O Grito!


Bonecas Russas | Cedric Klapisch
Maio 25, 2006, 2:29 pm
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Floro, Klapisch

BONECAS RUSSAS
Cédric Klapisch
[França/Inglaterra, 2005]

Xavier volta a Paris para vencer como escritor mas só consegue roteiros de filmes melosos para televisão. Ele e outros personagens do cult Albergue Espanhol (2002) se reencontram nesta comédia romântica excelente, que mostra novamente as aventuras de jovens perto da casa dos trinta tentando ser felizes.

Martine (Audriey Tatou), Isabelle (Cécile De France), e outros personagens, se encontram cinco anos depois numa idade incômoda em que tudo é bastante planejado, auto-censurado. Uma aflição em se analisar tudo levando como parâmetro uma juventude que cada vez mais vai indo embora. Tudo muda no momento em que William (Kevin Bishop), procura por Xavier e é ele quem irá unir novamente os amigos, sobretudo para sua festa de casamento em São Petersburgo com uma bailarina russa. Wendy, a irmã de William acaba se apaixonando por Xavier, mas sempre há uma impossibilidade de comunicar o amor, o desejo. A busca de Xavier pela mulher ideal irá render um dos melhores filmes já feitos sobre essa busca em se encontrar a cara-metade. O mundo não é tão divertido quanto aquele intercâmbio em Barcelona no primeiro filme, e esse futuro que era vislumbrado cinco anos atrás chegou, e não é tão bom.

A abordagem das nacionalidades na matriz de cada personagem é menos impactante nesse filme, mas ainda nos faz ver que amor, perdas, desejos e escolhas difíceis é a mesma coisa sendo francês ou russo. Em nenhum momento o filme se rende a clichês melodramáticos, e é um filme nada ousado mas honesto. Como comédia romântica, está a anos-luz da idiotização a qual estamos acostumados. Legal. [Paulo Floro]
NOTA:: 7,0



Crime Delicado | Beto Brant
Maio 25, 2006, 2:24 pm
Arquivado em: Brant, Cinema, Crítica-Cinema, Floro

CRIME DELICADO
Beto Brant
[Brasil, 2005]

O diretor Beto Brant sempre fez filmes violentos. Mas não é apenas a violência factual, previsível, enfim decifrável, e sim uma estética que procura adentrar numa platéia de maneira agressiva, para mostrar um lado não muito belo de nossa sociedade e de seus personagens. Os filmes de Brant sempre insistiram nesse recorte da realidade, tornando-se atuais, contemporâneos. Cruelmente atuais, aliás. Como Invasor (2001) um dos grandes filmes brasileiros nos últimos anos e Ação entre amigos (1998).

Em Crime Delicado, Brant volta a trabalhar com Marco Ricca, que faz um papel de um crítico mordaz que se apaixona por uma musa de uma artista plástico ( Felipe Ehrenberg). Brant é mesmo um cineasta corajoso: Inês (Lilian Taublib) é uma deficiente física, tem uma perna amputada, e essas imagens causam um estranhamento tremendo. Como filmar isso sem um mínimo de escárnio ou condenscêndencia? O filme nos mostra Inês como uma persona feminina forte, que vai se desconstruindo com o passar da trama. O personagem de Ricca a estupra num momento de paixão intensa e esse crime acaba desvendando uma Inês bela, mas fraca, como uma musa muda e inerte. Uma excelente reflexão da arte como objeto passional, os personagens de Crime Delicado, são violentos em suas buscas por seus interesses. Uma atriz que tenta seduzir o crítico de teatro, o crítico que se apaixona pela musa alheia.

Não é um filme fácil. Mas Brant se tornou experiente nesse tipo de cinema. Crime Delicado se propõe a discutir a relação da arte ou da paixão como arte ou vice e versa, mas também registra recortes da vida urbana com seus tipos perdidos e desiludidos, perdidos em teorias e obsessões e loucuras. Para isso, Brant chamou o diretor Claudio Assis para uma ponta, onde tem uma briga apaixonada com sua mulher. Em outra cena dois travestis debatem o amor e o ofício. Esses interlúdios não fazem parte nem interferem na trama, mas servem para criar um ambiente específico ao autor e sua obra. Crime Delicado incomodou críticos paulistas, foi tido como apelativo ao filmar a deficiência de Inês de maneira bastante clara, sem cortes. Como chamamos isso no cinema? Honestidade ou provocação? [Paulo Floro]
NOTA :: 7,5



Código da Vinci | Ron Howard
Maio 25, 2006, 2:23 pm
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Código da Vinci, Gentil

O CÓDIGO DA VINCI
dir: Ron Howard [EUA, 2006]

Depois de quase 50 milhões de cópias do livro vendidas por todo o mundo, chega as telas a adaptação do polêmico livro de Dan Brown. Estelando Tom Hanks como o historiador Robert Langdon, e a charmosa Audrey Tautou no papel da detetive Sophie neveau. Além de contar com outros atores de peso no elenco, o que não segura o enredo do filme. Depois de um assassinato ocorrer em pleno Louvre, Langdon e convidado ao local do crime pelo policial Fache ( Jean Reno), para estudar e decifrar as mensagens supostamente deixadas pelo morto. Tentando fugir da acasuções Langdon começa a descobrir o tenebroso mistério em volta das obras de Leonardo da Vinci, que em meio a joguinhos e historinhas sobre o passado de Jesus Cristo o filme se desenrola (ou não). Agradeço ao filme pois me poupara de ler o livro, que mesmo assim não me impressionou e nem me supreendera em momento algum. O filme restringe-se a sussecivos joguinhos de adivinhação embalados por histórias sem embasamento, nem mesmo a cronologia da história foi respeitada, pois até pra isso foi “criada” uma nova. Audrey Tautou está inrreconhecível no filme, não somente pela aparência mas por sua interpretação pífia, que aliada a de Hanks não somou muita coisa. Porém Código da Vinci não lhe entedia, assim como o livro ele é rápido e por maior que se vejam alguns absurdos, ele passa sem que o telespectador “sinta” as duas horas e meia do filme. Com visuais e locações de uma beleza e de uma riqueza histórica fascinante faz com que assim prenda sua atenção, mas não leve a sério seu roteiro, pois o mesmo é igual a teoria de Dan Brown, não existe. [Gentil Albuquerque]
NOTA:: 1,0



Love Is All | Nine Times That Same Song
Maio 25, 2006, 2:18 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Love is All, Música

FELICIDADE INSTANTÂNEA
Banda sueca Love is All usa corações e muito pouco para conquistar o Rock — ou, Como encontramos, finalmente um lo-fi bom de verdade
por Paulo Floro

Canções de amor. Quem ainda tocaria nesse assunto com um vigor jovem e sincero? Morrissey, indieces do norte anglo-saxão? A banda de indie pop sueco Love Is All escancaram tanto no nome, quanto nas letras e nas músicas do disco essa verve em dizer “amor é tudo”. Amor é tudo. Sem cair na afetação nem na melancolia, os moleques do Love is All conquistam com muito pouco. E falam do mesmo assunto em todo o disco sem se esgotarem nem se repetirem.

A banda foi formada na cidade de Gothenburg, Suécia e logo conseguiram emplacar um lançamento no selo novaiorquino What´s Your Rapture?. O grupo não é nem tão famoso ainda em seu país de origem, mas a internet já fez o favor de alardear (o quanto pode) o grupo. A banda recebeu uma crítica elogiosa da bíblia da música alternativa americana, o site Pitchfork. Também já figuraram no Band of The Day, seção online da revista Spin. Daí em diante ja conquistaram uma trupe de indies fanáticos, como é característico de bandas suecas. O Love is All nem mesmo tem um site decente; a página deles na internet se resume a mostrar a agenda de shows da banda. Se quiser conhecer melhor o grupo e o som desses suecos apaixonados o melhor é o MySpace. A página também é sofrível e até semana passada, não tinha nem as músicas disponíveis, mas a notoriedade e o número de acessos mostra que as músicas sobre amor dos caras anda fazendo sucesso. Também no myspace deles (www.myspace.com/loveisall8), é possível dar uma passeada pelos amigos da banda, com descobertas interessantíssimas, todos eles bandas desconhecidas, grande parte da Suécia que, assim como o Love is All, merecem ser descobertos.

SOFREDOR E SOFRÍVEL – Formado por nicholaus sparding (guitarra +vocais), fredrik eriksson (saxophone), markus görsch (bateria), johan lindwall (bass guitar) e josephine olausson (vocals) o Love is All assume as deficiências ao som do grupo. É mais do que assumir uma estética lo-fi. As guitarras entoam acordes que parecem ter sido tocados por um equipamento precário. Na verdade, todas as canções parecem ter sido tocados uma única vez. Estas imperfeições são incorporadas ao som do grupo, que ainda conta com um vocal infantilóide de josephine olausson, a vocalista. Nine Times That Same Song, o disco de estréia do grupo, parece na verdade crianças no estúdio. Um disco que soa como um ensaio foi o que chamou a atenção para o grupo. Semelhante a quando você faz algo uma vez e não consegue repetir de tão bom, o Love is All entrega paixão que supera as imperfeições do som e das letras, repletas de clichês amorosos. Essa honestidade em não depurar o som é o diferencial que toda banda relevante hoje possui. Ultimamente, na orgia de bandas que se esforçam em encontrar o pop perfeito, o acorde que vai ser hit certeiro logo mais, muitas outras bandas andam explorando o lado imperfeito do rock. O Clap Your Hands Say Yeah, uma das bandas mais importantes no rock hoje fez um disco perfeito com o vocal aparentemente desafinado do seu vocalista Alec Ounsworth. O Animal Collective, subverte todos os conceitos da música pop com seu som rimal, como animais trepando e barulhos da natureza. Se o Yeah Yeah Yeahs se comportou e entrou nos moldes, o Love is All, é o pedaço ingênuo e maluco que o rock ainda pode lembrar. Animais e crianças são os seres que ainda conhecem o lado lúdico e divertido de existir. Sem apelar para um sentimentalismo, o grupo falou de amor. Esqueça o Keane com seus lenços ensopados, ou o platonismo gay morriseyano, o Love is All canta com o coração, não quer crescer e como disse Josephine Olausson, vocalista, “nós respondemos à paixão, não à perfeição”.

LOVE IS ALL
Nine Times That Same Song
[What´s Your Rapture?, 2006]

Após o play, somos apresentados ao vocal de Josephine. Ela parece alguém que não cresceu, é algo entre o demente e o bizarro. Ela canta “Talk Talk Talk Talk”, sua banda se esforça em tocar bem, o som parece o de crianças fazendo algo que não devem. Há escárnio e uma loucura deliciosa. O nome do disco informa que o grupo só irá falar de amor, sem que isso canse o ouvinte. É difícil enquadrar o som do Love is All, além de ser difícil compara-los, e as bandas que o som da banda remetem são um tanto obscuras e não ajudam muito, como o Life Without Buildings uma das influências no som do grupo. O disco possuí um clima particular. Seus acordes facilmente remetem à sonoridade do Love is All, depois de ouvir o disco algumas vezes, é fácil reconhecer o som do grupo. “Felt Tip” tem uma atmosfera triste de um fora, mas alterna a felicidade de jovens ingênuos e apaixonados. E isto não foi meloso, acreditem. Há uma elegia ao prosaico, às coisas pequenas, bestas, como em “Used Goods”, ao levantar-e-cair, básico em todo relacionamento, na faixa “Make Out Fall Out Make Up”, que lembra “Wake Up” do Arcade Fire. Um misto de alegria sem resignação com ingenuidade. O pop imperfeito do Love is All é a maior descoberta do rock and roll em anos. [calvin curtis]
NOTA::8,5



Belle and Sebastian | The Life Pursuit
Maio 12, 2006, 2:36 pm
Arquivado em: Belle and Sebastian, Crítica-Música, Floro, Música

BELLE AND SEBASTIAN
The Life Pursuit
[Rough Trade, 2006]

Depois de criar um nicho musical, do qual já são ícones, o Belle and Sebastian se tornou até um adjetivo. Toda banda que evoca um som sessentista, fofo e nada agressivo, já é taxada como bellesebastiana. É provável que isto mais ajude do que atrapalhe estes escoceses. Neste The Life Pursuit, o grupo soa mais bellesebastiano do que nunca. Tudo bem que os discos do grupo nunca tiveram muitas surpresas, mas desta vez eles tentaram experimentar algo mais do que a melancolia/alegria indie que norteou os outros trabalhos. O B&S neste disco explorou o quanto pôde suas principais diretrizes, seus estilos. Fez

o que sempre fez e fez bem. Isto não é se repetir, é mostrar o quanto é bom. Depois de alguns problemas internos, saída de alguns integrantes o grupo mudou bastante. Incorporou ao som outras sonoridades, como pode ser percebido aqui em faixas um pouco mais jazzísticas, lentas, com um piano arrastado. Tudo isso baseado em pesquisas sonoras dos integrantes da banda. Mas sem diminuir o espaço para o rockzinho redondo característico do B&S. Aqui há o dance rápido de “We Are The Sleepyheads”, que lembra “Legal Tender” de 2002. Um passeio pela praia em “Sukie in the Graveyard”, com o B&S tentando parecer Bowie e Beach Boys ao mesmo tempo. No fim temos um disco como sempre amamos da banda, com mais algumas canções para se unir aos clássicos do grupo, como as perfeitas “To Be Myself Completely” e “For The Price of a Cup of Tea”. Com um pop elegante, caprichado, o Belle and Sebastian parece nos fazer entender que procura melhorar, mudar, não para alterar seu estilo e forma tão característicos mas para atingir uma perfeição, que continua inédita no pop. Esta busca está sendo ótima para os ouvidos.[calvin curtis]
NOTA:: 7,5



Boa Noite Boa Sorte | George Clooney
Maio 12, 2006, 2:34 pm
Arquivado em: Cinema, Clooney, Crítica-Cinema, Rafaella

NOIR POLÍTICO
por Raphaela Ordella

Assistir a Boa Noite, Boa Sorte (Good Night, Good Luck, 2005) é por em perspectiva a noção generalizada de que o americano não é irremediavelmente limitado. Ou pelo menos não costumava ser. Na década de 1950, em pleno macarthismo, alguns jornalistas da rede CBS ousaram denunciar o esquema de caça aos supostos comunistas na marinha americana.

O escândalo se deu num delicado momento político, simultâneo ao começo da televisão. Seu desenrolar contribuiu para vencer uma batalha pública, coisa que não só surpreende pela época mas pelo veículo que originou toda a polêmica.

Era o início desse revolucionário meio de comunicação e por conseqüência, de uma imprensa influente a ponto de interferir nas determinações de quem estava no poder.


George Clooney em mais uma incursão como diretor, conseguiu um excelente resultado ficcional com a relevância de um documentário (mas despojado do estilo “auto-paródia” de Michael Moore). Trata-se de um relato atípico na história dos EUA, em que a mídia serviu para quebrar paradigmas antigos que sustentavam as principais neuroses norte-americanas: ameaça comunistas, ameaça diplomática, ameaça de vulnerabilidade no seu perfeito “way of life”. Em tempos de George W. Bush (e a constatação de que pelo menos metade do país parece complacente a ele) qualquer referência à uma América mais honesta e iconoclasta é bem vinda.

O filme consegue retratar com fidelidade a atmosfera da época, quando ainda havia espaço para um jornalismo dirigido às massas mas autoral também. O romantismo das antigas redações desapareceu, mas obras assim nos lembram da responsabilidade e importância daquele que escolhe a profissão de informar.

Boa Noite, Boa Sorte
George Clooney
[EUA, 2005]



Yeah Yeah Yeah | Show Your Bones
Maio 12, 2006, 2:33 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Música, Wagner, Yeah Yeah Yeahs


Salvação do rock? Ou destruição de conceitos?

Let´s Learn How To Do Rock And Roll
por Mozart Werther

Quando o rock estava morrendo e o electroclash ameaçava ser a próxima febre do reino pop, o mundo se via imerso nas letras ambíguas, músicas extremamente empolgantes e o corpo humano se via totalmente a mercê das drogas e controlado por este gênero. O pop queria o bom e velho 1, 2 3… Let’s go! Queria baixo, bateria e guitarra e não aquele jogo de luz e os sintetizadores, depois de muito atirar em vão ele puxa o gatilho e acerta com o Strokes, porém este é o primeiro de muitas coisas que o rock guardava nas mangas até aparecer o Yeah Yeah Yeahs e consertar o estrago que o mundo tinha sofrido.

Mostrando qualidade e apelo pop, a banda nova iorquina, vinda direto do bairro barra-pesada do Brooklyn era formada pela bela porra-louca Karren O, nos vocais, o esquisitão, Brian Chase na bateria e o nerd Nick Zinner na guitarra. Depois de fazer muitos shows em bares da cidade, NY via nascer uma cena, uma cena nada mainstrem, onde guitarra e bateria nada têm haver com o White Stripes, onde gritos histéricos nada têm haver com o riot grrl, a descendente de oriental desbanca o Sex Pistols brincando no quesito porra-louquice.

A crítica e os ouvintes clamavam por um compacto, no começo fizeram apenas jams sessions na BBC e sessão de fotos para a revista The Face. Quando saiu, o EP foi direto para os clubes. Bang, Mystery Girl, Art Star, Miles Away e Our Time, apenas essas cinco ecoavam em uníssono na casa do hypado, este era o primeiro e perfeito, cinco músicas, todas com a receita certa de gritos, riffs e drums. O EP do Yeah Yeah Yeahs já vendeu mais de cinqüenta mil cópias e tudo antes ter um contrato com a atual gravadora. Mas a sina do segundo álbum estava por vir, mas a praga não pegou a trupe de Karen O.

Fever To Tell já é obrigatório em todas as casas deste planeta tão pequeno para o Yeah Yeah Yeahs. E segundo/ primeiro trabalho do conjunto foi recebido com o devido respeito e com muito mais calor do que o seu antecessor, todas as músicas de Fever To Tell são perfeitas e o grupo conseguiu superar na qualidade em todos os sentidos o EP. É quase impossível achar um defeito ou música ruim neste álbum, até se pode dizer que Fever To Tell está do lado do Is This It, do Strokes, Unknown Pleasure do Joy Division, Nevermind do Nivarna e tantos outros clássicos e excelente álbuns que as mentes doentias deste planeta já produziram. O clipe de Date With The Night, é tão excêntrico que Karen faz um coração com um pó, só resta sabe do que é, mas de talco que não é! Se o Fever To Tell é obrigatório, é ainda mais pecado perder um show dessa niponica vocalista, pois nos shows ela literalmente se joga, o vocal é uma mistura de Siouxsie Sioux e com Iggy Pop, e não é exagero.

Eles são simplesmente o hype do começo ao fim, só não se sabe se a vocalista fica um vulcão nos shows por puro marketing ou ele usa alguns aditivos. A sonoraridade é uma mistura quase que ilustre de Cramps e Jon Spencer Blues Explosion. Em síntese o Yeah Yeah Yeahs soa como Deus e é a melhor coisa já feita.

YEAH YEAH YEAHS Show Your Bones
[Interscope - 2006]

Quando se fala do Yeah Yeah Yeahs com um CD novo logo pensa em ouvir genialidade de Fever To Tell (2003), mas se depara com um álbum muito mais maduro e legível, onde se pode ver o lugar onde o conjunto tira todo o seu alimento musical, onde é que Karen O. faz as unhas e onde todo a loucura hypadas tem-se início, contudo ainda não se pode dizer que o Show Your Bones (2006) é indie-pop, art-punk, alt-pop, indie rock, pré-sad-core, donwtempo, riot, and whatever you funking want. Se fosse tão previsível não seria o estrago auditivo que é.
Cumprindo o seu papel, apresenta um som, como anteriormente dito, audível e entendível.
Joy Division, Blondie, Siouxsie Sioux, Sonic Youth, e L7 são algumas das coisas que se pode reconhecer nesta obra, mas ainda assim uma coisa muito individual e como dizem por ai, a salvação do rock! Gold Lion refere-se ao um prêmio que o grupo ganhou na Inglaterra por um comercial na televisão. Talvez o ápice do álbum ou não, mas é o primeiro trabalho do YYYeahs e com clipe fluindo na net! Way Out, Fancy e Phenomena são bem parecidas, mas pode ir perfeitamente para as pistas e fazer muita gente enlouquecer com a voz um tanto incomum de Karen.
Cheated Bar parece se aproximar das raízes obscuras do YYY. Dudley parecer ser a mais boba do disco, esconde um toque sensato. The Sweets, como o nome diz é a música mais leve e mais radiofônica deles. Mas o Turn Into é a final e não parece ter fim, pois após ouvir o disco fica um sentimento de incompleto, onde a porra louca oriental não mostrou seus dotes. Maduro porém inacabado… É inaceitável não tê-lo no ipod, porta cd ou no Hd no compuatdor. Só ficou um duvida: o que significa estes trapos na capa do álbum?
NOTA: 8,5



Hard-Fi | Stars Of CCTV
Maio 1, 2006, 2:57 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Hard-Fi, Música

HARD-FI
Stars Of CCTV
[Wea/Atlantic, 2005]

Hard Fi, Stars Of CCTV - 2006Eles estão sendo comparados ao Clash, sobretudo na época do disco Combat Rock. O Hard-Fi faz parte do grupo de bandas britânicas que exploram o dance punk, como o Kaiser Chiefs e o Bloc Party. Não que eles não cumpram com eficácia esta tarefa. O disco Stars of CCTV, lançado no ano passado e derivado do EP Cash Machine é uma seqüência de hits para festas escapistas e indies. Escapista e hedonista sim, como toda banda inglesa, apesar de que algumas letras do grupo apelarem à uma consciência pop de revolta que aborda até a Guerra do Iraque (na faixa Middle Eastern Holiday, a melhor do disco). Por isso também a comparação com o Clash é muito citada. Mas o Hard-Fi nunca poderia ser Clash, a começar pela inventividade, que aqui é bem pouca, e depois pelo contexto político de ambas as bandas. O Hard-Fi não movimenta nada, politicamente falando. Por outro lado, é sucesso em clubes, até mesmo nos EUA, e além disso chegaram ao primeiro lugar no chart britânico, quando lançaram o EP. Hard Beat é o novo hit de qualquer festa, obrigatório daqui a pouco. E Cash Machine, que abre o disco, é pra você esquecer de uma vez por todas o quanto foi divertido dançar ao som do Rapture. Pra quem não deixa passar nada despercebido, Hard-Fi dura o quanto vale. [Paulo Floro]
NOTA::6,0



Placebo | Meds
Maio 1, 2006, 2:54 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Música, Placebo

PLACEBO
Meds
[Astralwerks / Emd, 2006]

Placebo, Meds - 2006 O Placebo surgiu no meio da década passada, na ressaca do Britpop e ousou ao trazer uma estética glam aos anos 90. Com o andrógino vocalista Brian Molko à frente da banda, se utilizou dessa imagem o quanto pode, sobretudo em clipes. No som, após o homônimo disco de estréia (1997), o grupo se empenhou em criar um estilo, um modus que agradou aos fãs, de unhas pintadas de preto e coturnos, que, desesperados, cultuavam a imagem e as letras de Molko. No entanto é essa fórmula que fez o Placebo se travar em uma esquina de sucesso que não consegue mais sair. O power trio, aliada à voz meio feminina de Molko, trouxe hits memoráveis e indispensáveis como “Every Me Every You”, “This Picture”, “Nancy Boy” e “Come Home”, mas tudo o que se fez aqui neste Meds, já foi visto anteriormente no som da banda, e com resultados melhores. Quem curtiu o Placebo na época do Without I´M Nothing, um disco excelente, pop rock de altíssima qualidade e carregado de referências que ia de Bowie à Bolan, não precisa realmente deste novo álbum. Hoje a banda se resume a repetir um repertório que alterna baladas arrastadas com hits cujos riffs tentam alcançar o mesmo resultado de outras eras. Em Meds, não há nada que demonstre que o Placebo ainda possuí algum sopro de renovação. E olhe que esse disco era muito aguardado depois de uma série de bests of e um álbum de sucesso que foi o Sleeping With Ghosts (2004). Nem a participação de VV do The Kills na faixa de abertura ajudou. Eu nunca consegui dizer qual álbum do Placebo era ruim, já que todos eram bastante parecidos e quando não surpreendiam, não erravam feio. Meds é a triste resposta desta banda inglesa. [Paulo Floro]
NOTA::6,0



Cobertura Abril Pro Rock 2006
Maio 1, 2006, 2:49 pm
Arquivado em: Abril Pro Rock, Cobertura, Floro, Música, Wagner

ABRIL PRO ROCK 2006 – 1° dia (A festa nunca acaba)
por Paulo Floro e Wagner Beethoven
Este ano o evento teve um de seus menores públicos e teve atrações que dividiram opiniões de quem compareceu. Sem nenhuma grande escalação, o APR se assemelhou um pouco às origens quando muitas bandas conseguiam visibilidade tocando no festival.

1. MONTAGE (Ceará)
Daniel Peixoto, Montage - CearaComo previsto o Abril pro Rock começou pontualmente às 22 e 30 da noite de sexta (21 de abril de 2006), num palco pequeno, diferentemente do anterior (a mega estrutura). O electro, a grande atração da noite, não precisava de muito… Apenas do Montage para fazer a pulsação aumentar e muita gente dançar, eles foram a abertura do Abril, mas “fecharam”. O Montage, banda do interior do Ceará, mais precisamente do Cariri, formada por Patrick Bachi (guitarra e programação), Leco Jucá (groovebox e programação) e Daniel Peixoto (voz e visual) abriram com à música Raio de fogo e até cantaram música nova, o vocalista esbanjou carisma e muita intimidade e contou por várias vezes com a participação do público que uníssono emitias as letras da música, que entrarão logo no primeiro trabalho do conjunto electropunk. Resumo da opera, o Montage conseguiu fazer os poucos amantes do electroclash dançarem e se divertirem muito! Depois do show, foi tentar ir ao banheiro, mas os “fãs” quase que não deixavam o showman do Montage fazer o xixizinho!

Para mais informações: fotolog.com/_montage ou fotolog.net/danielpeixoto

2. KOOK feat. ROXXY (Alemanha)
Roxxy Bione, Kook & Roxxy - AlemanhaDepois um show de trinta e cinco minutos do Montage, a dupla from Berlin, Kook feat. Roxxy, chegou com o seu eletrônico nada inovador, porém o desempenho de Roxxy, cantora de punk rock de longas datas (Tempo Nublado, Recife – 1897) apesar do corpo um tanto fora de forma, a loira (e muito loira, diga-se de passagem) veio sem essas preocupações. Fez um show bonito e muito dançante, porém falou em português, mas um tanto constrangida, pôr um “Tudo bem Olinda e Recife” , alguns blá blá blás e se enrolar na bandeira brasileira não foi suficiente para que o público ficasse mais animado. Kook já chefe de festa há uns 10 anos, cantou e encantou muitos os olhos da platéia… E com isso animou um pouco mais, “enquanto a senhora” trocava de roupa, pois ela fez uma infeliz escolha… Infeliz mesmo. Tocaram as músicas do seu primeiro trabalho, Phantom Hitchhiker lançado em 2005 pela Pale (http://www.pale-music.com). A guitarra de coraçãozinho de Roxxy e sua maquiagem a lá Blade Runner trouxeram um pouco mais de felling ao show.

Para mais informções: kook-music.com/ ou roxxybione.de

3.DIPLO (EUA)
Diplo foi o melhor show da noite. Na verdade, muita gente foi apenas para vê-lo. Com uma programação sem novidades, sem nada do mainstream o povo estava se preparando para dançar funk, já que não conhecia nenhum dos escalados. Diplo não fez feio, mas também não ousou. Foi o ápice da noite, com samplers hip hop junto à batidas do já tão falado funk carioca. Funk não é uma merda, é uma catarse, pensa-se ao se dançar ao som do dj americano. Depois desse show todos já poderiam ir embora, mas ninguém sabia que as outras atrações seriam tão insignificantes.

STEREO TOTAL e o resto.
Fez o público se empolgar a ponto de invadir o palco, o que diferente da segurança do evento, a banda apreciou muito e acabou trazendo mais um monte de gente pro palco. A dupla franco-germânica faz um pop nonsense, com performances malucas (ridículas) e instrumentação caótica. Se Diplo não tivesse tocado, teria sido a melhor atração da noite. O Dj americano abusou no Recife no que sabe fazer de melhor, misturar electro com funk e mais um monte de bizarrices que estremeceu o Pavilhão do Centro de Convenções, onde ocorre o festival. O Bloco Mega Hits foi um projeto do Dj Dolores que ficou dissonante naquela noite que poderia ter sido uma electrohard quente e frenética. A tentativa de fazer versões de hits do pop clássico em versões meio carnavalescas com bastante metal não deu tão certo. De longe pareceu desnecessário o APR ter tentado incluir uma coisa regionalista (reducionista) neste dia. Chato.

O evento chegou num ponto de transição e reflexão. Até onde um festival desse porte pode ousar trazer bandas sem muito público sem que tenha que se render ao que há de pior no mainstream. E ainda não ter que repetir as atrações. Além disso muitos colunistas e pagantes reclamaram do preço do ingresso, já que o evento foi patrocinado pelo Estado. Fora isso, houve um certo abandono por parte do próprio festival. Tirando o stand da Petrobrás, quase não houve standes e barraquinhas. ano passado, muitas bandas, selos, lojas e artistas puderam mostrar seu trabalho para um público, que diferente desse compareceu.