos maiores autores (auter) dos quadrinhos mundiais. Seja bem vindo.

02- Os Surpreendentes X-Men Josh Whedon e John Cassaday
As histórias dos X-Men atingiram um nível de redundância e vazio criativo tamanho, representado sobretudo pelo escritor Chuck Austen no comando de X-Men, o retorno de Chris Claremont e suas tramas cansativas recheadas de clichês e as péssimas histórias dos Novos Mutantes. No entanto, perdido no que foi chamado de Reload das séries mutantes, após o furacão chamado Grant Morrison, Os Surpreendentes X-Men é a única série que realmente vale a pena no lucrativo universo dos X-Men. Josh Whedom, famoso roteirista de séries de TV colocou os X-Men de volta aos colantes e adicionou diálogos certeiros. Somado a isso, temos a arte estonteante de John Cassaday, jovem desenhista, que finalmente desponta com esse trabalho. A dupla decidiu trabalhar com poucos personagens e criou uma série de tramas baseadas apenas na relação entre eles. A participação de Emma Frost, com sua tiradas ácidas são absurdas de ser ler. Kitty Pryde também está ótima em sua atuação. Uma série para entrar na história dos heróis mutantes. E para esquecer tanta besteira publicada também.
O que o Grito já disse [12 de Novembro de 2005]:
No entanto, a série indicada a vários prêmios, conseguiu se tornar uma das mais badaladas, e, além disso, teve a imensurável sorte de ter John Cassaday como desenhista. Cassaday é um desenhista que consegue passar um espírito de renovação aos traços. Detalhista, parece que os personagens nunca haviam sedo desenhados antes. (…) Leia mais

01- Demolidor Brian Michael Bendis e Alex Maleev
É muito difícil se equiparar à uma série que revolucionou a narrativa dos quadrinhos americanos. Principalmente quando esta série é o Demolidor de Frank Miller. O Demolidor de Brian Bendis e Alex Maleev conseguiu inovar e criar uma excelente saga com o Homem Sem Medo. O que ele fez foi simples. Bendis modificou e bagunçou a vida do Demolidor. Revelou sua identidade, casou o herói com uma cega, se tornou o rei da cozinha do inferno. Também se utilizou dos elementos clássicos da cronologia do herói, tão bem delimitados por Frank Miller nos anos 1980. Alex Maleev, com seu estilo inconfundível, trouxe um ar soturno às histórias. Com técnicas que misturam pinturas e fotografia, criou um dos trabalhos mais belos nas comics já vistos. Bendis e Maleev inovaram nas narrativas nas inúmeras sagas que criaram. A Marvel concedeu liberdade criativa total à dupla, como se esperasse que fosse criada ali um verdadeira obra de arte. E foi. Era possível vermos uma história sem uma única aparição do Demolidor, ou até mesmo de Matt Murdoch, em outras, cenas de luta como nunca vistas na Marvel. Nada como se viu em quadrinhos convencionais. Sobretudo esse ano. O sucesso do Demolidor de Bendis, que merece ser lembrado como um salto criativo e ousado nas histórias em quadrinhos, coincidiu no Brasil com a criação da revista própria do Demolidor, que infelizmente foi cancelada este mês, com o fim da fase de Bendis e Maleev no título. Chegou ao fim junto com clássico que a sustentava.
O que o Grito já disse [17 de Setembro de 2006]:
(…) Bendis conhece muito de quadrinhos e sabe como transformar em clássicos, argumentos banais. Por isso, em suas histórias não temos apeteóticas cenas de ação, nem uma narrativa linear herói contra vilão. Bendis colocou o demônio numa encruzilhada, conflitando suas ações, e nunca entregando soluções fáceis aos leitores.
(…) Frank Miller redefiniu o personagem e praticamente criou seu universo sozinho. Bendis soube aproveitar isso muito bem, com a diferença que fez do Demolidor uma HQ de vanguarda, com um estilo inconfundível e criativo que não encontra parâmetro nas atuais séries. Demolidor não nutre similaridades com um gibi de super-heróis comum (…). Leia mais
OS MELHORES DO ANO PELOS CONVIDADOS DO GRITO ESCOLHA DA CRÍTICA
Marko Ajdaric Neorama dos Quadrinhos
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Muiraquitã Especial
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Destino Oeste
-
Alvo Humano
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O Fotógragfo
-
Lazarus Ledd
-
Sr. T
-
Cidades Ilustradas, Ouro Preto
-
Recruta Zero, Ano 1
-
Aldebaran
-
Blueberry
-
Corto Maltese: A Balada do Mar Salgado
-
DC: A Nova Fronteira
-
Sandman: Terra dos Sonhos
-
Invencível: Negócios de Família
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Mesa para Dois
-
Mas ele diz que me ama
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Blacksad
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Maiores Clássicos DC: Alan Moore
-
Lobo Solitário
-
Goon: O Casca Grossa

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Os Mortos-Vivos Vol. 2 – Caminhos Trilhados
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Morte
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Monster
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Fábulas – Revolução dos Bichos
-
Estranhos no Paraíso – Inimigos Mortais
-
Ultra – Sete Dias
-
A Metamorfose de Lucius
-
Authority – Sob Nova Direção
-
Dead Boy Detectives
-
Bórgia Volume 2 – Poder e Incesto
-
Sandman
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100%
-
DC: A Nova Fronteira
-
Adolf
-
Demolidor
-
Lobo Solitário
-
Nausicaä do Vale do Vento
-
A Caixa de Areia
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Os Supremos
-
Gotham City Contra o Crime

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As Aventuras do Capitão Presença
-
Chosen – O Eleito do Senhor
-
Authority – Sob Nova Direção
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El Gaúcho
-
Homem-de-Ferro Extremis
-
Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor 1: Walt Simonson
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Corto Maltese – Sob o Signo de Capricórnio
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Grandes Clássicos DC # 6 – Lanterna/Arqueiro
-
Grandes Clássicos DC # 7 – Lanterna/Arqueiro
-
Grandes Clássicos DC # 8 – Superman – As Quatro Estações
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Os Surpreendentes X-Men
-
Lobo Solitário
-
Aldebararan
-
Crise de Identidade
-
DC: A Nova Fronteira
-
Demolidor
-
Homem de Ferro: Extremis
-
Homem-Aranha & Gata Negra
-
Os Supremos Vol.2
-
Capitão América
BOY KILL BOY
Civilian
[Island, 2006]
Back Again” e na confusão da new rave, até confundiram os caras. Perfeito para a pista, o Boy Kill Boy faz um rock básico, sem muitas perturbações. De Londres, se uniram à uma profusão de ótimas bandas dançantes, mas não se utilizam de sirenes nem querem saber de raves ou neon. Pelo contrário, a estética meio dark do grupo tem tudo a ver com as influências que vão de Stone Temple Pilots a bandas de punk rock. “Suzie” é pra dançar chapado, assim como o resto do disco, que nem precisa dos singles pra se mostrar. Todas as faixas são ótimas. [Paulo Floro]
NOTA: 7,0
TAPES ´N TAPES
The Loon
[XL, 2006]
Tão improvável quanto esta banda de Mineapolis fazer sucesso é o fato de que o Tapes ´n Tapes não precisou de muita coisa pra ser um dos oba-oba da imprensa. Surpreendente mesmo é que quando a crítica inflamou a banda, ela já era conhecida e bastante falada em blogs e myspace. Atrasos à parte, este The Loon é considerado um dos melhores debuts do ano. Bastante influenciados pelo Pavement, tem um pé na lisergia, como comprova as faixas “Crazy Eights” e “Manitoba”. Pra escutar num trailer perdido em algum lugar escuso. [Paulo Floro]
NOTA:: 7,5
¡FORWARD, RUSSIA!
Give Me A Wall
[Dance to the Radio, 2006]
Dizem que, hoje em dia, quando se vai à festas indies inglesas, sempre tem alguém vestindo uma camisa com o design da capa do primeiro disco do ¡Forward, Russia!. Além das exclamações cruzadas, o grupo de Leeds ficou conhecido também por usar apenas números para batizar suas músicas. Excentricidades à parte, a banda faz parte do secto de bandas novas que convulsionam a imprensa musical atual, junto com o Automatic, Young Knives, CSS. Um punk-funk primoroso, mas longe de ser fácil, para fazer das pistas algo cerebral. Para dançar até se acabar, coloque o disco no repeat contínuo e curta até cansar. Se quiser testar antes, ouça “Three” e “Eight”. [Paulo Floro]
NOTA:: 8,0
HERMAN DÜNE
Giant
[Independente,2006]
Voz e violão, felicidade e perfeição são temas do Herman Düne. Fofo. A banda formada por suecos, nova-iorquinos e franceses, passa por uma linha tênue da pieguice e o acústico autêntico, pop boa praça, Belle Sebastian no clima surf music. Assim é o oitavo trabalho do Hermen Düne, mas nada como a vida feliz e o cenário musical cheio de coisas boas. “I Wish That I Could See You Soon” consegue pôr qualquer um para cima. O disco tem ótimas faixas, belas melodias e o coral feminino deixam as faixas ainda mais suaves, o sax, o violão a voz de André Herman Düne consegue fazer o fã de Jack Johnson esquecer o seu ídolo. “Pure Hearts”, “Take Him Back” “To New York City” e “Baby Bigger” são bonitas para dizer que são apenas boas músicas, mas a voz do líder e guru da banda é cansativa e o disco segue quase que se arrastando, ele foi ousado, pois nos dias atuais um álbum com quase 1 hora é fazer o ouvinte esperar muito para prestar atenção nele enquanto fica com o coração na mão para não perder o novo hype. [Wagner Beethoven]
NOTA :: 5,0
DRINK NO INFERNO
Apostando na mistura vodka, rock e diversão, o Biônica espera exportar a loucura de seus shows para todo o Brasil.
por Wagner Beethoven
O Biônica é uma banda de São Paulo que tem um humor venenoso, com um disco nas costas e fazendo shows nos inferninhos mais improváveis. Formado em 1999, gritando no estilo garage rock, as músicas são cantadas em português e francês, suas influências são Kiss, Stooges e MC5, além de referências dos anos 80 brasileiros. Tem como tema de suas músicas as coisas mais gostosas do planeta: a vodka, o sexo e o rock.
Formada por Joana C4, Fernando Sarti, Helena Fagundes e Marina Pontieri, o grupo transpira abuso, que até desistiu do Claro que É Rock e não tem papas nas línguas, Fernando e Marina aceitaram entrar no divã do GRITO e soltar o verbo.
Um das coisas mais difíceis para formar uma banda é achar gente legal e interessante, como foi o caça-talentos para formar o Biônica e como foi a escolha do nome?
Fernando: Olha, aí você está muito certo. Banda com gente que você não se dá, não funciona. A gente se conhece há bastante tempo já, e antes mesmo de ter banda, tínhamos uma amizade. Nos encontrávamos por aí, no final a banda acabou por aprofundar nossa amizade.
Marina: Hehe, caça talentos é engraçado. Parece que a gente lançou um concurso do tipo “america’s next top model” pra montar a banda…Teria sido engraçado, as provas iam ser: “Qual o tamanho da roubada que você pode agüentar e ainda fazer piada disso?” Ou : “ Você é capaz de passar duas horas semanais mais show e encontros semanais no bar com as mesmas três pessoas?”… Ah, e o pré requisito básico: Gostar de cerveja e de buteco! Na verdade, todos nós tínhamos outros projetos musicais e, além de gostar da companhia , gostávamos do modo como cada um tocava, das influências etc Então foi um processo mesmo de pessoas que pensam parecido se agruparem, não tem muito segredo. Já o nome quem deu foi o João, que tocava a segunda guitarra nos primórdios do Biônica, então pra saber mesmo, tem que perguntar pra ele…
Assim como toda banda independente, é bem complicado o inicio. Poderia falar como era o Biônica antigo e quais as diferenças da banda antiga para o Biônica hoje?
Fernando: Era complicado sim, mas também era divertido. Eu tinha 16 anos quando comecei o Biônica, era um moleque. Então não sei, são lembranças doces da minha adolescência (Ah, que poético). Por mais que hoje as coisas estejam “mais sérias” para gente, ainda é diversão e criação. Se não fosse ainda, não teria razão da banda existir até hoje.
Marina: Bom, eu não era tão moleca, mas achava e continuo achando divertido. Claro que começam a aparecer problemas do tipo conciliar emprego, faculdade e banda, cansar de tocar só em roubadas – apesar de que agora que a banda está razoavelmente estabelecida, as pessoas que nos chamam se preocupam em conseguir uma boa qualidade de som, transporte, hospedagem, pagam cachê, essas coisas – o que no começo da banda era muito raro. Mas também cada caso é um caso, não temos problemas em tocar de graça num festival beneficente, ou gratuito, num lugar que não costumamos tocar, e isso é parte do que é legal na banda, não é uma coisa estritamente profissional, pra ganhar grana, sabe? Claro que gostaríamos que a banda nos sustentasse, mas também queremos ter esse tipo de controle e poder de decisão sobre os caminhos a seguir… Musicalmente, acho que a banda evoluiu muito, estamos mais concisos e desde que temos esta formação , já estamos indo para a terceira gravação, hoje a gente é muito mais entrosado, coisa que faz uma grande diferença, principalmente nas apresentações ao vivo e com tanto tempo de convivência, tendo que driblar os problemas profissionais e pessoais, aprendemos também a conviver em grupo e a nos respeitarmos mutuamente, o que é uma experiência de vida das mais ricas…
De quem foi a idéia de ter inserções de francês nas músicas?
Fernando: As inserções ficaram por conta da Joana, quando ela entrou na banda. É sempre assim, cada um traz sua trouxinha e a gente vai remendando.
Marina: Joana, a Jane BIrkin de São Paulo(O Planondas, de Porto Alegre, até fez uma música pra Ju, chamada “Jane Birkin SP”)!
Como é processo de gravação? Quem fica com o quê? Quem escreve as letras e idealiza a performance do grupo? Enfim, quem idealiza a banda no palco?
Fernando: Gravar é sempre bom, e sempre gostamos de estar todos juntos durante todo o processo: da criação a gravação. É sempre muito aberto que no final o toque individual some. É isso, na minha visão não dá para nada se destacar na banda. Ou é isso, ou não é. Sempre é preciso também citar a presença de Clayton Martin quando a gente fala do Biônica. Ele é nosso produtor musical, guru, guia, musa, técnico de som enrustido, amigo e conselheiro financeiro do Biônica.
Marina: Concordo com o Ramone. E também acho que todos esses processos não são tão programados. Ninguém “idealiza” nada, a expressão da banda é essa colcha de retalhos que o Ramone estava falando, a performance, a música, tudo. Não tem uma coisa do tipo: Então vamos rebolar um pouco nesse show, depois as pessoas sobem no palco e a gente rola no chão. Os shows são muito diferentes, nuns a gente está com vontade de se vestir de mecânico, diabo ou o que quer que seja, em outros só queremos tocar com as nossas roupas mesmo, sem muita firula, meio Ramones mesmo. Varia. Claro que as pessoas esperam, por conta de alguns shows mais performáticos que haja alguma coisa, mas o show é o mesmo, com a mesma energia, se estamos de calaça jeans e camiseta ou vestidos de Village People. No final, o que mais importa é a música, não é? E eu acho saudável e sincero que o show seja um reflexo de como estamos nos sentindo naquele dia, sem muitas obrigações com um estilo fixo…

Sim, eles são servos de Satanás
“A garota MTV” da banda ajudou alguma coisa na divulgação da banda?
Fernanda: A Ju ajuda na divulgação da banda porque, além de ser uma das melhores vocalistas de rock do Brasil, é uma das mulheres mais bonitas do Brasil também. E das mais legais também. Enfim, a MTV é um detalhe perto da pessoa da Joana.
Marina: A Joana é foda!!!!! Mas essa história de relacionar as duas coisas é meio chata… Eu acho o seguinte: A Joana é da MTV, esse é o trabalho dela e a banda mesmo não tem nada a ver com a MTV. Aliás, nem clipe a gente nunca gravou! Eu acho super chato quando alguém que não nos conhece e não gosta do som fala: “Ah, mas eles só dão certo porque a mina é da MTV…” E não é! Fazemos questão de não vincular as duas coisas. Respeito à opinião musical de quem não gosta do som, mas todo mundo na banda é muito sério e comprometido com o trabalho, e pra mim pessoalmente é muito desrespeitoso fazer afirmações sobre um processo que você não acompanhou e não sabe. Tanto que quem de fato acompanha a banda sabe que isso não tem fundamento…
Por que vocês decidiram sair do Claro Que É Rock? Já que se tivessem vencido a banda teria tido uma exposição no Brasil todo, não se arrependem disso?
Fernando: O contrato não era atraente para gente. Acho que antes de tudo, o artista tem que ter respeito por si e por sua obra e isso é prioridade no que a gente já criou. Nos vincularmos a uma marca da forma que eles exigiam no contrato, ao meu ver seria o suicídio da banda. E essa exposição no Brasil todo não é verdade: onde tá a banda que ganhou? Eu, sinceramente, não lembro nem o nome. Por isso acho que não nos arrependemos porque sempre procuramos ter o controle sobre o Biônica, que é algo que todos nós estimamos muito e temos muito carinho.
Marina: Bom, eu não me arrependo nem um pouco. O contrato era visivelmente de má fé, confuso, e a postura da produtora que a claro contratou foi muito antipática, como se eles estivessem oferecendo a melhor coisa do mundo pra uns “zes ninguéms”, hehe… Só que eu acho que quem toca tem que ter um certo espírito de coletividade, começar a não aceitar qualquer coisa, para melhorar o nível do tratamento dado às bandas mesmo, sabe? Fora que foi uma coisa mal organizada em vários níveis, tanto que depois do que saiu na imprensa a claro melhorou muito o nível do festival…Enfim, tudo isso pra dizer que nem tudo vale a pena e que os fins não justificam os meios…
Como é o show da banda? Qual é o resultado visto a cada apresentação?
Fernando: Alguém do Recife podia chamar a gente, né? Ia ser mais fácil responder essa questão. O que nós procuramos nas nossas apresentações é nos divertir, divertir os outros, criar espaços de reflexão, ajudar namorados que estão brigados a se resolverem, pais que não vêem os filhos se reencontrarem… Não sei. Todo show é sempre coisa muito nova. Nunca espero nada, porque senão ele perde a graça.
Marina: Assino embaixo.

Eles arrasam. Porraloquice aqui você encontra em excesso.
O primeiro disco para uma banda underground é uma grande vitória. Já tem projetos para divulgação e gravação dos compactos pelo Brasil afora?
Fernando: Estamos gravando nosso segundo disco nesse final de ano. Esperamos conseguir lançar ele no primeiro semestre de 2007.
Marina: Ta ficando lindo. Estamos empolgados!
O cenário musical esta bem diversificado. O que cada integrante gosta de escutar out Biônica?
Fernando: Olha, eu gosto muito de Tim Maia, Pussy Galore, Racionais MC´s e hip hop antigão. Mas isso é sempre uma questão de momento, né? Diria que eu não vivo sem Dead Kennedys e The Clash
Marina: Nossa! Muita coisa. De Doors a Birthday Party, de Cat Stevens a Devo, de Blues a Country… E isso sou só eu, se juntar o resto, tem música francesa, brega nacional, jovem guarda, rock e punk, claro, jazz e Blues, pancadão… É uma salada!
Você pode definir de forma completa o Biônica?
Fernando: Eu acho que, ainda bem, não temos forma completa.
Marina: Quatro grandes amigos que tocam juntos.
Contato:
Site oficial: http://www.itsmysite.com/bionica/
MySpace: http://www.myspace.com/bandabionica
Arquivado em: Beirut, Final Fantasy, Floro, Matéria, Música, Radio Citizen, Wagner, Wolf Eyes
Projetos interessantes e experimentais arejam o rock e passam longe de guitarras e batidas. Talvez seja a hora de deixar aquele pop de lado só um pouquinho.
por Paulo Floro
A música dita difícil de bandas como Beirut, Final Fantasy, Radio Citizen e Wolf Eyes escondem um lirismo e talvez, uma genialidade que não se digere fácil. Longe das guitarras fáceis, esses grupos não lotam as lojas de discos de pedidos nem passeiam pelas paradas da Billboard, mas levam a música para lugares improváveis e inusitados.

Com uma sonoridade que resgata sons ciganos, abusa dos instrumentos como trompete, clarinete, acordeão, congas, tamborins para criar a atmosfera perfeita do leste europeu. É como se estivéssemos nos Balcãs, gerando em cima de uma mesa cheia de narguee-las. Multi-instrumentista, tem apenas 19 anos e já é considerado um gênio dos independentes, como Beck o fora no início dos anos 1990. A diferença esta na ousadia de referências. “Postcards From Italy” é melancólica, mas “Scenic World” não tem piedade, com seu sopro alegre e triste. Um disco genial nas formas e nos detalhes.
O nome foi tirado do famoso video-game de mesmo nome, que Pallet diz nunca ter tido paciência de tocar. Sua música explora as nuançes da música erudita, burilada por anos de estudo de piano e partitura. Este ano lançou seu segundo disco, He Pools Cloud, onde coloca à disposição do rock, elementos que nunca fariam parte em nenhuma banda de um garoto canadense. “This Lamb Sells Condons”, falando de ereções e conjuração de feitiços mostra que o som do Final Fantasy é incoerente. Ao responder sobre o disco, com temas aparentemente medievos (vilas, cavaleiros), Pallet responde: “é um ciclo de oito canções sobre as oito escolas de magia de dungeons e drangons”. Por unir a erudição com anarquia adolescente, é que chamamos Final Fantasy de gênio.
De Berlin, tem como cabeça Niko Schabel, que dispoe de talentosos parceiros para compor uma das bandas mais interessantes para quem gosta de fazer os ouvidos pesquisarem novos ambientes. Deste ano o excelente álbum Berlin Serengeti, conta com a vocalista Bajka, que canta em vários idiomas, com sua voz sofisticada. Sofisticação é o que não falta neste disco. É como estar em um hotel de luxo mas ao mesmo tempo estar em uma festa numa aldeia africana. Só mesmo viajando com o som que Schabel propõe pra descobrir.
A procura por essas bandas que ousam inovar num panorama rockeiro hedonista, fazem do prazer dos ouvintes um artigo raro, de luxo.
BEIRUT Gulag Orkestar
[Ba Da Bing!, 2006]
NOTA:: 9,0
FINAL FANTASY He Poos Cloud
[Tomlab, 2006]
NOTA:: 7,5
RADIO CITIZEN Berlin Serengeti
[Ubiquity, 2006]
NOTA:: 7,5
O MAIS RADICAL DE TODOS, WOLF EYES É UMA DOR NO JUÍZO
por Wagner Beethoven

Human Animal é a junção perfeita da inteligência humana com os instintos mais selvagens de animais. Uma trilha sonora da agonia e muita genialidade. Com um pouco mais de meia hora, o disco consegue se tornar inaudível em alguns momentos, mas aqui experimentar não é só apenas uma forma de quebrar as estruturas do pop e sim de fazer arte. “A Million Years” começa como um dia chuvoso de inverno e termina no inferno, “Lakes of Roaches” segue com chiados e barulhinhos que escutados no fone de ouvidos não é possível ter uma reação fria diante dela, “Rationed Riot”, a mais longa do disco consegue ser chata de tão parada. As sonoridades se misturam em “Human Animal” e fica impossível escutá-la em volume máximo, é de doer os tímpanos, nunca vi nada igual. “Rusted mange” é a outra metade do disco cantada e como não poderia ser diferente, com um vocal gritado e digno de industrial da melhor qualidade. Junto com “Rusted Mange”, “The Driller” segue a mesma linha, mas agora como uma perseguição ao obscuro e, a oitava e ultima música “Noise is Not Music” é um recado aos fãs raivosos de Kim Gordon e para a própria banda.
Human Animal é um trabalho pesado, grosso e nada vanguarda, quebra a natureza pop da musica, nada parecido com o que se vem tendo como salvação da música.
NOTA:: 7,5
YOUNG KNIVES
Voices Of Animals and Men
[WEA, 2006]
De Leicestershire, Inglaterra, o Young Knives chamou as pessoas a dançarem a música do novo século. Com estes garotos, o mundo vê o pop ser revisto de uma maneira bem-humorada, como o Blur fizera nos anos 1990. Mesmo tendo lançado um disco em 2002, The Young Knives… are Dead!, é com este disco de 2006 que eles alcançaram o sucesso que lhes vale. Se fosse valer a pena reviver o brit-pop como algo relevante para a música pop, o Young Knives deveria ser o seu principal expoente e Henry Dartnall o seu herói. “Weekends And Bleak Days (Hot Summer)” é como o pós-punk fuleiro e cínico das boates com glicerina. “The Decision, o single de estréia foi produzido por Andy Gill do Gang Of Four, que tem os garotos em alta conta. Divertido, inesperado, dançante, certeiro. Se alguém voltar a lhe empurrar algo de art-rock, corra e coloque Young Knives pra tocar. [Paulo Floro]
NOTA:: 9,5
XIU XIU
The Air Force
[5 Rue Christine, 2006]
O trio composto por Ches Smith, Jamie Stewart e CaraLee McElroy, mas que mundialmente é conhecida como Xiu Xiu, já é consolidada no pop atualmente, e vem com o seu quinto álbum não desanimando nem fãs nem critica. Neste Air Force eles usaram e abusaram do punk, noise, clássico, folk e do indie rock. O disco apenas cria um ambiente perfeito para a banda fazer bonito. Aqui vamos esquecer que o ruído, é por definição uma sonoridade que pode incomodar algum, já que ele é um dos focos neste trabalho da banda. “Buzz Saw” é uma faixa perdida do Morrisey. “Boy Soprano” não é a biografia de Pavarotti, mas um uma ótima musica para deixar nas pistas. “Save Me” é outro ponto alto do disco, com refrão fácil, essa música provavelmente pode figurar nas rádios pelo mundo. O disco tende a ficar cada vez melhor, a banda segue o lema do fim do arco-íris tem o pote de ouro. Mas eles não conseguem, talvez por ter quase 40 minutos, eles não se perderam tanto com o excesso de texturas, mas sinceramente eles não conseguem ser ruins mesmo com excesso. Colocar Jesus Cristo na capa não é nada cristão, mas o pop não é cristo, ele é pagão e é por isso que devemos adorar o Xiu Xiu. [Wagner Beethoven]
NOTA:: 7,0
