O Grito!


Dungen | Ta Det Lugnt
Maio 19, 2005, 8:18 pm
Arquivado em: Crítica-Música, Dungen, Floro, Música

PSYCHOCANDY NO MORE
por Paulo Floro

DUNGEN | Ta Det Lugnt
[Kemado, 2005]

Você sabe o real significado do que é ser alternativo? Esqueça o Can-pop, o Neo-new wave, Olivia Tremor Control, o hardcore portugês, resenhas da Wire e até mesmo o pop sueco. Dungen representa no rock atual, o máximo do alternativo. Relembra um passado recente em que o “alternativo” significava uma coisa realmente espetacular e diferente. Banda de um homem só, Dungen é a voz dissonante na era de iPods onde a velocidade pede músicas de 4 estrofes e um clipe bacana. Dungen, a banda, é na verdade um garoto de 24 anos, sueco e multiinstrumetista. Seu país sempre se destacou em ótimos grupos que colocaram o Norte no mapa da música pop. Gustav Ejstes, o alter-ego do Dungen, é a pedra no meio desse caminho. Cantando em sua língua natal, lançou no final do ano passado o disco Ta Det Lungnt, uma obra prima esquizofônica com ecos progressistas. É difícil fazer comparações à obra de Ejstes, dado a sua falta de sincronia com o resto das ditas novidades mundo afora, mas podemos encontrar ecos de um Brian Wilson desesperado em sua busca de orquestrações harmônicas perfeitas e harmonia multiinstrumental. Mas isso ainda é pouco se falando de Ta Det Lugnt.

Fugindo de clichês de bandas progressivas, Dungen cria melodias que misturam psych-pop com fuzz-jazz e experimental. Mas, volto a repetir, é difícil enquadrar Dungen em algo no mínimo parecido com o que já foi feito. Buscando uma aura retrô em suas canções, Gustav tocou todos os instrumentos, criou excessos de arranjos brilhantes e deu uma aula de como surpreender o ouvinte. “E För Fin För Mig” é uma odisséia em 4 andamentos como se não se via desde “Paranoid Android”. O disco em suas 13 faixas cria uma atmosfera medieval, conduzida por flautas, muita bateria, pianos descompassados, órgão, guitarras com solos interrompidos, escalas de violinos e um vocal meio celta da qual não se entende nada. Parece um acid-rock absurdamente experimental com contornos de power-pop. Com músicas de 8 minutos repletas de viradas, gradações e ornamentações (na verdade um pedaço de música incluída abruptamente no meio de outra) Ta Det Lungnt alterna melancolia e esquizofrenia, tornando ainda mais interessante a viagem pop suas faixas.

Dungen é o tipo de banda onde se precisa gastar um parágrafo inteiro descrevendo seu som, sua vibração, seu estilo, o feeling, enfim. Acreditei que dizer que o disco é do caralho, ficaria um pouco vago. Mas a experiência de mergulhar em sua atmosfera psycho-hard ainda continua sendo indescritível. Escute num volume que te incomode.
NOTA :: 9,5



Beulah | Yoko
Maio 9, 2005, 8:24 pm
Arquivado em: Beulah, Crítica-Música, Música, Wagner

SÓ COISA DE GRINGO MESMO
por Wagner Beethoven

BEULAH | Yoko
[Velocette, 2003]

Banda californiana liderada por Miles Kurosky e Bill Swan chega com Yoko, este álbum chega com uma enormidade de influências e referências, Beulah sendo uma banda relativamente antiga, uns 4-7 anos de estrada nunca fez algo tão bom e consistente como Yoko. As semelhanças vão de Massive Attack, Portishead, Blur, Oasis, Manic Street Preachers e tantos outros. 45 minutos e 21 segundos é o tempo exato pra a felicidade ou tristeza completa, Yoko é um álbum extremamente complexo e de difícil audição. Pode-se imaginar uma jam entre: Portishead e Blur? Não? A Man Like Me é a histórica jam. Em alguns momentos o Blur tem espaço, em outros pode-se ouvir Beth Gibbons e cia. orquestrando a obra. Depois de beber no manjar dos deuses, Landslide Baby é hit na certa, faz com que você ache o mundo lindo e maravilhoso e afaste os móveis, aumente o som e cantarole junto com o belo e fofo refrão. You’re Only King Once é com Ian Brown, do Stone Roses mandando.

O idealizador do Brit Pop faz presença na pegada. My Side of the City é melhor, o Manic Street Preachers nas guitarras, vocais e atitude. A mais pesada do disco… Excelente. Já Hovering vem parecidíssima com as músicas do Super Furry Animals e os seus contemporâneos do Earlimart. Refrão assobiável e um deleite aos ouvidos. Perfeita para o suicídio. Me And Jesus Don’t Talk Anymore é anunciada por um coro, mas ele não passa disso. Guitarras, pianos e sintetizadores dão uma virada na música, mostrando que os californianos não são nada medíocres como foram chamados certa vez com seu álbum Handsome Western States. Perfeita para se torna sucesso nas rádios e carrinhos de picolé. Fooled With The Wrong Guy passeia no country bom, é audível, tristinha, ótima pra deixar esta esfera e partir pra outra melhor! You Mother Loves Your Son é rock ‘n’ roll puro e cru; perfeita para bombar nas pistas de festas de descolados, indies e afins, canção única na história da música…

Don’t Forget to Breathe é o The Coral, o Blur e o Pavement, como disse assim como o Beulah, Don´t Forget to Breathe traz consiga uma carga de globalização. A última faixa do disco e como não poderia faltar, uma faixa chata e sem o requinte e cuidado da banda. Como todo adeus é amargo, Wipe Those Prints And Ruin é azeda, chata e arrastada; não poderia ser perfeito não é? Yoko, em sua audição me fez pensar que bandas influenciam bandas e é normal, mas no caso deste álbum, pode-se escutar traços específicos de outras bandas. Eu me pergunto: Yoko é bastante parecido com tanta coisa, mas mesmo assim continua sendo único. Recomendado. Pode comprar baixar ou pedir emprestado não vai haver arrependimento.
Nota: 9,0.