
Salvação do rock? Ou destruição de conceitos?
Let´s Learn How To Do Rock And Roll
por Mozart Werther
Quando o rock estava morrendo e o electroclash ameaçava ser a próxima febre do reino pop, o mundo se via imerso nas letras ambíguas, músicas extremamente empolgantes e o corpo humano se via totalmente a mercê das drogas e controlado por este gênero. O pop queria o bom e velho 1, 2 3… Let’s go! Queria baixo, bateria e guitarra e não aquele jogo de luz e os sintetizadores, depois de muito atirar em vão ele puxa o gatilho e acerta com o Strokes, porém este é o primeiro de muitas coisas que o rock guardava nas mangas até aparecer o Yeah Yeah Yeahs e consertar o estrago que o mundo tinha sofrido.
Mostrando qualidade e apelo pop, a banda nova iorquina, vinda direto do bairro barra-pesada do Brooklyn era formada pela bela porra-louca Karren O, nos vocais, o esquisitão, Brian Chase na bateria e o nerd Nick Zinner na guitarra. Depois de fazer muitos shows em bares da cidade, NY via nascer uma cena, uma cena nada mainstrem, onde guitarra e bateria nada têm haver com o White Stripes, onde gritos histéricos nada têm haver com o riot grrl, a descendente de oriental desbanca o Sex Pistols brincando no quesito porra-louquice.
A crítica e os ouvintes clamavam por um compacto, no começo fizeram apenas jams sessions na BBC e sessão de fotos para a revista The Face. Quando saiu, o EP foi direto para os clubes. Bang, Mystery Girl, Art Star, Miles Away e Our Time, apenas essas cinco ecoavam em uníssono na casa do hypado, este era o primeiro e perfeito, cinco músicas, todas com a receita certa de gritos, riffs e drums. O EP do Yeah Yeah Yeahs já vendeu mais de cinqüenta mil cópias e tudo antes ter um contrato com a atual gravadora. Mas a sina do segundo álbum estava por vir, mas a praga não pegou a trupe de Karen O.

Fever To Tell já é obrigatório em todas as casas deste planeta tão pequeno para o Yeah Yeah Yeahs. E segundo/ primeiro trabalho do conjunto foi recebido com o devido respeito e com muito mais calor do que o seu antecessor, todas as músicas de Fever To Tell são perfeitas e o grupo conseguiu superar na qualidade em todos os sentidos o EP. É quase impossível achar um defeito ou música ruim neste álbum, até se pode dizer que Fever To Tell está do lado do Is This It, do Strokes, Unknown Pleasure do Joy Division, Nevermind do Nivarna e tantos outros clássicos e excelente álbuns que as mentes doentias deste planeta já produziram. O clipe de Date With The Night, é tão excêntrico que Karen faz um coração com um pó, só resta sabe do que é, mas de talco que não é! Se o Fever To Tell é obrigatório, é ainda mais pecado perder um show dessa niponica vocalista, pois nos shows ela literalmente se joga, o vocal é uma mistura de Siouxsie Sioux e com Iggy Pop, e não é exagero.
Eles são simplesmente o hype do começo ao fim, só não se sabe se a vocalista fica um vulcão nos shows por puro marketing ou ele usa alguns aditivos. A sonoraridade é uma mistura quase que ilustre de Cramps e Jon Spencer Blues Explosion. Em síntese o Yeah Yeah Yeahs soa como Deus e é a melhor coisa já feita.
YEAH YEAH YEAHS Show Your Bones
[Interscope - 2006]
Quando se fala do Yeah Yeah Yeahs com um CD novo logo pensa em ouvir genialidade de Fever To Tell (2003), mas se depara com um álbum muito mais maduro e legível, onde se pode ver o lugar onde o conjunto tira todo o seu alimento musical, onde é que Karen O. faz as unhas e onde todo a loucura hypadas tem-se início, contudo ainda não se pode dizer que o Show Your Bones (2006) é indie-pop, art-punk, alt-pop, indie rock, pré-sad-core, donwtempo, riot, and whatever you funking want. Se fosse tão previsível não seria o estrago auditivo que é.
Cumprindo o seu papel, apresenta um som, como anteriormente dito, audível e entendível.
Joy Division, Blondie, Siouxsie Sioux, Sonic Youth, e L7 são algumas das coisas que se pode reconhecer nesta obra, mas ainda assim uma coisa muito individual e como dizem por ai, a salvação do rock! Gold Lion refere-se ao um prêmio que o grupo ganhou na Inglaterra por um comercial na televisão. Talvez o ápice do álbum ou não, mas é o primeiro trabalho do YYYeahs e com clipe fluindo na net! Way Out, Fancy e Phenomena são bem parecidas, mas pode ir perfeitamente para as pistas e fazer muita gente enlouquecer com a voz um tanto incomum de Karen.
Cheated Bar parece se aproximar das raízes obscuras do YYY. Dudley parecer ser a mais boba do disco, esconde um toque sensato. The Sweets, como o nome diz é a música mais leve e mais radiofônica deles. Mas o Turn Into é a final e não parece ter fim, pois após ouvir o disco fica um sentimento de incompleto, onde a porra louca oriental não mostrou seus dotes. Maduro porém inacabado… É inaceitável não tê-lo no ipod, porta cd ou no Hd no compuatdor. Só ficou um duvida: o que significa estes trapos na capa do álbum?
NOTA: 8,5
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