O Grito!


Entrevista Viviane Menezes Coquetel Molotov
Junho 18, 2005, 7:59 pm
Arquivado em: Coquetel Molotov, Entrevista, Floro, Música

O COQUETEL DESCE BEM……: SEGUNDA EDIÇÃO DO FESTIVAL NO AR MUITO MAIS FODA.
por Calvin Curtis

Coragem. E ousadia. O Coquetel Molotov, equipe de produtores e agitadores culturais do Recife, descobriram a diretriz certa para fazer as coisas acontecerem. Há alguns dias divulgaram as atrações da segunda edição do Festival No Ar: Coquetel Molotov, e causaram surpresa por trazerem novidades da cena independente gringa e por que não, algum hype, que é lógico é sempre bem vindo. Caçula entre os festivais recifenses, o No Ar está a anos-luz de muitos festivais pernambucanos que requentam atrações ad nauseum em suas últimas edições. No ano passado o grupo trouxe o cultuado grupo escocês Teenage Fanclub e a banda sueca Heel On Wheels. Com um ótimo público no teatro da UFPE, o festival cresceu e este ano conta com um apoio maior e dois dias de shows.

Estão escaladas a dupla nova-iorquina The Kills, o sueco Dungen e o grupo francês Bergs-Sans Nipple. O festival traz também os principais nomes da cena independente nacional. Hurtmold e o Rádio de Outono. Além de Mombojó, Lulina e Mellotrons. Além das atrações o festival traz ainda um apêndice que acontece antes dos shows, de graça no Teatro. Para movimentar mais ainda a cena alternativa, a organização prepara uma espécie de feira para divulgação de zines,quadrinhos, vídeos. É uma ótima oportunidade para que zineiros de todos os tipos e sabores possam divulgar seus trabalhos e enfim, aparecer.

Falando em aparecer, o clã de produtores lançam também uma revista, distribuída gratuitamente no Recife e na internet através do site do CM. Na verdade a publicação foi um susto. E ótimo. Com um design ousado traz entrevistas intimistas, resenhas de bandas que não encontram espaço a não ser em e-zines, blogs e edições gringas (diga um lugar onde você leria sobre o Animal Collective…?). Traz na capa Chambaril. A idéia principal é correr por aí à procura de patrocínio, uma boa tiragem, essas coisas. Mas já deu orgulho.

Viviane Menezes, uma das organizadoras do Festival falou com o Grito sobre o No Ar:,a revista e um certo do it yourself!

O Grito!: Sobre o Festival No Ar: Coquetel Molotov. O quanto é difícil trazer bandas indies, cultuada apenas por um secto de fãs de música alternativa e independente para o recife? Inclusive sem o logo de uma grande empresa como bandeira?
Viviane: É muito difícil, especialmente como você falou, não temos uma grande empresa por trás. Temos o apoio da Secretaria de Educação e Cultura do Governo do Estado de Pernambuco, do Hospital Memorial São José através da Lei Rouanet e Prefeitura do Recife, além de apoios menores como da Pitú Cola, Consulado Francês e Aliança Francesa. O que pra gente é muito mais muito bem vindo! Agradecemos a essas pessoas! Mas apoio de uma empresa grande, que poderia realmente nos patrocinar, porque temos um festival de qualidade e único na cidade, infelizmente não. Acredito que tudo isso pode ser justificado pela falta de espaço na cidade para novos produtores, os antigos é que em sua maioria tem acesso a empresas maiores. O nosso festival e nossas carreiras como produtores ainda são muito recentes, o festival vai para o seu segundo ano e estamos trabalhando com esse segmento de música há quase cinco anos, que pode até parecer muito tempo para quem não está no mercado, mas para uma empresa que quer investir a sua grana, não é muita coisa. Sobre ser um festival que trabalha com sector de fãs que curtem música independente e alternativa, não acredito que isso seja um problema para patrocínio. Até porque é um segmento que vem crescendo muito a cada dia, basta olharmos a quantidade significativa de festivais patrocinados por grandes empresas que surgiram nos últimos anos e trabalhando um headline com as chamadas bandas ‘indies’. Taí o Tim Festival que não me deixa mentir. Acredito que pra gente o importante é estar trabalhando com amigos e com pessoas que amamos e por enquanto, com raras exceções, estamos trabalhando com pessoas que confiam na gente plenamente. Pouco a pouco o nome ‘Coquetel Molotov’ vem ganhando respaldo dentro e fora do Recife, porque sinônimo de qualidade ele já tem, o que é muito importante

O Festival este ano terá dois dias. Isto significa que vocês cresceram bastante desde o último.
Pode ser. Não paramos pra pensar nisso, sobre crescimento nesse sentido. Acredito que a gente sempre quis ter mais espaço pra mostrar artistas que gostamos. Ano passado, algumas bandas ficaram de fora por conta de ser um dia e tal. Então, esse ano achamos por bem esticar os dias e fazer essa mostra cultural (vídeos, selos, praça de alimentação, showcases etc.) que começa na parte da tarde e se estende até a noite, horários dos shows dentro do teatro. Arriscamos mais também, porque poderíamos não ter conseguido fazer isso, mas graças a Deus, conseguimos. Queremos aumentar para três dias, de repente próximo ano já colocamos essa idéia pra fora, vai depender dos nossos parceiros… hehehe. Um jornalista daqui falou recentemente que temos um espírito punk: bora fazer? bora. Mas é bem isso mesmo, vamos em busca do que queremos.

A revista também é um grande mostra de sucesso, talvez. Como será daqui pra frente a distribuição e divulgação? Como começou a idéia?
Essa primeira tiragem (Número zero) de 500 cópias é como um teste para irmos atrás de apoio para dar continuidade ao projeto todo. A idéia é que uma parte seja distribuída (por nós mesmos) em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro e que o restante as pessoas possam adquirir pela net, pagando apenas o frete, através do nosso site, que está sofrendo reformulações, mas entra em breve com informações completas sobre todos os nossos projetos. E ele está lindo! A revista inicialmente deve ser trimestral.

A idéia surgiu em 2003, o objetivo era que o primeiro número saísse no primeiro No Ar Coquetel Molotov, do ano passado, porém não foi possível por diversos motivos. Então, esse ano, nos concentramos em fazer isso acontecer, principalmente Ana Garcia, que é a editora da revista. Ela começou a ler revistas muito legais de fora como Careless Talk Costs Lives, Losing Today, Plan B, entre outras e passar pra gente. Isso impulsionou o desejo de fazer uma revista que unisse boa música, artistas criativos, um design bonito e que fosse gratuita, porque na Europa, EUA etc, eles têm as suas revistas de música gratuitas. Então, porque não no Brasil?

Como vocês analisam o público-alvo de vocês aqui no Recife? Existe realmente uma “cena” indie atualmente?
O que existe na verdade é um momento muito bom de encontro de bandas e amigos. Eu não acredito em uma cena, porque são artistas totalmente diferentes, uns têm guitarra, outros não; outros tem baixo, outros não. Não existe uma unidade que se reconheça como cena. Porém são bandas irmãs, porque por um lado os músicos têm quase as mesmas influências e vale ressaltar que muitos estão ralando há algum tempo. Mas agora devido a diversos fatores estão conseguindo pouco a pouco um espaço maior na mídia local e fora. O que é importante dizer é que tem saído muita coisa boa dessa nova geração de músicos pernambucanos e de estilos variados como é o caso da Mombojó, Rádio de Outono, Profiterolis, 3 Ets Records, Le Bustier èn Decadence, Mellotrons, Chambaril entre outros.

Que bandas vocês gostariam de ter trazido para o Festival? Houve um rumor que teríamos o Le Tigre…
Poxa… Foram várias bandas. Inicialmente estávamos lidando com a Delgados, porém eles acabaram! Foi um choque pra nós, porque foi a banda escolhida. Mas são coisas que acontecem…. Sobre a Le Tigre cogitamos a possibilidade, mas acabou nem rolando, até porque eles lançaram um disco novo e aí o preço sobe.

O programa de rádio já pode ser ouvido pela internet, certo?
Sim, através do site: www.ufpe.br/tvu, porém é uma coisa que não depende muito da gente, às vezes está fora do ar, mas na maioria das vezes é possível escutar sim. O que estamos bolando é que as pessoas tenham acesso aos programas no novo site, que como eu falei, entra em breve! Mas não deixem de escutar o programa por enquanto, todos os sábados, das 11h00 ao meio dia, pela Universitária FM (99,9) e visite o nosso site:
http://www.coquetelmolotov.com.br/!

WHO´S WHO DO FESTIVAL
Idéias rápidas sobre as principais atrações do No Ar.


A dupla The Kills

THE KILLS
Abusando do punk-sexy-hard, VV e Hotel são o White Stripes sujo e nervoso. Abusando de um rock lo-fi e muito grito e tensão sexual, a dupla lança seu disco No Wow em agosto. A banda não toca baixo e ainda abusa de efeitos como uma Shan Marshall louca. Tocam em agosto no Campari Festival em São Paulo, mas antes vêm destruir tudo e todos no Recife.

DUNGEN
O Grito já disse que Gustav Ejstes, a cabeça por trás do Dungen é docaralho. Mas agora o povo alternativo poderá enrolar a língua com o rock sueco psicodélico da banda. Muita viagem revisitando (muito) o pop dos anos 60 misturado com digressões juvenis dos 90 como Jesus & Mary Chain.

HURTMOLD
A banda mais importante do cenário independente hoje no Brasil, o Hurtmold tenta explicar o seu post-rock. Com guitarras experimentais, estão superestimados na cena indie de São Paulo. Pra quem sempre achou o Tortoise um saco, verão como essa banda paulista consegue ser original. Chegam com a moral de seu disco Mestro, considerado um dos melhores discos nacionais até agora.

RADIO DE OUTONO
A nova onda fofa sessentista acontece nesta banda. Mas não espere nada muito Belle And Sebastian. Com um visual jovem-guarda a banda é headline entre as bandas novas de Recife. Tiveram uma ótima vitrine no Abril Pro Rock quando concorreram a uma vaga na final do Festival Claro Que È Rock. Barbara Jones, a vocalista, sabe se utilizar de sua imagem de musa-indie, fazendo das apresentações do RdO um fenômeno além do disco.



Beck | Guero
Junho 14, 2005, 8:17 pm
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BECK :: Guero

Você que não reconhecia o Beck desde Midnight Vultures, quando após este disco, o garoto-prodígio passou a viajar na maionese entre MPB’s, baladas folk deprês e discos obscuros, pode ficar tranquilo. Agora, Beck Hansen se reencoontra no estilo que ele criou e que o tornou um ícone no rock alternativo. Todos os elementos do seminal Odelay estão neste álbum. O cinismo caipira de “Farewell Ride” com suas várias viradas de guitarras, o rap preguiçoso de “Hell Yes”, sem falar de “Girl”, a melhor música do disco e uma das 14 ótimas razões para apostar Guero como disco do ano.

Nota: 9,0



Kaiser Chiefs | Employment
Junho 14, 2005, 8:16 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Kaiser Chiefs, Música

KAISER CHIEFS :: Employment

Outra banda a despontar no fuzuê retrô que se encontra hoje, o Kaiser Chiefs decalca o Devo e Talking Heads no chamado neo-new wave. Suas músicas cumprem bem o papel de transportar para festas modernas, o clima de bandas oitentistas. Aliás 6 das 12 faixas foram produzidas por Stephen Street, o guia que levou os Smiths à glória do rock. Com um debut bem feito à moda das bandas hype, o único ponto fraco são algumas músicas que soam como um Super Furry Animals ruim! [Paulo Floro]

Nota: 7,0



Foo Fighters | In Your Honor
Junho 14, 2005, 8:15 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Foo Fighters, Música

FOO FIGHTERS :: In Your Honor

Dave Ghrol, o proto-cool do rock conseguiu tornar a sua banda algo assimilável entre a ordinary people das FMs. Entre as megas, conseguiu figurar-se entre aqueles que estacionam no “aquilo de sempre” e continum a lotar estádios. Suas guitarras meio acústicas, meio pesadas, não acrescentaram nada de novo ao que a banda já mostrava. Mas o disco não é ruim, apenas é um desperdício fazer um álbum duplo quando não se tem nada a dizer. [Paulo Floro]

Nota: 6,0



Tetine | Bonde do Tetão
Junho 14, 2005, 8:14 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Floro, Música, Tetine

TETINE :: Bonde do Tetão

Depois de se transformarem em uma espécie de alt-electro da música eletrônica brasileira, o casal paulista-londrino conquista novamente as pistas com suas viagens fashion-fetichistas. Se aprofundando nas batidas funk do Rio, a dupla aciona o fator sexo que deixa Miss Kittin apagada. O Tetine consegue trazer esta catarse do funk misturando ao seu electro-rock primal e elegante. Jogação imediata. [Paulo Floro]

Nota: 8,0



Bloc Party | Silent Alarm
Junho 4, 2005, 8:12 pm
Arquivado em: Bloc Party, Crítica-Música, Floro, Música

O HYPE É DELICIOSO… OU COMO SER COOL É SER URGENTE
Por Calvin Curtis

BLOC PARTY | Silent Alarm
[Vice,2005]

Ser o “status cool” do momento não é só estampar a capa de revistas descoladas, receber 5 estrelinhas dos maiores críticos do mundo e ser comparado a grandes nomes do reinado pop como o Cure. Para ser a próxima grande coisa do circo pop, é preciso ter no mínimo atitude e saber ser criativo em se aproveitar ao máximo do legado deixado pelos figurões nas últimas décadas. E isso o Bloc Party soube fazer bem. Na grande pressa em que vive o rock, poderíamos dizer que o grupo é a sucessão do Franz Ferdinand – um grupo que não completou um ano desde seu disco de estréia. Aliás, o Bloc Party começou a carreira abrindo shows do Franz Ferdinand no currículo de shows do Norte. Mas são tão inúteis as razões pelas quais a banda tornou-se pauta principal em inúmeras publicações; por isso o Bloc Party fez sua estréia Silent Alarm, com despretensão tamanha que conquistou pistas e shows por aí. Quem ainda não dançou “Banquet“?


Keke Okereke, o mais cool dos tempos modernos?

Formado em 2002 nos EUA, a banda é liderada pelo atual papa cool, Kele Okereke. Existem inúmeras listas e fóruns que apontam Kele como uma das pessoas mais cool da estação. (e aviso aos indies, à banda pode vir este ano para o Brasil, ainda bastante acessa). Adeptos do chamado neo-new wave, estilo que se apropria dos vocais amargurados-alegres e guitarras com eco, de bandas dos anos 80 como o Cure, o Bloc Party acabou sem querer, sendo o principal representante do “movimento”. Cumprindo com notas máximas todas as influências e características da nova onda retrô que varre o imaginário rock atual, a banda aposta tudo na embalagem; roupas, clipes, entrevistas. No ano passado já tinham lançado um EP, que já possuía a estourada Banquet e que os fez estourar em festas descoladas. Abrindo com “Like eating Glass”, a banda mostra que o rock cada vez respira novos ares. As primeiras faixas de Silent Alarm são um convite descarado ao hedonismo, dançantes, pujantes. Suas guitarras possuem personalidade, pontuam todo o disco com em “Positive Tensions” e a já citada “Banquet”.

Por um momento parece que estamos ouvindo um Robert Smith mais alegre. O Bloc Party é a banda – ao lado do Interpol – que soube utilizar de modo inteligente o estilo e o som de bandas oitentistas sem parecer uma recauchutagem. Como um jato em queda, o desespero contagiante e as batidas urgentes do início dão lugar a um marasmo dark no final. Mas até entre elas encontramos perolas como “Luno”, com seu baixo veloz e vocal abafado. Bloc Party não tem ares de uma novidade incendiaria e talvez seu hype não vingue, mas quem terá interesse de discutir isto depois de Silent Alarm?
Nota:: 7,5