O Grito!


Adult | Gimme Trouble
Março 23, 2006, 9:12 pm
Arquivado em: Adult, Crítica-Música, Floro, Música

disco
ADULT Gimme Trouble
[Thrill Jockey; 2005]

O Adult. é uma resposta para aos questionamentos sobre se o electro punk ainda pode render bons frutos. Se bem que, como demonstra este novo trabalho da dupla, não se pode enquadra-los exatamente neste estilo. Na verdade não podemos enquadra-los em estilo algum. É incrível como o Adult. ainda continua meio obscuro no cenário pop, mesmo sendo badalado em festas alt/indie/electro por aí. No início foi jogado junto à bandas como Ladytron para urgentemente serem enquadrados à um movimento. A banda no entanto está muito mais próxima das sonoridades de sua cidade natal Detroit, do que à estetica electroclash. Misturando new wave, synth pop, punk rock e toda a sorte de barulhos, o casal Nicola Kuperus e Adam Lee Miller, são conhecidos combatentes do mundo rock, donos do selo Ersatz Audio, onde já fizeram vários remixes para bandas como Death In Vegas e Fischerspooner. Desde que sua música mais (ou menos) conhecida Hand To Phone foi lançada até este Gimme Trouble, a banda experimentou muito, passando por inúmeras vertentes e tendências. Dizem que quase se tornaram uma outra banda. Neste disco é clara a intenção de Kuperus, também produtor do álbum, de buscar uma sonoridade que se afaste de suas viagens anteriores. Talvez por isso à uma primeira audição essa busca alcance um nível de neurose. Mas é algo nervoso mesmo. E isso é muito difícil de se fazer, mesmo que para muitos, fazer um monte de loucuras, colagens possa parecer fácil. Gimme Trouble tinha tudo pra ser um disco chato. É tudo uma questão de manter os ouvidos disponíveis à um som que sintetiza de maneira até um pouco caótica de tudo um pouco, de guitarras new wave devonianas à cinismo punk. Você pode ouvir um estridente baixo mal tocado aqui, depois um vocal feminino cantado com um abuso tremendo,passando por climas soturnos meio Siouxie and the Banshees, ou um sintetizador demente martelando. Não há uma música a citar para linkar o álbum a algo feito, de modo a ajudar a audição, por que oras, é essa a função de uma resenha. É escutar tudo mesmo. O que talvez possa retirar um pouco o Adult. na esfera pop mais habitual, é sua música não-convencional, tanto na forma quanto no conteúdo e referências. Pra quem já ouviu o Anxiety Always (trabalho anterior da banda) ou guarda algumas mp3 do grupo, o Gimme Trouble é um presente saboroso mas, ainda assim nada fácil. E para aqueles que por um momento enquadraram a banda a um movimento eletrônico fashion ou o relacionaram à um momento Detroit-pós-Jack White, precisam mesmo ouvir este disco. Para se assustarem.
NOTA:: 8,0 [Paulo Floro]



Sandman Estação Das Brumas | Neil Gaiman e Vários Artistas
Março 23, 2006, 9:10 pm
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Quadrinhos, Sandman

hq
SANDMAN – ESTAÇÃO DAS BRUMAS
[Neil Gaiman e vários artistas - Conrad 256 pgs, R$ 60]

Neil Gaiman criou a maior série de quadrinhos de todos os tempos. Como obra prima da arte sequencial, Sandman se enquadra ao lado de Batman o Cavaleiro das Trevas (Frank Miller), Watchmen (Alan Moore) e Maus (Art Spielgman), com o diferencial de que Sandman se tratava de uma série mensal, cuja peridiocidade poderia retirar o brilho ou a qualidade da série. Afinal estamos acostumados a ver isso nos quadrinhos. Podemos dizer que Gaiman e seus colaboradores criaram 10 fantásticas obras-primas das hq´s. Começando com Prelúdios e Noturnos, até agora, com A Estação das Brumas, a Conrad num projeto editorial nunca antes visto lança toda a saga do Lorde Morpheus e seus irmãos perpétuos. Neste livro, Sonho vai até o Inferno para resgatar Nada, seu antigo amor, o problema é que Lúcifer Estrela-da-Manhã jurou destrui-lo. Neste livro conhecemos (quase) todos os irmãos perpétuos, com suas maquinações, intrigas. Com sua visão do Inferno e com diálogos magníficos, é a melhor saga na minha opinião. É inquestionável o valor literário de Sandman, que condensa em sua mitologia referências do rock´n´roll, cinema, clássicos literários e dos próprios quadrinhos. Como uma obra de arte, com um roteiro que vai do surpreendente ao genial, Sandman nunca se afastou dos quadrinhos enquanto formato, com elementos simples utilizados até hoje. O modo como Gaiman se apropria disso é que tornou a série uma aclamação de crítica e público. Outro ponto alto da obra é a arte, que muitos reclamam, mas que se encontra no contexto e clima do roteiro. Mark Dringenberg e Kelly Jones, vão do naturalismo ao dark, mas sempre enquadrado numa estética sombria, isso sem falar de Dave Mckean, o capista, cuja obra trabalho em Sandman aproximou os quadrinhos às artes plásticas. É muito difícil fazer uma crítica de Sandman, sem essa locomotiva de elogios. Talvez excepcional não seja o bastante… Então, já que muito já foi dito da obra de Gaiman, a nota vai, sobretudo à Conrad que fez um trabalho magnífico como nunca se viu no Sonhar.

NOTA:: 9,5[Paulo Floro]



Arctic Monkeys | Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
Março 23, 2006, 9:04 pm
Arquivado em: Arctic Monkeys, Crítica-Música, Floro, Música

ARCTIC MONKEYS
Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
[RoughTrade, 2006]

Desespero. Talvez seja isso que acomete crítica e consumidores em geral de música pop, ao eleger, no início do ano, uma nova revolução, um novo cânone da música, a nova maravilha do rock, que foi o que fizeram com o Artic Monkeys. É muito simples, até como exercício de mau humor, discordar da hegemônica crítica mundial que transformou o Artic Monkeys no maior fenômeno de mídia até agora. No entanto, mais fácil ainda é adicionar mais adjetivos à já tão inflada banda inglesa. Não que eu vá tirar méritos de rapazes de 19, 20 anos que conseguiram causar comoção em meio mundo, com um rock simples e dançante. Longe disso. A comoção pelo Artic Monkeys é sobretudo plástica, com um detalhe que eles são um hype inglês (outro elemento muito importante para culto) e que tocam rock feito pra pista de dança. O disco começa empolgante, com um vocal emprestado de um já velho e distante Pete Doherty com “The View From Afternoon”, preparando o terreno para o absurdo hit de I Bet You Look Good On The Dance Floor, cuja letra foi vendida como uma genialidade, mas é besta que só. O disco possuí muitos momentos ótimos (memoráveis), que vai do cinismo indie ao marasmo pós-clube. Mas é um álbum essencialmente pra dançar. Hype puro. Numa noite chapada, coloque o cd inteiro pra tocar e vai parecer uma única faixa. Mas vai ser divertido, no entanto. A verdade é que Whatever… é mediano, no máximo divertido, mas nem de longe surpreendente. Seus acordes, referências pop, letras, já foram por demais reprocessadas. É como se pegássemos o Kaiser Chiefs e elevássemos à uma perfeição do pop. Talvez seja essa a tendência da música nessa primeira década do século, fundamentar um conteúdo sobre um fenômeno.
NOTA:: 7,5 [PF]



Pergunte ao Pó
Março 23, 2006, 8:56 pm
Arquivado em: Cinema, Floro, Matéria, Pergunte ao Pó

DESCOBERTAS &INCERTEZAS
por Calvin Curtis

Arturo Bandini foi o pai dos outsiders.

Antes de Bukowski e todos os outros ícones que viviam à margem ou estranhos ao american way of life, John Fante criou em seu livro Pergunte ao Pó (Ask The Dust) o maior de todos, Arturo Bandini. Filho de imigrantes italianos, Bandini vivia em uma pequena pensão e sonhava em ser escritor. Fante nos dava um personagem que saltava das páginas do livro, sentava ao lado de nossa cama e pedia um café.

A escrita de Fante influenciou todo um estilo beat que se tornaria um marco na Literatura Ocidental, baseada primeiro na emoção, no momento, do que propriamente em uma base estilística qualquer. Arturo Bandini vivia uma relação de paixão confusa com a garçonete Camilla, espécie de musa latina distorcida maconheira que não soube responder ao amor do protagonista. Bandini e Fante representam uma emoção traduzida como nunca mais tinha sido visto nas letras. É um daqueles livros, que por isso se tornam cult, sem nenhuma divulgação, apenas pela paixão de seus leitores que levam o livro de um a
outro, para que todos possam conhecer Bandini.

Fante foi um dos principais escritores americanos do século 20. Por toda sua obra, fragmentou sua própria história em personagens ítalo-americanos com um certo estranhamento ao mundo à sua volta. E tudo isso de maneira trivial, coloquial. Foi com isso que Fante se tornou um ícone que influenciou até mesmo escritores brasileiros como Clarah Averbuck. São seus Espere a Primavera Bandini, Sonhos de Bunker Hill, mas seu maior clássico é mesmo Pergunte ao Pó.

Lançado recentemente nos EUA, o filme baseado no livro homônimo Pergunte ao Pó, dirigido por Robert Towne, traz a atriz Salma Hayek no papel de Camilla e Colin Farrell como Bandini. Towne, conhecido na indústria por ter recebido o oscar de roteiro por Chinatown, queria Al Pacino para o papel principal, mas agora estava visivelmente inviável. Salma, mexicana radicada nos EUA, pode ser vista como perfeita para o papel da garçonete analfabeta por quem Arturo se apaixona. Salma recusou o papel há oito anos atrás, por temer ser relegada ao mesmo tipo de papel. Hoje em dia Salma é o que se pode chamar de atriz de porte em Hollywood, alterna papéis densos, como Frida e Vanilla Sky com blockbusters bobos como Era Uma Vez No México. Prestes a estreiar uma nova produção onde faz o papel de uma assaltante de bancos mexicana em Bandida (junto com Penélope Cruz). Salma Hayek não vê mais problema em utilizar sua latinidade em bons papéis. Para o diretor, só Haiek possuí a autoconfiança sexual, de quem já sofreu a discriminção por ser mexicana em algum momento. Camilla é um personagem forte e seguro, um papel que se enquadra perfeitamente para Hayek, indicada ao oscar por sua interpretação em Frida. No entanto, o filme perde alguns pontos em seu background por escolher Colin Farrell para o papel de Arturo Bandini. O ítalo-americano que sonha em ser escritor famoso não se enquadra exatamente num perfil como o de Colin, que pra começar é irlandês. Mas isso é o de menos. Fudido, Arturo comprava laranjas, que guardava embaixo da cama, com os poucos dólares que tinha. Quando saía para humilhar a amada Camilla no restaurante próximo à sua casa, nem pagava o café. Colin é musculoso, com feições afiladas, mas nada que uma tranformação e imersão no papel não resolvam. Afinal, ele é um ator. Se bem que sua caracterização como Alexandre tenha ficado meio no automático. Enfim, como não vi ainda o filme, analiso apenas as referências. Resta saber se o filme terá a mesma mágica do livro. Aquela coisa inexplicável que arrebata e conquista leitores desde que foi lançado. É de se questionar também se o próprio Fante se agradaria desta adaptação de sua obra maior para a tela grande. O escritor também se envolveu com a indústria do cinema, escrevendo os roteiros para cinema, então por isso talvez fosse mais rigoroso em sua análise. Pergunte ao Pó, o filme teria tudo para se tornar cult. Aqueles filmes que em poucas semanas somem dos cinemas e muitos o descobrem depois. Também pode trazer um novo interesse para a obra de Fante.

Se possuir a magia do livro (ou ao menos tentar) já pode entrar para a lista pessoal de muita gente, como os livros de John Fante, um tesouro subjetivo inexplicável. Mas também pode resumir tudo isso a uma busca nervosa por bilheteria, com um trailer bem feito, principalmente se for lançado num período fraco de grandes produções.



Orgulho e Preconceito | Joe Wright
Março 16, 2006, 9:18 pm
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Floro, Wright

COISAS BELAS E BELAS
por Paulo Floro

Jane Austen é mais uma vez revisitada neste belíssimo filme sobre a sociedade inglesa e suas nuances nem sempre bonitas. Elisabeth Bennet (Keira Knightley) ou apenas Lizzy é uma moça que vive em uma propriedade humilde com uma mãe casamenteira e neurótica que sonha com casamentos lucrativos para suas cinco filhas. Teimosa e com um temperamento apaixonante, para compor uma heroína nos moldes da escritora de Razão e Sensiblidade, Lizzy logo irá se opor a todo o sistema de casamentos que na verdade são jogadas diplomáticas que envolve dinheiro e poder entre as famílias. Tudo muda na pequena cidade quando um grande solteirão Sr Bingley (Simon Woods) decide passar uma temporada no local, junto de seu amigo, Sr Darcy (Matthew Macfadyen). Por conta de idéias pré-concebidas, Elisabeth irá nutrir uma relação de ódio e confusão sobre o amor expressado (e declarado) do Sr Darcy. Os dois ficarão juntos no final, como é óbvio em produtos deste tipo, mas o principal mote do filme é mostrar todos os enlaces da trama que envolve os sentimentos dos dois protagonistas. Orgulho e Preconceito é uma das obras mais completas a abordar sátira social, retrato de época (o figurino foi indicado ao Oscar) e romance. Os longos planos, exibindo a paisagem dos campos ingleses, tenta tornar tudo o mais belo possível, mesmo quando mostra cenários sujos e prosaicos. A própria Keira Knightley é filmada de maneira a explorar seus traços mais belos. A interpretação de Keira, passa longe do espantoso, é antes de mais nada funcional, correto. Já Matthew Macfadyen foi processado e embrulhado pra presente como um novo galã, novo saindo do forno. Todas as cenas em que aparece servem para reforçar esta imagem. O próprio sr Darcy é duro e sua fleuma é evidente e Matthew talvez não tenha tido tanta dificuldade para interpreta-lo. Destaque para a cena em que Darcy desconstrói sua aura de inacessível e se declara apaixonado por Elisabeth. A cena, olhem só, ocorre na chuva, outro recurso pra deixar tudo mais, como dizer…comovente.
Dirigido por Joe Wright, é um filme que não se envergonha de se utilizar de recursos batidos para contar uma boa história. Orgulho e Preconceito é esperto, sabe que pode abordar uma leve sátira aos costumes e à sociedade inglesa sem abrir mão de um filme-entretenimento. E sabe que pode falar de temas como amor, romance entre um galã e uma nova estrela de Hollywood sem precisar ser superficial. Em duas horas de projeção, o longa não tem um ponto baixo, prendendo a atenção do espectador com suas várias reviravoltas. Só fica abaixo de 8 por que não teve beijo no final. (mas aí quem está sendo fútil sou eu…)

ORGULHO E PRECONCEITO
(Pride And Prejudice, ING 2005)
Dir: Joe Wright
NOTA:: 7,8



2046 | Wong Kar Wai
Março 16, 2006, 9:15 pm
Arquivado em: Cinema, Crítica-Cinema, Floro, Khar Wai

DESLUMBRE DO AMOR E DA DOR
por Paulo Floro

2046 é um filme sobre dor. E amor, e sobre o diálogo entre esses dois sentimentos. E se tratando de uma obra de Wong Kar Wai (Amor À Flor da Pele, 2000), teremos uma bem acurada viagem, um mergulho mesmo na vida dos personagens, um filme sobre paixão e perda. Nos anos 60 um escritor, (Tony Leung Chi-wai) tem intensas relações com quatro mulheres, uma jogadora (Gong Li), duas prostitutas (Zhang Ziyi e Carina Lau) e a filha do dono do hotel onde mora (Faye Wong). Vivendo num pequeno hotel, ele tenta terminar sua obra de ficção “2046″, sobre um trem que leva passageiros em busca de seu passado, do qual apenas um voltou. Nesta obra, o escritor Chow absorve todos que encontra, para que como personagens de seu livro, os possa analisar, buscar compreender. É um filme que ajusta a beleza à construção da história. Da direção de arte dos figurinos, da construção dos cenários de época, da penumbra, da música (inclusive Nat King Cole com “The Christmas Song” , perfeito). Tudo leva seu tempo, e o tempo aqui é muito particular, sendo conduzido de acordo com o envolvimento entre os personagens. E são várias épocas e várias realidades, todas tratando de amor e distância. E o diretor embarca o escritor protagonista numa viagem metafísica, ao colocar um filme dentro do filme, que é a obra futurista “2046″, nesta obra, do qual o próprio Chow faz parte encontram-se todas as mulheres e suas angústias, prazeres e desejos. A diferença é que aqui ele consegue conviver com elas. Tudo se inter-relaciona. As andróides do livro, cuja distância forçada as fazem chorar, o calor humano que falta durante o natal, a impassividade com relação ao amor. Cada personagem tem seu tempo, e todas possuem uma história com o escritor que não se relaciona com as demais. Zhang Ziyi está perfeita, conduz a parte mais passional (e também a mais triste) do longa, como a prostituta que apesar do amor que entrega, recebe como resposta o simples pagamento do encontro. Ziyi, como estrela do longa, usa da força do seu charme para deixar o filme grande. Sem dúvida a maior estrela do cinema da China hoje e como não do cinema mundial. Khar Wai foi esperto ao trazer quatro ótimas atrizes (divas?) de seu cinema para 2046. Elas sustentam o longa, conduzem a trama. Há um esvaziamento emocional de Chow e de suas amantes. Em todas há a negação do amor, tanto por parte delas quanto por Chow. A força da paixão, que também pode levar à auto-destruição, é um tema caro a Wong Khar Wai que neste filme é mostrado de forma lenta, dura. Tão duro quanto Chow em sua relação aos seus sentimentos. Não é um filme para muitas platéias. Trata-se de um longa em que o tempo, tanto o real quanto o subjetivo é muito importante. As relações, inclusive o sexo, são muito sinceras, estreitas. Tudo isso é para ser apurado com calma, sobretudo as cenas futuristas, unindo cyberpunk com apurado senso artístico, na forma e na linguagem. Se bem que tudo fluí perfeitamente, justamente por causa das interpretações das atrizes, sobretudo Gong Li e claro, Zhang Ziyi. É nessa força que reside a beleza de 2046, uma pequena obra prima do cinema chinês, e um atestado de genialidade de um diretor como Khar wai.

2046
(2046, HON,ING,FRA, 2005)
Dir: Wong Khar Wai
NOTA:: 8,5