O Grito!


Heróis Sem Poderes | Matt Cherniss e Michael Gaydos
Fevereiro 28, 2006, 9:23 pm
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HERÓIS SEM PODERES
Matt Cherniss e Michael Gaydos
[Marvel Max 29; Panini R$ 5,90]

Não é tão difícil encontrar obras cujo principal mote é fazer uma releitura do universo Marvel. Ou até usando o próprio universo como um personagem da trama. Marvels de Kurt Busiek e Alex Ross e até mesmo Alias de Brian Bendis e Gaydos são bons exemplos de obras que utilizaram conceitos e tramas cristalizadas da Marvel para conduzir seus personagens à uma interpretação distanciada e realista. Heróis Sem Poderes (Powerless) parte da mesma premissa. Sendo que, desta vez o universo das “maravilhas” é tido como uma possível recordação. Na trama, o psiquiatra William Watts acorda de um coma profundo onde aparentemente todos os supers da Marvel existiam para um mundo sem heróis. Nesta nova realidade, o psiquiatra encontra as versões de Peter Parker, Matt Murdoch e Logan (sempre ele) que de uma forma ou de outra irão interligar seus conflitos e tramas ao dr Watts. A série é um deleite para fãs da Marvel e parece ter sido feito por um. Todos estão lá, de Emma Frost à Sue Richards. Todos sem poderes. Esta premissa metalinguística já tinha sido muito bem explorado em Alias, e talvez por isso Michael Gaydos tenha retornado para desenhar Powerless. Gaydos é um artista brilhante, no seu traço os personagens perdem a irrealidade do heroísmo, a pose olímpica. Perfeito para uma série que, ao destituir seus principais ícones de poderes, pretende discutir o significado de ser herói. O texto também é excelente, se utilizando de tramas clássicas marvel (o assassinato da família do Justiceiro, o assédio de Norman Osborne a Peter Parker, o passado obscuro de Logan). Não é preciso ser gênio para recontar tudo isso, mas Matt Cherniss esbanjou criatividade num roteiro instigante.
NOTA:: 8,0 [Paulo Floro]



Camelot 3000 | Mike W. Barr e Brian Bolland
Fevereiro 28, 2006, 9:21 pm
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CAMELOT 3000
Mike W. Barr e Brian Bolland
[Mythos Editora; 302 pgs; R$ 59,90]

No ano 3000, durante uma invasão alienígena à Terra, Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda ressuscitam para combater os aliens e retornarem à glória da antiga Camelot. No entanto as novas versões não são estritamente perfeitas, como Sir Tristão que reencarna como mulher e Percival como um monstro disforme. E assim como Arthur, sua principal inimiga, a vilã Morgana também retorna. Camelot 3000 é uma obra singular em inúmeros sentidos. Incontestável um clássico.

Quando Mike W. Barr e Brian Bolland idealizaram a série para a DC em 1981 o Mercado de hqs ainda não conhecia nenhuma obra parecida com o que viria a ser publicado. Por outro lado a DC procurava lançar uma série fechada que se tornasse antológica. Foi a maneira como foi contada que a tornou clássica. Ambientada num mundo retro-futurista, trouxe temas inéditos num gibi norte-americano como lesbianismo e corrupção. Com inúmeros personagens, Barr conduz vários conflitos, todos amarrados à trama central. O Graal, a traição de Lancelot, o destino de Percival, tudo recebeu uma nova leitura. Foi a primeira vez que a indústria dos quadrinhos se utilizou de um clássico da literatura de forma bem sucedida. E isso em 1981, onde o que conhecíamos por “vanguarda” nas hqs ainda não existia. A série já havia sido publicada no Brasil, mas não havia tido o devido respeito à sua importância e relevância.

A nova versão da Mythos traz as mais de 300 páginas em papel off-set e logo laminado. No entanto, por exorbitantes R$ 59,90 a edição merecia um acabamento melhor. A Conrad por 60 reais publicou uma edição luxuosa de Sandman. Além disso, anunciada para dezembro, o encadernado teve um atraso de mais de um mês para chegar às lojas. Mas nada disso retira o brilho da obra. Mesmo.
NOTA:: 9,0 [Calvin Curtis]

Para ver as capas orginais, clique aqui: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6



O Segredo de Brokeback Mountain | Ang Lee
Fevereiro 28, 2006, 9:20 pm
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DESOLAÇÃO INTERIOR
por Paulo Floro

Um filme cujo mote principal seja um romance homossexual sempre será visto como fetiche. Mesmo que já venha sendo abordado há pelo menos duas décadas no cinema. E não foi diferente para O Segredo de Brokeback Moutain, dada a repercussão do filme. O longa de Ang Lee já coleciona quase meia centena de prêmios, o que talvez, mostre que as audiências estejam mais apuradas e/ou maduras. O próprio Oscar, ao lotar de indicações o filme, aumentou o sucesso e produziu filas em cinemas brasileiros para ver o amor proibido de dois caubóis. E não foi a primeira vez que o diretor fala de um amor gay, em 1997 Lee também falou de segredos e proibição em Banquete de Casamento. Ang Lee conquistou recentemente em sua carreira uma habilidade de transformar seus filmes em grandes sucessos comerciais sem abrir mão de sua visão particular e artística.

O Tigre E O Dragão, um filme oriental, sobre artes marciais, legendado tornou-se um espécie de blockbuster americano em 2000. Lee sempre demonstrou esse viés de ser acessível, de mostrar que se pode produzir obras de alta relevância artística sem se render ao mercado do entretenimento de massa. Com isso o diretor taiwanês mostra que o público gosta e aprova, e a resposta de lucro pode ser alta, filmes que fujam dos padrões da maioria do lixo produzido atualmente em Hollywood. Talvez a única nódoa em sua filmografia tenha sido Hulk (2003).


Jack e Ennis na montanmha Brockback observando as ovelhas

Desde que foi lançado em 2005, o filme já recebeu vários prêmios, mas a maior repercussão foi com suas 8 indicações ao Oscar, inclusive melhor filme, diretor e roteiro adaptado. Ang Lee já havia sido assimilado pela Academia quando lançou a versão do livro de Jane Austen, Razão e Sensibilidade, em 1995. Situado em Wyoming, no interior dos Estados Unidos, o filme conta a história de Jack Twist e Ennis Del Mar, que em meados dos anos 60 são contratados como vaqueiros numa propriedade nas montanhas que dá nome ao filme para cuidar de ovelhas durante o verão. Neste local inóspito é que após uma curta tensão sexual, irá explodir e se desenvolver uma relação física e emotiva entre os dois caubóis, que irá perdurar nas duas décadas seguintes. Há um contraste com a dureza demonstrada em arquétipos de homens brutos na aparência, cristalizado em mais de 100 anos de cinema, nos muitos filmes de western já filmados.

E é nesse ponto que O Segredo de Brokeback Moutain se torna um clássico. Ao contar (muito bem) uma história de amor entre dois homens em cenários exuberantes, Lee subverte o gênero de filmes como Meu Ódio Será Sua Herança. E é nesta desolação, entre ovelhas, escassez e noites frias (ou nem tanto) que irá se desenvolver uma paixão proibida e uma relação amorosa, iniciada numa urgente e violenta transa (mais especificamente numa cena de sexo anal). A própria natureza é utilizada como contraste aos sentimentos enrustidos dos dois personagens. Como o passar dos anos os dois se casam com mulheres, têm filhos e continuam alimentando um prazer secreto nas montanhas, quase como uma outra dimensão, onde não precisariam limitar ou esconder a paixão que sentem. Um dos maiores trunfos do filme é a interpretação dos protagonistas, sempre no limite de externar algo que com o passar dos anos se torna difícil esconder.

O Segredo de Brockback Moutain é um filme delicado que versa sobre relações humanas de uma maneira pouco vista em filmes de Hollywood, há uma trama bem concisa e linear, talvez até direta demais. Mas é com o “não-dito”, nos longos minutos de silêncio, nos planos seqüências onde pouco é falado, e no diálogo escasso que Ang Lee consegue mostrar a força de sua direção. Um trabalho ousado para um padrão já muito estabelecido e muitas vezes homogêneo do cinema comercial. Um retrato honesto sobre o amor entre dois homens. É um filme sobre ciúme, perda, desejo num gênero não habituado a isso. Não convencional, como a história dos dois cáubois.
NOTA:: 9,5



Arctic Monkeys
Fevereiro 24, 2006, 9:31 pm
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O POP E OS SÍMIOS DO ÁRTICO
Questões para entender o Arctic Monkeys. (e os fenômenos do rock).
por Calvin Curtis

Por fora?

Macacos do ártico, como assim?
– O Arctic Monkeys é uma banda de Sheffield, Inglaterra, formada por garotos com idade média de 19 anos. Fenômenos da internet, conseguiram enorme sucesso e público sem nem ao menos gravar um disco. Produzem um rock dançante, provocativo com letras encharcadas de ironia, sarcasmo e ideal pra pista de dança.

O Arctic Monkeys é a revolução?
– Não. Na verdade o Arctic Monkeys é um sub-produto de outra revolução, a do iPod. O aparecimento do tocador de MP3 da Apple gerou uma nova necessidade para o jovem, que hoje não vive sem, por exemplo, um gravador de cd. É a revolução portátil de que a música, agora, além de ser obtida facilmente por todos atraves da internet, também pode ser levada para todo lugar. Um iPod pode armazenar mais de 1500 músicas. Há um conceito subliminar nesta premissa. Você pode ter toda a música que puder ouvir, a qualquer momento, em qualquer lugar. Esta nova era, começou em 2000, quando surgiu o Napster e todo o debate em torno da troca de arquivos entre usuários na rede. Os Strokes foram para a era napster o que o Arctic Monkeys é para a era iPod.

O disco vendeu 360 mil cópias na semana do lançamento. Isso quer dizer ao menos alguma coisa?
– O Arctic Monkeys bateu recordes no Reino Unido. Foi o disco de uma banda de estréia que mais vendeu na semana de lançamento. Seus dois singles lançados até agora já alcançaram o primeiro lugar das paradas no Reino Unido e na Inglaterra. Com músicas já famosas em soulseeks da vida, além do hype de jornalistas musicais e blogs, my space, orkut e afins, seria mais ou menos previsível de que a banda estendesse o sucesso para além do âmbito virtual. No entanto, estas explosões de mídia não são inéditas na imprensa britânica. Antes de lançar seu disco homônimo, o Suede foi capa da NME, enaltecidos como um dos melhores produtos de exportação das terras da rainha.

O Arctic Monkeys são maiores que os Beatles?
– Lógico que não. Eles não inventaram a música pop. Recentemente o semanário inglês New Music Express, fez mais uma lista dos discos britânicos mais importantes. Mal foi lançado, o Whatever People Say I Am, That`s What I`m Not, já entrou em quinto lugar, superando o clássico Revolver dos Beatles. A imprensa britânica, sobretudo a musical, e principalmente os críticos da NME, beiram a esquizofrenia. Extremamente imediatistas, adoram listas polêmicas. Há um certo ceticismo por parte do resto do mundo com as afirmações desta imprensa, mas todos concordam que eles se divertem muito com isso. Por que como o Grito já afirmou como sua máxima, o Hype é delicioso. Antes do AM, inúmeras outras bandas já despertaram esse frenesi. E ao contrário do que muitos críticos andam afirmando sobre o AM, de que daqui a um tempo pouco se ouvirá falar deles, todos os hypes de bandas enaltecidas pela imprensa se tornaram grandes bandas ou fazem sucesso até hoje. Eles estavam certos? É o fato derrubando o mito. Primeiro o Radiohead. O seu Ok Computer de 1997 foi eleito como o melhor disco de todos os tempos, e por mais de uma publicação. E hoje a banda continua sólida e se tornou mega. O finado Suede, com sua legião de fãs, foi um sucesso durante os anos 90 após ter sido ovacionado pela crítica como uma das melhores coisas já criadas pela Inglaterra em termos de música. O Stone Roses são tidos como geniais até hoje, apesar de não terem suportado o peso da importancia que lhe foi imposta pela imprensa. E foi assim com inúmeras bandas; Oasis, Strokes, Libertines, Blur, Pulp, Franz Ferdinand, e mais recentemente The Rakes, Kaiser Chiefs, Racounters… Nenhum deles se tornou efetivamente efêmero. Resta saber se você vai decidir se divertir aproveitando o aqui, agora ou vai teorizar se o antes possuí maior valor ou se tudo se trata do mais do mesmo.

No cenário de bandas atuais o AM se enquadra no chamado novo-rock?
– Esse termo ainda é muito usado para se referir a bandas pós-strokes e que se utilizam da internet como principal meio de divulgação. No entanto tudo agora já retorna ao mesmo lugar de antes. O Arctic Monkeys é uma banda do britpop, e sua música não possui nada de inovador que o retire deste rótulo ou que não o enquadre em estilo algum. Na verdade, como a maioria das bandas inglesas, há um certo (e esforçado) prazer em preservar uma estética inglesa, muitas vezes quase bairrista que conquista meio mundo. Isto vai desde Mark skinner do The Streets até o próprio Alex Turner do Arctic Monkeys. Este fenômeno não é visto em nenhuma outra cena musical no mundo. Como diria Tchekóv, fale de sua aldeia e você será universal.

Por que diabos esta banda fez tanto sucesso?
– Um dos principais marketings do grupo é a pergunta que se faz sobre o sucesso da banda. Confuso? sim. Pra começar o hit “I Bet You Look Good In The Dance Floor” foi um sucesso, as letras da banda falam de coisas prosaicas com humor e cinismo. O som da banda parece feita por encomenda para bombar em clubs e festivais. Catarse? Talvez. O grupo começou tocando na garagem do líder Alex Turner tentando tocar covers dos Strokes. É incrível como foi rápido para que a primeira banda influenciada pelos Strokes aparecesse. E isso não faz nem dois anos.

É provável vermos a banda no Brasil esse ano?
– Pra aumentar o sucesso da banda aqui no Brasil, é quase certeza que o grupo estará aqui ainda este ano. Provavelmente no segundo semestre e no Tim Festival. E como o Brasil já entrou na rota das grandes turnês das principais bandas é bem provável que outra sensação pós-artic Monkeys também apareça por aqui em 2006.

Agora, não menos importante, este Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” é mesmo bom?
– Mais ou menos. O disco é muito longo. Se tivesse tipo, umas 9, 10 faixas seria um clássico mesmo sem a internet ajudando. A impressão que fica é que além de uns 5 ou 6 hits o disco precisa de muitas audições pra se tornar digestível. Além disso tudo o que se escuta aqui já foi feito. E o furor da novidade foi há uns dez anos. Whatever… é o melhor álbum do ano até agora, e com certeza ainda terá muito a ser processado, digerido, incenssado. É divertido, absurdamente. “A Certain Romance”, com seu ska meio torto, “I Bet You Look Good In a Dance Floor”, já meio clássica e “Fake tales of San Francisco”, com um apelo grudento, fora a faixa “The View From Afternoon”, minha preferida e “Riot Van”. Mas nada que mereça o título de obrigatório.

Por que as músicas têm títulos tão grandes?
– Vá perguntar ao Surjan Stevens!



The Strokes | First Impressions Of Earth
Fevereiro 24, 2006, 9:26 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Música, The Strokes, Wagner

WE AREN’T PORNSTARS!
Wagner Beethoven

Em 2000 o rock estava morto e os críticos (principalmente os ingleses) estavam loucos para salva-lo, ou seja, em busca de algo para tornar hype. E eles encontraram muitas salvações, como The Libertines, Interpol,…And You Will Know Us By The Trail Of Dead, Razorlight, Black Rebel Motorcycle Club e o Clinic; todos eram ditos “salvação do Rock & Roll”. Uns caíram no gosto popular, outros da crítica, porém todos com sua parcela pela nova cena rock. Seja usando a sonoridade do Velvet Underground, Kinks, Joy Division ou simplesmente todas elas ou nenhuma. Mas nenhum ficou com o título de salvação do rock como os Strokes. Formado por Fabrizio Moretti (bateria), Nikolai Fraiture (baixo), Albert Hammond Jr (guitarra), Julian Casablancas (vocal) e Nick Valensi (guitarra) lançaram o Is This It?, album de estréia aclamadíssimo pela crítica mundial e que angariou uma enormidade de fãs e admiradores, revivendo o rock, morto por bandas como Backstreet Boys, 5ive, Nsync e a milhares de hordas de boy bands espalhadas por cada centímetro do planeta.

O debut do Strokes, uma banda mundialmente famosa, foi o primeiro passo do rock nas night clubs do mundo, fazendo-as bombar com o ritmo que Elvis popularizou. Destruindo valores e criando outros, depois dos Strokes e do Is This It, o rock e o mundo não seria o mesmo, hit atrás de hit de um jeito simples e extremamente bem produzido.

Apenas fortalecendo o título que lhe foram atribuídos, o filho do dono da agência de modelos Ford Models, Julian Casablancas e seus comparsas faziam bem feito, seus shows enchiam casas de shows ao redor do mundo. A partir de um certo ponto, o Strokes era comparado a bandas milenares deste planeta. Julian com um vocal introspectivo e muito peculiar, sua imagem de ícone era vista na hora e no certo, bem semelhante a Iggy Pop e sua banda, The Stooges com seus gritos cheios de heroína. A imprensa britânica em especial fez o que queria e o que não queria com os Strokes. O baterista da banda (Fabrizio Moreti) era até então um ícone da banda atrás da bateria, seus cachos faziam qualquer garota em shows gozarem no primeiro contato da paqueta com o prato, mas quem ficou com a fama de pegador foi o front man do grupo, que dizem as más línguas, Courtney Love (ex-Kurt Cobain, ex-Hole) fez a música “I´m Too Old For You”, fazendo os Strokes povoarem todos os tablóides ingleses.


O Sexy Simbol do mundo moderno

Não seria necessário apenas ser querido dos fãs e imprensa e ter tido um caso (?) com a ex-do vocalista do Nirvana para a solidificação do grupo no mundo pop, pois o teste do segundo álbum precisava ser fruto do bom gosto, que só os strokes pareciam ter, à época.

Room On Fire lançado em 2003 chegou de forma sincera, embora não tenha superado seuantecessor, Is This It, foi recebido de maneira fria e foi massacradopor especialistas e formadores de opinião. Room On Fire não agradou a indústria musical, embora não parasse de tocar nas rádios do planeta, 11:51 bombando nas fms e o clipe da música passando a cada oportunidade; ver Julian rodando o fio do microfone e a banda inteira vestida com uma roupa coberta de neon era o que o público queria, mas sua obra prima era o primeiro trabalho.

Is This It ainda era o preferido até ser lançado em janeiro (o lançamento foi antecipado por que as músicas vazaram na internet) First Impressions Of Earth, reafirmando sua utilidade ao mundo do rock, a de salva-lo. Com batidas fortes de bateria e o vocal visceral, a banda e o seu terceiro trabalho pode ser colocada no altar junto com a canadense Arcade Fire e o seu Funeral e o new-Velvet Antony And The Johnsons, na criatividade, grandiosidade, genialidade e em potencial de proporcionar prazer, sendo este último um fator principal da música.

“You Only Live Once” abre o álbum com um tom de despedida, “Juice Box” desperta uma vontade de agarrar a pessoa mais próxima e beijar, arranhar e rasgar a roupa com os dentes, o clipe expressa bem isso, a rock de verdade, onde algo vem de dentro das letras, das notas, da atitude, onde apenas gritar, pular não são necessários para dissipar a energia que a música transmite. “Heart In A Cage”, “Razorblack” e “On The Other Side” traz um gosto de esperança, não falo em letra ou técnica, mas sim do idioma que a música fala, traz a esperança que o fim de Britneys, Celines, Black Eyed Peas e afins está bem próximo. “Ask Me Anything” pode parecer repetitiva. Escutar “I´ve Got Nothing To Say”, pode parecer chato, mas ela desce delicioso nos ouvidos junto com a nostalgia dos anos 80.

“Electricityspace” é o que posso dizer de fórmula para um hit, melodia-refrão-melodia, coisa que o Strokes sabe fazer bem, eles reescrevem a cartilha do pop, embora se possa dizer: “sem criatividade”. é isso o que eles fazem. Para terminar esta materia, tenho duas coisas a dizer: 1) “He Of The World” é junto de juice box a mehor música do disco e 2) “First Impressions Of Earth” é a reviravolta do rock, onde os que salvaram tentam agora destruir, seja em qualquer sentido: social, político, sexológico ou físico. Strokes é a melhor coisa que o mercado pop pode produzir.



We3 | Grant Morrison e Frank Quitely
Fevereiro 7, 2006, 9:39 pm
Arquivado em: Critica-Quadrinhos, Floro, Grant Morrison, Quadrinhos

MINIMALISMO ANIMAL DE MORRISON
Por Paulo Floro
Grant Morrison e Frank Quitely
[ Edição Encadernada, Panini, R$18,90 ]

Ja foi dito que o gênero hq, rebatizado por will Eisner como Arte Sequencial, se configura uma mistura de ilustrações, literatura e linguagem cinematográfica. WE3, da polêmica dupla britânica Grant Morrison e Frank Quitely, é puro cinema. É fundamental falar das qualidades narrativas antes de falar da trama em si, por que nunca se viu nada parecido lançado ate entao. A obra quase não tem diálogos e não foi usado nenhum recordatório. Quitely abusa de técnicas ousadas, virtuosismo de detalhes, jogo de luz, câmera que o fez merecer o prêmio Eisner de melhor desenhista em 2005. Numa das (muitas) cenas espetaculares de WE3, os autores utilizam apenas monitores de um circuito interno de tv pra mostrar a fuga dos armamentos e da dr. Roseanne, um dos momentos cruciais da trama. Frank Miller já tinha feito isso, mas nao conseguiu passar uma ansiedade nervosa como agora. Um suspense como pouco é visto nas telas, digo nos quadrinhos. Em outra página, os animais perseguidos, encontram um sem teto disposto a entendê-los e ajuda-los, nesse momento Quitely mais uma vez impressiona ao mostrar, quase sem nenhum balão, a personalidade e anseio de cada personagem. Isso sem falar da cena de abertura, impressionante em dinamismo e ângulos inusitados, talvez aí uma pequena superioridade dos quadrinhos em relação ao cinema. WE3 não é nenhuma revolução, e provavelmente num futuro próximo nem se configure como um dos clássicos dos quadrinhos (ou arte sequencial, depende de como você encara o gênero), mas com certeza foi uma das melhores obras do ano passado. A crítica logo se propôs a transformar a série em cult, o que talvez tenha conseguido, fato que o final da história não dê margens a continuações. Mas também por se tratar de um título da Vertigo, isso não seja tão difícil.

Na história, o governo dos Estados Unidos utilizaram animais em experiências cibernéticas para criar uma força tarefa fiel e imbatível. É a última linha para um governo que se confunde com animais em sua atuação em guerras e combates. No entanto
o governo decide encerrar o experimento WE3, e é nessa fuga súbita que o argumento se desenrola.Os três animais, um coelho, um cão e um gato, apesar do invólucro cyber e do aparato tecnológico ainda conservam o instinto animal e tentam encontrar um lugar que chamam de “lar”. O vocabulário dos três é pobre e escasso, o que mais uma vez chama atenção ao roteiro de Grant Morrison. O escritor escocês conseguiu traduzir quase sem palavras motivações e objetivos dos três personagens da trama, isso aliado à arte de Quitely é que torna a série um espanto de criatividade.

Frank Quitely e Grant Morrison vinham de uma série de sucesso mas cercada de polêmica, os Novos X-Men (New X-Men), que apesar de alterar os alicerces da mitologia mutante, certamente dividiu os fãs. Quitely possui um estilo incomum na indústria norte-americana, estando mais próximo da arte feita nos quadrinhos alternativos europeus. Com o prêmio Eisner recebido por ele em 2005, mostra que o mercado americano (leia marvel-dc), se encontra (bem) receptivo a novos traços. E isso é fabuloso. Morrison já conquistou o seu lugar entre os maiores escritores, com um contrato de exclusividade com a poderosa DC e um uma fase de sucesso com a Liga da Justiça (inclusive, o mais recente, com arte de Ed McGuiness, lançado em janeiro). O escocês ainda conta no currículo grandes obras como Asilo Arkham, Clã Destino (pela Vertigo) e Homem-Animal e polêmicas (ou incoerências pra alguns) como a série 1,2,3,4 com o Quarteto Fantástico.

WE3 é uma das melhores séries do selo Vertigo, e cumpre o papel que se propõe o selo, criar quadrinho de vanguarda. A panini também merece créditos por lançar sem muito atraso no Brasil esta obra. O preço pode ser um pouco alto, mas vale cada centavo. No mais, para uma obra que fala não precisa falar muito, já escrevi o bastante. E não foi suficiente.
NOTA:: 10